sábado, 24 de novembro de 2018
Papelão
Era para ser a maior decisão de Libertadores de todos os tempos. Um jogo gigantesco entre River Plate e Boca Juniors, dois rivais históricos que protagonizam um dos maiores clássicos do mundo. Esse era o cenário para o jogo de hoje no Monumental de Nunez, o segundo é definitivo entre os dois clubes pelo título da Libertadores depois do empate em 2 x 2 na Bombonera, há três semanas. Nada disso se confirmou. O jogo não aconteceu, e tudo o que se tem, até agora, é um papelão de repercussão internacional. O comportamento da torcida do River Plate, que atacou o ônibus que transportava a delegação do Boca Juniors, ferindo jogadores, fez com que a partida tivesse seu horário transferido das 17 h para às 19h15min e, posteriormente, fosse adiada para amanhã. Em princípio, o jogo será realizado às 17 h de amanhã, mas ainda há dúvidas se isso irá acontecer. A prefeitura de Buenos Aires, após os incidentes, decidiu determinar a interdição do estádio. O River Plate está confiante de que a interdição será levantada, e o jogo se realizará. Seja como for, todos esses fatos já geraram um anticlímax em relação a um jogo tão esperado. Por fatos como esses é que é ridículo a Conmebol mimetizar a Champions League fazendo a decisão da Libertadores, a partir de 2019, ser disputada em jogo único, num estádio escolhido previamente. Não basta copiar a forma, se o conteúdo é tão diferente. Se futebolisticamente a América do Sul nada fica a dever para a Europa, pois até a abastece com seus principais valores, em termos de civilidade ainda está muito atrás.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Os 50 anos do Álbum Branco
Na data de hoje, há 50 anos, os Beatles lançavam o "Álbum Branco", o único disco duplo da carreira do grupo. Ao contrário dos seus outros discos, não tinha um título, levava apenas o nome do grupo. A denominação "Álbum Branco", portanto, não é oficial, e surgiu em função do fato de que a obra tinha uma capa inteiramente branca, com o nome "The Beatles" escrito em relevo. Por essa e outras razões, é um trabalho singular na história do grupo. No ano anterior, os Beatles haviam lançado o disco "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band", o mais icônico do grupo, que se tornou um divisor de águas na música pop. Depois disso, eles não tinham mais nada a provar, pois já haviam vendido milhões de cópias de seus discos, e criado alguns dos maiores clássicos da música em todos os tempos. O "Álbum Branco", em função disso, foi marcado pelo despojamento. Se o "Sargent Peppers" era uma superprodução, com uma capa repleta de fotos de celebridades, o disco duplo dos Beatles se apresentava sem nenhuma ilustração. Seu processo de gravação foi acidentado. Ringo Starr e o produtor George Martin chegaram a se afastar das sessões de estúdio. O clima entre os integrantes do grupo já apresentava tensões, prenunciando que sua dissolução estava próxima. A maior parte das músicas foi composta durante o retiro espiritual que eles fizeram com o Maharish Mahesh Yoggi, uma ideia de George Harrison que foi seguida pelos demais Beatles. Em suas 31 músicas, o "Álbum Branco" apresenta um trabalho de inegável qualidade, mas sem nenhum megasucesso. O estilo próprio de compor de cada um dos componentes dos Beatles aparece de forma bem mais nítida, e até Ringo Starr estreia como autor exclusivo de uma música com "Don't Pass Me By". Nesse disco tão belo quanto despretensioso, não é fácil apontar qual a música de maior destaque. Porém, é muito provável que muitos se inclinem por escolher "While My Guitar Gently Weeps", a lindíssima composição de George Harrison que contou com um espetacular solo de guitarra de Eric Clapton não referido nos créditos do disco. O difícil é saber qual das gravações dessa música é a mais bonita, se a que tem o solo de Clapton, a acústica, só revelada ao mundo na série "Anthology", lançada nos anos 90, ou, ainda, a do musical "Love", do Cirque du Soleil", que acrescenta orquestra à versão desplugada. O "Álbum Branco", entretanto, é um passeio riquíssimo pelo