terça-feira, 24 de julho de 2018

A velha política não sai de cena

 As eleições estão cada vez mais próximas, mas nada indica que elas trarão qualquer sinal de renovação nas práticas políticas do país. A velha política não sai de cena, com seus interesses subterrâneos e falcatruas as mais diversas. Sem nenhum pudor, as lideranças políticas escancaram todo o seu apego a busca do poder a qualquer preço. Nesse sentido, é emblemática a manifestação do presidente do PSB-RS, José Stédile, durante convenção partidária estadual no último domingo. O PSB-RS decidiu integrar a aliança pela candidatura à reeleição do governador do Estado, José Ivo Sartori, e Stédile deixou claro que essa adesão não se deu por razões de identidade programática. O que fez o partido manter o apoio a Sartori foi a manutenção de seus 160 cargos no governo estadual. Esses cargos correspondem, segundo Stédile, a 60% da receita do PSB-RS. O caso do PSB-RS, claro, não é um fato isolado. No Brasil, a política é, antes de tudo, um balcão de negócios, e não há nenhuma perspectiva de mudança para esse quadro.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Mais sorte do que juízo

O que era para ser fácil, por pouco não foi dramático. Assim pode ser definida a vitória do Inter por 1 x 0 sobre o Ceará, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. A grande diferença de qualidade entre os dois times, refletida nas campanhas de ambos no Brasileirão, levava a que se esperasse um jogo fácil para o Inter, talvez com uma goleada. Na prática, a realidade foi bem diferente. O Inter teve enormes dificuldades contra o Ceará, não conseguiu impor uma superioridade em campo, inquietou seu torcedor durante o jogo, e quase deixou a vitória escapar. O único gol do jogo surgiu aos 30 minutos do segundo tempo, quando William Potker aproveitou o rebote numa bola em que o goleiro bateu roupa. Pelo que fazia até então, o Ceará não merecia sofrer um gol. Porém, no futebol, não há placar moral, o que importa é vencer. Dessa forma, o Inter chegou ao terceiro lugar na classificação, e o Ceará continua afundado na lanterna. No entanto, é preciso avaliar corretamente a forma como se obtém as vitórias. Hoje, o Inter teve mais sorte do que juízo.

domingo, 22 de julho de 2018

Sem soluções

Uma atuação decepcionante e sem criatividade. Esse é o resumo do que foi a derrota do Grêmio por 2 x 0 para o Vasco, hoje, em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro. A exemplo do que já ocorrera várias vezes no período pré-Copa, o Grêmio desperdiçou pontos contra um adversário fraco, e o que é pior, jogando com um homem a mais durante grande parte do tempo. O Grêmio se mostrou sem soluções durante todo o jogo. O jogo recém havia começado quando o Vasco abriu o placar, aos três minutos, num gol contra de Geromel. Um gol tão cedo quase sempre traz problemas, mas o Grêmio tinha muito tempo pela frente para tentar reverter o resultado, contra um adversário que, sabidamente, lhe é muito inferior. Porém, nem quando ficou com um homem a mais em campo, devido a expulsão de um jogador do Vasco, o Grêmio conseguiu se impor. O técnico do Grêmio, Renato, tentou várias alternativas, mas nenhuma funcionou. O tempo foi escoando, e o Grêmio não encontrou meios de levar perigo ao gol do Vasco. A campanha do Grêmio no Brasileirão segue irregular e insatisfatória. Mais uma vez, como em 2017, o Grêmio vai deixando escapar entre os dedos uma competição que poderia vencer sem muitas dificuldades.

sábado, 21 de julho de 2018

A solidão de Bolsonaro

Cada vez mais a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro a presidente tende a ser apenas muito barulho por nada. Bem cotado em pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro, no entanto, é pré-candidato por um partido minúsculo, o PSL, e não está conseguindo um candidato a vice, nem mesmo em outras legendas de igual porte. Com isso, Bolsonaro, provavelmente, terá de formar uma "chapa pura", denominação que se dá a uma candidatura apenas com integrantes do próprio partido. Se essa hipótese se confirmar, as chances de Bolsonaro na eleição serão quase nulas, pois ele terá muito pouco tempo de rádio e tevê. A solidão de Bolsonaro mostra que, em vez de um candidato viável, ele deverá virar uma versão tropical de Jean Marie Le Pen, o radical de direita francês que sempre surgia bem cotado nas pesquisas para as eleições presidenciais de seu país e, invariavelmente, fracassava nas urnas.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Um jogo nivelado por baixo

Um jogo com muitos gols e alternâncias no placar dá a ideia de que tenha sido uma boa partida. Não foi esse o caso de Atlético Paranaense 2 x 2 Inter, hoje, na Arena da Baixada, pelo Campeonato Brasileiro. Mesmo com quatro gols,  e várias outras chances desperdiçadas, o jogo foi de baixo nível técnico. O Inter saiu na frente no placar, o Atlético virou, mas acabou cedendo o empate. O resultado não foi bom para ninguém. O Inter saiu do grupo dos quatro primeiros colocados do Brasileirão, e o Atlético Paranaense segue afundado na zona de rebaixamento. Foi um jogo nivelado por baixo, no qual a limitação técnica dos dois times ficou evidente. Pelo que se viu em campo, o Atlético tem poucas chances de reagir na competição, e o Inter não dá muitas esperanças de terminar a disputa na zona de classificação para a Libertadores.

