segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Primeira goleada

Depois de quase quatro anos da inauguração do estádio, o Grêmio sofreu, hoje, sua primeira goleada na Arena, por 3 x 0, para o Sport, pelo Campeonato Brasileiro. O Grêmio jogou com sete titulares
Apenas Edílson, que está suspenso, Ramiro, Maicon e Luan, que foram poupados, ficaram de fora. O time, no entanto, mostrou-se apático, concedendo enormes espaços ao adversário. O jogo, ainda assim, permanecia num morno empate em 0 x 0, quando, aos 45 minutos do primeiro tempo, Diego Souza marcou um golaço para o Sport. Logo no início do segundo tempo, Rogério marcou outro belíssimo gol para o Sport. A partir daí, o Grêmio tentou reagir, mas de forma atabalhoada, e acabou levando mais um gol. Sabe-se que o pensamento do Grêmio está voltado para a Copa do Brasil, mas isso não justifica uma atuação tão amorfa. Talvez tivesse sido melhor escalar um time com maioria de reservas, como aconteceu contra Santos e Figueirense, quando foram obtidos dois empates fora de casa. Não faltarão os que dirão que o Grêmio entregou o jogo para favorecer um adversário do Inter na luta para evitar o rebaixamento. Não parece ter sido o caso. O mais provável é que o medo de disputar jogadas mais duras e se lesionar, podendo ficar fora da decisão da Copa do Brasil, tenha tido influência no desempenho dos titulares que foram escalados. Seja como for, é uma derrota que, pelo placar dilatado, causa um certo constrangimento. 

domingo, 6 de novembro de 2016

A volta para a zona

O que se prenunciava acabou se confirmando, o Inter está novamente na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A volta para a zona tão indesejada se deu pela combinação da derrota do Inter por 1 x 0 para o Palmeiras, no Allianz Parque, e a do Atlético Paranaense por 3 x 2 diante do Vitória, no Barradão. Com esses resultados, o Inter, que tinha dois pontos a mais que o Vitória na classificação, ficou com um a menos. Faltando apenas quatro rodadas para o fim do Brasileirão, retornar para a zona de rebaixamento é uma situação muito negativa em termos psicológicos. Pelo que indicam as projeções, não bastará ao Inter vencer os dois jogos que lhe restam em casa. Será preciso obter algum ponto nas outras duas partidas que fará fora de seus domínios. Não há como deixar de admitir que a situação do Inter é dramática. O retorno para a zona de rebaixamento, depois de uma reação que parecia ter afastado essa hipótese, pode fazer com que tanto o grupo de jogadores quanto a torcida não tenham mais a mesma capacidade de mobilização demonstrada anteriormente. Para piorar o que já é ruim, com a parada da competição para a realização de jogos da Seleção Brasileira, o Inter ficará 11 dias na zona de rebaixamento até a data de sua próxima partida. A ameaça de queda do Inter para a Segunda Divisão nunca esteve tão presente.

sábado, 5 de novembro de 2016

Os caminhos do PT

Depois dos péssimos resultados colhidos nas últimas eleições, muito se discute qual será o futuro do PT. Há quem aposte, até mesmo, na extinção do partido. Evidentemente, isso é um exagero. O PT não vai acabar, por maior que seja a crise que atravessa. Para recuperar sua credibilidade e viabilidade eleitoral, no entanto, é preciso que o partido retome a sua autenticidade. As concessões feitas em nome da governabilidade, quando o partido alcançou o poder no plano federal, acabaram por causar a sua descaracterização, descontentando suas alas mais autênticas. Está na hora de o PT recuperar as suas bandeiras históricas, e portar-se como um partido de esquerda, como é a sua essência. Nesse sentido, a noticiada cogitação do nome de Miguel Rosseto para concorrer ao cargo de governador do Rio Grande do Sul, em 2018, é uma ideia das mais inspiradas. Rosseto é um petista histórico, com uma clara visão de esquerda. Sua escolha certamente agradaria às alas mais autênticas do partido. O PT precisa recuperar a sua essência como partido de esquerda. Rosseto parece o nome certo para essa tarefa. A autenticidade de seu posicionamento ideológico poderia despertar a militância do partido, que foi minguando pela desilusão com a descaracterização da essência esquerdista do PT. O PT precisa realizar uma volta às origens, para recuperar o seu eleitorado mais fiel. O partido está fragilizado, mas pode retomar o seu vigor. Para isso, é essencial apostar em nomes como o de Rosseto, que tão bem representa os ideais que serviram de alicerce para o partido quando da sua fundação. Os caminhos do PT para o futuro podem não ser tão pedregosos como desejam seus inimigos. A valorização de figuras da expressão de Miguel Rosseto é uma oportunidade para o partido se reerguer.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Título encaminhado

