quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Efetividade

A goleada de 3 x 0 que o Real Madrid levou do Barcelona hoje, em pleno Santiago Bernabeu, pela Copa da Espanha, se explica,  fundamentalmente, pelas atuações de Vinicius Júnior e Luís Suarez. O jogador brasileiro, mais uma vez, mostrou sua grande qualidade técnica, mas lhe faltou a precisão no toque final para marcar gols. Suarez, por sua vez, foi cirúrgico, e marcou todos os gols do Barcelona, um deles de pênalti, com cavadinha. Em síntese, Suarez teve a efetividade que faltou para Vinicius Júnior. O jogador brasileiro possui um talento incontestável, e tem tudo para se tornar um grande destaque do futebol mundial nos próximos anos. Para que atinja o topo, no entanto, terá de aprimorar o acabamento dos lances de gol. Vinicius Júnior tem apenas 18 anos, e já é titular do Real Madrid, o que não é pouco. Porém, ainda lhe falta a consciência de que há momentos em que o brilhantismo deve ser trocado pela eficácia. Não é necessário tentar fazer apenas belos gols. Vencer dando espetáculo é o ideal, mas antes de pensar em brindar o público com lindas jogadas há que construir a vitória. Suarez sabe disso há muito tempo, e por isso, diante de uma chance clara de gol, não costuma desperdiçar a oportunidade.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Lua de mel meteórica

O que era inevitável aconteceu mais rápido do que se poderia imaginar. Com menos de dois meses no cargo, o presidente Jair Bolsonaro apresenta um índice de popularidade de apenas 38,9%, o mais baixo no período desde o primeiro governo de Luís Inácio Lula da Silva. O dado apenas reforça o desatino cometido por milhões de brasileiros, que levaram ao poder um homem totalmente despreparado. A lua de mel meteórica do eleitorado com Jair Bolsonaro coloca o país na trágica situação de ter como presidente alguém que já perdeu o respaldo popular no início do seu governo. O que será do Brasil daqui para a frente? Parece claro que a falta de condições mínimas de Bolsonaro para exercer o cargo irá abreviar a sua permanência no posto. O problema é o que virá depois. O governo Bolsonaro é respaldado pelos militares, o que significa que a queda do presidente não representaria o fim do projeto golpista de poder que o levou à vitória nas urnas. A insensatez dos que se deixaram manipular pelas forças de direita já está cobrando um alto preço ao país. Agora, para quem caiu no conto do falso "mito", não adianta chorar pelo leite derramado. Como expressa um ditado popular, o que é de gosto regala a vida.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Dever cumprido

Um jogo protocolar, com um vencedor óbvio. Assim pode ser considerado o jogo Grêmio 2 x 0 Veranópolis, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Afinal, como não esperar uma vitória do líder isolado da competição contra o lanterna absoluto? Portanto, foi dever cumprido. O Grêmio nem precisou fazer força para ganhar. Fez o suficiente para vencer, com um gol em cada tempo, ambos de Marinho, que, ao que parece, é mais um caso de recuperação de um jogador feita pelo técnico do Grêmio, Renato. Agora, o Grêmio só voltará a jogar na estreia da Libertadores, contra o Rosario Central, no Gigante de Arroyto. Ainda que o Gauchão não sirva de parâmetro, por ter um nível técnico muito baixo, o futebol mostrado pelo Grêmio até aqui dá razões para que a torcida possa sonhar com grandes conquistas em 2019.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

As surpresas do Oscar

A cerimônia de entrega do Oscar teve algumas mudanças, como a ausência de um apresentador fixo, por exemplo, mas que não alteraram a essência da sua estrutura. As surpresas do Oscar ocorreram nas premiações. Pelo menos duas das principais categorias não foram ganhas pelos favoritos. Olivia Colman ganhou o Oscar de melhor atriz por "A Favorita", embora a mais cotada fosse Glenn Close, de "A Esposa". No Oscar de melhor filme, o vencedor foi "Green Book, o Guia", contrariando as opiniões que davam "Roma" como o ganhador do Prêmio. Nos demais prêmios de atuação, prevaleceram os mais cotados. Regina King ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por "Se a Rua Beale Falasse". Mahershala Ali foi o vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante, por "Green Book, o Guia". O Oscar de melhor ator foi para Rami Malek, por "Bohemian Rhapsody". Aliás, "Bohemian Rhapsody" foi o grande vencedor da noite, pois das cinco indicações que recebeu, ganhou em quatro. Mesmo nas premiações inesperadas, não houve injustiças. Olivia Colman teve um grande desempenho, tanto quanto Glenn Close, e "Green Book, o guia" é muito bom filme. O Oscar de melhor diretor foi para Alfonso Cuaron, por "Roma", como já era esperado.

