segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O preço alto de um golpe
A determinação expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Melo, de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, seja afastado do cargo, mostra o abismo em que o país foi colocado a partir do golpe que resultou no impeachment de uma presidente legitimamente eleita. Por motivos torpes, quebrou-se a normalidade institucional do país, colocando no poder um presidente sem legitimidade nem competência para ocupar a função. Seu "governo" é um fiasco absoluto, com uma equipe formada por medíocres e corruptos. A impopularidade do presidente golpista é altíssima, o que o faz temer e evitar, sempre que possível, a exposição pública. A economia só faz piorar, a taxa de desemprego se amplia, medidas carregadas de demofobia são encaminhadas para votação no Congresso Nacional, conquistas históricas dos trabalhadores são ameaçadas. O país está, na prática, acéfalo no poder, entregue ao mais absoluto desgoverno. Para quem tenha um mínimo de lucidez, as perspectivas do Brasil são terríveis. O presente é caótico, e o futuro, uma incógnita. O Brasil corre o risco de uma ruptura institucional, de consequências imprevisíveis. Esse é o preço alto de um golpe, perpetrado por canalhas, e apoiado por uma massa de incautos e analfabetos políticos.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Não foi um acidente
Pior do que uma tragédia que vitimou 71 pessoas, é constatar que ela foi o resultado da inconsequência e da negligência. O que aconteceu com o avião que transportava a delegação da Chapecoense e profissionais de imprensa para Medellín não foi um acidente. O avião só caiu porque o piloto Miguel Quiroga, que também era um dos proprietários da empresa aérea, arriscou-se a fazer um vôo cujo percurso equivalia a autonomia do aparelho. Para obter o máximo de lucro e não ter despesas adicionais, Quiroga não reabasteceu o avião, o que ocasionou sua queda. O piloto já havia corrido o mesmo risco em vários outros vôos, mas, dessa vez, não pôde contar com a sorte. Com sua inconsequência, somada à negligência dos que lhe permitiram decolar com um plano de vôo inaceitável para os padrões da aviação, Quiroga carregou dezenas de pessoas para a morte, inclusive ele mesmo. O que aconteceu foi um crime, uma ação homicida. Por isso mesmo, não se pode aceitar a tentativa de eximir Quiroga de culpa, empreendida por Ximena Suarez, comissária de bordo que sobreviveu ao desastre, e pelos familiares do piloto. Miguel Quiroga foi, sim, o grande responsável pela tragédia, o que a torna ainda mais dolorosa e revoltante.
sábado, 3 de dezembro de 2016
Comoção
O Brasil viveu, hoje, um dia de intensa comoção. Não poderia ser diferente. Afinal, retornaram ao país os corpos das vítimas do avião que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas que fariam a cobertura do jogo entre o clube e o Nacional de Medellín, o primeiro pela decisão da Copa Sul-Americana. O velório coletivo, realizado na Arena Conda, em Chapecó, foi transmitido, de forma ininterrupta, por emissoras de TV aberta e fechada. Não havia como não se emocionar, diante de uma cerimônia pungente, e que não resvalou, em momento algum, para o excesso ou o mau gosto. As vítimas da tragédia do vôo para Medellín receberam uma homenagem carregada de tristeza, mas feita com sobriedade e dignidade. Não houve discursos longos, nem uma exploração indevida de um acontecimento tão doloroso. Grandes personalidades do futebol, como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, os ex-jogadores Puyol e Seedorf, e o técnico da Seleção Brasileira, Tite, se fizeram presentes. Paralelamente, em diversos jogos realizados pelo mundo, a Chapecoense foi homenageada. Poucas vezes uma semana mexeu tanto com o coração dos brasileiros. O drama da Chapecoense foi acompanhado em todo o seu desdobramento, por um país inteiro.
Agora, finalmente, os que faleceram no desastre aéreo retornaram para a sua pátria. Não mais os veremos, mas os teremos, de alguma forma, junto de nós. Saibamos honrar a sua memória.
