quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
A aposta de Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro nunca escondeu o seu gosto pelas redes sociais. O ex-capitão realiza postagens nelas com grande frequência. Esse comportamento não é por acaso. A aposta de Bolsonaro nas redes sociais decorre do fato de que os seus apoiadores desprezam a imprensa e o que ela noticia. São seguidores fanáticos, que preferem o contato direto com o homem com quem estão alinhados incondicionalmente. Até mesmo a figura do porta-voz vem sendo abandonada por Bolsonaro. Com sua incapacidade como presidente cada vez mais explícita, e declarações desastradas que vão se acumulando, Bolsonaro prossegue no seu conhecido ataque à imprensa, dizendo que jornalistas são uma espécie em extinção, e afirma que os livros didáticos precisam ter menos textos. São situações que estão ligadas. Bolsonaro sabe que suas chances de permanecer no cargo, e até de concorrer à reeleição, estão restritas ao apoio dos fanáticos da internet. A interpretação e reflexão consciente sobre os fatos são uma ameaça permanente para os seus planos. Sua comunicação via redes sociais é um contato entre descerebrados nas duas pontas. Nele, reside todo o patrimônio eleitoral de Bolsonaro. Se submetido a uma análise profunda e consciente de suas ações, Bolsonaro derrete como um sorvete exposto ao sol.
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Conflito iniciado
- O Irã já realizou dois ataques com mísseis contra bases americanas no Iraque. Não se sabe, até agora, sobre a existência de vítimas, mas é óbvio que há um conflito iniciado entre os dois países, de consequências ainda incalculáveis. Era mais do que claro que o Irã não iria deixar sem resposta o assassinato de seu militar de maior prestígio, Qasem Suleimani. O país já havia anunciado que iria retaliar, e o fez. A extensão dessa contenda é a grande interrogação que fica para o mundo. Com um presidente tresloucado como Donald Trump, como irão agir os Estados Unidos? Por enquanto, Trump não irá se pronunciar á nação, o que indica que a situação ainda está sendo avaliada. O certo é que a tensão entre Irã e Estados Unidos deixa o mundo sob suspense em relação às consequências desse enfrentamento. Efeitos de quedas nas bolsas de valores asiáticas já se fazem sentir. Uma alta no preço do petróleo também já foi verificada. São apenas os reflexos iniciais de um combate de extensão ainda imprevisível.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
Vaidade
Numa declaração extemporânea, feita na semana em que os clubes estão voltando às atividades, o técnico do Flamengo, Jorge Jesus, resolveu alfinetar o do Grêmio, Renato, dizendo que ele nunca trabalhou fora do país, e não foi campeão brasileiro. A manifestação do técnico português é uma resposta com efeito retardado às colocações de Renato que, meses atrás, fez observações restritivas a Jorge Jesus, enciumado com a badalação em torno do técnico do Flamengo. Renato também pisou na bola ao falar sobre o português. As atitudes de ambos demonstram que eles são movidos pela vaidade. Competentes e vitoriosos, Renato e Jorge Jesus possuem uma autoestima enorme, confiam muito na própria capacidade. Não é uma condição ruim, mas precisa ser controlada. A postura vaidosa dos dois em relação ao próprio trabalho, e as declarações depreciativas ao do companheiro de profissão, nada trazem de positivo. Uma disputa de egos como essa, acaba resvalando para o folclore, condição que não enaltece dois profissionais tão qualificados em sua atividade.
domingo, 5 de janeiro de 2020
Poucas novidades
A partir de amanhã, os clubes brasileiros começarão a retornar do período de férias. Durante o mês sem atividades, no entanto, foram poucos os anúncios de novas contratações, embora tenham sido muitas as especulações. Esse é um quadro que tem se repetido a cada ano, pois os clubes brasileiros se debatem há tempos com a falta de recursos. O resultado é que os torcedores terão poucas novidades para o reinício das competições, o que fará com que se sintam pouco estimulados. Nem mesmo os clubes considerados "endinheirados" fogem desse padrão. O Palmeiras não contratou nenhum novo jogador, e o Flamengo fez aquisições, mas vendeu Reinier, uma de suas revelações, por 135 milhões de reais para o Real Madrid, seguindo com sua política de negociar jovens valores para poder fazer contratações. Caso os clubes não acelerem a vinda de reforços, a tendência é um início de ano pouco entusiasmante, pois os campeonatos estaduais são desinteressantes, e sem novos nomes em seus clubes, os torcedores não se sentirão mobilizados.
