segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Um país sem leitores
A quarta edição da pesquisa "Retrato da Leitura no Brasil" revelou que 74% da população do país nunca comprou um livro. A mesma pesquisa apurou que 30! % dos brasileiros nunca leram um livro. Esses dados são trágicos, e explicam muito sobre o avanço do obscurantismo no país. Como já é sabido há muito tempo, só a cidade de Buenos Aires possui mais livrarias que o Brasil inteiro. A leitura é uma fonte insuperável de informação, de alargamento de horizontes, estimula o questionamento e propicia o desenvolvimento do senso crítico. A ausência de leitura leva as pessoas a serem presas fáceis de mensagens retrógradas, do falso moralismo, do proselitismo religioso, e de todo o tipo de apelo ao conservadorismo. Ler é expandir a mente, aprendendo a pensar por conta própria. Num país onde a educação e a cultura nunca foram prioridades, esses dados não chegam a ser surpreendentes, mas nem por isso são menos chocantes. Um país sem leitores não tem futuro, está condenado ao atraso. Afinal, como dizia o célebre escritor Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros.
domingo, 15 de outubro de 2017
Vitória essencial
Não foi uma grande atuação, o gol só saiu nos acréscimos do jogo, mas o Grêmio, ao vencer o Coritiba por 1 x O, hoje, no Couto Pereira, pelo Campeonato Brasileiro, obteve uma vitória essencial. O resultado fez o Grêmio voltar, provisoriamente, ao segundo lugar na classificação, posição que poderá ser mantida se o Santos vier a perder para o Vitória, amanhã, na Vila Belmiro. Afora isso, o Grêmio atingiu o número de 15 vitórias no Brasileirão, apenas duas a menos do que o líder da competição, o Corinthians, contra quem jogará, na próxima rodada, no Itaquerão. Se o Grêmio vencer, a diferença entre os dois clubes cairá para seis pontos, incendiando a disputa do título, que já parecia ganho pelo Corinthians. No jogo de hoje contra o Coritiba o Grêmio teve um desempenho tecnicamente modesto, mas mostrou muita atitude. Depois de realizar um primeiro tempo ruim, o Grêmio cresceu no segundo. Erros defensivos fizeram o Grêmio correr riscos, mas o goleiro Marcelo Grohe esteve bem no jogo e impediu que o Coritiba marcasse gols. Algumas atuações individuais do Grêmio foram muito decepcionantes, casos de Jailson, Arroyo e Lucas Barrios. Edílson não pode ser titular em detrimento de Leonardo Moura, que é bem melhor tecnicamente. Porém, o que importa é a vitória, pois ela melhorou muito as perspectivas do Grêmio na classificação, e desanuviou o ambiente no momento em que se aproxima o primeiro jogo pelas semifinais da Libertadores contra o Barcelona de Guayaquil, fora de casa. O bom futebol de meses atrás ainda não retornou, mas nada é melhor para um clube do que vencer jogos. O Grêmio voltou a ganhar, e isso é o mais relevante nesse momento.
sábado, 14 de outubro de 2017
Conservadorismo juvenil
Dentre as tantas aberrações que caracterizam os tempos absurdos que a humanidade atravessa o pior de todos é o conservadorismo juvenil. Afinal, nada é mais oposto aos atributos da juventude do que uma postura conservadora. A juventude é, por natureza, impetuosa, sonhadora, inconformista, rebelde. A incerteza em relação ao futuro, e a crise das utopias, não serve como justificativa para que jovens apoiem candidatos a presidente como Jair Bolsonaro. Sem terem vivido os horrores da ditadura militar, pois não eram nascidos, muitos jovens se mostram simpáticos á intervenção fardada. Uma sociedade sem jovens sonhadores, carregados de esperança e vontade de mudar o mundo, não tem futuro. Reside nos jovens, historicamente, o impulso da mudança. O Brasil está vivendo a maior crise política de sua história. Para sair dela, o ímpeto característico dos jovens será um elemento fundamental. Urge, portanto, que se descubra porque os jovens estão apoiando ideias retrógradas. O sonho de um país melhor não pode ser abandonado pela juventude.
