sábado, 10 de dezembro de 2016
Massacre eleitoral
Poucas vezes um recado vindo de uma votação foi tão claro. A eleição para presidente do Inter, hoje, constituiu-se num massacre eleitoral. O candidato de oposição, Marcelo Medeiros, venceu com mais de 12 mil votos, superando 94% do total. Seu adversário na eleição, Pedro Afatatto, candidato da situação, fez menos de 700 votos, pouco mais que 5% do total. O torcedor do Inter, amargurado pelo péssimo desempenho do time em campo, que poderá levá-lo ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro, amanhã, deixou evidente a sua aversão pela atual administração do clube. Marcelo Medeiros, que sofreu uma derrota fragorosa para Vitório Piffero em 2014, quando o torcedor ainda comprava a ideia de que o atual presidente era um vencedor que levaria o Inter a conquistar grandes títulos novamente, agora surge como solução para retirar o clube do atoleiro. Na verdade, o resultado da eleição era previsível. Pedro Afatatto poderia ter tido o bom senso de retirar sua candidatura. Ao não fazê-lo, submeteu-se a uma derrota vexatória. A responsabilidade de Marcelo Medeiros, por outro lado, é enorme. Não será fácil corresponder a uma preferência tão grande como a que obteve junto aos associados do Inter.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Pesadelo
O Brasil está vivendo um pesadelo. A cada dia, novas e devastadoras notícias se abatem sobre a população. O governo golpista e ilegítimo de Michel Temer resolveu atacar todos os direitos sociais e adotar o neoliberalismo na sua forma mais cruel e radical. As medidas propostas para a Previdência Social, na prática, acabarão com a aposentadoria. Sob o argumento falso de que a Previdência é deficitária, o governo quer, na verdade, forçar as pessoas a contratarem planos privados. A proposta da emenda do corte de gastos comprometerá o futuro do país nas áreas mais essenciais. No plano institucional, o descalabro é total, pois os três poderes estão agindo de forma contrária aos interesses do país e da população. Figuras como Michel Temer, no Executivo, Renan Calheiros, no Legislativo, e Gilmar Mendes, no Judiciário, fazem da vida dos brasileiros um filme de terror. O Brasil está nas mãos de um grupo de golpistas e corruptos, voltados, apenas, para a satisfação de seus interesses particulares. O país se encaminha para a mais grave crise social de sua história. Resta saber se o povo irá reagir, ou se aceitará, passivamente, medidas que destroem com o seu futuro. O cidadão brasileiro precisa sair em defesa de suas conquistas. Não é hora de passividade.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Arquivamento
O que o bom senso e a lógica indicavam acabou se confirmando, e o STJD decidiu pelo arquivamento da notícia de infração interposta pelo Inter visando a retirada de pontos do Vitória pela suposta inscrição irregular do zagueiro Victor Ramos, com o intuito de manter-se na Primeira Divisão. Na verdade, as ditas "novas provas" alegadas pelo Inter para reabrir a questão, que teve igual decisão em março, quando o Bahia entrou com ação semelhante, não existiam, eram apenas tecnicalidades irrelevantes. O Inter ainda pode recorrer da decisão, mas, convenhamos, essa será uma atitude meramente protocolar, sem nenhuma chance de êxito. Só resta ao Inter tentar evitar o rebaixamento dentro do campo, o que é difícil porque não depende mais de suas próprias forças. Precisa vencer o Fluminense e torcer por resultados paralelos. Caso contrário, terá, mesmo, de disputar a Segunda Divisão, como já aconteceu com outros grandes clubes. Ser rebaixado, é claro, não é bom. Porém, pior é a falta de dignidade e esportividade de quem tenta evitar a qualquer preço a consumação de um desfecho que é a consequência natural de um péssimo desempenho ao longo do Campeonato Brasileiro.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Campeão
Acabou o jejum. Depois de 15 anos sem conquistar um grande título, o Grêmio é o novo campeão da Copa do Brasil. O empate em 1 x 1 com o Atlético Mineiro, hoje, na Arena, levou o Grêmio a ganhar a competição pela quinta vez em sua história. Com isso, o Grêmio tornou-se o recordista de títulos da Copa do Brasil e, também, é o novo líder do ranking nacional de clubes. A Arena bateu o seu recorde de público, recebendo 55. 300 pessoas, pouco menos que a capacidade máxima do estádio. Foi um título merecido e que ficaria ainda melhor se o Grêmio tivesse vencido o jogo, sem sofrer o empate nos acréscimos. Renato, o maior ídolo do Grêmio em todos os tempos, reforçou ainda mais a sua condição de mito, ao ser campeão pelo clube como jogador e técnico. O torcedor do Grêmio tirou um peso das costas, após tantos anos de frustrações. Resta desejar que esse título possa ser o primeiro de muitos, e não somente um feito isolado. Parabéns, Grêmio!
