segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A exposição

Desde ontem, um assunto tomou conta de Porto Alegre, repercutindo em todo o Brasil, e até no exterior. O fato em questão foi o cancelamento abrupto da exposição "QueerMuseu - Cartografias da diferença na arte brasileira", que estava sendo exibida no Santander Cultural desde o mês de agosto e com previsão de encerramento em outubro. A direção do centro cultural cedeu às pressões do Movimento Brasil Livre - MBL, organização de extrema direita, que chegou ao cúmulo de constranger e ofender pessoas que assistiam à exposição, e despejou protestos no site do Santander Cultural, forçando o cancelamento. A alegação para a arbitrária e obscurantista medida foi o de que a exposição fazia apologia da pedofilia e da zoofilia, e feria valores cristãos. O Brasil está sendo tomado por uma onda fascista que não pode mais ser ignorada, nem relativizada. Há uma ação deliberada com a intenção de fazer o país retroagir para níveis medievais de comportamento. A exposição foi atacada porque sua temática refletia a visão LGBT, e o MBL, como organização fascista que é, adota um discurso carregado de homofobia. Os setores mais esclarecidos da sociedade precisam deter o avanço do obscurantismo. Nenhum meio de revide deve ser descartado. Os arautos do atraso não podem ganhar terreno. Se radicalizarem em suas ações retrógradas, que recebam o troco devido. As mentes conscientes e esclarecidas não podem se curvar diante de tamanho descalabro. Chega de tolerância com os sabotadores da democracia!

domingo, 10 de setembro de 2017

Diferença mantida

A exemplo do Grêmio, o líder Corinthians também foi derrotado na rodada, e, com isso, não houve alteração na distância entre ambos na classificação do Campeonato Brasileiro. A diferença mantida, de sete pontos, ainda concede tranquilidade para o Corinthians, mesmo com sua abrupta queda de rendimento. Depois de um primeiro turno avassalador, em que terminou invicto, o Corinthians já perdeu três dos quatro jogos que realizou no segundo, e não marcou um gol sequer. Se a atual fase da competição fosse disputada de maneira isolada, o Corinthians estaria, momentaneamente, na zona de rebaixamento. A "gordura" acumulada, no entanto, e a incompetência dos adversários, que não aproveitam os seus tropeços para se aproximarem na classificação, permitem ao Corinthians manter-se como favorito para o título. Porém, ao perder por 2 x 0 para o Santos, hoje, na Vila Belmiro, o Corinthians deixou evidente que vive um mau momento técnico, e que precisa reagir rapidamente, sob pena de ver ameaçada uma conquista que parecia certa. Para o campeonato, a derrota do Corinthians foi uma boa notícia, pois evitou o encaminhamento de um desfecho antecipado. O resultado manteve Grêmio e Santos com chances de lutar pelo título. A liderança do Corinthians permanece folgada, é verdade, mas o campeão não está definido.

sábado, 9 de setembro de 2017

Derrota indesculpável

Um balde de água fria. Uma derrota indesculpável. Assim pode ser definido o jogo. Vasco 1 x 0 Grêmio, hoje, em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro. Caso o Grêmio vencesse, e o Corinthians perdesse para o Santos, amanhã, a diferença entre os dois clubes, na classificação, se reduziria para quatro pontos. O Grêmio tinha todas as condições para conseguir isso. Colocou em campo o que tinha de melhor, contra um adversário tecnicamente fraco, num estádio com portões fechados. Porém, mesmo com tantos fatores favoráveis, o Grêmio teve uma atuação lamentável, tomou um gol numa falha constrangedora da sua defesa, e não criou chances concretas durante todo o jogo. O mau resultado poderá ter reflexos no jogo de quarta-feira, contra o Botafogo, pela Libertadores. Mais uma vez, o Grêmio fraquejou num momento importante, parecendo que sente o peso da responsabilidade nessas ocasiões. Perdeu a chance de "pôr fogo", no Brasileirão. Um fracasso para o qual nenhuma desculpa é aceitável.

Dificuldade confirmada

Toda vez que o Inter enfrenta o Juventude no Alfredo Jaconi há o prenúncio de um jogo duro. Uma dificuldade confirmada na prática, hoje à tarde. O Inter perdeu para o Juventude por 2 x 1, e deixou a liderança do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, que agora é ocupada pelo América Mineiro. O Juventude saiu na frente no placar, mas cedeu o empate dois minutos depois, situação que persistiu até o final do primeiro tempo. Porém, no segundo, o Juventude obteve a vitória com um belo gol. Dessa forma, o Inter sofreu uma derrota depois de obter seis vitórias consecutivas. Em três jogos contra o Juventude em 2017, o Inter teve duas derrotas, ambas no Alfredo Jaconi, e um empate, no Beira-Rio. O mau resultado, no entanto, não deverá ter maiores reflexos na campanha do Inter na competição. A possibilidade do Inter não ficar entre os quatro primeiros colocados, que subirão para a Primeira Divisão, é muito remota,  em função da qualidade modesta dos demais participantes da disputa. A derrota de hoje evidenciou, entretanto, que, para vôos mais altos, o grupo de jogadores terá de ser substancialmente reforçado.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Calendário insensato