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
A volta de Sir Paul McCartney
Exatos seis anos, onze meses e seis dias depois, Porto Alegre assistiu a volta de Sir Paul McCartney para realizar o seu segundo show na cidade. O mais lendário cantor e compositor vivo do mundo já está com 75 anos, seu rosto denuncia as marcas do tempo, mas seu carisma no palco continua intacto, encantando o público durante duas horas e cinquenta minutos de apresentação. As músicas do show incluem clássicos dos Beatles e da carreira solo de Paul, e algumas de seus discos mais recentes. Não faltaram, entre os clássicos, é claro, "Yesterday", "Something", de George Harrison, "Hey Jude" e "Let it Be". Paul incluiu na apresentação, também, outras músicas dos Beatles que não eram tocadas em shows anteriores, como "Can't buy me love", "A Hard Days Night", "Got to Get You Into My Life" e "Being For The Benefit of Mr. Kite", essa última uma composição de John Lennon incluída no disco "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band". Músicas como as já citadas "Hey Jude" e "Something", e outras como "Obladi, Obladá" e "Love me Do", levantaram o público, que as cantou em coro. Ao se despedir, Paul disse: "Até a próxima". Tomara que isso se confirme, e que não seja preciso esperar quase sete anos pelo retorno desse astro atemporal.
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Um campeonato de baixo nível técnico
Existe um fosso, atualmente, entre o futebol praticado pela Seleção Brasileira e aquele que é visto nos estádios do país. Nada há de absurdo nesse fato. Afinal, a base da Seleção é formada por jogadores que atuam no exterior. No Brasil, os times são formados por jovens que assim que se afirmam vão para fora do país, vários jogadores medianos, e veteranos que retornam de clubes estrangeiros. O resultado disso é que o se constata no Campeonato Brasileiro. Embora conte com a participação de mais uma dezena de grandes clubes, de muita tradição e apelo popular, é um campeonato de baixo nível técnico. Os altos investimentos de alguns clubes não redundam em bons desempenhos dentro de campo. O Palmeiras, por exemplo, mesmo com gastos milionários, não consegue jogar um bom futebol. Hoje, em pleno Allianz Parque, empatou com o Bahia em 2 x 2, depois de sair ganhando por 2 x 0, e por pouco não foi derrotado. O Atlético Mineiro, talvez o maior favortmito antes da competição começar, corre riscos, até, de rebaixamento. A força de camisas gloriosas ainda garante a presença de bons públicos em muitos jogos, mas o futebol que vem sendo apresentado nos gramados brasileiros é muito pobre tecnicamente. Esse é um quadro que, lamentavelmente, não será modificado tão cedo. A questão econômica faz com que os melhores jogadores deixem o país. Para ver o melhor do futebol brasileiro, só assistindo a equipe de Tite.
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Ladeira abaixo
O Grêmio segue ladeira abaixo no segundo turno do Campeonato Brasileiro. São quatro derrotas nos últimos cinco jogos. Apenas seis gols marcados em todos os jogos. Hoje, na Arena, o Grêmio perdeu para o Cruzeiro por 1 x 0, e já caiu para o quarto lugar no Brasileirão, o último a conceder classificação direta para a Libertadores. A possibilidade de o Grêmio terminar o ano sem o título da Libertadores e de ficar fora da competição no próximo ano e cada vez maior. No jogo de hoje, o Grêmio até foi superior ao Cruzeiro, mas tomou um gol de contra-ataque e não conseguiu reagir. Em dado momento do campeonato, o técnico do Grêmio, Renato, disse que o Corinthians, líder absoluto da competição, iria despencar. Porém, quem despencou foi o Grêmio. As justificativas de Renato para o péssimo momento são pueris, alegando, entre outros argumentos, que o time está com a cabeça na Libertadores, o que se reflete na produção em jogos do Campeonato Brasileiro. Ainda que existam fatores que contribuam para a queda de rendimento, como o grande número de lesões, o Grêmio decaiu demais. Não há como negar que uma onda de ceticismo sobre as possibilidades do Grêmio na Libertadores, competição onde o clube jogou todas as suas fichas, começa a se formar. O bom futebol do Grêmio, que chegou a encantar o Brasil, sumiu, e não será fácil conseguir uma retomada.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
Messi desequilibrou
A Argentina estava na iminência de não se classificar para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Entre outros resultados constrangedores nas Eliminatórias da América do Sul, empatou por 0 x 0, em casa, com a Venezuela. Hoje, precisava vencer o Equador, em Quito, e saiu perdendo com um gol aos 38 segundos de jogo. O que poderia se transformar num drama, acabou numa vitória tranquila, de virada, por 3 x 1. Tudo porque Messi desequilibrou, finalmente, jogando pela Argentina. Messi marcou os três gols, e fez a diferença numa equipe sem brilho e mal escalada. O técnico Jorge Sampaoli, agora, terá mais tempo para dizer a que veio, pois a Argentina ainda não mostrou evolução sob a sua orientação. Para a Copa, é bom que a Argentina tenha garantido presença na competição, já que é uma seleção de grande tradição. Para Messi, provavelmente em sua derradeira Copa do Mundo, será a última chance de fazer história na mais importante competição do futebol mundial.
