segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Uma receita fadada ao fracasso

Um presidente que admite nada entender de economia, e que por isso vai comer na mão do seu ministro da Fazenda, já é, por si só, algo assustador. Se esse ministro for adepto do ultraliberslismo, torna-se apavorante. Esse é o caso do presidente eleito Jair Bolsonaro e seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes. O receituário econômico de direita, como meio de debelar crises, jamais deu certo em lugar algum, é uma receita fadada ao fracasso. O exemplo mais recente disso é a Argentina, do presidente Maurício Macri. A Argentina está quebrada, e, em consequência, teve de recorrer ao FMI. Essa situação o Brasil conhece muito bem. No último governo da ditadura militar, o do general João Batista de Oliveira Figueiredo, o Brasil quebrou, e teve, depois de três décadas, de recorrer ao FMI. A crise se prolongou pelo governo seguinte, de José Sarney, já na redemocratização, com a inflação atingindo níveis galopantes. As receitas econômicas clássicas de direita só funcionam na teoria. Na prática, só geram desemprego e recessão. A fidelidade do eleitor acaba quando o seu bolso fica vazio. A lua de mel de Bolsonaro com o seu eleitorado vai durar muito pouco. A crise, em vez de ser mitigada, vai se agudizar. O temor que paira no ar é o de que o governo recorra a um golpe para se manter no poder. Dentro das regras democráticas, o futuro governo não terá como evitar um colapso, e a abreviação do seu mandato.

domingo, 28 de outubro de 2018

O pesadelo está só começando

O avanço nas pesquisas verificado nos últimos dias não foi suficiente para Fernando Haddad (PT) obter uma virada na eleição presidencial. Com pouco mais de 55% dos votos, Jair Bolsonaro (PSL) é o novo presidente do Brasil. Haddad recebeu pouco mais de 44% dos votos. A diferença em favor de Bolsonaro não chegou a 11% dos votos, enquanto no início da campanha do segundo turno as pesquisas apontavam uma vantagem de 18%. Esse dado revela o quanto o país está dividido. Bolsonaro tem ao seu lado uma maioria circunstancial, não uma avalanche de apoiadores, como muitos tentaram fazer crer. Sua eleição se assemelha com a de dois outros presidentes brasileiros, Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo. Em comum com ambos, Bolsonaro tem o discurso moralista e o fato de ter concorrido por um partido sem expressão. Jânio renunciou sete meses depois de empossado. Collor sofreu impeachment na metade de seu mandato. A menos que recorra a um golpe, pois tem os militares ao seu lado, Bolsonaro não deverá ter melhor sorte. A política não perdoa os aventureiros. Porém, o pesadelo está só começando. Os brasileiros terão muito sofrimento pela frente, como consequência de uma desatinada escolha. Os que votaram em Bolsonaro, no entanto, não poderão se queixar quando a realidade bater à sua porta. Afinal, como expressa um ditado popular, quem corre por gosto não cansa.

sábado, 27 de outubro de 2018

Ainda há tempo de evitar um desastre

Amanhã será realizado o segundo turno da eleição presidencial. Dois candidatos absolutamente antagônicos estarão disputando o voto dos eleitores brasileiros. De um lado, favorito para o pleito, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). De outro, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Bolsonaro e Haddad são como água e azeite, não se misturam. O candidato do PSL é racista, adepto da homofobia, misógino e defensor da ditadura militar que tanto mal fez ao país. Haddad é professor, um homem culto, sereno, equilibrado e capacitado. Ainda há tempo de evitar um desastre, que seria a eleição do tresloucado Bolsonaro. O antipetismo de parcelas do eleitorado brasileiro não pode servir de justificativa para colocar no poder um homem despreparado e violento, que não tem compromisso com a democracia. Um governo de Bolsonaro seria uma aventura funesta. O caminho estaria aberto para uma nova ditadura militar, Um governo de Haddad seria de conciliação, de busca de superação da polarização ideológica que se estabeleceu no país. Mais uma vez, é hora da esperança vencer o medo. Em vez de armas, escolha os livros. Aposte na democracia, não no autoritarismo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Um sonho cada vez mais distante