O futebol brasileiro está sendo vítima de um calendário insensato. O interesse de redes e canais de televisão, que adquirem os direitos de transmissão das competições, estão se sobrepondo totalmente ao aspecto esportivo, e os clubes e seus torcedores acabam sendo imensamente prejudicados. Em nome das grades de programação dos detentores de direitos de transmissão, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, a Libertadores e a Copa Sul-Americana estão sendo disputadas ao longo do ano, o que gera superposição de competições. O efeito negativo desse calendário adotado em 2017 é que força os clubes a valorizarem uma determinada competição em detrimento de outra, pela dificuldade de buscar a obtenção dos títulos de todas elas. Para que isso fosse feito, houve um espaçamento excessivo entre os jogos da Copa do Brasil e da Libertadores. Como são competições eliminatórias, de reduzido número de jogos, foi necessário fazer grandes intervalos entre as partidas para que elas pudessem se estender pelo ano inteiro. O maior prejuízo, nesse sentido, aconteceu com a Libertadores, cujos jogos e fases são tão espaçados que o torcedor até se esquece que ela ainda está sendo realizada. Amanhã, por exemplo, irá recomeçar o Campeonato Brasileiro, depois de duas semanas de paralisação em função dos jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Porém, já no próximo meio de semana, acontecerão jogos pela Libertadores e Sul-Americana, o que leva os clubes a terem de priorizar competições, escalando times descaracterizados nas outras. Na prática, isso é ruim para todos, ou seja, a televisão e seus anunciantes, os clubes e os torcedores. Esse quadro deveria mudar já no próximo ano, pelo bem do futebol. A Copa do Brasil e a Libertadores deveriam se encerrar no primeiro semestre, ficando a Copa Sul-Americana para o segundo, como já ocorreu em anos anteriores. O futebol não pode ser refém dos interesses da televisão. Há que se tentar uma compatibilização dos interesses de todos, mas os clubes e seus torcedores deveriam estar, em primeiro lugar.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Equilíbrio

O equilíbrio foi a tônica no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil, hoje, no Maracanã, entre Flamengo e Cruzeiro, que empataram em 1 x 1. O jogo não teve a emoção que seria de se esperar numa partida decisiva. Os lances de gol eram escassos, o ritmo da partida, por vezes, se mostrava enfadonho. Os momentos de maior intensidade ficaram reservados para a parte final do jogo. Aos 30 minutos do segundo tempo, o Flamengo abriu o placar com um gol irregular, pois Lucas Paquetá estava impedido no lance. O gol fez parecer que O Flamengo sairia vencedor do jogo, mas, poucos minutos depois, numa falha do goleiro Tiago, que "bateu roupa", Arrascaeta empatou para o Cruzeiro. Com o resultado de hoje, nada ficou encaminhado para o segundo jogo, pois não houve um vencedor. A decisão da Copa do Brasil está inteiramente em aberto. O fator campo poderá ser um dado em favor do Cruzeiro, já que o jogo será no Mineirão, mas, como se viu no Maracanã, nem sempre ele é decisivo. Flamengo e Cruzeiro se mostraram equivalentes em virtudes e defeitos, e não se pode conceder o favoritismo para nenhum dos lados.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O país da roubalheira

O Brasil sempre conviveu com a corrupção. Afinal, o país cultiva a cultura do "jeitinho", ou seja, um meio de se fazer algo fora dos trâmites formais. A propina, o superfaturamento de obras, o "sabe com quem você está falando", o "carteiraço", são manifestações típicas de um país que se acostumou com a impunidade dos poderosos. Porém, em tempo algum o país viveu um quadro como o atual. A cada dia, novos escândalos financeiros são revelados, malas de dinheiro são descobertas. O Brasil tornou-se o país da roubalheira. Os ocupantes de cargos importantes na estrutura de poder roubam com espantosa avidez. Os casos do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que guardavam expressivas somas de dinheiro dentro de casa, mostram a que patamar chegou a corrupção no país. Antes de se pensar em quem será o próximo presidente, é preciso preocupar-se com o país que ele irá governar. O Brasil atual transmite a ideia de um país em decomposição. A autoestima da população está corroída, a desesperança se instalou na sociedade. Ao contrário do que sustentam os defensores do golpe, as instituições do país não estão funcionando normalmente. O que há no Brasil é um simulacro de normalidade institucional, cada vez menos convincente. A possibilidade de um fascista como o deputado federal Jair Bolsonaro concorrer com chances ao cargo de presidente é um dado revelador do abismo ético em que o Brasil mergulhou. O pior ainda pode estar por vir, por incrível que pareça.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os primeiros pontos perdidos

