sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Um governo em decomposição

Para quem possui um mínimo de lucidez, o espetáculo patético do governo golpista de Michel Temer não causa nenhuma surpresa. Para os incautos que bateram panelas e saíram às ruas pedindo o impeachment de uma presidente legitimamente eleita, é um justo castigo. Tudo o que está acontecendo no Brasil seria até cômico, se não fosse trágico. O que se está assistindo no país é a um governo em decomposição. Não há a mínima condição de Michel Temer prosseguir como presidente. Sua chegada ao poder se deu de forma espúria, sua equipe de governo é formada por notórios corruptos, os escândalos envolvendo membros da administração se sucedem, os indicadores econômicos e sociais do país, ao contrário do que afirmavam os defensores do golpe, pioram a cada dia. A conta amarga do impeachment chegou mais cedo do que se poderia imaginar para os seus cretinos agentes e apoiadores. A consequência de seus atos foi transformar o país numa nau sem rumo. A recuperação econômica prometida pelos artífices do golpe não aconteceu, a taxa de desemprego se ampliou, a "austeridade" massacra os direitos dos mais pobres e indefesos, enquanto as mordomias do poder e de seu entorno se ampliam. O atual governo federal se encaminha para um final melancólico, sem nunca ter existido de fato. Afinal, não se pode chamar de governo, ao pé da letra, a reunião de um presidente sem votos nem competência para exercer o cargo, e uma trupe de ineptos e corruptos ocupando ministérios e secretarias. O governo já está em contagem regressiva, sua queda é uma questão de tempo. O que virá depois é uma incógnita, mas, levando-se em conta o histórico político do país, não convém alimentar expectativas otimistas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

As façanhas da Chapecoense

O futebol brasileiro está testemunhando os feitos surpreendentes de um clube pequeno, do interior de Santa Catarina. As façanhas da Chapecoense são dignas de destaque. Com sede em Chapecó, um município de porte médio, a Chapecoense garantiu sua permanência no Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão pelo quarto ano consecutivo. Como se isso já não bastasse, irá disputar a decisão da Copa Sul-Americana  contra o Nacional de Medellin, atual campeão da Libertadores. Um feito notável para um clube com apenas 43 anos de existência, que não pertence a um dos grandes centros do futebol brasileiro. Enquanto clubes grandes, de polpudos orçamentos, se encaminham para o rebaixamento, como é o caso do Inter, ou enfrentam dificuldades para retornar á Primeira Divisão, situação vivida pelo Vasco, a modesta Chapecoense mantém um desempenho técnico sólido, que vai crescendo a cada ano. Uma administração profissional e responsável, sem arroubos financeiros, é o fator principal para o sucesso da Chapecoense. Um clube que não parece ser um fenômeno episódico, mas o resultado de um trabalho cuidadosamente estruturado. Um oásis de competência no desorganizado futebol brasileiro.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Título encaminhado

Falta ser realizado o segundo jogo, claro, mas, depois do que o Grêmio fez hoje, o título da Copa do Brasil está encaminhado. No Mineirão, o Grêmio venceu o Atlético Mineiro por 3 x 1, e, agora,  poderá até perder por 1 x 0 na Arena que será campeão. Foi mais uma atuação de luxo do Grêmio em Belo Horizonte. A exemplo do que já havia feito no Campeonato Brasileiro, em 2015 e na atual edição, contra o próprio Atlético, e nas semifinais da Copa do Brasil há poucos dias, contra o Cruzeiro, o Grêmio passeou pelo gramado. Seja no Mineirão ou no Independência, a capital de Minas Gerais vem fazendo muito bem ao Grêmio. Foi mais uma apresentação em que ninguém jogou mal, e muitos tiveram grandes desempenhos. Geromel, Walace, Maicon e Pedro Rocha tiveram uma atuação soberba. Kanneman foi, novamente, ótimo. Marcelo Grohe fez uma defesa magnífica. Não faltou nem mesmo o fator dramático, tão presente na história do Grêmio. Num jogo em que exercia amplo domínio, e já poderia estar goleando, o Grêmio sofreu a expulsão de Pedro Rocha, viu o Atlético descontar e partir para a pressão em busca do empate, mas, num contra-ataque fulminante, fez o terceiro gol. Nada está ganho ainda, mas não há como deixar de pensar que o Grêmio será campeão na próxima quarta-feira, na Arena.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O pacotão de Sartori