Mais uma vez, o Inter esteve na frente no placar e,novamente, deixou a vitória escapar. O empate em 1 x 1 com o Vasco, hoje, em São Januário, fez da conquista do título do Campeonato Brasileiro um sonho cada vez mais distante para o Inter. No jogo de hoje, a exemplo do que aconteceu nas derrotas de virada para Chapecoense e Sport, o Inter enfrentou um adversário nitidamente inferior, saiu na frente no placar, mas não conseguiu a vitória. O desempenho do Inter no primeiro tempo foi sofrível. No segundo, os doía times mostraram mais ambição. O Vasco foi quem teve mais chances de gol, mas foi o Inter que abriu o marcador, com um gol aos 42 minutos. A vitória parecia certa, pois faltava pouco para o jogo terminar. Porém, três minutos depois do gol do Inter,  o Vasco teve um pênalti marcado em seu favor, e estabeleceu o resultado final da partida. A chiadeira dos dirigentes do Inter em relação à arbitragem foi exagerada, pois o clube foi muito beneficiado pelo apito amigo, ao longo do Brasileirão. Ao Inter parece restar, apenas, a luta para permanecer entre os clubes que irão se classificar de forma direta para a Libertadores. A conquista do título,  ainda é possível, matematicamente, mas tornou-se improvável.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Debate desigual

O último debate antes das eleições costuma ter pouca influência no resultado das urnas. Na eleição para governador do Rio Grande do Sul, tanto faz, também, pois os dois candidatos que foram para o segundo turno são do mesmo espectro ideológico. Ainda assim, o que se viu, hoje à noite, foi um debate desigual. Afinal, poucas vezes um candidato mostrou tamanho despreparo quanto o atual governador José Ivo Sartori (MDB), que concorre à reeleição. Sartori, cuja derrota é praticamente certa de acordo com as pesquisas, mostrou-se tenso e inseguro o tempo inteiro, e preso ao roteiro que seus assessores lhe impuseram. Seu adversário, Eduardo Leite (PSDB), não deixou escapar esse detalhe, e, em dado momento, chegou a dizer que, ao contrário do seu oponente, não iria ler um texto previamente elaborado. Nada disso deve surpreender ninguém. O espantoso não é que Sartori esteja muito abaixo de Leite nas pesquisas, mas sim que tenha conseguido chegar ao segundo turno da eleição. Nunca, em tempo algum, o Rio Grande do Sul teve um governador pior do que Sartori. Nenhum outro foi tão inepto e incapaz. Na verdade, o que Sartori fez foi um desgoverno. Durante todo o seu mandato limitou-se a pagar o funcionalismo público com atraso e reclamar das condições financeiras precárias que encontrou quando assumiu o cargo. Afora praticar crueldades contra o funcionalismo e queixar-se da falta de recursos financeiros, Sartori nada fez em termos práticos para resolver qualquer um dos muitos problemas do Estado. Seu adversário, Eduardo Leite, cuja vitória é praticamente certa, não representa nenhum alento, pois segue a mesma cartilha neoliberal de Sartori, mas nada é pior que o atual governador. No debate, Leite mostrou uma fala articulada, ao contrário de Sartori, que tinha dificuldade para se expressar e só dizia o que o roteiro que lhe foi dado estabelecia. Leite não traz nenhuma esperança de dias melhores para o Rio Grande do Sul, mas a saída de cena de Sartori, por si só, será um alívio para o Estado.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Contraste

Os jogos dos semifinalistas brasileiros da Libertadores nessa semana foram marcados pela diferença de desempenho. Houve um sensível contraste entre as atuações de Grêmio e Palmeiras contra River Plate e Boca Juniors, respectivamente. Se, ontem, o Grêmio surpreendeu até os seus torcedores e venceu o River Plate, com merecimento, em pleno Monumental de Nunez, o Palmeiras decepcionou. Hoje, na Bombonera, o Palmeiras perdeu para o Boca Juniors por 2 x 0. Os dois gols saíram no final do jogo, um aos 38 minutos e outro aos 43, do segundo tempo. Até então, o jogo se arrastava num 0 x 0 com muita pouca inspiração dos dois times. O Palmeiras acabou punido por sua falta se ambição. Dispondo de um grupo de jogadores qualificado, o Palmeiras poderia ser mais ofensivo, mas, parecendo satisfeito com um empate, praticamente não atacou durante a partida inteira. No futebol, tudo é possível, e o Palmeiras ainda poderá reverter o confronto, mas o Boca Juniors está com um pé na decisão da competição.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Classificação encaminhada

Foi muito melhor do que qualquer expectativa. O Grêmio venceu o River Plate por 1 x 0, hoje, no Monumental de Nunez, pelas semifinais da Libertadores. O resultado deixa a classificação encaminhada, já que bastará um empate no segundo jogo, na Arena, para o Grêmio disputar mais uma decisão de Libertadores. Claro, nada está decidido. O River Plate é um clube de grande tradição, e pode reverter o confronto. Até porque, Kannemann não jogará na Arena, por ter recebido o terceiro cartão amarelo, e o Grêmio não dispõe de um reserva satisfatório. A vitória de hoje, no entanto, deve ser devidamente  valorizada. Para quem entrou em campo sem dois de seus melhores jogadores, Everton e Luan, foi mais um grande feito. O maior destaque do jogo foi, sem dúvida, Michel que, depois de um longo afastamento por lesão, fez sua segunda partida, com muito boa atuação, e marcou o gol da vitória. O sonho do Grêmio de conquistar o seu quarto título de Libertadores começa a ficar próximo de se realizar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Empate em hora errada