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Nova realidade
A vida é carregada de situações contraditórias, algumas até perturbadoras. A tragédia ocorrida com o vôo da Chapecoense é uma prova disso. O clube, abalado pelo desastre com o maior número de vítimas fatais envolvendo uma delegação de futebol, se encaminha, a partir dele, para um outro patamar. Com a decisão, ontem anunciada pela Conmebol, de declarar a Chapecoense campeã da Copa Sul-Americana, o clube viverá uma nova realidade. Com o título que lhe foi conferido, a Chapecoense já está classificada para a fase de grupos da próxima edição da Libertadores, irá decidir a Recopa Sul-Americana contra o Nacional de Medellín, e receberá um significativo aporte financeiro em premiações. Num verdadeiro paradoxo, o momento mais triste da trajetória da Chapecoense está lhe abrindo uma perspectiva de engrandecimento. Se os profissionais da Chapecoense falecidos na queda do avião tiveram sua ascensão na carreira cruelmente interrompida, o clube obteve, desde então, uma projeção que talvez ainda levasse muitos anos para alcançar. Com esse impulso recebido, e o trabalho sério e responsável que a caracteriza, a Chapecoense tem tudo para se firmar de vez no cenário do futebol brasileiro e sul-americano.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O preço alto de um golpe
A determinação expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Melo, de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, seja afastado do cargo, mostra o abismo em que o país foi colocado a partir do golpe que resultou no impeachment de uma presidente legitimamente eleita. Por motivos torpes, quebrou-se a normalidade institucional do país, colocando no poder um presidente sem legitimidade nem competência para ocupar a função. Seu "governo" é um fiasco absoluto, com uma equipe formada por medíocres e corruptos. A impopularidade do presidente golpista é altíssima, o que o faz temer e evitar, sempre que possível, a exposição pública. A economia só faz piorar, a taxa de desemprego se amplia, medidas carregadas de demofobia são encaminhadas para votação no Congresso Nacional, conquistas históricas dos trabalhadores são ameaçadas. O país está, na prática, acéfalo no poder, entregue ao mais absoluto desgoverno. Para quem tenha um mínimo de lucidez, as perspectivas do Brasil são terríveis. O presente é caótico, e o futuro, uma incógnita. O Brasil corre o risco de uma ruptura institucional, de consequências imprevisíveis. Esse é o preço alto de um golpe, perpetrado por canalhas, e apoiado por uma massa de incautos e analfabetos políticos.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Não foi um acidente
Pior do que uma tragédia que vitimou 71 pessoas, é constatar que ela foi o resultado da inconsequência e da negligência. O que aconteceu com o avião que transportava a delegação da Chapecoense e profissionais de imprensa para Medellín não foi um acidente. O avião só caiu porque o piloto Miguel Quiroga, que também era um dos proprietários da empresa aérea, arriscou-se a fazer um vôo cujo percurso equivalia a autonomia do aparelho. Para obter o máximo de lucro e não ter despesas adicionais, Quiroga não reabasteceu o avião, o que ocasionou sua queda. O piloto já havia corrido o mesmo risco em vários outros vôos, mas, dessa vez, não pôde contar com a sorte. Com sua inconsequência, somada à negligência dos que lhe permitiram decolar com um plano de vôo inaceitável para os padrões da aviação, Quiroga carregou dezenas de pessoas para a morte, inclusive ele mesmo. O que aconteceu foi um crime, uma ação homicida. Por isso mesmo, não se pode aceitar a tentativa de eximir Quiroga de culpa, empreendida por Ximena Suarez, comissária de bordo que sobreviveu ao desastre, e pelos familiares do piloto. Miguel Quiroga foi, sim, o grande responsável pela tragédia, o que a torna ainda mais dolorosa e revoltante.
sábado, 3 de dezembro de 2016
Comoção
O Brasil viveu, hoje, um dia de intensa comoção. Não poderia ser diferente. Afinal, retornaram ao país os corpos das vítimas do avião que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas que fariam a cobertura do jogo entre o clube e o Nacional de Medellín, o primeiro pela decisão da Copa Sul-Americana. O velório coletivo, realizado na Arena Conda, em Chapecó, foi transmitido, de forma ininterrupta, por emissoras de TV aberta e fechada. Não havia como não se emocionar, diante de uma cerimônia pungente, e que não resvalou, em momento algum, para o excesso ou o mau gosto. As vítimas da tragédia do vôo para Medellín receberam uma homenagem carregada de tristeza, mas feita com sobriedade e dignidade. Não houve discursos longos, nem uma exploração indevida de um acontecimento tão doloroso. Grandes personalidades do futebol, como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, os ex-jogadores Puyol e Seedorf, e o técnico da Seleção Brasileira, Tite, se fizeram presentes. Paralelamente, em diversos jogos realizados pelo mundo, a Chapecoense foi homenageada. Poucas vezes uma semana mexeu tanto com o coração dos brasileiros. O drama da Chapecoense foi acompanhado em todo o seu desdobramento, por um país inteiro.
Agora, finalmente, os que faleceram no desastre aéreo retornaram para a sua pátria. Não mais os veremos, mas os teremos, de alguma forma, junto de nós. Saibamos honrar a sua memória.