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Cumprindo com o dever
Por ser o único clube grande no Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, o Inter tem a obrigação de ser o campeão da competição. Depois de um início claudicante, ficando fora da zona de classificação em várias rodadas, o Inter recuperou-se, e caminha para a conquista do título da Série B sem maiores dificuldades. Hoje, o Inter seguiu cumprindo com o dever que lhe foi imposto. Venceu o Brasil de Pelotas por 1 x 0, no Beira-Rio, num jogo que valeu mais pelo resultado do que pelo futebol mostrado em campo. Agora, matematicamente, falta muito pouco para o Inter retornar ao convívio dos grandes clubes brasileiros. Para que possa fazer uma boa campanha na Primeira Divisão, o Inter precisará qualificar bem mais o seu time. Por enquanto, basta ao clube seguir no ritmo atual, em que o objetivo a ser alcançado vale mais que o desempenho no gramado.
Batendo recordes
A Fórmula 1, como qualquer outra competição esportiva, necessita da presença de grandes talentos. São eles que garantem o interesse do público, e consolidam o prestígio da modalidade. Ao longo de sua história, ela teve pilotos da mais alta expressão, que lhe firmaram como a principal categoria do automobilismo. Nomes como Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Graham Hill, Jackie Stewart, Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna, Michael Schumacher. Nos últimos anos, a Fórmula 1 parecia estar perdendo um tanto do seu brilho, mas a disputa pelo título desse ano desmente essa visão. Ela se dá entre dois pilotos, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, que somam sete títulos da categoria. Com a vitória de ontem, no Grande Prêmio do Japão, Hamilton encaminhou a conquista do campeonato. Caso ela se confirme, será o seu quarto título, o que lhe levaria a empatar com o próprio Vettel e Alain Prost em número de conquistas. Em termos de vitórias, Hamilton, com a de ontem, atingiu 61, o que lhe coloca como o segundo piloto que mais venceu corridas na Fórmula 1, atrás, apenas, de Michael Schumacher, que obteve 71. Com o tempo de carreira que ainda terá pela frente, Hamilton, certamente assumirá a liderança nesse item, e tem grande chance de igualar e, até mesmo, superar os sete títulos de Schumacher. Lewis Hamilton, que é o único piloto negro da Fórmula 1, segue batendo recordes, e se inscrevendo no rol dos grandes mitos da mais importante categoria do automobilismo.
sábado, 7 de outubro de 2017
A destruição do Rio Grande do Sul
Nunca houve, em toda a história do Rio Grande do Sul, um governador mais inepto, incompetente, cínico e predatório do que José Ivo Sartori. A venda de 49% das ações do Banrisul, anunciada durante a semana, é a comprovação de que o único objetivo de Sartori é a destruição do Rio Grande do Sul. A medida é, claramente, o encaminhamento para a privatização total do banco, o que é inaceitável e injustificável fora dos conceitos doentios de mentes neoliberais. Sartori empenha-se, diuturnamente, em reduzir a pó o Estado que simula governar. Parcela salários, aniquilando material e moralmente com o funcionalismo público. Sucateou a segurança e a educação em níveis inimagináveis. Tomado por uma fúria privatista, extinguiu fundações de enorme relevância para o Estado, pretende se desfazer de empresas de importância estratégica, e, agora, ataca a jóia da coroa dos gaúchos, seu bem mais precioso, motivo de orgulho de sua população, o Banrisul. Um banco lucrativo, competitivo, cuja privatização, se efetivada, representaria a queima de patrimônio público em favor dos tubarões da iniciativa privada. O Rio Grande do Sul precisa defender o seu banco com unhas e dentes. A oposição ao governo Sartori tem de se articular e mobilizar a sociedade. Não se pode assistir, passivamente, ao aniquilamento do patrimônio estatal do Rio Grande do Sul. Para impedir isso, todos os esforços são válidos. Sartori precisa ser encarado na sua verdadeira face, a de inimigo público número um dos gaúchos.
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