sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A Seleção virou um estorvo

Um dos grandes patrimônios do país, a Seleção Brasileira vem tendo sua imagem depauperada há alguns anos, por força de sucessivas administrações da CBF, que desqualificaram sua imagem transformando-a numa equipe caça-níqueis que acumula amistosos irrelevantes contra adversários inexpressivos. Se isso não fosse um fato grave por si só, às constantes convocações da Seleção prejudicam os clubes brasileiros, já que, absurdamente, as competições do país não são paralisadas nas datas-Fifa. A consequência disso tudo é que a Seleção vem recebendo cada vez mais indiferença por parte do torcedor brasileiro em relação aos seus jogos, e, quando das convocações, desperta a sua revolta pelos prejuízos que causa aos clubes. Hoje, tudo isso voltou a ficar em evidência, com a convocação para amistosos contra Senegal e Nigéria que serão realizados em Cingapura. Para esses jogos, o técnico da Seleção, Tite, convocou vários jogadores de clubes brasileiros. Esses clubes ficarão privados dos jogadores convocados em duas rodadas do Campeonato Brasileiro no momento em que a competição se encaminha para a sua definição, gerando um grande prejuízo técnico.  A convocação de um jogador para a Seleção, que em outros tempos era motivo de orgulho para o torcedor de um clube, agora é vista como um fato incômodo. Realizar amistosos contra Senegal e Nigéria, em Cingapura, um país sem tradição no futebol, é um despropósito. Há poucos dias, a Seleção jogou um amistoso contra o Peru, nos Estados Unidos, num gramado horroroso com demarcações de futebol americano. Porém, isso acontece porque a CBF, há algum tempo, terceirizou para uma empresa a marcação de jogos para a Seleção. Antes uma das maiores paixões dos brasileiros, a Seleção virou um estorvo para os clubes e os seus torcedores.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Crescimento planejado

O Athletico Paranaense, que ontem conquistou pela primeira vez o título da Copa do Brasil, está desenvolvendo uma trajetória singular no futebol brasileiro. Até hoje, os clubes que se tornaram reconhecidos como grandes no país atingiram essa condição num processo espontâneo desenvolvido ao longo de décadas. Dessa forma, chegou-se ao número de doze clubes considerados grandes no Brasil: Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio e Inter. Ao longo do tempo, eles sedimentaram sua privilegiada posição no cenário futebolístico do país, e esse grupo restrito não recebeu nenhum outro integrante. Porém, de alguns anos para cá, o Athletico Paranaense se propôs a quebrar essa barreira e ingressar no seleto grupo. Antes um clube de feitos modestos até mesmo dentro do Paraná, o Athletico buscou, de forma estruturada, mudar de patamar. Para se ter uma ideia, até a década de 80, o Athletico só tinha títulos estaduais avulsos. Seu primeiro bicampeonato estadual foi conquistado em 1982/1983. Seu maior rival, o Coritiba, já possuía, naquela época, um hexacampeonato. Com a chegada dos anos 2000, no entanto, esse quadro mudou. O Athletico começou um processo de crescimento planejado, que logo gerou frutos. O clube construiu um estádio no padrão Fifa, a Arena da Baixada, e o Centro de Treinamento do Caju, de nível invejável. Também investiu fortemente nas categorias inferiores. Os resultados logo apareceram. O Athletico foi campeão brasileiro em 2001, vice em 2004, vice da Libertadores em 2005, vice da Copa do Brasil em 2013, campeão da Copa Sul-Americana em 2018, e campeão da Copa do Brasil em 2019. Esses resultados, bem superiores aos de alguns clubes grandes no mesmo período, parecem apontar que o Athletico Paranaense está mudando de patamar, e ingressando no exclusivo grupo. Os próximos anos irão confirmar ou não essa tendência, mas tudo indica que o Brasil está ganhando mais um clube com o selo de grande.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Título merecido

 O Athletico Paranaense é o campeão da Copa do Brasil. A conquista veio, hoje, com a vitória de 2 x 1 sobre o Inter, em pleno Beira-Rio. Os dois jogos da decisão foram vencidos pelo Athletico. Um título merecido, sem dúvida. O gol da vitória, marcado aos 51 minutos do segundo tempo, teve requintes de crueldade. Marcelo Cirino, na linha de fundo, driblou Rafael Sóbis e Edenilson com um só toque, invadiu a área, livrou-se de Rodrigo Lindoso, e cruzou para Rony fazer o gol. Uma jogada de alta técnica, feita nos acréscimos, para plasmas a superioridade do Athletico no confronto, e impedir qualquer chance de reação. Foi uma grande atuação coletiva do Athletico, principalmente no segundo tempo, com vários desempenhos individuais de destaque. O goleiro Santos repetiu as boas atuações de jogos anteriores. Robson Bambu foi um jovem que entrou na fogueira de jogos decisivos e deu ótima resposta. Rony foi o melhor jogador em campo. Marcelo Cirino entrou no segundo tempo e foi fundamental. O técnico Tiago Nunes firmou-se como a grande revelação na função no futebol brasileiro. O Inter, por outro lado, acumulou equívocos. Seu técnico, Odair Hellmann, mais uma vez, cometeu erros decisivos. A substituição de Patrick por Rafael Sóbis, no intervalo, foi incompreensível. Ainda que o Inter precisasse marcar gols, pois o empate em 1 x 1 dava o título ao Athletico, a troca se mostrou prejudicial, pois houve perda de combatividade no meio de campo sem que o almejado ganho ofensivo fosse alcançado. Após a saída de Bruno para a entrada de Nonato, Edenilson foi deslocado para a lateral direita, causando mais uma perda no setor de meio de campo. Guerrero, outra vez, não se fez notar em campo num jogo decisivo. Wellington Silva, que costuma entrar bem durante os jogos, mostrou-se ineficiente sendo escalado desde o início. O resultado também acabou com o mito de que o Inter reverte confrontos no Beira-Rio, isso ocorre várias vezes, mas não vai acontecer sempre. Os próximos dias deverão ser de turbulência no Inter. A torcida, que nunca simpatizou com Odair Hellmann, tenderá a pressionar pela sua saída.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Dados que se repetem