sábado, 4 de janeiro de 2020
A França segue sendo um exemplo
Um verdadeiro farol para a humanidade. Assim foi a França durante muito tempo. A chamada "Revolução Francesa" foi, na prática, um divisor de águas para toda a sociedade ocidental. A noção de "liberdade, igualdade e fraternidade" se espalhou pelo mundo. A base intelectual e humanística ocidental tem origem na França. Os enciclopedistas e humanistas franceses influenciaram o modo de pensar de várias gerações. Nomes do porte de Rousseau, Voltaire, Diderot, Montesquieu. Esse quadro permaneceu até os primórdios do século XX. A partir da Primeira Guerra Mundial e, principalmente, da Segunda, os Estados Unidos tornaram-se culturalmente hegemônicos, o que, para o mundo, teve consequências lamentáveis. O empobrecimento cultural que resultou desse predomínio é chocante. Usando, inicialmente, o cinema, os Estados Unidos criaram a cultura de massas, e propagaram pelo mundo os seus valores, incitando ao consumismo e ao conceito de uma sociedade dividida entre vencedores e perdedores. Porém, se foi suplantada na sua influência mundial pelos Estados Unidos, a França nunca se dobrou à hegemonia cultural americana. Não cede à boçalidade dos da turma do Tio Sam. Agora mesmo, enquanto a população de vários países se submete com pouca resistência ao desmonte de seus direitos previdenciários, os franceses saem às ruas ruidosamente, pelo mesmo motivo. Os protestos já duram meses, e o governo não sinaliza ceder em suas intenções, mas quem conhece a têmpera do povo francês sabe que ele não irá desistir até a revogação parcial ou total da reforma previdenciária. A França segue sendo um exemplo para o mundo. Um modelo de dignidade, caráter, consciência, independência, autenticidade.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
O xerife do mundo
Os Estados Unidos, por sua condição de maior potência entre todos os países, consideram que seu poder está acima de tudo e de todos. Em nome de seus interesses, ignoram resoluções da ONU, matam adversários políticos, invadem países, promovem guerras, pois se autodesignaram como o xerife do mundo. O mais novo capítulo dessa escalada autoritária e imperialista foi o assassinato, ontem, do general iraniano Qasem Suleimani. Como de costume, a justificativa para o assassinato, como se isso fosse possível no caso de uma ação tão torpe, foi a de que Suleimani planejava ataques violentos contra os Estados Unidos. Argumento semelhante ao usado para o ataque ao Iraque e o assassinato de Saddam Hussein. O Iraque, supostamente, estava produzindo armas de destruição em massa, o que, se soube depois, era mentira. Há quem veja, no episódio atual, até a ameaça de deflagração de uma terceira guerra mundial. Não se deverá chegar a tanto, é claro, mas ocorrerão retaliações, e poderão ser muito fortes. Suleimani era um homem de imenso prestígio em seu país. As consequências não serão apenas políticas, mas também econômicas, com aumento no preço dos combustíveis, por exemplo, afetando a todos os países. Como o próprio governo americano afirmou, os Estados Unidos agem em defesa dos seus interesses e de seus cidadãos em qualquer parte do mundo. Em síntese, para os Estados Unidos, o mundo é o seu quintal.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
Estreia modesta
- O Grêmio nunca foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a mais prestigiosa competição do gênero no país. O máximo que conseguiu foi um vice-campeonato, em 1991, com um time que tinha Danrlei e Roger, que depois se tornariam os jogadores mais vitoriosos da história do clube, como profissionais. Na ocasião, no entanto, o Grêmio foi goleado na decisão pela Portuguesa, que tinha Dener como o seu maior destaque. O excelente trabalho do clube nas categorias inferiores, nos últimos anos, revelando jogadores como Walace, Artur, Pedro Rocha, Everton, Pepê, entre outros, gera sempre a expectativa de que o Grêmio possa obter o título. Hoje, o Grêmio estreou em mais uma Copa São Paulo. Foi uma estreia modesta, na qual venceu o frágil Real (DF) por 2 x 0. O primeiro tempo terminou com um único gol, de pênalti. No segundo, já no final, o Grêmio ampliou o placar. A superioridade do Grêmio foi flagrante no jogo, principalmente na reta final da partida, quando o Real, visivelmente, cansou. Porém, isso não se traduziu numa vitória larga. Resta saber se o Grêmio jogou só para o gasto, poupando-se para as próximas partidas, ou se o potencial do seu time sub-19, com o qual disputa a competição, é menor do que o esperado.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
Equívoco repetido
O Grêmio anunciou hoje a sua segunda contratação para 2020, o volante Lucas Silva, que estava sem clube. O clube incorre, assim, num equívoco repetido ao longo do período em que é presidido por Romildo Bolzan Júnior. Preocupado com a saúde financeira do clube, Romildo evita gastos com aquisição de jogadores, preferindo os que estão livres no mercado. Afora a questão financeira, Romildo parece acreditar piamente na lenda de que o técnico do Grêmio, Renato, recupera qualquer jogador em baixa na carreira. Sim, isso não é mais do que uma lenda. Com exceção de Bruno Cortez, Renato não recuperou mais ninguém, e Rômulo e André são exemplos gritantes disso. Um dado intrigante, nesse aspecto, é que por mais que o presidente venha cumprindo um bom trabalho de recuperação das finanças do clube, fato que é reconhecido por todos, o Grêmio segue sem poder de investimento em contratações. Para esse ano, a quantia destinada para isso, ao que se diz, seria de 16 milhões de reais, ridícula para um clube do porte do Grêmio. Com relação, especificamente, a contratação de Lucas Silva, ela tem uma enorme possibilidade de não dar certo. Lucas Silva ainda é jovem, tem 26 anos, mas sua trajetória no futebol é frustrante. Depois de um começo fulgurante no Cruzeiro, clube que o revelou, pelo qual foi bicampeão brasileiro em 2013 e 2014, Lucas Silva foi vendido para o Real Madrid. A partir daí, seu futebol só fez decair. Não conseguiu se firmar no Real Madrid, onde jogou poucas partidas. Foi emprestado para o Olympique de Marselha, fez um número maior de jogos, mas também não permaneceu no clube francês. Voltou para o Real Madrid, mas o técnico Zidane não o quis. Foi, então, emprestado para o seu clube de origem, o Cruzeiro, por dois anos. Antes mesmo do final de 2019, Lucas Silva deixou o Cruzeiro e rescindiu com o Real Madrid, que ainda detinha o seu vínculo. Desde então, estava livre no mercado. Em suas atuais condições, Lucas Silva não é mais do que uma aposta, e que tem grande chance de não dar certo. A contratação fica mais temerária ainda com o fato de que o jogador assinou contrato por quatro anos. Diante de exemplos anteriores de contratações desse mesmo tipo que redundaram em fracassos, fica difícil entender que o Grêmio insista no mesmo modelo.
