domingo, 21 de abril de 2019
Campeões
Não houve surpresas nas decisões dos campeonatos estaduais nesse fim de semana. Os campeões, em sua maioria foram os clubes que eram considerados favoritos. A exceção foi o Atlético Goianiense, que venceu o favorito Goiás. A goleada de 3 x 0 no primeiro jogo, praticamente inviabilizou uma reação do Goiás, e o Atlético ganhou novamente, hoje, por 1 x 0, confirmando a conquista do título. Nós demais campeonatos de destaque, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Bahia, Sport, Athletico Paranaense, Fortaleza, Avaí e Remo confirmaram o seu favoritismo. Em comum, os campeonatos estaduais mostraram um baixo nível técnico e deixaram claro que terão de ocupar um tempo menor no calendário do futebol. Agora, no próximo domingo, começará o Campeonato Brasileiro, a competição mais importante do país, por ser em pontos corridos e proporcionar o enfrentamento entre grandes clubes em quase todas as rodadas. Um dia, ele haverá de ser tratado com o respeito que merece, e ser disputado ao longo de nove meses, como acontece com os campeonatos nacionais europeus. Outras competições podem ser mais emocionantes, como a Copa do Brasil, ou de maior relevância, característica da Libertadores, mas nenhuma e tão expressiva como o Campeonato Brasileiro, pois não há outro país no mundo que possua doze grandes clubes.
sábado, 20 de abril de 2019
Um recurso mal aplicado
O Brasil é um país onde as melhores ideias e iniciativas se desfiguram, pois quase sempre elas são deturpadas. No texto anterior, nesse espaço, manifestei minha convicção de que o VAR é um avanço no futebol, e que a alegada perda de dinâmica do jogo é um fator menor diante da maior lisura que ele proporciona em relação aos resultados das partidas. Porém, o que se viu hoje, no segundo jogo da decisão do Campeonato Mineiro entre Cruzeiro e Atlético Mineiro, foi um prato cheio para quem é contra o VAR. O jogo foi paralisado várias vezes para a consulta do árbitro de vídeo, travando excessivamente o andamento da partida. A impressão que se tinha era que, em vez de ser um elemento auxiliar da arbitragem, o VAR é que estava tomando as decisões sobre o que acontecia no jogo. O árbitro parecia ter renunciado à sua tarefa de apitar o jogo, transferindo o ônus da decisão sobre os lances mais polêmicos da partida para quem estava na cabine de vídeo. Para piorar, o pênalti marcado em favor do Cruzeiro, que acabou sendo decisivo para que o clube conquistasse o título, foi muito discutível. Não foi para ser usado assim que o VAR foi criado. No jogo de hoje, ele foi um recurso mal aplicado.
sexta-feira, 19 de abril de 2019
O VAR é um avanço
O VAR, sigla que designa o árbitro de vídeo, tornou-se o centro das discussões sobre futebol. Tudo porque, em vários jogos recentes, tanto no Brasil quanto no exterior, o recurso de auxílio à arbitragem alcançou um protagonismo que incomodou muitas pessoas. Nessa semana, dois lances decididos pelo VAR geraram polêmica. Em Manchester City x Tottenham, pela Champions League, a anulação de um gol, determinada pelo árbitro de vídeo, mudou a história do confronto. O jogo já estava nos acréscimos quando o Manchester City fez 5 x 3 no placar, resultado que lhe daria a classificação para as semifinais. Porém, após a verificação do lance pelo VAR, o gol foi anulado, o que resultou na classificação do Tottenham. Logo surgiram às críticas dos que não gostam do árbitro de vídeo alegando, por exemplo, que ele quebra a dinâmica do jogo, por paralisar a partida por vários minutos até que se tome uma decisão sobre um lance. O outro lance que foi muito discutido aconteceu no segundo jogo da decisão do Campeonato Gaúcho, em que o Grêmio teve um pênalti marcado em seu favor após uma verificação do árbitro de vídeo, o que gerou protestos furiosos pir parte do Inter. Muitos cronistas esportivos consideraram que o pênalti não deveria ter sido marcado. Ainda que muitos resistam, o VAR é um avanço do futebol, e já deveria ter sido implantado antes. Nada pode ser pior no futebol do que um resultado determinado por erros de arbitragem. O VAR surgiu para diminuir a incidência desses erros. Aspiração de todos que prezam pela lisura nos resultados dos jogos de futebol, o VAR veio para ficar. No dinâmico futebol atual, a arbitragem necessita do recurso do VAR para lances que o olho humano não consegue visualizar devidamente. A justiça de um resultado é muito mais importante do que o fato de o árbitro de vídeo quebrar a dinâmica do jogo ao parar a partida por alguns minutos até que a decisão seja tomada. Esse é um aspecto irrelevante diante do benefício proporcionado pelo VAR ao corrigir decisões erradas do árbitro de campo.
