sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Título encaminhado
Uma decisão entre dois gigantes do futebol brasileiro, em princípio, não tem um favorito destacado. Esse é o caso da disputa pela conquista da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético Mineiro. Ambos são grandes clubes, e, ainda que com altos e baixos, apresentam bom desempenho no Campeonato Brasileiro. O Grêmio possui um time mais organizado e com maior solidez defensiva. O Atlético Mineiro tem maiores destaques individuais, e um ataque mais efetivo. Diante de tamanho equilíbrio, os detalhes podem ser decisivos, e eles favorecem o Grêmio. O longo jejum de títulos, em contraste com o Atlético Mineiro, que tem obtido conquistas importantes nos últimos anos, faz do Grêmio um clube mais mobilizado para a decisão. Afora isso, no Brasileirão, o Atlético Mineiro ainda tem ambições de disputar as primeiras posições, e o Grêmio já coloca a competição em segundo plano, o que lhe permite concentrar seu foco na Copa do Brasil. O outro fator de vantagem para o Grêmio, e talvez o mais importante, foi definido hoje, por sorteio. O Grêmio fará o segundo jogo da decisão na Arena. Se conseguir um resultado minimamente razoável no primeiro jogo, dificilmente o Grêmio deixará o título escapar em casa. O Grêmio está muito mais sequioso e motivado para essa conquista do que o Atlético Mineiro. Sua torcida demonstra um entusiasmo febril e incontido pela perspectiva do fim do jejum de titulos. Somente nos últimos dois dias, o Grêmio obteve mais de quatro mil novos sócios. Tecnicamente, o Atlético Mineiro dispõe de melhores jogadores. Porém, o mando de campo no segundo jogo tende a ser um fator preponderante em favor do Grêmio. O título está encaminhado. Resta ao Grêmio saber tirar proveito das circunstâncias que lhe são favoráveis, e retomar o caminho das conquistas.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Escolha acintosa
Nada poderia ser mais revelador da podridão que caracteriza o meio político brasileiro do que a notícia de que Romero Juca (PMDB/RR) será o novo líder do governo no Senado. Romero é o mesmo que ficou apenas 12 dias no cargo de ministro do Planejamento do governo de Michel Temer, devido á divulgação da gravação de uma conversa do senador com um empresário em que ele manifestava a intenção de bloquear a ação da Operação Lava-Jato. A escolha acintosa de Romero para o cargo mostra que a classe política, no Brasil, insiste nas mesmas práticas ao longo do tempo, privilegiando os seus interesses específicos, mesmo que eles afrontem a ética e a dignidade. Romero já ocupou o cargo nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva, e Dilma Rousseff, pois é do tipo que está sempre a favor de quem exerce o poder. Sua reputação está longe de ser ilibada, mas isso em nada afeta a sua posição destacada na cena política do país. Sua recondução ao cargo que já exerceu em governos anteriores demonstra que, na política brasileira, nada é tão ruim que não possa piorar.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Eliminação honrosa
O time reserva do Inter surpreendeu positivamente, mais uma vez, e empatou em 2 x 2 com o Atlético Mineiro, hoje, no Independência, pelas semifinais da Copa do Brasil. O resultado proporcionou ao Inter uma eliminação honrosa da competição. Afinal, jogando com os reservas o Inter desclassificou o Santos, foi derrotado na primeira partida contra o Atlético Mineiro jogando melhor que o adversário, e por pouco não ganhou hoje. Com a saída da Copa do Brasil, o Inter poderá se dedicar inteiramente á luta para evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Nas atuais circunstâncias, evitar a queda para a Segunda Divisão vale quase tanto quanto um título. O pesadelo do Inter ainda está longe de acabar, e exigirá um empenho muito grande para que o pior não aconteça. Os bons desempenhos na Copa do Brasil podem servir de estímulo para que o Inter consiga escapar, novamente, da possibilidade de rebaixamento.