talento multifacetado dos Beatles. Tem, por exemplo, Paul McCartney homenageando sua cadela de estimação em "Martha My Dear", e John Lennon soltando toda a sua raiva contra o Maharishi em "Sexy Sadie". Sem limites em sua criatividade, os Beatles passearam por outros ritmos com músicas como "Yer Blues" e até com a que seria considerada por muitos como a primeira composição heavy metal da história, "Helter Skelter". Há composições pungentes, como "Julia" que Lennon fez em referência à sua mãe. Outras são tocantes, como "Good Night", uma música de ninar composta por Lennon para seu filho Julian, e que é interpretada por Ringo no disco. Há o refrão contagiante de "Obla-di, Obla-da", composição de Paul. Enfim, é uma obra com um mosaico de músicas com o inigualável padrão Beatle. Os 50 anos do Álbum Branco estão sendo comemorados com versões remasterizadas da obra, de altíssima qualidade sonora e preço elevado. Um trabalho que merece ser revisitado por quem já o conhece, e revelado para as novas gerações.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
A pá de cal
Um sonho que chegou ao fim, uma ilusão desfeita. Esse é o resumo do que aconteceu ao Inter, que perdeu por 2 x 1 para o Atlético Mineiro, no Beira-Rio, hoje, pelo Campeonato Brasileiro. Num só jogo, o Inter deu adeus a chance de ainda obter o título do Brasileirão e perdeu a invencibilidade em partidas como mandante na competição. A pá de cal no sonho do Inter teve até alguns requintes de crueldade. Afinal, o Inter havia saído atrás no placar ainda no primeiro tempo, empatara aos 37 minutos do segundo diante de um adversário que já se mostrava cansado, perdeu um gol feito que lhe daria a virada, e viu a derrota ser consumada nos acréscimos. O Inter teve alguns defeitos que lhe custaram muito caro. Os laterais Fabiano e Iago foram duas avenidas pelas quais o Atlético Mineiro passeou durante todo o jogo. Patrick, que já foi um dos grandes destaques do Inter em 2018, joga pior a cada partida. Leandro Damião, que vinha sendo um artilheiro decisivo, fez o seu segundo jogo consecutivo com mau desempenho e perdeu dois dos gols mais feitos de sua carreira. Agora, resta ao Inter lutar para manter a sua classificação direta para a Libertadores. Não vale taça, mas já será um bom prêmio para quem, antes do início da disputa, temia a possibilidade de um novo rebaixamento.
Atuação decepcionante
Desarticulado, com buracos no meio de campo, cedendo a bola para o adversário, e tendo varios desempenhos individuais abaixo do esperado. Assim foi o Grêmio na derrota por 2 x 0 para o Flamengo, hoje, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. O técnico Renato segue na sua tendência de prestigiar jogadores que não apresentam rendimento satisfatório, casos de Marcelo Oliveira e Ramiro. Marcelo Oliveira, improvisado como zagueiro, não fazia um mau jogo, mas falhou no lance do primeiro gol do Flamengo. Ramiro, mais uma vez, fez uma péssima partida, e mesmo assim foi mantido até o fim do jogo por Renato. O primeiro gol do Flamengo foi irregular, deveria ter sido anulado, mas isso não atenua a atuação decepcionante do Grêmio. As ausências de Kannemann, que estava na seleção da Argentina, e Luan, que talvez não jogue mais esse ano, devem ser levadas em conta, é claro, mas o Grêmio tem jogado muito abaixo do que se espera e que já mostrou ser capaz. Em seus dois últimos jogos fora de casa no Brasileirão empatou com o São Paulo uma partida em que vencia e fez um gol contra patético, e hoje foi derrotado com um desempenho sem nenhum brilho. Renato acumula muitos méritos em seu atual período como técnico do Grêmio, o que justifica o desejo do clube e da torcida de que ele permaneça no cargo. Porém, se isso acontecer, terá de rever muitas de suas escolhas. Um clube da grandeza do Grêmio não pode mais colocar em campo jogadores como Marcelo Oliveira, Douglas, Jael e André. Por diferentes razões, nenhum deles têm condições de atender às expectativas do clube e de seus torcedores, e Renato tem de colocar o Grêmio, que é quem lhe paga, acima de quaisquer outros fatores.
