Causou muito má impressão o fato de que dentre os atuais jogadores da Seleção Brasileira só Gabriel Jesus tenha usado as redes sociais para fazer referência a morte de Carlos Alberto, um dos grandes mitos do futebol brasileiro, falecido anteontem. Os demais jogadores não se manifestaram. Eis aí o retrato da alienação e do egocentrismo dos jogadores de futebol na atualidade. Com a independência financeira conquistada ainda muito cedo, tornam-se mimados e autocentrados. O maior nome da Seleção Brasileira nos dias de hoje, Neymar, é um exemplo disso. Neymar não é mais um menino, tem 24 anos, e até já é pai de um garotinho. Porém, se comporta como um eterno adolescente. Deslumbrado com o que o dinheiro pode proporcionar, usufrui uma vida de festas, carrões e mulheres bonitas. Não se posiciona sobre temas polêmicos, nem revela preferências políticas. Seu estilo de vida é claramente hedonista, voltado para a satisfação dos próprios prazeres. Gabriel Jesus tem apenas 19 anos, não viu Carlos Alberto jogar, mas, por estar bem informado sobre quem ele foi, ou tendo sido bem orientado pelos seus assessores, portou-se adequadamente diante da perda de um ícone do futebol brasileiro. Os demais jogadores da Seleção Brasileira, por desinformação ou desinteresse, hipóteses igualmente execráveis, nada referiram sobre a morte de Carlos Alberto. O futebol não é uma ilha. Ele é um microcosmo de uma sociedade mergulhada na vacuidade e no individualismo exacerbado. Uma sociedade frívola e consumista, onde impera o imediatismo e se despreza a memória. A tarefa de recuperar a combalida imagem da Seleção Brasileira não se resume ao futebol dentro do campo. Será preciso reformar a postura de seus jogadores como cidadãos.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Resultado lógico
Recuperado em sua autoestima, pelos bons resultados que vem alcançando em seus últimos jogos, o Inter conseguiu, mesmo com um time reserva, fazer um bom enfrentamento com o Atlético Mineiro, hoje, no Beira-Rio, pelas semifinais da Copa do Brasil, mas perdeu por 2 x 1. O Atlético abriu o placar logo aos dois minutos do primeiro tempo. O Inter só obteve o empate no segundo tempo, com um gol de pênalti, e esbarrou no goleiro Victor, que fez grandes defesas. Porém, no momento em que buscava o gol de desempate, o Inter sofreu um contra-ataque mortífero, e o Atlético venceu o jogo. Embora o Inter também pudesse ter ganho a partida, foi um resultado lógico. O Atlético Mineiro era o favorito no confronto, e ao vencer o primeiro jogo fora de casa ampliou ainda mais essa condição.
Atuação brilhante
Os defensores do futebol de resultados sustentam que o importante é vencer, não importa como. O Grêmio, no entanto, não seguiu essa linha de pensamento, hoje, e venceu o Cruzeiro por 2 x 0, no Mineirão, pelas semifinais da Copa do Brasil, com uma atuação brilhante. O desempenho do Grêmio chegou quase ao nível da perfeição, mantendo o controle do jogo durante todo o tempo, não permitindo nenhuma oportunidade concreta para o adversário, explorando bem os contra-ataques, e, principalmente, fazendo dois belos gols. Belo Horizonte parece fazer bem ao Grêmio. Algumas de suas melhores atuações tem ocorrido na capital de Minas Gerais. Foi assim, por exemplo, quando venceu o Atlético Mineiro no Campeonato Brasileiro de 2015 por 2 x 0, e na atual edição da competição, quando goleou o mesmo adversário por 3 x 0. No jogo de hoje, nenhum jogador do Grêmio esteve mal. O jogo coletivo, em função disso, atingiu uma grande desenvoltura. Com o resultado obtido no Mineirão, o Grêmio está com a faca e o queijo na mão para voltar a disputar uma decisão de Copa do Brasil, e, finalmente, acabar com o seu jejum de títulos.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Carlos Alberto
O Brasil perdeu, hoje, Carlos Alberto, um dos grandes mitos do seu futebol. Carlos Alberto era o lateral direito e, principalmente, o capitão da magnífica Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, a maior equipe já formada na história do futebol. Curiosamente, embora tenha jogado 59 partidas com a camisa da Seleção, foi a única Copa do Mundo de que ele participou. Em sua exitosa carreira, jogou no Fluminense, Santos, Botafogo, Flamengo e New York Cosmos. Como técnico, foi campeão brasileiro pelo Flamengo, e da Copa Conmebol, pelo Botafogo. Nos últimos anos, participava como comentarista no canal a cabo SporTV. Também integrava um grupo formado pela CBF para sugerir mudanças estruturais no futebol brasileiro. Tecnicamente brilhante, e com uma capacidade de liderança que o levou á condição de capitão da Seleção, Carlos Alberto pertence ao panteão dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Entre os seus pares, em especial os seus companheiros de Seleção, ele era o "Capita". Por toda a sua trajetória, obteve respeito e admiração por onde esteve. Autor do último gol da Copa de 70, e um dos mais célebres da história da competição pela beleza de sua construção coletiva, Carlos Alberto será sempre lembrado pelos amantes do futebol, nos quais deixa, desde já, uma imensa saudade.