Repetição nauseante

Como de costume, o Inter teve marcado a seu favor um pênalti inexistente. Dessa vez, foi na vitória por 1 x 0 sobre o Avenida, hoje, nos Eucaliptos, pelo Campeonato Gaúcho, ainda que o lance não tenha sido determinante para o resultado, pois Neilton desperdiçou a cobrança. Porém, a cada jogo, acumulam-se os "erros" de arbitragem em benefício do Inter. Ao longo dos anos, é uma repetição nauseante. No entanto, o que determinou a derrota do Avenida foi a pouca ambição de seu técnico, Fabiano Daitx, que próximo ao final do jogo resolveu garantir o empate, trocando um atacante por um volante. O castigo veio rápido, com o Inter, pouco depois, marcando o gol que lhe deu a vitória. Ao abdicar de tentar vencer, visando manter o empate, Fabiano Daitx perdeu o jogo, e colocou o Avenida diante da possibilidade de entrar na zona de rebaixamento, caso o Brasil de Pelotas ganhe a partida  de terça-feira contra o São José, no Passo da Areia. O jogo de hoje foi muito fraco tecnicamente. O Avenida mostrou pouco poder ofensivo, e quase não chutou contra o gol do Inter. O Inter, novamente, teve uma atuação modesta, e continua a vencer sem convencer.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Rejeição correta

A CBF propôs aos clubes mudanças para o próximo Campeonato Brasileiro. A melhor de todas, e que foi aprovada, é a utilização do árbitro de vídeo em todos os jogos da competição. Antes tarde do que nunca! Porém, nem todas as propostas foram aceitas. Umas das ideias que foram recusadas é a limitação de apenas uma demissão de técnico por clube durante a disputa. Alguns profissionais da imprensa esportiva, com sua visão edulcorada do que deveria ser o futebol, condenaram o posicionamento dos clubes nessa questão. Não há razão para isso. Foi uma rejeição correta por parte dos clubes. Esse é um assunto interno dos clubes, não é da alçada da CBF. Como se poderia forçar um clube a permanecer com um técnico contra a sua vontade e a dos seus torcedores? A Europa, antes apontada como um exemplo de estabilidade dos técnicos, já não é mais assim. Também lá os maus resultados implicam em demissões, mesmo que o técnico esteja há pouco tempo no cargo. A adoção do árbitro de vídeo em todos os jogos deve ser saudada. Restrições como a limitação de demissões de técnicos, e do número de jogadores inscritos para 40 nomes, nada trariam de positivo, seriam apenas uma ingerência indevida da CBF nos seus filiados. Os clubes elevaram o número de inscritos para 45, retirando dessa lista os jogadores das categorias inferiores, no que fizeram muito bem, já que isso amplia o leque de opções para os técnicos. Os clubes agiram muito bem em relação às propostas da CBF, pois aprovaram o essencial e rejeitaram o descabido.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Soberania

A Venezuela está prestes a sofrer uma intervenção do "xerife do mundo", que é o papel que os Estados Unidos se autoatribuem. Ávidos por colocarem as mãos nas enormes reservas de petróleo da Venezuela, os americanos apelam para a comoção popular diante das precariedades enfrentadas pelos habitantes daquele país como meio de obter apoio para suas pérfidas intenções. Ninguém desconhece os problemas vividos pela população da Venezuela. No entanto, isso não dá o direito a nenhum país, seja qual for, de intervir em seus assuntos internos. Caso se configurasse a necessidade de uma intervenção de qualquer natureza, ela teria de ser proposta e liderada pela ONU, não por um país em particular. Aliás, convém lembrar que quando os Estados Unidos invadiram o Iraque e depuseram o seu presidente, Saddam Hussein, o fizeram a revelia da ONU. O motivo alegado para a invasão, a existência de armas químicas secretas no Iraque, era falso. Tanto num caso como no outro, não há qualquer motivação humanitária por trás das intenções americanas, apenas a cobiça pelas reservas de petróleo alheias. Porém, independentemente das motivações de uma possível intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, ela seria um acinte aos mais basilares princípios democráticos. As questões internas da Venezuela devem ser decididas pelos seus habitantes. A soberania da Venezuela, bem como a de qualquer outro país, não pode ser violada.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Participação digna