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Os melhores do Campeonato Gaúcho
Como é tradição, no dia seguinte ao final do Campeonato Gaúcho é realizada a festa de entrega dos prêmios para os jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e bandeirinhas que mais se destacaram na competição. Não houve surpresas na lista que apontou os melhores do Campeonato Gaúcho. Campeão invicto, e tendo tomado apenas um gol em toda a disputa, o Grêmio teve seis jogadores na seleção do Gauchão. São eles o goleiro Paulo Victor, o lateral direito Leonardo Gomes, os zagueiros Geromel e Kannemann, o volante Matheus Henrique, e o atacante Everton. Matheus Henrique também foi escolhido o jogador revelação da competição. O Grêmio ainda obteve mais dois prêmios. Renato foi escolhido como o melhor técnico. O presidente Romildo Bolzan Júnior ganhou como o melhor dirigente. O Inter teve três jogadores entre os melhores, que são os volantes Rodrigo Dourado e Edenilson, e o atacante Nico Lopez. Os outros dois jogadores da lista dos melhores foram o lateral esquerdo Samuel Balbino e o meia Renato Gava, ambos do Caxias. Porém, mesmo com o amplo predomínio do Grêmio no número de premiações, coube ao Inter ter o melhor jogador do campeonato, que foi Nico Lopez. No geral, as escolhas dos premiados foram justas. Talvez o único ponto a ser discutido tenha sido o prêmio de melhor jogador ter recaído sobre Nico Lopez em detrimento de Everton. Afora isso, a premiação não deu margem para maiores contestações.
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Campeão invicto
Um feito que não ocorria há 54 anos. O Grêmio conquistou, hoje, na Arena, o título de campeão gaúcho, invicto, o que acontecera pela última vez, na história do clube, em 1965. O título de hoje deu ao Grêmio o bicampeonato gaúcho, o que não acontecia há 12 anos, desde a conquista de 2006/2007. O título foi obtido de uma forma mais sofrida do que era esperada. Depois de perder um pênalti no tempo normal, o Grêmio teve de decidir tudo nos tiros livres, com toda a sua carga de dramaticidade. Para tornar a situação ainda mais aflitiva, coube a André, o mesmo jogador que havia errado o pênalti durante a partida, fazer a última cobrança de tiro livre, que deu o título ao Grêmio. O técnico do Grêmio, Renato, ousou em demasia ao escolher André para bater o pênalti, e mesmo com o erro cometido, deu a ele a responsabilidade de cobrar o último tiro livre. Dessa vez, André acertou, e de vilão tornou-se herói. Porém, ainda que tenha vindo de uma disputa de tiros livres, depois de dois empates em 0 x 0 com o Inter, o título do Grêmio foi meritório. Afinal, um clube que em 17 jogos obteve onze vitórias e seis empates, marcou 38 gols e sofreu apenas um, teria que ser, obrigatoriamente, o ganhador da competição. Um campeão invicto, distinção rara de ser alcançada.
terça-feira, 16 de abril de 2019
Uma democracia de fachada
A censura aos sites da revista "Crusoé" e "O Antagonista", determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, como parte da investigação de ataques contra o Supremo Tribunal Federal e seus integrantes, escancara o que já era por demais evidente, ou seja, o Brasil vive um simulacro de democracia. Desde o golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita, o Brasil apresenta uma democracia de fachada, que só pode ser aceita por pessoas muito ingênuas. O golpe foi uma ação praticada em conluio entre a direita, as Forças Armadas, o Poder Judiciário e a imprensa conservadora. A célebre gravação do ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) já deixava isso claro, ao falar de um grande acordo para por fim ao governo Dilma Rousseff que incluía o Supremo Tribunal Federal. A atitude de Alexandre de Moraes traz de volta a censura aos meios de comunicação, um instrumento típico das ditaduras. Ao contrário do que apregoam os apoiadores do golpe, o país não está com suas instituições em pleno funcionamento. A democracia que fora restituída com o fim do regime militar, voltou a ser rompida. O Brasil está sob um regime de exceção. Os brasileiros conscientes precisam se mobilizar para modificar esse quadro. O Brasil está, novamente, tomado pelas trevas do autoritarismo.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
A história em chamas
Um incêndio sempre é uma ocorrência chocante, mas alguns abalam mais do que outros. Esse é o caso do de hoje na Catedral de Notre-Dame, em Paris. Não se trata de uma catedral como outra qualquer, mas de um templo cuja construção começou em 1163! Portanto, o que se viu hoje foi a história em chamas. A estrutura da construção foi preservada, depois de oito horas de combate ao fogo, mas a torre foi destruída. O presidente da França, Emanuel Macron, prometeu fazer a reconstrução, e disse que, para isso, irá mobilizar forças dentro e fora do país. Certamente, não faltará colaboração para essa tarefa. A Catedral de Notre-Dame, por seus referenciais históricos, não é um patrimônio apenas dos franceses, mas do mundo inteiro. Ela recebe expressivo número de visitantes vindos de todas os continentes. Superado o susto inicial, há que se saudar o fato de que não houve vítimas, e de que a destruição, embora expressiva, foi parcial. A catedral irá recuperar todo o seu esplendor, pois não é apenas um local de oração dos católicos, mas um atrativo histórico mundial.