O mais inepto e incompetente governador do Rio Grande do Sul em todos os tempos, José Ivo Sartori, anunciou na tarde de ontem o envio para a Assembleia Legislativa de uma série de medidas que, se forem aprovadas, irão significar o desmonte do Estado. O pacotão de Sartori é um conjunto de maldades que visa vender patrimônio público e demitir servidores. Fiel ao figurino neoliberal, e sua cantilena de "austeridade" para combater a "crise financeira", Sartori propõe a extinção de importantes fundações, parcelamentos de salários, fusão de secretarias estaduais, aumento na taxa de contribuição previdenciária dos funcionários públicos, entre outras sugestões. O curioso é que um governo que chega a classificar a situação financeira do Rio Grande do Sul como sendo de "calamidade pública" não tenha proposto no pacote a extinção do Tribunal Militar, uma estrutura inútil que onera os cofres públicos em 40 milhões de reais por ano. Nem mesmo a citação do nome da execrável ex-primeira ministra da Inglaterra, Margareth Tatcher faltou no discurso de Sartori. Como não poderia deixar de ser, o pacotão de Sartori recebeu apoio total da Federasul, e repúdio das associações de servidores. Mais uma vez, o lado mais fraco é penalizado, enquanto o principal fator do rombo nos cofres públicos, a sonegação de impostos por parte das grandes empresas, é ignorado. Resta a esperança de que a Assembleia Legislativa rejeite o pacotão ou o altere de maneira a diminuir a sua perversidade. A mobilização de servidores e sindicatos já começou, e é necessário que a sociedade, como um todo, repudie vigorosamente as propostas de Sartori. Não ao Estado mínimo! Não á precarização dos serviços públicos!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Só resta a matemática

O rebaixamento do Inter para a Segunda Divisão está encaminhado. Dirigentes e parte da imprensa insistem em dizer que ainda é possível evitar a queda. Sim, ainda há chances, matematicamente, do Inter escapar. Porém, a possibilidade disso acontecer, na prática, é mínima. Com a derrota por 1 x 0 para o Corinthians, hoje, fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro, o Inter ficou três pontos atrás do Vitória, com desvantagem no número de vitórias e no saldo de gols, faltando apenas duas rodadas para o final da competição. Para evitar o rebaixamento, o Inter terá que vencer os seus dois últimos jogos e torcer por resultados paralelos. O problema reside, justamente, nesse aspecto, o da necessidade de vencer. A atuação do Inter, hoje, mesmo com a estreia de um novo técnico, foi uma repetição dos jogos anteriores, com um futebol tímido e que quase não criou chances de gol. Seu goleiro, ao contrário, foi o melhor jogador em campo. Nada aponta para uma reversão desse quadro. O Inter não consegue jogar bem, e faz pouquíssimos gols. Diante do futebol que apresenta a cada jogo, o Inter não dá a ninguém a sensação de que possa impedir a queda. Para o Inter só resta a matemática. Até mesmo os que não admitem publicamente a queda como um fato consumado, já não acreditam que ela possa ser evitada.

domingo, 20 de novembro de 2016

Goleada com time reserva

Fazer muitos gols não é  uma característica do time do Grêmio. Hoje, no entanto, essa regra foi quebrada. O Grêmio obteve uma goleada com time reserva. Contra um adversário que havia sido rebaixado na rodada anterior, o Grêmio, mesmo sem nenhum titular, não encontrou maiores dificuldades, e goleou o América Mineiro, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado possibilita que o Grêmio continue a disputar a classificação para a Libertadores pela via do Brasileirão. O jogo serviu, também, para Bolanos fazer uma boa atuação, coroada com um gol, e se credenciar como uma opção para as partidas da decisão da Copa do Brasil. Agora, todo o foco do clube se volta para os jogos contra o Atlético Mineiro, na busca de um título que não ganha há quinze anos. Caso vença a competição, o Grêmio se tornará o seu maior vencedor, de forma isolada, com cinco títulos. Estava difícil para o clube e a torcida segurar a ansiedade para que chegasse a hora da decisão. Finalmente, ela chegou. Resta desejar que o Grêmio consiga acabar com o seu jejum de titulos.

