segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Governo inviável

Toda pessoa dotada de neurônios em bom estado sabia que o governo de Jair Bolsonaro não poderia dar certo. Afinal, o ex-capitão só chegou ao cargo por uma terrivel combinação de fatores que iniciou com um golpe político e culminou na insensatez dos que o elegeram, movidos por um ódio irracional à esquerda, insuflado pela mídia. Bolsonaro é inepto, despreparado. O país está diante de um governo inviável. Porém, ninguém poderia imaginar que a administração de Bolsonaro se mostrasse agonizante num período tão exíguo de tempo. O novo governo ainda não completou um mês desde sua posse, e já está claro que não possui mais nenhuma credibilidade. Os escândalos envolvendo o motorista Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro, um dos filhos do presidente, escancararam que o governo do ex-capitão é tão ou mais corrupto do que qualquer outro na história do país, fazendo cair por terra a retórica moralista de seus integrantes e defensores. Não é possível prever quando se dará a queda efetiva do governo Bolsonaro, já que há um conjunto de forças, como a mídia e o Poder Judiciário, por exemplo, que lhe dão apoio. Enquanto durar, no entanto, o governo será um corpo embalsamado, cujo sepultamento é apenas postergado. Na prática, mal começou, o governo já está acabado.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Falha decisiva

Também jogando com um time reserva, como fez o Grêmio, o Inter venceu o São Luiz por 1 x 0, hoje, no 19 de Outubro, pelo Campeonato Gaúcho. A vitória veio depois de uma falha decisiva do goleiro Carlão, do São Luiz, que, até então, fazia um bom jogo. Embora o Inter tivesse crescido de rendimento depois que Neilton entrou em campo, a partida se encaminhava para terminar empatada em 0 x 0 quando Émerson Santos arriscou um chute de longa distância e Carlão falhou, caindo com a bola dentro do gol. O Inter não fez por merecer a vitória, mas ela veio num golpe de sorte. O São Luiz, mesmo tendo feito uma longa pré-temporada, pareceu cansado no final do jogo. Vencer na estreia de uma competição sempre é bom para a continuidade do trabalho, e isso o Inter conseguiu. Por enquanto, é o suficiente.

Goleada

Foi muito acima da expectativa mais otimista. O Grêmio, jogando com apenas um titular, o goleiro Paulo Victor, estreou no Campeonato Gaúcho com uma goleada de 4 x 0 sobre o Novo Hamburgo, no Estádio do Vale. O primeiro gol, feito por Juninho Capixaba, só saiu aos 40 minutos do primeiro tempo. Porém, a partir daí, os gols aconteceram com naturalidade no segundo tempo. Marinho marcou um gol no primeiro toque que deu na bola, 15 segundos após entrar em campo.  Os garotos Pepê e Mateus Henrique completaram o placar. Foi uma boa atuação coletiva do Grêmio, que se refletiu nos desempenhos individuais, já que ninguém jogou mal. A decepção ficou por conta do Novo Hamburgo. Com um grupo de jogadores de boa qualidade para os padrões do interior, não ofereceu nenhuma resistência ao Grêmio. Para um clube que fez uma pré-temporada longa e teve bons resultados nos amistosos preparatórios, foi um rendimento muito inferior ao  que era esperado. Talvez a inexperiência do técnico Bolivar, iniciando na profissão, esteja cobrando o seu preço.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Campeonatos estaduais

Começam, hoje, em todo o Brasil, os campeonatos estaduais. Competições anacrônicas, que não despertam mais o interesse dos torcedores, os estaduais continuam existindo por razões políticas. Mesmo nos principais centros do futebol brasileiro, os estaduais só apresentam bom público nos clássicos. Os demais jogos, com a presença de clubes pequenos, recebem poucos torcedores. Se o jogo for entre dois clubes pequenos, o público tende a ser muito baixo. Há clubes que participarão da Libertadores que começarão os campeonatos estaduais jogando com times reservas ou mistos, numa demonstração da pouca relevância dessas competições, atualmente. Enfim, o que teremos, a partir de agora, será um aperitivo pouco atrativo para as disputas mais importantes do ano. Até que chegue o dia em que os estaduais saíam de cena ou ocupem menos tempo dos grandes clubes, e o Campeonato Brasileiro inicie antes, tendo nove meses de duração, como ocorre nos outros países onde a fórmula de pontos corridos com vinte participantes é adotada.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Ainda não foi dessa vez