Agora, finalmente, os que faleceram no desastre aéreo retornaram para a sua pátria. Não mais os veremos, mas os teremos, de alguma forma, junto de nós. Saibamos honrar a sua memória.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
O peixe morre pela boca
Um conhecido ditado expressa que o peixe morre pela boca, ou seja, de que, muitas vezes, somos vitimados por aquilo que falamos. No mesmo sentido, um outro ditado estabelece que em boca fechada não entra mosca, isto é, que é preferível ficar calado do que correr o risco de dizer algo indevido. O Inter está provando, nos últimos dias, o quanto essas assertivas são verdadeiras. Tudo começou com o vice-presidente de futebol do clube, Fernando Carvalho
Com o país ainda dilacerado pela queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, Carvalho usou a palavra "tragédia" tanto para designar essa situação quanto para descrever o iminente rebaixamento do Inter para a Segunda Divisão. A repercussão junto à opinião pública, é claro, foi péssima. Carvalho, então, retratou-se, mas não convenceu ninguém. Como se não bastasse, ontem, os jogadores do Inter e o presidente do clube, Vitório Piffero, declararam que a última rodada do Campeonato Brasileiro, transferida de 4/12 para o dia 11 do mesmo mês, não deveria ser realizada por falta de "condições emocionais", abalados que estão pelo que aconteceu com a Chapecoense. A estúpida comparação de Fernando Carvalho, e a ação conjunta carregada de oportunismo dos jogadores e de Piffero, gerou imensa revolta, com repercussões até no exterior. Em ambas as situações, ficou evidente a indiferença do Inter para com o dilacerante drama vivido pela Chapecoense, e a tentativa de tirar proveito de tão doloroso acontecimento para evitar um rebaixamento que parece inescapável. O efeito das declarações vindas do Inter foi devastador. O clube começou a ser atacado ferozmente nas redes sociais. Em poucas horas, o Inter tornou-se o clube mais rejeitado do Brasil. Ao sentirem o impacto desastroso do que disseram, clube e jogadores fizeram novos desmentidos e correções. O que já era ruim, ficou ainda pior. Até mesmo torcedores do Inter demonstraram sua indignação com as lamentáveis declarações emanadas de seu clube. Antes mesmo da definição de uma provável queda, o Inter já caiu no conceito público. Poucas vezes se viu uma administração causar tantos danos a um clube num período tão curto de tempo.
Com o país ainda dilacerado pela queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, Carvalho usou a palavra "tragédia" tanto para designar essa situação quanto para descrever o iminente rebaixamento do Inter para a Segunda Divisão. A repercussão junto à opinião pública, é claro, foi péssima. Carvalho, então, retratou-se, mas não convenceu ninguém. Como se não bastasse, ontem, os jogadores do Inter e o presidente do clube, Vitório Piffero, declararam que a última rodada do Campeonato Brasileiro, transferida de 4/12 para o dia 11 do mesmo mês, não deveria ser realizada por falta de "condições emocionais", abalados que estão pelo que aconteceu com a Chapecoense. A estúpida comparação de Fernando Carvalho, e a ação conjunta carregada de oportunismo dos jogadores e de Piffero, gerou imensa revolta, com repercussões até no exterior. Em ambas as situações, ficou evidente a indiferença do Inter para com o dilacerante drama vivido pela Chapecoense, e a tentativa de tirar proveito de tão doloroso acontecimento para evitar um rebaixamento que parece inescapável. O efeito das declarações vindas do Inter foi devastador. O clube começou a ser atacado ferozmente nas redes sociais. Em poucas horas, o Inter tornou-se o clube mais rejeitado do Brasil. Ao sentirem o impacto desastroso do que disseram, clube e jogadores fizeram novos desmentidos e correções. O que já era ruim, ficou ainda pior. Até mesmo torcedores do Inter demonstraram sua indignação com as lamentáveis declarações emanadas de seu clube. Antes mesmo da definição de uma provável queda, o Inter já caiu no conceito público. Poucas vezes se viu uma administração causar tantos danos a um clube num período tão curto de tempo.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Homenagem emocionante
