terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Espetáculo grotesco

Não assisti a transmissão ao vivo da posse do presidente Jair Bolsonaro. Não perderia meu tempo com um fato tão chinfrim. Era inevitável, no entanto, tomar conhecimento do que ocorrera pelo resumo dos noticiários. Minha impressão prévia só se confirmou. Foi um espetáculo grotesco. Um presidente desqualificado, com um discurso de posse patético, dizendo para a assistência que a bandeira do Brasil nunca será vermelha. Uma primeira dama fazendo um discurso em Libras, a linguagem dos surdos, carregado de sentimentalismo barato. O que se viu, de tudo o que foi mostrado no resumo, foi uma cerimônia marcada, do início ao fim, pela cafonice. Claro, não poderia ser diferente, tendo em vista às figuras envolvidas. Desde a posse de Fernando Collor de Melo, a de hoje foi a que teve o menor número de delegações estrangeiras presentes. Governos sérios querem distância de tipos como Bolsonaro. O pior é que o pesadelo está apenas começando. O que ocorreu hoje, foi um preâmbulo, lamentável, de tudo o que está por vir.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O último dia do ano

Chegou. Enfim, hoje é o último dia do ano. Um ano que foi paradoxal. Afinal, ele transcorreu muito rápido, mas foi extenuante, pelas muitas tensões que o marcaram. O país ficou dividido politicamente, de uma maneira tão forte que amizades sólidas foram desfeitas, familiares romperam relações. O Brasil termina 2018 rachado, e essa situação não tem perspectivas de mudança tão cedo. O fim de ano é sempre um período para mensagens de esperança no futuro. Porém, dessa vez, não há como fazer isso. O Brasil prepara-se para enfrentar anos terríveis, vítima de um retrocesso político inimaginável. O ano que está terminando foi de frustrações em todas as áreas. O desemprego continua altíssimo, os direitos dos trabalhadores foram massacrados. No novo governo, pela sua linha ideológica, nada deverá melhorar para a população.  Diante do desastre que se anuncia a partir de amanhã, resta desejar que os fatos ruins não sejam tão dolorosos. Projetar acontecimentos venturosos seria otimismo exagerado.

domingo, 30 de dezembro de 2018

A visita de Netanyahu

Poucas presenças poderiam ser tão emblemáticas no final desse ano no Brasil do que a do primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Com grande afinidade ideológica com o presidente eleito Jair Bolsonaro, Netanyahu, nesses dias que antecedem a posse do ex-capitão, tem feito passeios turísticos típicos no Rio de Janeiro. Em seu país, Netanyahu é suspeito de corrupção, mas, no Brasil, é recebido como um visitante ilustre. Seu desempenho como governante, autoritário e prepotente, é admirado pelos bolsonaristas. Netanyahu disse que a mudança da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém está definida, o que, caso confirmado, atrairá fortes críticas em vários países. Num momento tão desalentador como vive o Brasil, a visita de Netanyahu é um símbolo. Ela sinaliza o tipo de governo que o Brasil terá a partir de terça-feira.

sábado, 29 de dezembro de 2018

A coragem de Tarso Genro

Os grandes homens mostram o seu valor nas horas difíceis. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro é um homem dessa estirpe. Político brilhante, intelectual notável, Tarso Genro não foge da raia nesse trágico momento que vive o Brasil. Eleito governador em 2010 no primeiro turno, com 52% dos votos, Tarso foi vitimado pelo processo de estupidez coletiva que tomou conta do país, e perdeu a reeleição para José Ivo Sartori, que acabou se tornando o pior ocupante do cargo em todos os tempos. Agora, com o caos que se avizinha a partir da posse de Jair Bolsonaro como presidente, Tarso se posiciona sem medo, e saúda a decisão do PT de não se fazer presente no ato. Tarso rebateu, numa rede social, a crítica feita ao fato por uma jornalista chapa branca. São homens como Tarso Genro que sustentam a esperança diante da barbárie que se prepara para tomar conta do país. A coragem de Tarso Genro é um alento diante do obscurantismo que se abateu sobre o Brasil.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Base desmanchada