Agora, finalmente, os que faleceram no desastre aéreo retornaram para a sua pátria. Não mais os veremos, mas os teremos, de alguma forma, junto de nós. Saibamos honrar a sua memória.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
O peixe morre pela boca
Um conhecido ditado expressa que o peixe morre pela boca, ou seja, de que, muitas vezes, somos vitimados por aquilo que falamos. No mesmo sentido, um outro ditado estabelece que em boca fechada não entra mosca, isto é, que é preferível ficar calado do que correr o risco de dizer algo indevido. O Inter está provando, nos últimos dias, o quanto essas assertivas são verdadeiras. Tudo começou com o vice-presidente de futebol do clube, Fernando Carvalho
Com o país ainda dilacerado pela queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, Carvalho usou a palavra "tragédia" tanto para designar essa situação quanto para descrever o iminente rebaixamento do Inter para a Segunda Divisão. A repercussão junto à opinião pública, é claro, foi péssima. Carvalho, então, retratou-se, mas não convenceu ninguém. Como se não bastasse, ontem, os jogadores do Inter e o presidente do clube, Vitório Piffero, declararam que a última rodada do Campeonato Brasileiro, transferida de 4/12 para o dia 11 do mesmo mês, não deveria ser realizada por falta de "condições emocionais", abalados que estão pelo que aconteceu com a Chapecoense. A estúpida comparação de Fernando Carvalho, e a ação conjunta carregada de oportunismo dos jogadores e de Piffero, gerou imensa revolta, com repercussões até no exterior. Em ambas as situações, ficou evidente a indiferença do Inter para com o dilacerante drama vivido pela Chapecoense, e a tentativa de tirar proveito de tão doloroso acontecimento para evitar um rebaixamento que parece inescapável. O efeito das declarações vindas do Inter foi devastador. O clube começou a ser atacado ferozmente nas redes sociais. Em poucas horas, o Inter tornou-se o clube mais rejeitado do Brasil. Ao sentirem o impacto desastroso do que disseram, clube e jogadores fizeram novos desmentidos e correções. O que já era ruim, ficou ainda pior. Até mesmo torcedores do Inter demonstraram sua indignação com as lamentáveis declarações emanadas de seu clube. Antes mesmo da definição de uma provável queda, o Inter já caiu no conceito público. Poucas vezes se viu uma administração causar tantos danos a um clube num período tão curto de tempo.
Com o país ainda dilacerado pela queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, Carvalho usou a palavra "tragédia" tanto para designar essa situação quanto para descrever o iminente rebaixamento do Inter para a Segunda Divisão. A repercussão junto à opinião pública, é claro, foi péssima. Carvalho, então, retratou-se, mas não convenceu ninguém. Como se não bastasse, ontem, os jogadores do Inter e o presidente do clube, Vitório Piffero, declararam que a última rodada do Campeonato Brasileiro, transferida de 4/12 para o dia 11 do mesmo mês, não deveria ser realizada por falta de "condições emocionais", abalados que estão pelo que aconteceu com a Chapecoense. A estúpida comparação de Fernando Carvalho, e a ação conjunta carregada de oportunismo dos jogadores e de Piffero, gerou imensa revolta, com repercussões até no exterior. Em ambas as situações, ficou evidente a indiferença do Inter para com o dilacerante drama vivido pela Chapecoense, e a tentativa de tirar proveito de tão doloroso acontecimento para evitar um rebaixamento que parece inescapável. O efeito das declarações vindas do Inter foi devastador. O clube começou a ser atacado ferozmente nas redes sociais. Em poucas horas, o Inter tornou-se o clube mais rejeitado do Brasil. Ao sentirem o impacto desastroso do que disseram, clube e jogadores fizeram novos desmentidos e correções. O que já era ruim, ficou ainda pior. Até mesmo torcedores do Inter demonstraram sua indignação com as lamentáveis declarações emanadas de seu clube. Antes mesmo da definição de uma provável queda, o Inter já caiu no conceito público. Poucas vezes se viu uma administração causar tantos danos a um clube num período tão curto de tempo.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Homenagem emocionante
Poucas vezes se viu algo tão tocante como o tributo do Nacional de Medellín à Chapecoense, ontem, no Atanásio Girardot. Uma homenagem emocionante, sensível, plena de carinho e solidariedade. O estádio, onde deveria estar sendo realizado, naquele horário, o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana entre Nacional e Chapecoense, lotou para assistir à cerimônia. No entorno do estádio, outras milhares de pessoas se faziam presentes, compartilhando o sentimento de pesar pelo acidente que vitimou a delegação da Chapecoense e jornalistas que cobririam a decisão. Não havia como não se comover com tamanha demonstração de carinho por parte de um povo e de uma torcida. Uma demonstração do que o esporte tem de mais sadio e digno. Uma atitude de imensa grandeza. As tragédias costumam despertar os mais nobres sentimentos humanos, que, em geral, permanecem adormecidos na rudeza da rotina diária. Com a queda do vôo da Chapecoense não foi diferente, e ela fez do Nacional de Medellín um campeão de esportividade e senso humanitário. Parabéns ao Nacional e sua torcida. Nós, brasileiros, seremos seus eternos devedores.
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