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Oportunismo
Bastou que ocorresse uma arbitragem polêmica no Gre-Nal de ontem, na Arena, para que a "isenta" imprensa esportiva do Rio Grande do Sul, historicamente identificada com a defesa dos interesses do Inter, insinuasse que um árbitro gaúcho teria uma atuação melhor. Acostumada com os "erros humanos" dos árbitros locais, que, curiosamente, sempre favorecem o Inter, a crônica esportiva gaúcha gostaria que eles estendessem seus tentáculos aos grenais do Campeonato Brasileiro. O mote para essa defesa da arbitragem doméstica foi a suposta má atuação de Francisco Carlos do Nascimento (AL) no Gre-Nal de ontem. Esse argumento não resiste a uma análise mais atenta do que aconteceu no jogo. A celeuma toda em torno do árbitro se deu pelo fato de que ele teria expulsado Rodrigo Dourado, do Inter, injustamente. Se é verdade que Rodrigo Dourado não merecia ser expulso, Vitinho deveria ter levado o cartão vermelho, o que não foi feito. Ademais, o árbitro não influiu no resultado do jogo, pois não marcou pênaltis inexistentes, nem validou gols em impedimento. Os mesmos que agora berram contra a expulsão de Rodrigo Dourado acharam que a criminosa agressão de William que resultou numa dupla fratura de mandíbula em Bolanos, no Gre-Nal realizado em março, na Arena, foi um "acidente". Não é á toa que o Inter tem vantagem no número de vitórias em grenais, mas fica atrás quando se levam em conta apenas os válidos pelo Campeonato Brasileiro. Respondendo, objetivamente, a pergunta deixada no ar pela imprensa gaúcha, um árbitro local não se sairia melhor ontem. Basta, para constatar isso, verificar que Anderson Daronco, um dos árbitros preferidos da imprensa gaúcha, influiu no resultado de Flamengo 2 x 2 Corinthians, ao validar o primeiro gol do clube carioca em flagrante impedimento. Se Francisco Carlos do Nascimento teve falhas no aspecto disciplinar, não cometeu nenhum erro técnico grave, o que é muito mais importante. O estrilar da imprensa gaúcha foi puro oportunismo de quem não sabe tratar os fatos com isenção.
domingo, 23 de outubro de 2016
Futebol frustrante
Havia uma enorme expectativa em torno do Gre-Nal de hoje, pelo Campeonato Brasileiro. A evidência disso está no fato de que o recorde de público da história da Arena foi quebrado. Num estádio com capacidade para 55 mil pessoas, mais de 53 mil se fizeram presentes. Porém, o jogo não correspondeu a tamanha mobilização do público. O placar de 0 x 0 foi fiel ao que se viu em campo. Um futebol frustrante, pobre tecnicamente, sem chances claras de gol, enfadonho. O Grêmio escalou o seu time titular, com exceção de Douglas, mas vários jogadores tiveram atuações insuficientes. Walace esteve péssimo, errando passes a todo o momento, o que é extremamente preocupante em se tratando do volante que fica logo á frente dos zagueiros. Luan, como de costume, errou quase todas as jogadas em que tentou obter vantagem sobre seus marcadores. Bolanos, que finalmente teve a chance de jogar na posição em que diz se sentir melhor, teve um desempenho decepcionante. Pedro Rocha, mais uma vez, esteve muito apagado, e já não é possível entender A insistência do técnico Renato em tê-lo como titular. A rigor, os dois únicos destaques do Grêmio foram os zagueiros. Geromel e Kannemann fizeram uma grande partida, com muita raça. O Inter, dentro das suas limitações, conseguiu segurar o Grêmio com uma forte marcação. Nenhum de seus jogadores se destacou na partida, mas coletivamente o time se portou bem. Para o Inter, o empate fora de casa foi bom, ainda mais que a maioria dos resultados paralelos lhe favoreceram na luta para fugir do rebaixamento. Como espetáculo, no entanto, o jogo foi muito fraco. O grande público que esteve na Arena merecia assistir uma partida de melhor qualidade.