Uma decisão entre dois gigantes do futebol brasileiro, em princípio, não tem um favorito destacado. Esse é o caso da disputa pela conquista da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético Mineiro. Ambos são grandes clubes, e, ainda que com altos e baixos, apresentam bom desempenho no Campeonato Brasileiro. O Grêmio possui um time mais organizado e com maior solidez defensiva. O Atlético Mineiro tem maiores destaques individuais, e um ataque mais efetivo. Diante de tamanho equilíbrio, os detalhes podem ser decisivos, e eles favorecem o Grêmio. O longo jejum de títulos, em contraste com o Atlético Mineiro, que tem obtido conquistas importantes nos últimos anos, faz do Grêmio um clube mais mobilizado para a decisão. Afora isso, no Brasileirão, o Atlético Mineiro ainda tem ambições de disputar as primeiras posições, e o Grêmio já coloca a competição em segundo plano, o que lhe permite concentrar seu foco na Copa do Brasil. O outro fator de vantagem para o Grêmio, e talvez o mais importante, foi definido hoje, por sorteio. O Grêmio fará o segundo jogo da decisão na Arena. Se conseguir um resultado minimamente razoável no primeiro jogo, dificilmente o Grêmio deixará o título escapar em casa. O Grêmio está muito mais sequioso e motivado para essa conquista do que o Atlético Mineiro. Sua torcida demonstra um entusiasmo febril e incontido pela perspectiva do fim do jejum de titulos. Somente nos últimos dois dias, o Grêmio obteve mais de quatro mil novos sócios. Tecnicamente, o Atlético Mineiro dispõe de melhores jogadores. Porém, o mando de campo no segundo jogo tende a ser um fator preponderante em favor do Grêmio. O título está encaminhado. Resta ao Grêmio saber tirar proveito das circunstâncias que lhe são favoráveis, e retomar o caminho das conquistas.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Escolha acintosa

Nada poderia ser mais revelador da podridão que caracteriza o meio político brasileiro do que a notícia de que Romero Juca (PMDB/RR) será o novo líder do governo no Senado. Romero é o mesmo que ficou apenas 12 dias no cargo de ministro do Planejamento do governo de Michel Temer, devido á divulgação da gravação de uma conversa do senador com um empresário em que ele manifestava a intenção de bloquear a ação da Operação Lava-Jato. A escolha acintosa de Romero para o cargo mostra que a classe política, no Brasil, insiste nas mesmas práticas ao longo do tempo, privilegiando os seus interesses específicos, mesmo que eles afrontem a ética e a dignidade. Romero já ocupou o cargo nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva, e Dilma Rousseff, pois é do tipo que está sempre a favor de quem exerce o poder. Sua reputação está longe de ser ilibada, mas isso em nada afeta a sua posição destacada na cena política do país. Sua recondução ao cargo que já exerceu em governos anteriores demonstra que, na política brasileira, nada é tão ruim que não possa piorar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Eliminação honrosa

O time reserva do Inter surpreendeu positivamente, mais uma vez, e empatou em 2 x 2 com o Atlético Mineiro, hoje, no Independência, pelas semifinais da Copa do Brasil. O resultado proporcionou ao Inter uma eliminação honrosa da competição. Afinal, jogando com os reservas o Inter desclassificou o Santos, foi derrotado na primeira partida contra o Atlético Mineiro jogando melhor que o adversário, e por pouco não ganhou hoje. Com a saída da Copa do Brasil, o Inter poderá se dedicar inteiramente á luta para evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Nas atuais circunstâncias, evitar a queda para a Segunda Divisão vale quase tanto quanto um título. O pesadelo do Inter ainda está longe de acabar, e exigirá um empenho muito grande para que o pior não aconteça. Os bons desempenhos na Copa do Brasil podem servir de estímulo para que o Inter consiga escapar, novamente, da possibilidade de rebaixamento.

A perspectiva de um titulo

Depois de seis anos sem sequer ganhar o Campeonato Gaúcho, e quinze sem vencer uma competição nacional, o Grêmio vê a perspectiva de um título. O empate em 0 x 0 com o Cruzeiro, hoje, na Arena, classificou o Grêmio para a decisão da Copa do Brasil, contra o Atlético Mineiro. Num jogo com escassas chances de gol, e intensa marcação por parte dos dois times, o Grêmio soube resistir á pressão do Cruzeiro, e manter um resultado que lhe era conveniente. A atuação do Grêmio nem de longe lembrou a do primeiro jogo, mas isso não é relevante. O que mais importa é o resultado, e a consequente classificação para a decisão. O jogo de hoje teve o segundo maior público da história da Arena, com mais de 52 mil pessoas. O torcedor estava muito entusiasmado e jogou junto com o time para impedir que o Cruzeiro causasse qualquer ameaça ao Grêmio. Após o jogo, a torcida saiu cantando pelas ruas, uma reação de quem vê o fim do jejum de títulos ficar cada vez mais próximo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Voto obrigatório