terça-feira, 20 de novembro de 2018
Último amistoso
A Seleção Brasileira realizou, hoje, mais um amistoso de pouco ou nenhum proveito técnico. No MK Stadium, pertencente ao Milton Kaynes, clube da cidade homônima, que disputa a Quarta Divisão da Inglaterra, a Seleção venceu Camarões por 1 x 0. O jogo não foi bom. O primeiro tempo se arrastava quando, no final, Richarlison fez o único gol do jogo. No segundo tempo, o jogo até ganhou em emoção, com bolas na trave em chutes de Gabriel Jesus e Arthur, e pelo menos duas grandes chances de gol desperdiçadas por Camarões. Os maiores atrativos da equipe africana estavam fora de campo, já que seu técnico é Clarence Seedorf, que tem como seu auxiliar Patrick Kluivert, ambos ex-jogadores de destaque da seleção da Holanda. Na Seleção, poucos jogadores tiveram bom desempenho. Richarlison que entrou no lugar de Neymar, lesionado logo no início do jogo, foi o maior destaque, ao marcar o gol único da partida e comprovar sua condição de artilheiro. A boa notícia que fica para o torcedor brasileiro é que esse foi o último amistoso da Seleção no ano. Agora, um novo jogo da Seleção só ocorrerá em março de 2019. Tendo em vista a baixa qualidade da maioria desses jogos, ninguém irá sentir falta deles.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
O Dia da Bandeira
Uma das características dos fascistas é a de quererem se apropriar dos símbolos pátrios. Na visão maniqueísta que tentam impor, apresentam-se como os únicos patriotas autênticos, em contraste com os seus opositores, que seriam "subversivos". Os grupos que apoiaram o golpe que derrubou a presidente legitimamente eleita Dilma Rousseff, e que sustentaram a candidatura de Jair Bolsonaro na eleição desse ano, utilizam a bandeira do país e a camisa da Seleção Brasileira como representações das ideias que defendem. Nada pode ser mais vil do que isso. Hoje é o Dia da Bandeira, uma data adequada para se refletir a respeito. A bandeira do Brasil pertence a todos os habitantes do país. Ela não pode ser apropriada por grupos. Apresentar os opositores como "vermelhos" que renegam o "verde e amarelo" é uma atitude sórdida de quem quer dividir o país em vez de propor a união entre seus habitantes. O lindo pendão da esperança e símbolo augusto da paz, como expressa o Hino a Bandeira, representa o país como um todo, não grupos golpistas e sectários.
domingo, 18 de novembro de 2018
Um sonho cada vez mais distante
Outra derrota fora de casa, com atuação sofrível. Assim foi o desempenho do Inter que perdeu por 1 x 0 para o Botafogo, hoje, no Engenhão, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado torna a conquista do título pelo Inter um sonho cada vez mais distante. Afinal, mesmo com o Palmeiras tendo empatado na rodada, a distância do Inter para o clube paulista aumentou de cinco para seis pontos. Afora isso, o Flamengo venceu, e tomou do Inter o segundo lugar. Ainda que tenha tropeçado, o Palmeiras segue em contagem regressiva para ser campeão. Até mesmo o terceiro lugar está em risco para o Inter. Se, na próxima rodada, o Inter perder e o Grêmio vencer, o atual campeão da Libertadores o igualaria em pontos e número de vitórias, e o superaria no saldo de gols. No jogo de hoje, o Inter foi inoperante, e poderia ter sido goleado, pois o Botafogo perdeu três gols feitos. Alguns jogadores estiveram muito mal, como foi o caso de Victor Cuesta e Patrick. Embora as declarações no vestiário tenham insistido na busca do título, o que o Inter tem de fazer é tentar garantir a classificação direta para a Libertadores. O jejum de títulos do Inter na competição, que já dura 39 anos, ainda não irá acabar dessa vez.