sábado, 22 de outubro de 2016
O outro lado do futebol
O futebol dos grandes clubes é sempre associado a jogadores de salários milionários, que fazem seu "pé de meia" para levar uma vida confortável depois de pararem. Porém, nem sempre é assim. Uma reportagem do jornal "Zero Hora", publicada na edição de fim de semana, mostra a atual situação de vida de seis ex-jogadores da dupla Gre-Nal que, hoje, enfrentam dificuldades financeiras depois de terem parado. São eles Caio, China, Almir, Flecha, Cláudio Freitas e Balalo. China ganhou todos os títulos possíveis pelo Grêmio, do estadual ao Mundial de Clubes. Caio foi campeão da Libertadores e do Mundo pelo Grêmio. Balalo foi campeão mundial sub-20 pela Seleção Brasileira da categoria. Flecha chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira. Em comum, todos estão em precária situação financeira, por desperdício de dinheiro ou investimentos mal sucedidos. Ainda que não tenham vivido a fase de fausto financeiro que caracteriza o futebol atual, ganharam um bom dinheiro, mas não souberam planejar o futuro. Hoje, pagam o preço da imprevidência. Porém, não se mostram revoltados. Conscientes de que são os principais responsáveis pela condição em que vivem, mostram-se resignados. Eles reconhecem que as festas e a bebida foram responsáveis, em grande parte, para que tenham chegado á situação presente. Suas histórias mostram que o glamour do futebol é efêmero, e que a vida depois de parar de jogar pode ser muito dura. O outro lado do futebol, longe das manchetes e da badalação da imprensa, pode ser muito difícil para quem não se preparou para ele.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Competição inchada
A Copa Sul-Minas-Rio terá na sua segunda edição, em 2017, a participação de 16 clubes. Entre eles, estará o Brasil de Pelotas. Competição que nasceu como embrião de uma futura liga nacional de clubes, a Copa Sul-Minas-Rio teve em 2016 uma primeira edição razoável, mas sem que se pudesse apostar no seu sucesso a longo. A disputa é curta e em poucas datas, já que os participantes são divididos em grupos. Ainda assim, o número de 16 participantes é excessivo e torna a competição inchada. A inclusão de vários clubes pequenos e médios diminui o nível técnico da competição, o que deverá repercutir negativamente na afluência do público. Com o calendário do futebol brasileiro cada vez mais apertado, a Sul-Minas-Rio, mesmo com poucas datas, terá dificuldades para a sua realização, e, espremida entre outras competições, poderá se mostrar de baixa atratividade. A Sul-Minas-Rio deveria apostar na qualidade dos participantes, não em aumentar sua quantidade.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Prisão tardia
A prisão do deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), ontem efetuada, é mais uma evidência do descalabro jurídico que se instalou no Brasil. Os motivos para prender Cunha são vários, e já existiam, comprovadamente, desde 2015. Portanto, é uma prisão tardia. Porque Cunha permaneceu solto por tanto tempo se os motivos para colocá-lo no cárcere, e as provas correspondentes, já existiam anteriormente? A resposta é óbvia. Cunha ficou solto para levar adiante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os golpistas precisavam de Cunha, como presidente da Câmara dos Deputados, para fazer o serviço sujo. Cumprido esse papel, a prisão de Cunha serve, agora, para que o juiz Sérgio Moro, que a ordenou, demonstre que a Operação Lava-Jato não é seletiva, que ela pune igualmente todos os corruptos, independentemente de sua ideologia ou filiação partidária. Porém, só os muito ingênuos, ou irrecuperavelmente estúpidos, podem se deixar enganar por essa encenação. Prender Cunha também seria um meio, por idênticas razões, de justificar que se fizesse o mesmo procedimento com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Ao contrário do que sustenta a imprensa conservadora, que tenta lhe dar a condição de herói, Moro é um mau juiz, que não age de acordo com o interesse público, mas a serviço de um grupo político que, inconformado com as sucessivas derrotas nas urnas, perpetrou um golpe de Estado, depondo, sob alegações inconsistentes, uma presidente legitimamente eleita. A prisão de Cunha era algo que se impunha, e não poderia ter demorado tanto tempo para ocorrer. Se estivéssemos num país em que a Justiça agisse de acordo com o que dela se espera, o próprio Sérgio Moro, por seus atos abusivos é sectários, também deveria ser preso.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Façanha inesperada
Depois de vencer o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, o Inter aprontou outra surpresa. Hoje, no Beira-Rio, jogando com os reservas, ganhou do Santos por 2 x 0, e se classificou para as semifinais da Copa do Brasil. Sem dúvida, foi uma façanha inesperada, contra um adversário que podia se classificar com um empate, e que estava com seu time titular. Nas semifinais, o Inter irá enfrentar o Atlético Mineiro, novamente na condição de zebra, mas, diante do que aconteceu nos seus dois últimos jogos, não se pode duvidar de que seja capaz de contrariar a lógica, mais uma vez. As nuvens negras que ainda rondam o Inter, ameaçado de rebaixamento no Brasileirão, parece que começam a se dissipar.
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