quarta-feira, 25 de março de 2020
Falando sozinho
O presidente Jair Bolsonaro não cessa de dizer asneiras. Ontem, no entanto, conseguiu se superar. Num pronunciamento ao país, Bolsonaro foi patético, ridículo, irresponsável, criminoso. Em apenas quatro minutos e meio, fez declarações absurdas. Entre elas, a de que, caso fosse infectado pelo coronavírus, nada sofreria, ou no máximo, teria uma "gripezinha" ou "resfriadinho", devido a ter sido um "atleta". O rol de besteiras ditas por Bolsonaro teve o intuito de defender a flexibilização da quarentena preventiva do coronavírus, para evitar a quebra da economia. A reação ao pronunciamento foi imediata e, como não poderia ser diferente, muito negativa. O presidente do Senado, governadores, prefeitos, autoridades médicas, diversas instituições das mais variadas áreas, economistas, sem exceção, condenaram veementemente as posições externadas por Bolsonaro. Claro, muitos internautas e os empresários de sempre apoiaram a fala do presidente. Porém, não devem ser levados em conta, pois são fundamentalistas, atrelados de forma incondicional ao seu "mito". Entre as pessoas relevantes, Bolsonaro ficou falando sozinho.
terça-feira, 24 de março de 2020
A ficha não caiu para a direita
Alguém escreveu, numa das tantas postagens sobre o drama do coronavírus, que neoliberal não chora, faz conta. Uma grande verdade, sem dúvida. Nem mesmo o coronavírus é capaz de fazer com que Trump, Bolsonaro e seus apoiadores reconheçam que sua agenda econômica não pode mais ser aplicada. A ficha não caiu para a direita. Num mundo em que a economia parou devido a uma pandemia, os adeptos do neoliberalismo seguem pensando em políticas danosas aos trabalhadores. No Brasil, Bolsonaro e seus apoiadores no meio empresarial insistem em negar a gravidade do coronavirus, preocupados com as consequências da quarentena para a economia. Não percebem que depois do coronavírus o mundo não será mais o mesmo. Não há normalidade a ser mantida. As competições esportivas foram adiadas no mundo inteiro. O tradicional Festival de Cinema de Cannes não será realizado na data prevista. Os prejuízos econômicos com a quarentena serão gigantescos. Achar que, quando a pandemia for dominada, tudo voltará a ser como antes, é um delírio da direita que cobrará um preço ainda mais alto para os países em que ela governa.
segunda-feira, 23 de março de 2020
Situação limite
A cada dia, torna-se mais danosa e injustificável a permanência do presidente Jair Bolsonaro no cargo. Na madrugada de hoje, Bolsonaro editou uma medida que, entre outras resoluções prejudiciais aos trabalhadores, permitia que as empresas deixassem de pagar salários por quatro meses aos seus empregados. Pouco depois do meio-dia, após uma enorme repercussão negativa, Bolsonaro voltou atrás, e retirou esse item da medida. Esse comportamento dá bem a dimensão de como Bolsonaro "governa". O ex-capitão age de maneira errática, dando declarações que, depois, retifica, e tomando decisões que, mais tarde, revoga. O pior é que ainda há quem defenda Bolsonaro e veja má vontade dos que o criticam. O Brasil chegou a uma situação limite. Não há como enfrentar, adequadamente, a pandemia do coronavírus tendo Bolsonaro mantido no cargo. O país precisa se livrar desse peso, para poder enfrentar dias tão difíceis.