Por um momento, parecia que o Avenida realizaria uma façanha impensável, e eliminaria o Corinthians da Copa do Brasil, hoje, em pleno Itaquerão. Não deu, e o Corinthians acabou vencendo o jogo por 4 x 2. Porém, o Avenida teve uma participação digna na competição, onde já havia eliminado, na fase anterior, o Guarani de Campinas, com um gol aos 45 minutos do segundo tempo, num jogo em que só a vitória lhe servia para se classificar. O Avenida, mesmo tendo perdido para o Corinthians e saído fora da Copa do Brasil, teve muitos ganhos ao tomar parte na competição. Financeiramente, obteve mais de R$ 1milhão pela classificação diante do Guarani, e receberá 40% da renda do jogo de hoje. Com sua histórica atuação, em que aos nove minutos do primeiro tempo estava derrotando o Corinthians por 2 x 0, chamou a atenção de todo o Brasil num jogo transmitido em tevê aberta. Num único jogo, o Avenida conseguiu uma exposição de marca que talvez não imaginasse poder alcançar um dia. A partida também proporcionou ao clube, que completa, em 2019, 75 anos de existência, seu primeiro jogo oficial fora do Rio Grande do Sul. Portanto, não há que lamentar a derrota. O Avenida tem muito a comemorar, pois nunca viveu um período de tanto crescimento em toda a sua história. Agora, resta ao clube afastar a ameaça de rebaixamento no Campeonato Gaúcho, para poder disputar a Série D brasileira de cabeça erguida e buscando continuar a romper limites.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O caótico futebol carioca

O futebol carioca é, hoje, uma caricatura do que já foi. Seus grandes clubes despertavam paixões pelo Brasil afora, e forneceram a maioria dos jogadores da Seleção Brasileira durante décadas. A sede do poder político do futebol brasileiro segue sendo lá, desde os tempos da antiga CBD até a atual CBF. O Flamengo é o clube de maior torcida no país. O Maracanã foi, por muito tempo o maior estádio do mundo. Tudo isso, no entanto, contrasta com o caótico futebol carioca da atualidade. Botafogo, Fluminense e Vasco debatem-se com gravíssimos problemas financeiros, que se refletem na formação de times fracos e pouco competitivos. O Flamengo recuperou sua saúde financeira, mas as  contratações de impacto que realiza ainda não se traduziram na formação de um grande time e na conquista de títulos expressivos. Afora isso, o incêndio no "Ninho do Urubu", que resultou na morte de dez jogadores das categorias inferiores do clube, manchou a imagem da instituição. No domingo, no jogo Vasco x Fluminense, na decisão da Taça Guanabara, o primeiro turno do campeonato estadual, uma briga entre os dois clubes na Justiça pelo direito de suas torcidas ocuparem o lado sul do Maracanã fez com que só aos 30 minutos do primeiro tempo fosse autorizada a entrada do público no estádio. Hoje, os jogadores do Fluminense negaram-se a treinar, como forma de protesto pelos salários atrasados. O gerente de futebol do Fluminense, Paulo Angioni, admitiu a existência do atraso nos pagamentos, e disse que o clube ainda não sabe como irá resolver o problema. Sendo assim, como se explica que o Fluminense tenha contratado Paulo Henrique Ganso, um jogador caro? A má administração dos grandes clubes, com exceção do Flamengo, está levando o futebol carioca a um momento de acelerada decadência. Um triste presente, para quem teve um passado tão glorioso.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Primeira queda

O governo Jair Bolsonaro supera qualquer previsão em termos de decomposição moral e ineficiência administrativa. Em apenas 48 dias, tem sido uma usina de produção de más notícias, e sua equipe se mostra um ninho de serpentes, vorazes e desarticuladas. O resultado é um circo dos horrores, onde o que menos se faz é governar. Esse quadro dantesco já resultou na primeira queda de um ocupante do alto escalão. Hoje, o Secretário Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, depois de vários dias de "fritura", teve a sua demissão anunciada. O que esperar de um governo que em menos de 50 dias de sua instalação já demite um integrante do círculo de confiança do presidente? O secretário caiu em função de um conflito com um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro. Os detalhes das intrigas envolvendo ambos não precisam ser referidos, o que importa é o desfecho do caso. A demissão de Bebianno é o reflexo de um governo que já está condenado, mesmo que mal tenha começado. A ideia de que, com o andar da carruagem, tudo vá melhorar, só pode ser cogitada pela cegueira ideológica, ou por uma extrema ingenuidade. O governo Bolsonaro é um monstrengo, caótico e inexequível administrativamente. Por mais que grupos poderosos tentem lhe dar sustentação, seu fracasso é inevitável.