Uma pesquisa do Datafolha, divulgada hoje pela Folha de São Paulo, sobre as maiores torcidas do país, mostra posições que consolidam levantamentos anteriores. O Flamengo, como sempre, aparece como o clube de maior torcida no país, com 20% da preferência. O Corinthians, segundo colocado, tem 14%. Na região Sul, a única em que Flamengo e Corinthians não lideram as preferências, o Grêmio está em primeiro lugar, com 23%, e o Inter, 17%. Nacionalmente, o Grêmio tem 4%, e o Inter, 3%. Com pequenas variações nos índices, essas posições vêm se mantendo a cada nova pesquisa. O Flamengo é, historicamente, o clube mais popular do Brasil. O Grêmio, há algumas décadas, tem maior torcida do que o Inter. São dados que se repetem nos levantamentos, há muito tempo, e nada indica que venham a se modificar. O Corinthians, por mais que relute em aceitar isso, tem menos torcida que o Flamengo. A condição de "maior torcida do Rio Grande do Sul" autoproclamada pelo Inter, nada mais é do que uma falácia. A lamentar, apenas, que a pesquisa revele que o índice de pessoas que não torce para nenhum clube é de 22%. Um número maior do que o percentual de adeptos de qualquer clube. Para o Brasil, que já foi chamado de "o país do futebol", esse é um triste dado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

A arrogância de Daniel Alves

O jogador Daniel Alves, do São Paulo, mostrou, outra vez, sua incapacidade para  lidar com críticas. Ontem, após o jogo São Paulo 1 x 1 CSA, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro, Daniel Alves mostrou desconforto com perguntas dos repórteres que questionavam o porquê de ele estar sendo escalado no meio de campo se a posição na qual se afirmou na carreira é a lateral direita, e disse que quem faz essas observações não jogou bola. Em 2014, irritado com as críticas à Seleção Brasileira, que foi goleada por 7 x 1 pela Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo, em pleno Mineirão, Daniel Alves declarou que a equipe estava pagando injustamente pela crise política e social que atingia o país. Para o jogador, portanto, uma goleada tão humilhante não justificaria as fortes críticas recebidas pela Seleção, da qual era um dos integrantes, após o resultado vergonhoso. Agora, diante de perguntas que lhe causaram contrariedade, Daniel Alves apelou para o "carteiraço", ao referir o fato de que os jornalistas que as formularam não jogaram futebol. Esse tipo de observação não é exclusivo de Daniel Alves, outros jogadores já se utilizaram desse argumento na tentativa de desqualificar seus críticos. A arrogância de Daniel Alves nesses episódios só expõe suas próprias limitações intelectuais, e reflete um posicionamento muito comum em brasileiros bem sucedidos, que é o de não saber conviver com críticas. Ninguém está acima do bem e do mal, por mais vitorioso que seja em sua carreira. A observação de Daniel Alves após o jogo de ontem do São Paulo é primária. Nenhum crítico, de qualquer ramo de atividade, precisa ter exercido o ofício de quem é objeto de suas análises para que elas sejam legitimadas. Um crítico de cinema não precisa ter sido um cineasta. Um crítico musical não necessita ter sido um cantor ou compositor. O mesmo vale para outras atividades como a crítica literária, teatral, etc. Daniel Alves, em sua visão tacanha da realidade, perdeu, novamente, uma grande chance de ficar calado.

domingo, 15 de setembro de 2019

Comemoração com atuação de luxo

O Grêmio completou, hoje, 116 anos, e sua torcida é que foi presenteada. Diante de um público de 41.700 pessoas, o Grêmio goleou o Goiás por 3 x 0, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foram três golaços, e várias outras chances de ampliar o placar, no primeiro tempo. No segundo tempo, o Grêmio diminuiu o seu ritmo, mas administrou o resultado eficientemente, sem ser ameaçado pelo adversário. O desempenho do Grêmio foi muito bom, coletiva e individualmente. Jean Pyerre, Everton e Alisson, afora terem marcado os gols, tiveram grandes atuações. No todo, só Bruno Cortez e Diego Tardelli ficaram um pouco abaixo do nível geral, mas sem que tenham jogado mal. Com o resultado, o Grêmio subiu três posições no Brasileirão, e já é o oitavo colocado. No dia do seu aniversário, o Grêmio teve comemoração com atuação de luxo.