O Grêmio nunca conquistou o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a mais prestigiosa competição da categoria no pais, que em 2019 completa o cinquentenário de sua primeira edição. Ao contrário de seu maior rival, o Inter, que venceu a competição quatro vezes, o máximo que o Grêmio conseguiu foi um vice-campeonato, em 1991, num time que tinha, entre outros, Danrlei e Roger, os dois maiores colecionadores de títulos pelo clube como profissionais. Na decisão, o Grêmio foi goleado por 4 x 0 pela Portuguesa, cujo melhor jogador era Dener, que dois anos depois jogaria por empréstimo no próprio Grêmio. Na verdade, o Grêmio nunca priorizou a competição, escudado numa teoria imbecil, repetida exaustivamente ao longo dos anos no clube, que diz que nas categorias inferiores o importante é revelar jogadores para o grupo profissional em vez de ganhar títulos, como se um fato impedisse o outro. Na edição desse ano, o Grêmio fazia muito boa campanha, mesmo sem ter levado sua força máxima para a disputa. Foi o único clube do Rio Grande do Sul a atingir as oitavas de final, depois que Inter, Juventude e São José já haviam ficado pelo caminho. Hoje, no entanto, pelas quartas de final, o Grêmio perdeu por 2 x 1 para o Corinthians, e foi eliminado. O clube paulista é o maior vencedor da Copa São Paulo, com dez títulos. Afora não ter levado sua força máxima para a competição, o Grêmio ainda jogou desfalcado do artilheiro Da Silva, que estava suspenso, e perdeu o lateral esquerdo Kazu, outro de seus destaques, por lesão logo no início do jogo. Foi uma campanha digna, mas ficou a sensação de que o Grêmio poderia ter ido mais longe. Ao contrário do que pensam os que desprezam títulos nas categorias inferiores, essa é uma conquista que faz muita falta a um clube da grandeza do Grêmio. Lamentavelmente, ainda não foi dessa vez que o Grêmio a obteve.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Trocando seis por meia dúzia

Cumprindo com a tradição, os eleitores do Rio Grande do Sul, em 2018, mais uma vez, rejeitaram a hipótese de reeleger um governador. Dessa vez, com inteira razão, pois José Ivo Sartori (MDB) foi, sem dúvida, o pior governador do Estado em todos os tempos. Ocorre que, ao eleger Eduardo Leite (PSDB ) como novo governador, o eleitor só mudou a forma, mas manteve o conteúdo, trocando seis por meia dúzia. Sartori é um tipo rude, quase bronco. Leite é educado, cortês. Porém, na essência, são o que popularmente se define como farinha do mesmo saco. Ambos defendem o ideário neoliberal, que busca diminuir o tamanho do Estado, e escolhe como alvo permanente o funcionalismo público, que é apresentado como o grande vilão da corrosão das contas estaduais. Ao mesmo tempo que perseguem covardemente o funcionalismo, são coniventes com os grandes grupos econômicos sonegadores, eles sim responsáveis pela crise econômica estadual. Leite já sinalizou que terá o funcionalismo como o seu maior alvo, a exemplo de Sartori e, também como o ex-governador, tentará derrubar a exigência de plebiscito para vender estatais. Ao trocar Sartori por Leite, o eleitor apenas tirou de cena um lobo selvagem colocando em seu lugar outro disfarçado com uma pele de cordeiro. Na prática, os prejudicados serão os de sempre, e os beneficiados, também. A mudança de governo foi meramente cosmética. Serão mais quatro anos tortuosos para os mais pobres, e sob encomenda para o empresariado.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A boba da corte

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, tornou-se a figura de maior visibilidade do governo Jair Bolsonaro. Damares ocupa espaços na mídia permanentemente, sempre com declarações estapafúrdias e absurdas, que geram polêmicas e muitas postagens nas redes sociais. Está mais do que evidente que isso não acontece por acaso. A ministra foi escolhida para a ser a boba da corte do governo. Enquanto as pessoas se ocupam com suas declarações, cada vez mais disparatadas, o governo impõe sua agenda de destruição das conquistas e direitos dos cidadãos. As falas da ministra, se levadas ao pé da letra, só poderiam ser feitas por uma pessoa mentalmente perturbada. Como levar a sério afirmações como a de que as pessoas se hospedam em hotéis fazenda para manter relações sexuais com animais, ou de que o movimento LGBT quer proibir a circulação da Bíblia? São afirmações tão acintosamente ridículas e despropositadas que só podem fazer parte de uma ação meticulosamente planejada. Claramente, Damares foi escolhida para entreter a plateia enquanto os membros de ministérios mais relevantes consumam a destruição do país. Seja como for, com suas falas, Damares Alves acaba sendo um retrato fiel de um governo marcado pela estupidez de suas proposições e a incompetência de seus integrantes.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Medievalismo