domingo, 22 de março de 2020
As Olimpíadas não podem ser realizadas
A Eurocopa já foi transferida para 2021. A Copa América, também. São competições de abrangência continental. Curiosamente, as Olimpíadas, cujo alcance é mundial, ainda não tiveram o seu adiamento decidido. O Comitê Olímpico Internacional reluta em tomar essa decisão. Em princípio, a competição está confirmada. Dentro de um mês, sairá uma definição. Por várias razões, as Olimpíadas não podem ser realizadas em 2020. A preparação dos competidores está prejudicada pela quarentena em função do coronavírus, na data marcada para o início das Olimpíadas a situação da pandemia ainda não estará significativamente melhor a ponto de se realizar uma disputa desse porte, o abalo do mundo inteiro devido a uma situação tão dramática não terá sido superado, às viagens aéreas para o Japão, dos esportistas e de torcedores, poderão causar um recrudescimento da doença. O bom senso recomenda que as Olimpíadas sejam postergadas para o próximo ano. Claro que isso implicará em grandes prejuízos para os organizadores e patrocinadores, mas há outros valores a serem colocados na balança, e que não podem ser mensurado em cifrões.
sábado, 21 de março de 2020
O contraste de dois aniversários
Se Ayrton Senna estivesse vivo, completaria, hoje, 60 anos. O dia de hoje marca, também, os 40 anos de Ronaldinho. Em princípio, estaríamos diante de uma triste lembrança, já que Senna se foi muito cedo, e de uma comemoração efusiva das quatro décadas de vida de um jogador de futebol que, por dois anos consecutivos, foi escolhido como o melhor do mundo. Não é assim. O contraste de dois aniversários tão badalados é outro. Senna deixou doces lembranças nos brasileiros, que recordam de suas façanhas nas pistas, e morreu com sua imagem intocada. No que se refere a Ronaldinho, a situação é diferente. A significativa data de hoje está sendo comemorada por Ronaldinho dentro de um presídio no Paraguai. Enquanto Senna soube cultivar sua imagem de ídolo, fazendo com que ela perdure mesmo após sua morte, Ronaldinho só faz desgastar seu conceito público por meio de uma vida errática que culminou com sua prisão por uso de passaporte falso. Ambos brilhantes nos seus respectivos esportes, Senna e Ronaldinho diferiram muito na conduta pessoal. Para o reconhecimento público, isso faz uma diferença considerável.
sexta-feira, 20 de março de 2020
O oportunismo de Dória
Há pessoas que põem seus interesses acima de tudo, e não se detém em nome de nada, procurando tirar proveito até em situações dramáticas. Um exemplo disso é o governador de São Paulo, João Dória Júnior. Suas pretensões de concorrer a presidente em 2022 não são segredo para ninguém. Percebendo que o presidente Jair Bolsonaro não consegue exercer o seu papel na crise do coronavírus, o governador de São Paulo está tentando assumir o protagonismo, em escala federal, no enfrentamento da pandemia. Conjuntamente com os demais governadores do Sudeste, e também os do Sul, Dória anunciou medidas para o combate á expansão da doença. Suas intenções ficaram mais do que claras quando disse que estavam "liderando" a luta contra a pandemia, já que o presidente, a quem competiria tomar essa atitude, não o faz, e quando age, erra. Dória sabe que Bolsonaro vive um processo de desgaste, e que panelaços já foram realizados pedindo sua saída do cargo. O oportunismo de Dória tornou-se evidente, na busca de valorizar sua imagem junto ao eleitorado num momento de grande apreensão. Bolsonaro, Dória, e vários outros participantes do cenário político, não estão preocupados com o sofrimento dos brasileiros. Sua única preocupação é obter dividendos eleitorais.
quinta-feira, 19 de março de 2020
Confinamento
O avanço dos casos de coronavírus levou a que, em todo o mundo, fosse estabelecida uma quarentena para todas as pessoas, que devem permanecer dentro de suas casas, como modo de deter a expansão da doença. Nada pode ser mais exasperante para um ser humano do que se submeter a um confinamento compulsório. A situação que já dura algumas semanas, deverá se intensificar, até mesmo com ações repressivas para quem sair de casa "sem necessidade". A pandemia de coronavírus ainda está em processo de crescimento e, por isso, medidas drásticas são justificáveis. Porém, o isolamento forçado leva a um quadro de ansiedade. Uma determinação como essa não pode se estender por um prazo demasiadamente longo. Hoje, uma série de resoluções de extremo rigor foi elaborada pelo governo federal e administrações estaduais para limitar a circulação de pessoas. Com o transcorrer dos dias, o isolamento obrigatório levará a uma inconformidade crescente. Uma total modificação da rotina por um tempo prolongado desestabiliza emocionalmente as pessoas. Seres humanos não nasceram para viver enjaulados. Uma pandemia é um fato extremamente grave, e seu enfrentamento exige a adoção de decisões radicais, mas o direito de ir e vir está entre os mais basilares da condição humana.