Vantagem mantida
Após mais uma rodada, o Grêmio segue ocupando o quarto lugar no Campeonato Brasileiro, posição que, se confirmada ao final da competição, lhe garantirá a classificação direta para a Libertadores. O Grêmio, no entanto, tem a mesma quantidade de pontos que o São Paulo, a quem supera no número de vitórias. Hoje, ambos ganharam os seus jogos, e o Grêmio teve a vantagem mantida. A vitória por 2 x 0 sobre a Chapecoense, hoje, na Arena, aconteceu ao natural, diante de um adversário que criou apenas uma chance de gol em todo o jogo. A Chapecoense surpreendeu, negativamente, pela sua fragilidade, e terá grandes dificuldades para evitar o rebaixamento. Os destaques individuais do Grêmio foram Geromel, Cícero, Jean Pyerre e Everton. Reconhecidamente limitado, Jael, pouco depois de entrar no lugar de um André mais uma vez inoperante, fez um lançamento magistral para o segundo gol, marcado por Everton. Foi uma vitória segura do Grêmio, sem sobressaltos, mas não há nada garantido, ainda. A disputa pelo quarto lugar com o São Paulo poderá se estender até a última rodada.
sábado, 17 de novembro de 2018
Arbitragem calamitosa
A arbitragem brasileira está muito mal, o atual Campeonato Brasileiro é uma prova disso. Os erros se acumulam, mudando resultados, beneficiando largamente alguns clubes, prejudicando decisivamente outros. Hoje, o jogo Corinthians 1 x 0 Vasco, no Itaquerão, teve uma arbitragem calamitosa. O árbitro Wilton Pereira Sampaio (GO) deixou de marcar dois pênaltis em favor do Vasco, um clube que luta desesperadamente para evitar o rebaixamento. O Vasco chegou nessa condição pelas suas limitações técnicas e por problemas administrativos, mas nem por isso merece ser prejudicado da maneira como ocorreu hoje. O árbitro Wilton Pereira Sampaio, aliás, é um capítulo a parte, pois pertence ao quadro da Fifa e foi o representante brasileiro no VAR da Copa do Mundo, função que exercerá novamente no próximo Campeonato Mundial de Clubes. Sampaio, no entanto, não mostra um desempenho que justifique tamanho currículo. Entre outros fatos, Sampaio não marca pênaltis, por mais claros que eles sejam. No Gre-Nal do primeiro turno do Brasileirão, na Arena, deixou de marcar três pênaltis em favor do Grêmio, todos claríssimos. No jogo Santos x Grêmio, no segundo turno, não assinalou um pênalti de Geromel sobre Rodrygo. Com os dois pênaltis sonegados ao Vasco, Sampaio comprovou que não gosta de marcar penalidades máximas. Se é assim, não deveria ocupar uma posição privilegiada no quadro da Fifa. O resultado do jogo teve clara influência da arbitragem. Se o Vasco vier a ser rebaixado, novamente, quem pagará o seu prejuízo? Cada vez mais fica evidente a necessidade de implantar o VAR na competição. Os erros são muitos, e comprometem a imagem de lisura que qualquer disputa esportiva precisa, obrigatoriamente, ter.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
Homenagem emocionante
Antes do jogo Seleção Brasileira 1 x 0 Uruguai, hoje, no Emirates Stadium, foi prestada uma homenagem emocionante a Aldyr Garcia Schlee, professor e escritor gaúcho, ontem falecido, criador do uniforme "canarinho" da Seleção. Aldyr desenhou o uniforme em 1953, para um concurso nacional realizado pelo extinto jornal "Correio da Manhã", do Rio de Janeiro. Ele, que tinha apenas 19 anos na época, venceu o concurso, e já no ano seguinte a Seleção utilizou o novo uniforme em uma Copa do Mundo. A camisa amarela da Seleção Brasileira é, sem dúvida, a mais conhecida do mundo, em se tratando de equipes de futebol. Ela foi usada nas cinco Copas do Mundo ganhas pela Seleção. Uma história muito bonita, pois o uniforme mais famoso do mundo foi criado por um jovem, num concurso popular, e não por um desenhista famoso. Nascido em Jaguarão, Aldyr radicou-se em Pelotas, ambos municípios do interior do Rio Grande do Sul, mas a sua célebre criação, feita ainda em tenra idade, fez dele um cidadão do mundo, merecedor da homenagem realizada hoje.
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