Bom retorno

Havia curiosidade sobre como o Grêmio retornaria após a parada para a Copa do Mundo. Não bastasse a campanha abaixo do esperado nas doze primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, o Grêmio ainda perdeu Arthur, que foi para o Barcelona seis meses antes do que estava previsto. A vitória por 2 x 0 sobre o Atlético Mineiro, ontem, na Arena, dissipou essas preocupações. O primeiro tempo parecia apontar na continuidade do que se vira no período pré-Copa. Afinal, o Grêmio dominava o jogo inteiramente, mas pouco chutava em gol, e consequentemente, não conseguia abrir o placar. Seria mais um empate em 0 x 0 na Arena, tudo levava a pensar. No segundo tempo, no entanto, o panorama se alterou. O Grêmio marcou um gol cedo, e sua superioridade em campo ficou ainda maior. Veio o segundo gol, e o terceiro só não aconteceu porque Luan desperdiçou um pênalti. Foi uma vitória sólida, consistente. Afora a boa produção coletiva, o Grêmio teve destaques individuais. Geromel e Maicon tiveram grandes atuações, e André foi mais participativo, encerrando um longo período sem marcar gols. Foi um bom retorno do Grêmio, o que dá confiança para o prosseguimento do ano.

terça-feira, 17 de julho de 2018

A dura volta à realidade

O inchado calendário do futebol brasileiro gera situações absurdas. O Campeonato Brasileiro só parou na véspera da abertura da Copa do Mundo. Pior do que isso, já no dia seguinte à decisão da Copa, foram realizados dois jogos atrasados pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Portanto, é uma enxurrada de jogos que não permite ao torcedor se preparar para assistir a Copa, nem se adaptar para a volta do futebol brasileiro, depois que ela termina. Nos dois jogos de ontem, foi duro suportar o retorno ao baixo nível do futebol do país. O jogo Cruzeiro 1 x 1 Atlético Paranaense, por exemplo, foi chato e arrastado, com os dois gols saindo só no final. O Cruzeiro não forçou o jogo, pois o empate lhe bastava para se classificar, e o Atlético não mostrou o impeto necessário para obter a vitória, única opção de que dispunha para chegar nas quartas de final. A torcida do Cruzeiro, que foi em grande número ao Mineirão, vaiou o time, no final. No outro jogo da noite, não faltou emoção. O Vasco precisava reverter uma goleada sofrida no primeiro jogo contra o Bahia para seguir adiante na Copa do Brasil. Conseguiu abrir 2 x 0 no placar, o que lhe deixava a um gol de levar a decisão da classificação para a disputa de tiros livres da marca do pênalti. Porém, o terceiro gol não veio e o jogo terminou com expulsões de ambos os lados e confusão entre os torcedores. A torcida do Vasco, que teve uma presença  significativa em São Januário, apoiou o time, após o jogo reconhecendo o esforço demonstrado em campo. Após o jogo, o técnico do Vasco, Jorginho, reclamou da cera excessiva do Bahia. O técnico do Bahia, Enderson Moreira, rebateu, dizendo que isso era do jogo, pois estava claro que não lhe interessava acelerar o ritmo da partida. O mau futebol do Mineirão e os acontecimentos pós-jogo de São Januário foram amostras realistas do que virá pela frente para quem acompanha o futebol brasileiro. A dura volta à realidade. O encanto único da Copa do Mundo já ficou para trás.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O fim de uma falsa verdade