quarta-feira, 18 de março de 2020
A triste situação de Manga
Depois de anos residindo no Equador, o ex-goleiro Manga, de 82 anos, está de volta ao Brasil. Porém, Manga não vive um bom momento, e precisa de auxílio. Depois de uma carreira longa e vitoriosa, tendo conquistado títulos importantes e até disputado a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, Manga está sem dinheiro. A triste situação de Manga despertou a solidariedade de torcedores e dos clubes onde jogou. Manga deverá ir morar, junto com sua mulher, no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. A instituição é presidida pelo ator Stepan Nercessian, torcedor do Botafogo, clube onde o ex-goleiro foi ídolo. A casa em que Manga e sua mulher irão morar, no entanto, precisará ser reformada, e também necessitará de móveis. Para essas finalidades, já há até uma conta bancária para arrecadar recursos de quem se disponha a ajudar. Manga é mais um entre tantos grandes nomes no futebol que são vitimados pela imprevidência. Ganhou muito dinheiro, mas desperdiçou. Seu gosto pelo jogo de cartas era por demais conhecido. Como todos que se entregam às suas paixões de modo irrefreável, Manga está pagando o preço justamente na fase da vida em que se é mais frágil e dependente de recursos.
terça-feira, 17 de março de 2020
Calamidade Pública
A situação da pandemia de coronavírus no Brasil é bem mais grave do que se supunha inicialmente. A prova disso é que o governo federal enviou, hoje, ao Congresso Nacional o pedido de reconhecimento do estado de calamidade pública. Uma vez estabelecido, o estado de calamidade pública permitirá que os limites de gastos que são impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal sejam alargados, o que é essencial num momento tão grave e excepcional como o que está sendo enfrentado agora. O curioso é que isso ocorre paralelamente às declarações absurdas do presidente Jair Bolsonaro de que o coronavírus não é um problema tão grave assim. Por sinal, por tudo que tem dito e feito num momento como esse, Bolsonaro deveria sofrer um processo de impeachment. Seu despreparo para o exercício do cargo, que já era evidente, tornou-,se escancarado. O país enfrenta um drama de saúde pública de grandes proporções. Ter de superar essa situação com um presidente incapaz e mentalmente perturbado torna tudo mais difícil.
segunda-feira, 16 de março de 2020
Tirando vantagem da pandemia
A pandemia de coronavírus é um problema de saúde pública mundial, e a única preocupação dos governantes deveria ser a de salvar vidas. Deveria, mas não é. Os capitalistas não admitem sofrer prejuízos e, quando isso ocorre, querem dinheiro e benefícios fiscais concedidos pelos governos para poderem se recuperar. No caso em questão, os tubarões do capitalismo estão tirando vantagem da pandemia. O execrável ministro da Economia, Paulo Guedes, vai injetar bilhões de reais para socorrer as empresas dos prejuízos que tiverem em função do coronavírus. Não bastasse isso, Guedes cobra do Congresso a privatização da Eletrobrás, ou seja, em vez de concentrar-se numa situação de natureza excepcional, Guedes quer fazer uso dela como cortina de fumaça para poder aprovar suas medidas neoliberais. Num momento como esse, todas as ações devem estar concentradas no combate à pandemia. Pautas políticas podem, e devem, ser postergadas. A hora é de preservar vidas, não de favorecer a agenda privatista de Guedes.
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