A perspectiva de um titulo
Depois de seis anos sem sequer ganhar o Campeonato Gaúcho, e quinze sem vencer uma competição nacional, o Grêmio vê a perspectiva de um título. O empate em 0 x 0 com o Cruzeiro, hoje, na Arena, classificou o Grêmio para a decisão da Copa do Brasil, contra o Atlético Mineiro. Num jogo com escassas chances de gol, e intensa marcação por parte dos dois times, o Grêmio soube resistir á pressão do Cruzeiro, e manter um resultado que lhe era conveniente. A atuação do Grêmio nem de longe lembrou a do primeiro jogo, mas isso não é relevante. O que mais importa é o resultado, e a consequente classificação para a decisão. O jogo de hoje teve o segundo maior público da história da Arena, com mais de 52 mil pessoas. O torcedor estava muito entusiasmado e jogou junto com o time para impedir que o Cruzeiro causasse qualquer ameaça ao Grêmio. Após o jogo, a torcida saiu cantando pelas ruas, uma reação de quem vê o fim do jejum de títulos ficar cada vez mais próximo.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Voto obrigatório
Bastou o fato de que as eleições de 2016 apresentaram uma grande abstenção e um alto número de votos brancos e nulos para que uma velha questão voltasse a ser discutida. O assunto em tela é o fim do voto obrigatório. Os defensores do voto facultativo argumentam que ele é adotado na maioria dos países. Sustentam, também, que votar deve ser um direito, não uma obrigação. Porém, ainda que a ideia possa ser teoricamente sedutora, penso que a implantação do voto facultativo não seria boa para o Brasil. Em primeiro lugar porque não há justificativa aceitável para alguém se eximir de votar, pois o ato não exige nenhum sacrifício do eleitor já que as seções são sempre próximas de seu local de residência. O tempo necessário para o ato de votar também não é grande e, portanto, em nada atrapalha a vida do eleitor. O fim do voto obrigatório afastaria ainda mais o cidadão da política, o que é muito ruim. Afora isso, abriria espaço para que pessoas desinteressadas de votar aceitassem fazê-lo por dinheiro, que receberiam para favorecer determinados candidatos. Num país ainda muito despolitizado como é o Brasil, o fim do voto obrigatório só favoreceria os adeptos da demofobia. A leitura que deve ser feita sobre o comportamento do eleitor no pleito de 2016 não é a de que ele queira ser desobrigado de votar. O que ele deseja é uma ampla reforma política. Retirar a obrigatoriedade do voto e manter a mesma carcomida estrutura política seria um desastre. Só quem deseja isso são as forças conservadoras. O país não pode embarcar nessa canoa furada.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Cifras escandalosas
Não é de hoje que o futebol tornou-se uma atividade milionária. Os principais clubes do mundo possuem orçamentos altíssimos, que lhes permitem gastar fortunas na aquisição de jogadores e no pagamento de seus salários. Porém, está mais do que clara a necessidade de se colocar um freio nessa situação, por extrapolar qualquer limite que se considere razoável. A renovação de contrato do galês Bale com o Real Madrid é uma evidência disso. Bale estendeu seu contrato com o clube espanhol até o ano de 2022. Pelo novo contrato, Bale irá ganhar um salário equivalente a 1,3 milhão reais por semana. Convenhamos, quantias assim é o que se pode classificar de cifras escandalosas. Bale é um bom jogador, mas está longe de ser um gênio e, portanto, não tem cabimento que se torne o detentor do maior salário do futebol mundial. Diante de tamanhas quantias, é natural que se pense que o futebol está sendo usado para lavagem de dinheiro. Algo precisa ser feito para mudar esse quadro. Soa ofensivo para o cidadão comum tomar conhecimento de que se paguem salários astronômicos como o de Bale. O futebol é um grande espetáculo, e é natural que seus maiores astros sejam bem remunerados. Salários como o do novo contrato de Bale, no entanto, agridem o bom senso. Nenhum jogador, por mais extraordinário que seja, nem mesmo Messi, mereceria ganhar uma quantia tão alta. Cabe á comunidade futebolística, no mundo inteiro, se mobilizar contra essa aberração. O mais popular dos esportes deve transmitir aos seus torcedores uma imagem de dignidade. As quantias cada vez mais altas que circulam no futebol apontam no sentido contrário, e o tornam uma atividade cheia de suspeições.
domingo, 30 de outubro de 2016
Confirmação
O segundo turno da eleição para prefeito de Porto Alegre não apresentou surpresa. Nélson Marchezan Júnior (PSDB) venceu o pleito, numa confirmação do que as pesquisas indicavam. Ainda mergulhado numa irracional onda antiesquerdista movida pela imprensa conservadora, o eleitorado resolveu eleger a raposa para cuidar do galinheiro. Ao escolher Marchezan Júnior, o eleitor entrega a administração da cidade ao herdeiro de uma figura proeminente da Arena, partido de sustentação do regime militar, o falecido Nélson Marchezan. Mais do que isso, Marchezan Júnior é um neoliberal e privatista. Os próximos quatro anos tendem a ser desalentadores para Porto Alegre. Diante desse quadro, o incompreensível é que nem mesmo a catastrófica escolha de José Ivo Sartori para governador do Rio Grande do Sul, em 2014, serviu de alerta. O eleitor gaúcho parece tomado por um impulso de autoflagelação. Resta esperar que nas eleições de 2018 essa tendência autodestrutiva tenha sido superada, e o eleitor volte a votar com consciência, concedendo o poder a quem tem compromisso com as demandas sociais.