sábado, 19 de novembro de 2016

A raposa cuidando do galinheiro

Vivemos uma época de glorificação da iniciativa privada e de desvalorização da estrutura estatal. A velha teoria de que é preciso aplicar políticas de austeridade nas finanças públicas, e a intenção de se implantar um Estado mínimo estão na moda, novamente. Empenhados em levar adiante o que prega a cartilha neoliberal, muitos governos contratam consultorias privadas para estabelecer os rumos da administração. Vista como algo natural pelos privatistas, essa conduta não é adequada ao interesse público. Em matéria publicada na edição de fim de semana do jornal "Correio do Povo", especialistas em administração pública destacam a inconveniência desse procedimento por parte dos governos. O professor de Administração Pública da Ufrgs, Aragon Érico Dasso Júnior, o classifica como um erro crasso. Afinal, salienta Dasso Júnior, os setores público e privado têm lógicas opostas. Enquanto na iniciativa privada se visa o resultado e o lucro, no setor público o fundamental é a questão social. Na mesma linha, o professor Adalmir Antonio Marquetti, do Departamento de Economia da PUCRS, alerta para o fato de que o poder público contrata consultorias por um alto custo mesmo possuindo uma burocracia estatal que, quase sempre, é mais qualificada que esses agentes privados. O mais incrível, ressalta Marquetti, é que, dessa forma, o poder público paga para que grupos e movimentos específicos, com interesses próprios, acessem dados estratégicos dos governos. Essas práticas, portanto, ferem os princípios que devem nortear a administração pública, entre eles o da legalidade e o da impessoalidade. Ainda bem que, em meio ao desvario neoliberal dos dias atuais, haja quem encare tais questões com lucidez. Para resumir a situação, de forma bem direta, o que se vê, nessas práticas administrativas, é a raposa cuidando do galinheiro. A grande vítima é a sociedade, golpeada por medidas que favorecem interesses de grupos em detrimento das aspirações da coletividade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Última tentativa

Depois do desastroso empate com a Ponte Preta, em pleno Beira-Rio, que o manteve na zona de rebaixamento, o Inter partiu para a última tentativa de evitar a queda para a Segunda Divisão. Na madrugada de hoje, o clube anunciava a contratação de seu quarto técnico em 2016, Lisca, que terá apenas três jogos para buscar cumprir a árdua tarefa. Lisca não é um nome ideal, obviamente, mas uma opção viável, dentro das circunstâncias. Se a maioria dos técnicos não aceitaria ser contratado para apenas três jogos, ainda mais numa situação tão aflitiva, Lisca não tem nada a perder. Se não conseguir evitar o rebaixamento do Inter, ninguém haverá de atribuir-lhe a culpa pelo desfecho desastroso. Porém, se obtiver êxito em sua tarefa, será visto como um herói, e alcançará um outro patamar em sua carreira, podendo partir para vôos mais altos numa trajetória que, até aqui, é bem modesta. Numa análise fria, as chances do Inter evitar o rebaixamento são improváveis. No entanto, o momento do Inter já não se presta para o predomínio da racionalidade. Diante do desespero de uma queda iminente, todos os artifícios são válidos. Lisca não é o técnico dos sonhos de ninguém, mas é nele que os torcedores do Inter terão de depositar suas últimas esperanças.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A caminho do rebaixamento

As possibilidades matemáticas de se manter na Primeira Divisão ainda existem, mas o Inter parece estar a caminho do rebaixamento. Hoje, num jogo que era essencial na luta para não cair, o Inter empatou em 1 x 1 com a Ponte Preta, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. A exemplo do que ocorreu contra o Santa Cruz, também no Beira-Rio, o Inter fez um gol cedo, mas cedeu o empate, e não conseguiu reagir. Nem mesmo a derrota do Vitória para o Santos foi aproveitada pelo Inter, que se igualou em pontos com o clube baiano, mas perde no número de gols marcados. O nivelamento por baixo do Brasileirão faz com que o Inter ainda tenha chance de escapar da queda, mas o clube não está fazendo por merecer a manutenção na Primeira Divisão. Após o jogo, o técnico Celso Roth foi demitido, mas, faltando apenas três jogos para o fim da competição, a medida talvez tenha vindo tarde demais.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Punição absurda

A decisão do STJD de aplicar ao Grêmio a perda do mando de campo na decisão da Copa do Brasil, se constitui numa punição absurda, diante da irrelevância da infração supostamente cometida. A sanção bizarra imposta ao Grêmio teve por motivo a alegada "invasão" do gramado da Arena por Carol Portaluppi, filha do técnico do clube, Renato, após o término do jogo contra o Cruzeiro, pelas semifinais da competição. Carol entrou em campo para abraçar o pai, pois o empate em 0 x 0, resultado final do jogo, classificou o Grêmio para a decisão da Copa do Brasil. Chama a atenção o dado de que quem alertou o árbitro sobre o fato ocorrido foi Francisco Neto, conhecido como "Chico Colorado". Na ocasião, ele atuava como quarto árbitro. Seja como for, em situações desse tipo, a pena que comumente se estabelece é a de uma multa. A punição draconiana e estapafúrdia caiu como uma bomba no meio esportivo. A condenação á atitude do STJD foi, praticamente, unânime. Cabe recurso à decisão, e ela, provavelmente, será revertida. Porém, o estrago contra a imagem do futebol brasileiro, já tão debilitada, está feito. A exemplo do que acontece no país como um todo, no futebol brasileiro o que é ruim sempre pode piorar.