domingo, 14 de abril de 2019
Empate
O primeiro Gre-Nal da decisão do Campeonato Gaúcho não deixou nenhum clube em vantagem. O empate em 0 x 0, hoje, no Beira-Rio, fez com que tudo seja definido no segundo jogo, quarta-feira, na Arena. A partida de hoje foi de cuidados de ambos os lados. O Grêmio, claramente, considerava o empate um bom negócio, pois transferia a decisão para a Arena. O Inter, embora devesse ser mais ousado por jogar em casa, preferiu não se arriscar para evitar o risco de uma derrota que encaminhasse o título para o Grêmio. O resultado é bem mais favorável ao Grêmio, pois o segundo jogo será no seu estádio, com presença majoritária da sua torcida. O Inter não soube tirar proveito do fato de jogar no Beira-Rio, com sua torcida em maior número no estádio. A chance maior do Inter parece ter sido desperdiçada. O favorito para ser campeão é o Grêmio.
sábado, 13 de abril de 2019
Os superministros não tem tantos poderes
O governo Jair Bolsonaro vendeu a ideia de que teria dois superministros, Paulo Guedes, da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça e Segurança. Prepotentes e vaidosos, Guedes e Moro acreditaram totalmente na afirmativa. A realidade, no entanto, mostrou-se diferente. A reforma da Previdência elaborada por Guedes terá de modificar alguns itens, ou não será aprovada no Congresso. O pacote anticrime de Moro ainda não avançou no parlamento. Afora isso os dois "superministros" enfrentam outros percalços. Guedes foi surpreendido pela retenção dos preços do óleo diesel determinada por Bolsonaro à Petrobrás, uma medida considerada "intervencionista" no receituário do liberalismo defendido pelo ministro da Economia. Moro, que parecia gozar de amplo prestígio público, teve sua imagem arranhada pelos escorregões cometidos contra o idioma pátrio, ao falar "conge" em vez de cônjuge, e "rugas", quando desejava dizer rusgas. Há poucos dias, na Câmara dos Deputados, Guedes perdeu o controle ao ser chamado de "tchutchuca". As pesquisas indicam que o governo, apenas três meses depois de empossado, apresenta bauxis índices de aprovação. Os "superministros" não tem tantos poderes como era esperado pelos bolsonaristas. O "mercado" mostra contrariedade com algumas medidas do governo, como a já referida intervenção de Bolsonaro nos preços do óleo diesel. Não será de se estranhar se Guedes, frustrado pela dificuldade de impor sua agenda na íntegra, vier a saltar do barco. Moro deverá se agarrar ao cargo com unhas e dentes, mas seu desgaste é perceptível. O exercício prático da política não se submete a projetos determinados previamente.
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Cem dias de fiascos
Só mesmo adeptos fanáticos podem defender o governo Jair Bolsonaro. Completado o clássico período inicial de qualquer governo, o que se tem são cem dias de fiascos. Não houve redução do índice de desemprego, pelo contrário. O ministro da Educação já foi trocado. Antes dele, o secretário geral da Presidência já havia sido substituído. Bolsonaro e alguns de seus ministros, como Damares Alves, Ernesto Araújo e Sérgio Moro, geram muitos "memes" nas redes sociais, em função de declarações disparatadas e agressões ao idioma pátrio. Não há uma só ação do governo que mereça ser elogiada. O presidente é um parvo, cercado por um ministério que reúne entreguistas, arrivistas e tresloucados. Não há a mínima possibilidade de uma administração como essa dar certo. O governo Bolsonaro não tem projeto e, por conseguinte também carece de rumo. A popularidade de Bolsonaro é a mais baixa de um presidente nos cem primeiros dias de mandato. O governo não tem futuro, nada poderá lhe levar a ter êxito. Resta saber quanto tempo o país terá de suportar até que ocorra o inevitável, ou seja, o fim antecipado de um governo desastrado, que flerta permanentemente com o ridículo.
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