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Balanços
O último dia do ano chegou. Com ele, inevitavelmente, os balanços de prós e contras. No que diz respeito ao país, 2019 foi desastroso. Como não poderia deixar de ser, o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro foi um festival de horrores. Só a imprensa conservadora, participante ativa do conluio que levou Bolsonaro ao poder, conseguiu ver aspectos positivos em sua administração. O ex-capitão confirmou, na prática, todas as suas afirmações de campanha, carregadas de ataques ao Estado laico, homofobia e outras atrocidades. Acabou com o futuro dos trabalhadores ao obter a aprovação da Reforma da Previdência. Ampliou a precarização do trabalho iniciada no governo de Michel Temer. Favoreceu o desmatamento da Amazônia. Pôs energúmenos em ministérios importantes, comprometendo a Educação, as Relações Exteriores, entre outros setores. Não há o que festejar no Brasil de 2019. Fora do otimismo institucional dos finais de ano, nada há para projetar de bom para 2020. O que está ruim, tende a ficar pior. Fora dos acadêmicos e da imprensa comprometidos com o governo, ninguém pode ver motivos para acreditar em um ano melhor que o anterior. Por isso mesmo, não é cabível desejar aos brasileiros que suportem por quatro anos até o final desse governo. O melhor presente que 2020 poderia dar aos brasileiros seria o impeachment de Bolsonaro.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Cinismo insuportável
Todos os governos tem os seus defensores entre os acadêmicos, e com a administração de Jair Bolsonaro não seria diferente. Ainda assim, é simplesmente repugnante acompanhar as constantes análises sobre o país do professor do Insper, Fernando Schuler. Sua presença nos meios de comunicação é quase permanente, Schuler é um "queridinho" da imprensa. Sua participação no programa "Canal Livre", da Rede Bandeirantes, um bastião do direitismo brasileiro, é frequente. Durante a campanha das eleições presidenciais, Schuler dizia não entender a rejeição de grande parte do que chamou de "academia internacional" ás atrocidades políticas que aconteciam no país, como o golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita, por exemplo, e garantia que as instituições estavam sólidas, e a democracia preservada. Schuler também foi secretário estadual de Justiça e Desenvolvimento Social (!) no governo Yeda Crusius, um dos piores da história do Rio Grande do Sul. Hoje, numa entrevista ao site UOL, Schuler exibe, mais uma vez, o seu cinismo insuportável. O acadêmico direitista diz que a agenda econômica e a segurança pública foram os grandes destaques do primeiro ano do governo Bolsonaro e que poderão lhe garantir a reeleição em 2022! Elogia a repulsiva Reforma da Previdência, uma das maiores abjeções do país em todos os tempos, exalta a suposta expansão na geração de empregos, a baixa taxa de juros, e repete exaustivamente que tudo o que acontece no Brasil está dentro das regras da democracia. Também não vê nenhuma ameaça à laicidade do Estado com a orientação claramente evangélica do governo Bolsonaro. Não é possível levar minimamente a sério as declarações de Schuler. Claramente, Schuler é um instrumento de defesa do atual governo, tutelado por grupos de direita. Um acadêmico de segunda linha que se presta a um papel indigno, mas que, por isso mesmo, conta com o apoio da imprensa que se associou ao golpe. Na verdade, o Brasil não vive uma expansão na geração de empregos, os poucos criados são precários e mal pagos, a política de segurança é a de extermínio de pobres e negros, a Reforma da Previdência roubou o futuro dos trabalhadores, e a democracia foi violada com o golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff. Fernando Schuler é um cínico a serviço de um governo execrável.
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