As vitórias de Palmeiras e Flamengo na rodada do Campeonato Brasileiro, tornavam obrigatório que o Inter vencesse o Santos, hoje, no Beira-Rio. O cenário era favorável, jogando em cada com o apoio de 43 mil pessoas. O Inter chegou a estar vencendo por duas vezes, mas o resultado final foi 2 x 2. Um empate em hora errada para o Inter. Faltando apenas oito rodadas para o término do Brasileirão, o Inter caiu para o terceiro lugar, e ficou cinco pontos atrás do líder, o Palmeiras. O sonho do título começa a ficar distante. O resultado de hoje não foi injusto. O Santos teve mais chances de gol do que o Inter ao longo do jogo, e poderia ter vencido. O Inter teve um gol anulado de forma correta. Claro que levar sete minutos para decidir sobre o lance, como fez a arbitragem, é inadmissível, mas a anulação foi justa. Portanto, o resultado da partida não teve a influência da arbitragem. A classificação está traduzindo a diferença entre postulantes ao título. Palmeiras e Flamengo possuem times e grupos melhores que os do Inter, e é natural que estejam melhor classificados.  Ao Inter parece restar, a partir de agora, a luta para permanecer entre os quatro primeiros colocados e, dessa forma, garantir classificação direta para a Libertadores .

domingo, 21 de outubro de 2018

A consumação do golpe

A máscara caiu de vez. A desfaçatez tomou conta do país. A omissão do Tribunal Superior Eleitoral diante das fake news disparadas no Whatsapp por empresários apoiadores do candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, é a consumação do golpe. Como a fala do senador Romero Jucá (MDB-RR), num vídeo que se tornou célebre, deixou claro, houve "um acordo com o Supremo, com tudo". A postura do Tribunal Superior Eleitoral eliminou qualquer dúvida que ainda houvesse de que o Poder Judiciário brasileiro fez parte do golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita. O ódio irracional ao PT levou a magistratura brasileira a abdicar de uma postura que deveria ser obrigatoriamente equidistante, para se aliar, despudoradamente e sem disfarces, com uma candidatura fascista que, caso chegue ao poder, será um retrocesso na história do país, afundando-o nas trevas. A Justiça é o último recurso da sociedade contra as atrocidades que a perseguem. No momento em que ela anda de mãos dadas com o fascismo, nada mais resta ao povo, só o desespero de quem se vê cercado pelo caos.

sábado, 20 de outubro de 2018

Erros repetidos

O técnico do Grêmio, Renato, não volta atrás em suas decisões, por mais equivocadas que sejam. Os erros repetidos de Renato estão custando preciosos pontos ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. Hoje, contra o América Mineiro, no Independência, Renato, mais uma vez escalou Bressan e Marcelo Oliveira, mesmo eles tendo sido os dois piores jogadores em campo contra o Palmeiras, e responsáveis diretos pela derrota. Pior do que isso, Renato deu a braçadeira de capitão para Marcelo Oliveira, e quando ele foi substituído, no segundo tempo, ela foi repassada para Bressan. Atitudes como essa são uma tentativa infantil de Renato de defender seus jogadores das críticas da imprensa. Porém, o maior prejudicado é o Grhêmio. O jogo terminou empatado em 1 x 1, e mais dois pontos foram desperdiçados pelo Grêmio numa partida que poderia vencer. O América Mineiro abriu o placar no primeiro tempo numa falha de Marcelo Oliveira. No segundo, o Grêmio conseguiu empatar, e tomou conta do jogo, parecendo que o gol da vitória viria a qualquer momento. Aí, Renato cometeu mais um erro. Retirou Kaio, que dava consistência defensiva no meio campo, e colocou Douglas em seu lugar. A presença de Douglas fragilizou o Grêmio, e cortou a reação que era demonstrada em campo. Renato está privilegiando a defesa de jogadores que lhes são leais, em detrimento dos interesses do Grêmio. No futebol altamente profissionalizado da atualidade, não há lugar para a ação entre amigos. Está na hora do departamento de futebol do Grêmio fazer Renato ver que o clube está acima de tudo, pois é ele que paga, e bem, ao técnico e aos jogadores. Sendo assim, Renato tem de perceber que ele tem de fazer, sempre, o melhor para que o clube obtenha vitórias, e isso implica, muitas vezes, barrar jogadores que não estão correspondendo. No futebol, não há lugar para o compadrio.