Poucas vezes se viu algo tão tocante como o tributo do Nacional de Medellín à Chapecoense, ontem, no Atanásio Girardot. Uma homenagem emocionante, sensível, plena de carinho e solidariedade. O estádio, onde deveria estar sendo realizado, naquele horário, o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana entre Nacional e Chapecoense, lotou para assistir à cerimônia. No entorno do estádio, outras milhares de pessoas se faziam presentes, compartilhando o sentimento de pesar pelo acidente que vitimou a delegação da Chapecoense e jornalistas que cobririam a decisão. Não havia como não se comover com tamanha demonstração de carinho por parte de um povo e de uma torcida. Uma demonstração do que o esporte tem de mais sadio e digno. Uma atitude de imensa grandeza. As tragédias costumam despertar os mais nobres sentimentos humanos, que, em geral, permanecem adormecidos na rudeza da rotina diária. Com a queda do vôo da Chapecoense não foi diferente, e ela fez do Nacional de Medellín um campeão de esportividade e senso humanitário. Parabéns ao Nacional e sua torcida. Nós, brasileiros, seremos seus eternos devedores.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Atuação brilhante
Não foi por acaso que Andréa Horta ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado pelo papel principal no filme "Elis". No filme, que está em cartaz nos cinemas, Andréa tem uma atuação brilhante, representando uma cantora que não chegou a conhecer. Seu trabalho é impressionante. Ainda que não tenha uma acentuada semelhança de fisionomia com Elis Regina, Andréa parece se transformar nela diante dos olhos do espectador. "Elis" é uma prova de que o cinema brasileiro é capaz de gerar obras de boa qualidade. A conturbada existência de Elis Regina necessita muito mais que o tempo de duração de um filme para ser devidamente abordada. Por isso, "Elis", por vezes, parece um tanto acelerado na transição entre as diversas etapas de sua vida. No entanto, isso não o diminui. O filme é agradável e é capaz de satisfazer tanto aos que acompanharam a trajetória da cantora quanto às gerações mais novas, que não a conheceram. O grande destaque de "Elis", no entanto é, mesmo, Andréa Horta. Com uma carreira ainda relativamente curta, mas sempre com bons trabalhos na televisão, ela consegue, em "Elis" atingir o seu melhor momento, sua maioridade como atriz.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Tragédia
O Brasil amanheceu, hoje, tomado por dor e estupefação. O avião que conduzia a delegação da Chapecoense para o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana contra o Nacional de Medellín caiu, ocasionando a morte de 75 pessoas. No vôo estavam, também, jornalistas que iriam fazer a cobertura da partida. Apenas três jogadores sobreviveram, com sérios ferimentos. Foi uma tragédia, que comoveu o Brasil e o mundo. Clubes e jogadores do exterior manifestaram-se sobre o desastre, expressando seu pesar e sua solidariedade. Foi o caso de clubes como Milan, Paris Saint Germain, Atlético de Madrid, Arsenal, Liverpool, Manchester United, Mallorca. Ex-jogadores, como Figo, e atuais como Wayne Rooney, também registraram os seus sentimentos pelo ocorrido. Clubes brasileiros, como Grêmio, Inter, Corinthians e Palmeiras mostraram-se dispostos a emprestarem jogadores de graça à Chapecoense, para que ela consiga reconstruir o seu grupo. Corinthians e Palmeiras sugeriram, também, que a CBF garanta o não rebaixamento da Chapecoense pelos próximos três anos. Homenagens foram prestadas em treinos do Real Madrid e do Barcelona, e em jogos na Inglaterra. Ninguém ficou indiferente a um acontecimento tão dramático. A Chapecoense despertou imensa simpatia em todo o Brasil pelos grandes feitos de um clube com apenas 43 anos de existência, de um município com somente 200 mil habitantes. A Chapecoense irá para o quarto ano consecutivo na Primeira Divisão, e decidiria uma competição sul-americana. Façanhas notáveis para um clube do seu porte. A melhor e mais digna atitude em relação ao fatídico acontecimento foi do Nacional de Medellín, que seria o adversário da Chapecoense na decisão. Ele sugeriu que o título da Copa Sul-Americana seja entregue à Chapecoense. Uma demonstração de grandeza e esportividade que, espera-se, seja acolhida pela Conmebol.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Situação desesperadora
