sábado, 12 de janeiro de 2019

Um país armado até os dentes

A liberação do porte de armas pelos cidadãos, uma das bandeiras do descerebrado presidente Jair Bolsonaro quando candidato, vai mesmo ser posta em prática. Os arautos do direitismo argumentam que as "pessoas de bem", tem o direito de se proteger dos bandidos, e defendem ardorosamente o armamento da população. O Brasil se encaminha para ser um país armado até os dentes, e isso tem tudo para se transformar numa tragédia social. Pessoas comuns não estão habituadas a usarem armas. Mesmo que parte delas venha a fazer um curso de tiro, ainda assim estarão em desvantagem num confronto com quem usa armas permanentemente. Afora isso, a presença de uma arma dentro de casa é, sempre, potencialmente perigosa. Ela pode ser objeto da curiosidade de crianças, ou ser usada no calor de uma discussão doméstica e, em ambos os casos, redundar numa tragédia. A violência não irá diminuir com a liberação da posse de armas. Pelo contrário, essa medida favorece a expansão da violência, num confronto desigual entre os transgressores da lei e os cidadãos comuns.  Só mesmo na mente estreita dos integrantes do novo governo essa seria uma solução para a violência. O país poderá, isso sim, mergulhar num banho de sangue.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

A higienização do futebol

O futebol não é uma ilha. Esporte mais popular dentre todos, ele vem refletindo, dentro e fora do Brasil, a guinada para a direita que se verifica em grande parte do mundo. O que antes era um esporte autenticamente popular, tornou-se, antes de tudo, um produto midiático. Realizou-se, no pior sentido da expressão, a higienização do futebol. Os antigos estádios, muitos enormes, com pouco conforto, mas de um calor humano contagiante, foram substituídos por outros mais "modernos", com lugares numerados, onde o valor dos ingressos exclui o torcedor de menor poder aquisitivo, justamente o mais espontâneo e apaixonado. O modelo "Premier League", nome pomposo dado desde os anos 90 ao Campeonato Inglês, tornou-se a bússola dos deslumbrados de plantão. Uma competição voltada prioritariamente para os torcedores de poltrona, ou seja, os que assistem aos jogos pela televisão. Os estádios, numa forma democraticida de conter a violência em seu interior, viraram um privilégio para quem pode pagar. O efeito disso tudo é um esporte que, a cada dia, fica mais frio, artificial, mercantilista, asséptico. A suspensão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios foi mais uma medida que veio na esteira desse processo de descaracterização do futebol. Em nome da "segurança", retirou-se do torcedor o direito de beber no interior dos estádios, rompendo com uma tradição secular. O futebol precisa recuperar sua autenticidade. A sofisticação do espetáculo só faz crescer, enquanto a qualidade do que se apresenta  dentro de campo despenca a olhos vistos, com falsos craques inflados pela "mídia" tomando o lugar antes ocupado por gênios da bola. Chega de futebol "Nutella"! O futebol raiz precisa ser restituído.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Contraste

Sabe-se, já faz tempo, de que o Inter não tem uma boa situação financeira. Esse fato, é claro, limita a possibilidade de maiores investimentos em contratações. Porém, ainda assim, chama a atenção o contraste entre o nível dos reforços que vem sendo adquiridos pelo Inter em comparação com outros grandes clubes brasileiros. O maior rival do Inter, o Grêmio, por exemplo, não está ousando nas contratações, até por não ter o volume de recursos de clubes como Flamengo e Palmeiras, mas trouxe jogadores de destaque, como Montoya e Felipe Vizeu. O Inter, por sua vez, trouxe jogadores como Neilton e Guilherme Parede, e hoje anunciou a contratação do lateral direito Bruno, de 33 anos que estava sem clube após o final do seu contrato com o Bahia. Mateus Galdezani, volante que pertence ao Coritiba mas estava emprestado ao Atlético Mineiro, onde não se firmou, está em vias de ser contratado. Neilton veio do Vitória, clube que foi rebaixado para a Segunda Divisão, Guilherme Parede do Coritiba, que permaneceu na Série B, e Bruno, depois de jogar por Fluminense e São Paulo, estava no Bahia. Com reforços desse nível, o Inter dificilmente será mais do que um mero coadjuvante nas competições, com exceção do Campeonato Gaúcho. Afinal, seu grupo de jogadores já era modesto, e o clube não terá a facilidade de realizar um menor número de partidas que os seus principais adversários, fato que o beneficiou no Brasileirão de 2018. Em 2019, o Inter terá calendário cheio. Com a base de que dispõe e as contratações que está fazendo, o Inter terá que limitar suas aspirações nesse ano. Boas campanhas talvez sejam possíveis, mas grandes conquistas parecem, em princípio, inviáveis.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Decisão acertada