Com a saída de Marcelo Grohe, o  Grêmio  segue o seu processo de perda de jogadores do time vencedor dos últimos anos. O que restou foi uma base desmanchada, o que traz insegurança para o torcedor. A reposição de peças, até agora, não aconteceu. O Grêmio não deu um presente de Natal para a sua torcida, mas ainda tem tempo de trazer boas notícias para a virada de ano. Um pouco de ousadia se faz necessário para que os tão esperados reforços cheguem. O presidente Romildo Bolzan Júnior prometeu cinco contratações para 2019. Por enquanto, nada. Se o Grêmio tem grandes ambições para o próximo ano, precisa mostrar isso na prática. O torcedor tem o presidente Romildo e o técnico Renato em alta conta, mas já começa a ficar preocupado com a falta de novidades. Tomara que o Grêmio mude esse quadro rapidamente, apresentando novos e grandes jogadores para o exigente ano que virá pela frente. Caso contrário, a preocupação do torcedor se transformará em desalento.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

A saída de Marcelo Grohe

O torcedor do Grêmio, que vem esperando, em vão, por contratações, foi surpreendido, hoje, com a venda de um dos grandes nomes do time, o goleiro Marcelo Grohe. O Al Itihad, da Arábia Saudita vai pagar 3 milhões de dólares por Marcelo Grohe. Uma proposta financeira "irrecusável" e o fato de já ter 32 anos, pesaram para que Grohe aceitasse a transação. Tecnicamente, é uma grande perda para o Grêmio. Paulo Victor, seu reserva imediato, é um goleiro apenas razoável. Para preencher a lacuna que será deixada por Grohe, o Grêmio terá de ir ao mercado. Seja qual for o substituto de Grohe, a qualidade dificilmente será a mesma. O Grêmio, até agora, só teve perdas para 2019. Nenhuma contratação. A saída de Marcelo Grohe agrava um quadro que já era preocupante.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O nebuloso mundo dos assessores políticos

Os últimos dias colocaram em evidência personagens que, em geral, se movem nas sombras da atividade política. Os assessores políticos são figuras que não costumam aparecer com destaque na imprensa, exercem cargos para os quais são escolhidos pelo compadrio ou por critérios subjetivos. Alguns pouco ou nada fazem, mas outros acabam usufruindo das intimidades do poder. Esse é o caso de Fabrício Queiroz, que tornou-se uma pedra no sapato do presidente eleito Jair Bolsonaro, ao emitir um cheque de R$ 24 mil para a futura primeira dama, Michele Bolsonaro. Fabrício é assessor do atual deputado estadual do Rio de Janeiro, e senador eleito, Flávio Bolsonaro, filho do futuro presidente. A história do cheque ainda não foi devidamente esclarecida, e as justificativas apresentadas, até agora, não convencem ninguém. Hoje, num fato ainda mais impactante, o ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, foi assassinado, em Vitória, por um seu ex-assessor, Marcos Venício Moreira Andrade, contra quem havia movido uma ação judicial. Em função da ação, Marcos Venício teve R$ 60 mil bloqueados na sua conta, o que motivou o assassinato. Esse é o nebuloso mundo dos assessores políticos. Antes relegados a um segundo plano, pelo menos aos olhos da opinião pública, estão mostrando que sua função de coadjuvante nem sempre é tão discreta. Por vezes, ela é muito incômoda para os patrões, e pode, até, ser fatal.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Mesquinharia