Se no fim de semana os resultados haviam sido bons para o Inter, pois venceu o Cruzeiro e o Sport apenas empatou com o América Mineiro, o encerramento da rodada do Campeonato Brasileiro, hoje à noite, não lhe foi nada favorável. O Vitória ganhou do Coritiba por 1 x 0, no Couto Pereira, e, agora, o Inter ficou numa situação desesperadora para tentar evitar o rebaixamento. O Inter está obrigado a vencer o Fluminense, domingo, fora de casa. Só que isso não basta. Também será necessário que o Sport, que jogará em casa, não vença o Figueirense. O Vitória está, praticamente, livre da queda para a Segunda Divisão, pois basta que empate com o Palmeiras no Barradão para obter seu objetivo. Vitória, Sport e Inter enfrentarão, na última rodada, adversários que nada mais aspiram no Brasileirão. O Palmeiras por já ter conquistado o título, o Figueirense em função de estar rebaixado, e o Fluminense pelo fato de ocupar uma posição no limbo da tabela, onde não se almeja mais nada, nem se corre qualquer risco. Se todos vencerem os seus jogos, o Inter será o rebaixado, pois não depende de suas próprias forças. Vitória e Sport só dependem dos seus resultados. Afora isso, dos três só o Inter jogará como visitante. Tudo se encaminha para que o Inter seja rebaixado.
domingo, 27 de novembro de 2016
Um fio de esperança
O fim de semana foi positivo para o Inter. No sábado, o Sport apenas empatou em 2 x 2 com o América Mineiro, no Independência, e ainda não se livrou, matematicamente, do rebaixamento. Hoje, jogando muito mal, mais uma vez, o Inter venceu o Cruzeiro por 1 x 0, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, e segue respirando por aparelhos para tentar evitar a queda para a Segunda Divisão. O Inter não mostrou nenhuma evolução técnica ou tática, mas obteve uma sobrevida. Precisava vencer, e conseguiu. O resultado lhe concedeu um fio de esperança na luta desesperada para evitar o pior. Não é muito, mas pelo menos o Inter adiou a definição do seu drama.
Resultado vexatório
O time reserva do Grêmio vinha dando boa resposta sempre que era chamado a intervir. Empatara com o Santos e o Figueirense fora de casa e goleara o América Mineiro na Arena. Hoje, no entanto, mesmo contando com nomes como Bolanos e Pedro Rocha, proporcionou um resultado vexatório para o clube, ao ser goleado por 5 x 1 pelo Santa Cruz, no Arruda, pelo Campeonato Brasileiro. O Grêmio só não saiu na frente no placar porque teve um gol legítimo absurdamente anulado no primeiro tempo, que terminou empatado em 0 x 0. O Santa Cruz abriu o placar no início do segundo tempo, mas o Grêmio empatou logo a seguir. Poucos minutos depois, o Santa Cruz ficou novamente em vantagem. O jogo se encaminhava para a manutenção desse resultado quando, a partir dos 40 minutos, o Grêmio pareceu paralisar em campo, e sofreu mais três gols. O goleiro Léo falhou em pelo menos três dos cinco gols. Iago mostrou-se uma avenida no aspecto defensivo. Bolanos e Pedro Rocha só foram notados no gol do Grêmio, marcado pelo equatoriano. Afora isso, estiveram apagados no jogo. Por mais que o Grêmio esteja com a cabeça na decisão da Copa do Brasil, não é aceitável perder para um dos clubes rebaixados no Brasileirão e, pior ainda, por um placar tão elástico. A imagem do clube precisa, sempre, ser preservada. O Grêmio deve cobrar de quem foi a Recife o papelão ocorrido nesse jogo.
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