O técnico do Grêmio, Renato, em sua primeira entrevista coletiva após o retorno do período de férias e da cirurgia que realizou recentemente, revelou que o time de transição não será mais utilizado nas primeiras rodadas do Campeonato Gaúcho. O Grêmio começará o Gauchão com um time de reservas, e será treinado pelo próprio Renato. Sem dúvida, essa é uma decisão acertada. No campeonato estadual de 2018, o Grêmio correu risco de ser eliminado na primeira fase, em função da péssima campanha do time de transição nos primeiros jogos. No fim, tudo acabou bem para o Grêmio, que conquistou o título, mas um vexame histórico poderia ter ocorrido. Os clubes pequenos que participam da competição começam sua preparação bem antes da dupla Gre-Nal, já que não tem calendário cheio e podem voltar aos trabalhos quando os dois grandes estão em férias. Esse fato faz com que os clubes pequenos tenham melhor preparo físico nas rodadas iniciais. Se, afora essa vantagem, ainda enfrentassem um time de transição, sua chance de roubar pontos importantes do Grêmio se ampliaria muito. Mostrando que aprendeu com os erros do ano anterior, o Grêmio resolveu adotar outra postura, para não se expor a um risco desnecessário, o que demonstra que o clube está com foco e compromisso para o ano que se inicia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Capitalização

O governo Jair Bolsonaro insiste em fazer uma reforma da Previdência absolutamente deletéria para os trabalhadores. A ideia de um plano de capitalização será enviada ao Congresso em fevereiro. A proposta é uma cópia do modelo adotado no Chile, tido como um sucesso pelos neoliberais, mas desastroso para os principais interessados. O sistema de capitalização depaupera os ganhos dos aposentados, que acabam recebendo um valor aviltante, insuficiente para as suas necessidades. A oposição deveria reunir todas as suas forças para tentar barrar o projeto. Embora a imprensa, sempre mancomunada com os interesses conservadores, insista em afirmar que a reforma da Previdência é a mais importante, pois aí estaria o maior rombo nas contas públicas, isso é uma falácia. A CPI da Previdência já deixou isso claro, embora tenha sido desconsiderada pela imprensa. O que está em andamento é mais um golpe cruel contra o povo brasileiro, promovido por um governo inepto e ligado a interesses inconfessáveis. Barrar a reforma da Previdência deveria ser a primeira grande bandeira da oposição ao governo Bolsonaro. Chega de passividade diante de uma ameaça tão grande ao futuro dos brasileiros.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O discurso e a prática

Há muito tempo se sabe que entre as promessas de campanha e o que é feito por um governante, verdadeiramente, depois que assume o poder, existe uma diferença muito grande. O que se verifica é uma  distância entre o discurso e a prática. O novo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, é mais um exemplo nesse sentido. Leite repete a cantilena de que o Estado está quebrado, mas seu governo terá três secretarias a mais do que o do seu antecessor, José Ivo Sartori. Eram 19, serão 22. Ainda que possam argumentar que as novas secretarias não irão implicar num aumento de gastos, a medida não casa com a ideia de quem defende um Estado menor é mais eficiente. A ideia explorada por Leite em sua campanha foi a de um jovem com ideias criativas para resolver a crise do Rio Grande do Sul. Ao aumentar o número de secretarias, Leite mostra que o seu jeito de fazer política não é nada novo, pelo contrário, é mais do mesmo.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Não tem como dar certo