A rudeza do tratamento que vem sendo dispensado pela "Justiça" brasileira ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva é cada vez maior. Num gesto de repugnante mesquinharia, Lula teve negada a permissão para deixar a prisão a fim de comparecer ao enterro de seu amigo Sigmaringa Seixas, advogado e ex-deputado federal pelo PT. O juiz plantonista indeferiu o pedido de Lula uma hora após a sua feitura, sob a alegação de que a lei só prevê a liberação de presos em regime fechado nos casos de doença grave ou morte do cônjuge ou companheiro, ascendentes, descendentes, e irmãos. Ainda que, sob a estrita observância do texto legal, o juiz pudesse estar certo, a recusa ao pedido de Lula mostra a maneira como o ex-presidente é tratado pela "Justiça" brasileira. Se houvesse um mínimo de boa vontade dos magistrados para com o presidente mais popular da história do país, Lula teria sido liberado para se despedir do amigo. Porém, Lula é vítima do ódio de operadores do Direito no país. Lula é perseguido pelos que sabem que ele teria ganho a eleição presidencial, caso lhe fosse permitido concorrer. A cada novo ato de hostilidade contra Lula, no entanto, sua imagem só cresce aos olhos do povo. Lula já inscreveu o seu nome de forma positiva e indelével na história, e isso juiz algum poderá mudar.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Natal consumista

Mais uma vez, é Natal. Como tem acontecido há muito tempo, o caráter religioso da data fica encoberto pelo apelo do consumo. O Natal transformou-se numa maratona de compras, encerrada por uma ceia farta. Afinal, a data magna da cristandade é, também, a de maior faturamento do comércio em todo ano. Num mundo cada vez mais regido pelo interesse financeiro, o que se tem, atualmente, é um Natal consumista. Claro, ganhar e dar presentes é muito bom. Comer uma ceia variada e saborosa, também. Viajar, aproveitando um feriadão, igualmente. Porém, esse viés festivo tem pouco a ver com um dia que deveria ser de reflexão e recolhimento, e não de expansividade. Num mundo dominado pelo mercado, o Natal tornou-se mais um produto. Diminuído na sua essência, o Natal é comemorado até pelos que não tem fé. Sua figura central, Jesus Cristo, o aniversariante do dia, foi sendo deixado de lado em favor do Papai Noel. Acreditar em Jesus Cristo é uma questão de fé, passível de questionamento. O Papai Noel, por mais simpático que possa ser, é um personagem fictício. Celebração essencialmente familiar, o Natal, agora, é ruidoso. Tudo em nome do fugaz contentamento do consumo desenfreado.

domingo, 23 de dezembro de 2018

O caro preço da insensatez eleitoral

Escolher governantes pelo voto é um direito essencial na democracia. Só a manifestação dos eleitores nas urnas legitima o mandato de quem chefia o Poder Executivo. Esse direito, no entanto, negado aos eleitores brasileiros por um longo tempo, tem de ser exercido com muita consciência. O voto irrefletido, movido pelo ódio, gera consequências desastrosas, que afetam os interesses de toda a coletividade. O fim de mandato do atual governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, é um exemplo disso. Sartori é, sem dúvida, o pior governador do Estado em todos os tempos. Seu final de mandato é deplorável, pois nada tem para apresentar como realizações de seus quatro anos no poder. O caro preço da insensatez eleitoral fica evidente quando se trata do governo Sartori. O ressentimento com o PT, e uma campanha que apostou na sentimentalidade do eleitor, fez com que Sartori vencesse o pleito em 2014. Sua administração nada fez pelo Estado. Em quatro anos, Sartori maltratou os servidores públicos, parcelando os seus salários, e governou para os poderosos. Extinguiu fundações de grande relevância  para o Estado, sem que isso gerasse uma economia significativa para os cofres públicos. Os que escolheram Sartori em 2014 tiveram o bom senso de não o reeleger. Porém, o estrago já está feito. Nada ficou do governo Sartori que possa ser destacado, pois não apresentou projetos para favorecer o desenvolvimento do Estado, limitou-se a aplicar o velho receituário destrutivo neoliberal, propondo a queima de patrimônio público com a venda de estatais. Seu governo não deixará nenhuma saudade. Na verdade, o que há é uma contagem regressiva para que Sartori encerre seu mandato.