Vencendo com os reservas

As declarações do vice-presidente de futebol do Inter, Roberto Melo, logo após a derrota para o Goiás, no Serra Dourada, pelo Campeonato Brasileiro, ao que parece, surtiram efeito. Na ocasião, Roberto Melo disse que não aceitava a forma como o Inter perdera o jogo, de virada, tendo um homem a mais desde os 15 minutos do primeiro tempo, logo após abrir o placar. Naquela partida, o Inter jogou com seu time reserva. De lá para cá, os reservas do Inter não perderam mais. Ganharam do São Paulo, no Beira-Rio e, hoje, do Atlético Mineiro, no Independência, com ambos os adversários tendo jogado com os titulares. Vencendo com os reservas, o Inter vem subindo posições no Brasileirão, e já está em quarto lugar, colocação que lhe daria uma classificação direta para a Libertadores. No jogo de hoje, o Inter não teve maiores dificuldades diante de um Atlético Mineiro apático e desorganizado. A partir do momento em que fez o primeiro gol, bastou ao Inter explorar os muitos erros do adversário para obter a vitória com facilidade. O melhor de tudo para o Inter é que, depois do segundo jogo pela decisão da Copa do Brasil, terá apenas o Campeonato Brasileiro para disputar, o que lhe permitirá lutar pelas primeiras posições da competição.

sábado, 14 de setembro de 2019

Favorito

A diferença de pontos em relação aos adversários ainda não é tão grande, e falta o segundo turno inteiro a ser disputado, mas o Campeonato Brasileiro já tem um candidato claro ao titulo. O Flamengo é o favorito para ser campeão, muito acima de qualquer outro clube. Esse fato ficou evidente, hoje, na vitória do Flamengo por 1 x 0 contra o Santos, no Maracanã. O placar não traduz o que foi o jogo. O resultado em favor do Flamengo poderia ter sido bem mais amplo. Foi mais uma grande atuação do Flamengo, que alcançou sua sexta vitória consecutiva. O gol único do jogo, marcado por Gabigol, foi primoroso, num lindo toque por cobertura. Com grandes jogadores em todas as posições, o Flamengo vence seus jogos de maneira convincente, com destacados desempenhos individuais. Afora  a ocorrência de fatores imponderáveis, não parece provável que o Flamengo venha a ser superado por um outro competidor. Numa disputa por pontos corridos, quem tem mais qualidade acaba se impondo, e essa condição, hoje, é, inegavelmente, do Flamengo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A volta da CPMF

A intenção de fazer voltar a famigerada CPMF é mais uma das iniquidades do ministro da Economia, Paulo Guedes. Nada pode ser mais covarde do que uma "contribuição" compulsória. Ao taxar todo e qualquer saque ou depósito, o governo oficializa a tunga ao bolso bolso dos cidadãos, sem dó nem piedade, buscando, apenas, ampliar a sua arrecadação. O pior é que CPMF não é uma ideia exclusiva da direita. Governos de esquerda também já utilizaram esse recurso. Até que, um dia, ele foi, ainda bem, extinto. Pois, agora, Paulo Guedes quer a volta da CPMF, esse execrável imposto.  Por sorte, a tendência é o Congresso rejeitar a medida.  A motivação do ministro é, mais uma vez, tirar dinheiro do cidadão para favorecer os empresários. Durante a campanha presidencial, Jair Bolsonaro desmentiu que tivesse a intenção de recriar a CPMF. Agora, seu ministro da Economia defende o retorno desse imposto. A quebra do que foi prometido na campanha, em se tratando do governo Jair Bolsonaro, não deve ser motivo de espanto. Porém, essa o governo não deverá levar.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A aposta de sempre

Não houve novidade no comportamento do Inter, hoje, no primeiro jogo pela decisão da Copa do Brasil. Na Arena da Baixada, o Inter perdeu por 1 x 0 para o Athletico Paranaense, fazendo a aposta de sempre quando joga fora de cada, ou seja, buscando não ser derrotado ou, até mesmo, perder por um placar apertado. Tudo porque o Inter joga todas as suas fichas em que é capaz de fazer a diferença nos jogos no Beira-Rio. Até aqui, o roteiro tem dado certo. Resta saber se isso irá se repetir no segundo jogo da decisão, na próxima quarta-feira. O fato de que o Athletico Paranaense tem um retrospecto ruim nos jogos fora de casa serve de estímulo para que o Inter encare com otimismo a possibilidade de reverter o resultado de hoje e conquistar o título. Em termos objetivos, bastará ao clube paranaense um empate para ser campeão. Se perder por 1 x 0, ainda terá a chance de obter o título nos tiros livres da marca do pênalti. Ao Inter, se quiser evitar a loteria desse tipo de decisão, só servirá uma vitória por dois ou mais gols de diferença, o que é plenamente possível, mas não é uma tarefa fácil.