sábado, 29 de outubro de 2016
Tropeço inesperado
Ninguém poderia imaginar a hipótese do Inter não vencer o Santa Cruz, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. O empate em 1 x 1 foi um tropeço inesperado, e que pode complicar muito a vida do Inter na reta final do Brasileirão. O Inter abriu o placar logo aos seis minutos do primeiro tempo, o que reforçou a ideia de que ganharia com facilidade. O tempo, no entanto, foi transcorrendo, os outros gols não vieram. Para piorar, o Santa Cruz empatou, e o volante Eduardo Henrique, do Inter, foi expulso. A partir daí, mesmo tendo boa parte do primeiro tempo, e todo o segundo, para vencer o jogo, o Inter não conseguiu o desempate. A fuga do rebaixamento, que parecia tranquila após vencer o Flamengo e empatar com o Grêmio, voltou a ficar dramática para o Inter. A agonia da luta para não cair talvez se estenda até a última rodada.
Empate chocho
Um jogo de muito baixo nível técnico, com poucas emoções, foi o que se viu em Figueirense 0 x 0 Grêmio, hoje, no Orlando Scarpelli, pelo Campeonato Brasileiro. Um empate chocho entre um clube que luta para fugir do rebaixamento e outro que foi para o campo com os reservas. Para quem tenta escapar de um rebaixamento cada vez mais provável, o Figueirense mostrou pouco, seja porque o time é fraco ou por não acreditar mais na possibilidade de evitar a queda para a Segunda Divisão. O Grêmio, jogando, mais uma vez, com um time reserva fora de casa, tornou a empatar, mas sem mostrar a mesma boa atuação da partida contra o Santos. Foi um jogo que se arrastou até o final. O resultado não foi bom para ninguém. O Figueirense continuou afundado na zona de rebaixamento, e o Grêmio não conseguiu ingressar na faixa de classificação para a Libertadores.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Uma lista sem pé nem cabeça
A revista inglesa "Four Four Two" elaborou uma lista com, no seu entender, os 50 melhores times de futebol de todos os tempos. Embora relacione grandes equipes da história do futebol, é uma lista sem pé nem cabeça. O primeiro, e fundamental, erro da lista, é misturar clubes e seleções. São elementos absolutamente distintos, não podem ser comparados. O que já começa errado não poderia ter um bom resultado. A colocação das equipes na lista é risível, para dizer o mínimo. O primeiro lugar da lista é ocupado pelo time do Ajax, da Holanda, liderado por Cruyff, que foi tricampeão da Europa em 1971/1972/1973. A Seleção Brasileira de 1970 aparece em segundo lugar. Convenhamos, essa avaliação é absurda. A Seleção de 70 é apontada como a melhor equipe da história do futebol pela maioria dos rankings feitos no mundo inteiro. A lista sequer inclui a Seleção Brasileira de 1958, tão boa ou melhor que a de 1970. No entanto, a Seleção Brasileira de 1982, uma grande equipe, mas muito inferior á de 1958, foi colocada no trigésimo-oitavo lugar. O time do Flamengo de Zico, campeão mundial em 1981, ficou oito posições acima, em trigésimo lugar, em outra avaliação aberrante, pois embora sua inegável qualidade não pode ser considerado superior a uma Seleção de tão alto nível. Por outro lado, a maravilhosa seleção da Hungria de Puskas ficou num modesto décimo lugar. Entre os times de clubes são poucos os que, no mundo inteiro, não consideram o Santos de Pelé o melhor de todos os tempos. Porém, na lista em questão, ele aparece em nono lugar. O Real Madrid de Di Stefano ficou em quarto. Definitivamente, o ranking da revista inglesa não pode ser levado a sério. Num levantamento criterioso, seleções e clubes teriam de ser avaliados separadamente. Caso isso fosse feito, uma das listas teria o seu primeiro lugar disputado pelas seleções brasileiras de 1958 e 1970. No levantamento de clubes, o Santos de Pelé viria em primeiro lugar, e, logo a seguir, estaria o Real Madrid de Di Stefano. Toda a lista do gênero envolve um certo grau de subjetividade, mas a da revista inglesa contraria o bom senso de maneira irremediável.
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