Bastou o fato de que as eleições de 2016 apresentaram uma grande abstenção e um alto número de votos brancos e nulos para que uma velha questão voltasse a ser discutida. O assunto em tela é o fim do voto obrigatório. Os defensores do voto facultativo argumentam que ele é adotado na maioria dos países. Sustentam, também, que votar deve ser um direito, não uma obrigação. Porém, ainda que a ideia possa ser teoricamente sedutora, penso que a implantação do voto facultativo não seria boa para o Brasil. Em primeiro lugar porque não há justificativa aceitável para alguém se eximir de votar, pois o ato não exige nenhum sacrifício do eleitor já que as seções são sempre próximas de seu local de residência. O tempo necessário para o ato de votar também não é grande e, portanto, em nada atrapalha a vida do eleitor. O fim do voto obrigatório afastaria ainda mais o cidadão da política, o que é muito ruim. Afora isso, abriria espaço para que pessoas desinteressadas de votar aceitassem fazê-lo por dinheiro, que receberiam para favorecer determinados candidatos. Num país ainda muito despolitizado como é o Brasil, o fim do voto obrigatório só favoreceria os adeptos da demofobia. A leitura que deve ser feita sobre o comportamento do eleitor no pleito de 2016 não é a de que ele queira ser desobrigado de votar. O que ele deseja é uma ampla reforma política. Retirar a obrigatoriedade do voto e manter a mesma carcomida estrutura política seria um desastre. Só quem deseja isso são as forças conservadoras. O país não pode embarcar nessa canoa furada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Cifras escandalosas

Não é de hoje que o futebol tornou-se uma atividade milionária. Os principais clubes do mundo possuem orçamentos altíssimos, que lhes permitem gastar fortunas na aquisição de jogadores e no pagamento de seus salários. Porém, está mais do que clara a necessidade de se colocar um freio nessa situação, por extrapolar qualquer limite que se considere razoável. A renovação de contrato do galês Bale com o Real Madrid é uma evidência disso. Bale estendeu seu contrato com o clube espanhol até o ano de 2022. Pelo novo contrato, Bale irá ganhar um salário equivalente a 1,3 milhão reais por semana. Convenhamos, quantias assim é o que se pode classificar de cifras escandalosas. Bale é um bom jogador, mas está longe de ser um gênio e, portanto, não tem cabimento que se torne o detentor do maior salário do futebol mundial. Diante de tamanhas quantias, é natural que se pense que o futebol está sendo usado para lavagem de dinheiro. Algo precisa ser feito para mudar esse quadro. Soa ofensivo para o cidadão comum tomar conhecimento de que se paguem salários astronômicos como o de Bale. O futebol é um grande espetáculo, e é natural que seus maiores astros sejam bem remunerados. Salários como o do novo contrato de Bale, no entanto, agridem o bom senso. Nenhum jogador, por mais extraordinário que seja, nem mesmo Messi, mereceria ganhar uma quantia tão alta. Cabe á comunidade futebolística, no mundo inteiro, se mobilizar contra essa aberração. O mais popular dos esportes deve transmitir aos seus torcedores uma imagem de dignidade. As quantias cada vez mais altas que circulam no futebol apontam no sentido contrário, e o tornam uma atividade cheia de suspeições.

domingo, 30 de outubro de 2016

Confirmação

O segundo turno da eleição para prefeito de Porto Alegre não apresentou surpresa. Nélson Marchezan Júnior (PSDB) venceu o pleito, numa confirmação do que as pesquisas indicavam. Ainda mergulhado numa irracional onda antiesquerdista movida pela imprensa conservadora, o eleitorado resolveu eleger a raposa para cuidar do galinheiro. Ao escolher Marchezan Júnior, o eleitor entrega a administração da cidade ao herdeiro de uma figura proeminente da Arena, partido de sustentação do regime militar, o falecido Nélson Marchezan. Mais do que isso, Marchezan Júnior é um neoliberal e privatista. Os próximos quatro anos tendem a ser desalentadores para Porto Alegre. Diante desse quadro, o incompreensível é que nem mesmo a catastrófica escolha de José Ivo Sartori para governador do Rio Grande do Sul, em 2014, serviu de alerta. O eleitor gaúcho parece tomado por um impulso de autoflagelação. Resta esperar que nas eleições de 2018 essa tendência autodestrutiva tenha sido superada, e o eleitor volte a votar com consciência, concedendo o poder a quem tem compromisso com as demandas sociais.