Exasperados com a cascata de asneiras proferidas por membros do governo Jair Bolsonaro, e com medidas administrativas que são anunciadas e logo depois desmentidas, os apoiadores do ex-capitão apelam para a saída de sempre, ou seja, culpar a oposição. Nas redes sociais, os bolsominions reclamam de quem está torcendo contra o governo, e argumentam que todos estão no mesmo avião e que, portanto, não se deve querer que ele caia. São alegações cretinas. Ninguém precisa torcer contra o novo governo, pois ele não tem como dar certo, está fadado ao fracasso. Afora isso, por que uma oposição ofendida e vilipendiada deveria cerrar fileiras com um governo tão inepto? O governo de Bolsonaro vai afundar, inevitavelmente. A dúvida que fica é o que acontecerá depois.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Boa contratação

O Grêmio gastou todo o período de férias dos jogadores sem efetivar nenhuma contratação, o que causou preocupação nos torcedores. Após a volta das atividades, ocorrida há apenas dois dias, já contratou quatro reforços, o goleiro Júlio César, o volante Rômulo, o meia Montoya, e o centroavante Felipe Vizeu. Dentre os quatro, Felipe Vizeu é o único que se pode afirmar ser uma boa contratação. Vizeu é jovem, tem apenas 21 anos, e comprovada competência como centroavante. Deverá dar um grande acréscimo ao time, se comparado a André e Jael. O único dado negativo é que Vizeu veio emprestado por um ano, a exemplo de Rômulo e Montoya. Só Júlio César foi contratado em definitivo, pois havia encerrado o seu contrato com o Fluminense, seu clube anterior. O presidente Romildo Bolzan Júnior havia rompido com essa tendência do Grêmio de montar um time para apenas um ano. O fato de estar no seu último ano de mandato talvez o tenha feito mudar de posição. O fato é que, para o clube, essa não é uma boa política de futebol.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Um festival de besteiras

Só os muito alienados podem estar surpresos com os primeiros movimentos do governo Jair Bolsonaro. Em termos de declarações de membros da administração, o que se ouve é um festival de besteiras. A líder nesse quesito é a ministra da Mulher, Família, e Direitos Humanos, Damares Alves. Ela parece determinada a lançar uma asneira por dia. Ontem, Damares disse que menino veste azul, e menina usa rosa. Conseguiu provocar uma enxurrada de críticas e, é claro, foi fonte de muitos "memes" na internet. Hoje, criticou o Enem, por ele permitir que os alunos cursem universidades fora do seu local de origem, afastando-se de suas famílias. Mais uma vez, como não poderia deixar de ser, causou uma onda de críticas. As falas absurdas ou equivocadas não se limitam aos ministros. O próprio Bolsonaro sinalizou um aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e foi desmentido pelo ministro chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni. O novo governo é um fiasco desde os seus primeiros minutos. Nada que não fosse previsível. A estupidez de 57 milhões de eleitores já está cobrando sua conta, e ela será paga por todos os brasileiros.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Recomeço

As férias do futebol acabaram. Hoje, como vários outros clubes pelo país afora, Grêmio e Inter tiveram o recomeço das suas atividades. O Grêmio, de última hora, apresentou dois reforços, o goleiro Júlio César, que encerrou seu contrato com o Fluminense, e o volante Rômulo, emprestado pelo Flamengo. Nenhum dos dois é capaz de gerar entusiasmo nos torcedores. O Inter também se apresentou com duas contratações, o meia Neilton, vindo do Vitória, e o atacante Guilherme Parede, que chegou do Coritiba. A exemplo dos reforços do Grêmio, são dois nomes que não empolgam a torcida. Com poucas contratações ate agora, todas de qualidade duvidosa, a dupla Gre-Nal sinaliza para um desempenho pouco promissor em 2019. Com exceção do Campeonato Gaúcho, que deverá ser ganho por um ou por outro, as taças deverão ficar longe das salas de troféus dos dois clubes.