O Brasil é um país que cultiva, como poucos, o gosto por cultuar e transmitir, por várias gerações, pretensas verdades absolutas que não passam de conversa fiada. Uma delas é a de que os brasileiros dão uma importância ao futebol maior do que a de outros países mais evoluídos ou civilizados. O retorno das seleções de França, Croácia e Bélgica aos seus países, após suas participações na Copa do Mundo, na Rússia, determinou o fim de uma falsa verdade, tantas vezes repetida. As recepções de franceses, croatas e belgas às suas seleções foram apoteóticas. Multidões acorreram às ruas para saudar, efusivamente, as delegações que brilharam na Copa. Os franceses comemoraram a conquista do seu segundo título mundial, com os vitoriosos desfilando em carro aberto. Os croatas se mostraram orgulhosos do vice-campeonato, maior campanha do país na história da competição. O mesmo júbilo exibiram os belgas pelo terceiro lugar, igualmente o melhor desempenho de sua seleção em todas as Copas. A associação de governantes com comemorações desse tipo, sempre criticada como outra deformação brasileira, também se verificou nessas celebrações europeias. Na França, o presidente e a primeira dama, que se fizeram presentes ontem na decisão da Copa do Mundo, em Moscou, recepcionaram a delegação e, todos juntos, cantaram a Marselhesa à capela. Na Bélgica, a família real também se juntou à recepção da delegação que representou o país na Copa. A paixão pelo futebol ocorre no mundo inteiro, nos mais diversos países, de diferentes graus de desenvolvimento. A ideia de que o brasileiro se ocupa demais com o futebol, enquanto outros países se importam com assuntos mais "sérios", é uma lorota que não se sustenta mais.

domingo, 15 de julho de 2018

Campeã pragmática

A França é a campeã da Copa do Mundo de 2018. Não se trata de uma surpresa. Antes do início da competição a França estava incluída em todas as listas de favoritos para o título. Sua equipe é jovem e conta com grandes valores individuais, como Mbappe, Pogba e Griezmann. Porém, mesmo contando com esses atributos, a França não apresentou um futebol brilhante. Ainda que com méritos, a França foi uma campeã pragmática. Até chegar à decisão, a França só teve uma grande atuação contra a Argentina, pelas oitavas de final, quando venceu por 4 x 3. Hoje, na decisão, contra a Croácia, ganhou por 4 x 2, mas o placar é enganoso em relação ao que se viu no campo. A Croácia começou melhor no jogo. Sofreu um gol contra decorrente da cobrança de uma falta que não existiu. Empatou a partida com um golaço. Levou o segundo gol em mais uma atitude equivocada da arbitragem, que marcou um pênalti num lance em que mostrou falta de convicção ao decidir. Após mais esse golpe, a Croácia sentiu o cansaço acumulado pelas prorrogações nos três jogos anteriores, e levou mais dois gols. No entanto, uma falha patética de Lloris oportunizou mais um gol para a Croácia. A partir daí, a Croácia, mesmo esgotada, buscou uma reação. Não deu tempo. Mesmo com os reparos feitos, não houve injustiça no título da França, que soube montar sua estratégia para ser campeã, mesmo sem jogar o futebol mais bonito da competição.

sábado, 14 de julho de 2018

O futebol mais bonito

Muitos desdenham da decisão do terceiro lugar na Copa do Mundo. Entendem que não há sentido em realizar um jogo com essa finalidade. Seja como for, ele continua a ser realizado, e está longe de ser desprezível. O jogo de hoje, pela decisão do terceiro lugar na Copa do Mundo da Rússia é uma prova disso. Em primeiro lugar, porque o estádio estava lotado, o que prova que um jogo de Copa sempre tem um alto valor. Obviamente, o público de um jogo desse tipo se porta de maneira mais descontraída, sem o nervosismo de partidas eliminatórias ou da decisão da competição. Também as equipes encaram o jogo sem a mesma tensão, e essa postura, somada com a do público, dá para a partida uma atmosfera mais leve. Foi assim que a Bélgica, praticamente completa, venceu por 2 x 0 uma Inglaterra com alguns desfalques. O resultado não mostra o que foi a superioridade da Bélgica em campo. O placar foi aberto logo aos três minutos do primeiro tempo, e poderia ter se transformado numa goleada ainda no início do jogo, tantas foram as oportunidades perdidas pela Bélgica. As chances não eram concretizadas pela Bélgica por excesso de preciosismo. Sem a pressão do resultado, até toque de calcanhar foi dado pela equipe belga. Mesmo perdendo tantos gols, a Bélgica obteve a vitória de forma afirmativa, e mostrou que o futebol mais bonito não estará na decisão da Copa. Hazard jogou uma excelente partida, coroando sua atuação com um golaço que fechou o placar. Sem falsa modéstia, ele afirmou, após a partida, que o melhor jogador certamente sairá da decisão entre França e Croácia, mas que se pudesse votar, escolheria a si próprio. De Bruyne foi outro que também jogou muito bem. Lukaku perdeu dois gols feitos, mas teve participação importante em outras jogadas. Courtois não foi tão exigido como em outros jogos, mas é forte candidato para ser o melhor goleiro da competição. O terceiro lugar é a melhor colocação da Bélgica em uma Copa do Mundo. Porém, a equipe poderia ter obtido mais. Com um futebol bonito e envolvente, ninguém jogou melhor que a Bélgica na Copa do Mundo de 2018.