A Câmara Municipal de Porto Alegre tem na sua pauta de votações um projeto do vereador Wambert di Lorenzo (PROS) que propõe como obrigatória a autorização dos pais para a participação de estudantes em aulas sobre orientação sexual. Pelo projeto, a escola deve solicitar autorização expressa do responsável pela criança ou adolescente para ministrar o conteúdo planejado. Afora isso, a escola deverá apresentar previamente o conteúdo programático e, caso os pais não concordem com ele, terão o direito de cancelar a matrícula do filho. A proposta é mais uma manifestação do medievalismo que a extrema direita pretende implantar no ensino. Educação sexual é tarefa da escola, sim. Apresentar o conteúdo programático antecipadamente para a família é submeter-se a um processo de censura, inconcebível numa democracia. A ideia de que as escolas devem se limitar a transmissão de conteúdos de diversas disciplinas, sem atuar na formação dos alunos e no desenvolvimento do seu senso crítico, é uma aberração típica do obscurantismo que tomou conta do cenário político do país. A educação precisa ser valorizada no pais, e projetos como esse atuam na direção contrária. O ensino, no Brasil, tem de ser aprimorado, e não perseguido. A educação deve ser um processo libertador, não um meio de podar os alunos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Confissão

As constantes postagens nas redes sociais de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro acusando os que torcem contra o seu governo são emblemáticas. Nesse caso, por trás da acusação há uma confissão. Movidos pelo ódio irracional ao PT, os eleitores de Bolsonaro lançaram o país no abismo. Ao perceberem que o governo que elegeram não tem a menor chance de dar certo, terceirizam a culpa pelo desastre, mais uma vez. A acusação é patética. Primeiro, por que não há nada de errado no fato de quem é oposição não desejar o sucesso de quem está no poder. Em segundo lugar, por que torcer, contra ou a favor, não tem nenhum efeito prático. Aquele que torce, seja por uma causa, por uma disputa esportiva ou de qualquer outra natureza, apenas expressa uma preferência, mas não tem nenhuma ingerência sobre o resultado final. O governo Bolsonaro vai fracassar, isso é inevitável. Porém, os responsáveis pelo desastre não serão os "maus brasileiros que torcem contra". A conta deverá ser paga por quem, movido pelo ódio e pela ignorância, jogou o país nas mãos de um presidente descerebrado e do seu séquito de imbecis. Simples assim. Não dá para transferir a culpa.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Os 50 anos de Yellow Submarine

Na data de hoje, o disco "Yellow Submarine", dos Beatles, completa 50 anos de seu lançamento. O disco era a trilha sonora do desenho animado homônimo. Contém, no lado A, quatro músicas inéditas do grupo, e dois clássicos gravados anteriormente, a faixa-título e "All You Need Is Love". O lado B apresenta orquestrações feitas pelo produtor George Martin. Em relação às quatro faixas inéditas, só "Hey Bulldog" foi composta especialmente para o disco. As outras três eram músicas já gravadas e que haviam sido deixadas de lado. Por essas características, "Yellow Submarine" não está entre os principais discos do grupo, mas teve expressiva vendagem, chegando a se destacar nas paradas. Um tanto subestimadas no conjunto da obra dos Beatles, as quatro composições novas desse disco estão longe de ser desprezíveis. "Hey Bulldog" é um dos mais vigorosos rocks do grupo. "All Togheter Now" é leve e contagiante, "Only a Northern Song", composta para o disco "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band", mas vetada por George Martin, é outra amostra da incisividade de George Harrison, já vista em "Taxman", por exemplo. "It's All Too Much", outra música de Harrison, tem mais de seis minutos de duração, mas é envolvente e nem um pouco enfadonha. "Yellow Submarine", é mais um disco dos Beatles a completar 50 anos, assim como "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band", em 2017, e o "Álbum Branco", em 2018. Em setembro, será a vez de comemorar os 50 anos de "Abbey Road", o último disco gravado pelo grupo, e o penúltimo a ser lançado. "Let It Be", gravado antes, só foi lançado no mês seguinte ao da separação dos Beatles, e será o último a completar o seu cinquentenário, em maio de 2020.