Depois de nove vitórias consecutivas, a Seleção Brasileira teve os seus primeiros pontos perdidos em jogos oficiais com o técnico Tite. Foi hoje, no empate em 1x1 com a Colômbia, pelas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, em Barranquilla. A Seleção saiu na frente no placar, com um golaço de William, no final do primeiro tempo, mas Falcão Garcia empatou para a Colômbia, no início do segundo. As duas seleções tiveram bons momentos no jogo, mas o intenso calor cobrou o seu preço e, no final da partida, as equipes estavam extenuadas, e não tiveram forças para mudar o resultado. Embora o jogo pouco valesse para a Seleção em termos práticos, pois já está classificada para a Copa do Mundo e não pode mais ser ultrapassada na liderança das Eliminatórias, não faltou futebol, nem empenho, para a equipe. Se a atuação esteve abaixo de outros jogos, também não foi ruim. Enfrentando um adversário forte, com jogadores como James Rodríguez, Cuadrado e Falcão Garcia, e que precisava muito mais dos pontos em disputa, a Seleção não se deixou dobrar, e até esteve mais perto da vitória do que a Colômbia. Em relação aos testes feitos por Tite, Fernandinho e Roberto Firmino, que iniciaram o jogo nos lugares de Casemiro e Gabriel Jesus, respectivamente, não deram resposta no mesmo nível dos titulares. Não há razão, no entanto, para preocupações. A atuação da Seleção não foi brilhante, é verdade, mas manteve um padrão aceitável. Ainda que não tenha vencido, a Seleção permanece invicta em jogos oficiais com Tite. O trabalho do técnico, portanto, prossegue sem sobressaltos.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Saída pela porta da frente

Um fato chamou muito a atenção de quem esteve no sábado, na Arena, para assistir ao jogo Grêmio x Sport. No intervalo, o atacante Pedro Rocha, recentemente negociado com o Spartak Moscou, entrou em campo, acompanhado por seu pai, e acenou para os torcedores, despedindo-se deles, pois viajaria hoje para se apresentar ao seu novo clube. Pedro Rocha foi ovacionado pela torcida, e aplaudido de pé. Afora ser bonita e comovente, a cena vista no sábado é uma demonstração de como é possível fazer uma saída pela porta da frente no futebol mercantilista dos dias atuais. Ronaldinho é odiado pelo torcedor do Grêmio pela forma como saiu do clube, deixando-o a ver navios, sem nada receber por ele. Jonas também deixou o clube de forma traumática, forçando sua saída. Walace, idem. Pedro Rocha, ao contrário, saiu dignamente. Ele havia renovado o seu contrato com o Grêmio no início do ano. Com isso, proporcionou ao clube ganhar um bom dinheiro com sua venda, em vez de sair de graça seis meses antes do término de um contrato. Pedro Rocha soube defender seus interesses sem atropelar os do Grêmio. Dessa forma, saiu do clube de forma digna, e por isso obteve o carinho do torcedor. Se Ronaldinho saiu do Grêmio como um fugitivo, Pedro Rocha o fez de maneira digna, e as portas do clube sempre estarão abertas para ele. A atitude de Pedro Rocha é uma demonstração de que os altos interesses financeiros do futebol não são incompatíveis com a ética e a civilidade.

domingo, 3 de setembro de 2017

O Inter jogou um título fora

Certas atitudes, por mais que se tente entender, se mostram incompreensíveis. Esse é o caso da opção do Inter de ter escalado um time de reservas contra o Atlético Mineiro, na quarta-feira, no Beira-Rio, pelas quartas de final da Copa da Primeira Liga. Não havia razão alguma para o Inter poupar jogadores. Afinal, o Inter é o líder isolado do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, já pôs oito pontos de vantagem sobre o quinto colocado, e só jogará novamente pela competição no próximo sábado. Sendo assim, o Inter não teria nenhum risco colocando os seus titulares em campo. O vencedor de Inter x Atlético Mineiro enfrentaria, nas semifinais, o ganhador de Flamengo x Paraná. Em qualquer dos casos, seria interessante para o Inter, pois um jogo contra o Flamengo teria a motivação natural de uma partida entre dois grandes clubes, e se o adversário fosse o Paraná as perspectivas de se classificar para a decisão seriam amplas. Porém, a realidade é que o Inter jogou com o time reserva, perdeu para o Atlético Mineiro, e foi eliminado da Copa da Primeira Liga. O clube mineiro, confirmando a lógica, elimnou o Paraná nas semifinais. Como no outro lado do chaveamento o clube classificado, hoje, para a decisão foi o Londrina, se pode dizer, sem nenhum receio de errar, que o Inter jogou um título fora. Sim, pois o Inter jogaria a decisão, em partida única, no seu estádio, contra um adversário que já derrotou por duas vezes na Série B, marcando seis gols e sofrendo apenas um. A conquista lhe daria um prêmio de R$ 3 milhões, e um título de campeão, algo que o seu maior rival, o Grêmio, ainda não obteve em 2017. Os argumentos de que a competição não tem valor, e de que a única preocupação do Inter no ano deve ser a de voltar para a Primeira Divisão, são rasos, e não justificam a equivocada opção feita pelo clube. Um clube grande deve estar sempre voltado para a conquista de títulos, nunca para abrir mão deles.