segunda-feira, 15 de junho de 2015

A ilusão dos títulos estaduais

Se ainda havia alguma dúvida sobre a irrelevância técnica dos campeonatos estaduais, ela tem ficado clara nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro. Clubes que foram campeões estaduais, fazem campanhas pífias no Brasileirão. Outros, que foram mal em suas disputas domésticas, estão com bom desempenho na competição nacional. Entre os campeões dos quatro principais estados, só o Atlético Mineiro cumpre uma campanha aceitável, mesmo assim, está fora da zona de classificação para a Libertadores, ocupando o 6º lugar. O atual líder da competição, o São Paulo, nem sequer chegou na decisão do Campeonato Paulista. Por sua vez, o Santos, que ganhou o Paulistão, está na zona de rebaixamento, em 17º lugar. O Atlético Paranaense, vice-líder, teve de disputar o "torneio da morte" no campeonato estadual para evitar o rebaixamento à segunda divisão do Paraná. Em 3º lugar está o Sport, que não foi bem no Campeonato Pernambucano. Por outro lado, o Santa Cruz, campeão pernambucano, está, no Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, em antepenúltimo lugar. O chamado "G4" do Brasileirão, é completado pelo Corinthians, 4º colocado, que foi eliminado nas semifinais do Paulistão. O Inter, campeão gaúcho, está em 14º lugar, sete posições abaixo do Grêmio, seu maior rival, que ocupa o 7º lugar. O Vasco, campeão do Estado do Rio de Janeiro depois de 12 anos de jejum, é o vice-lanterna, com apenas três pontos ganhos em 21 disputados, até agora. Esses dados comprovam que os campeonatos estaduais são uma realidade á parte, onde impera o mau futebol e fatores extracampo tem grande influência sobre o resultado final. Sem as arbitragens facciosas que historicamente o favorecem no Campeonato Gaúcho, o Inter já padece na maior competição do país. Sem a influência que exerce na federação estadual, o Vasco sofre no Campeonato Brasileiro. Os títulos estaduais, cada vez mais, constituem uma ilusão, que logo se desfaz assim que os clubes começam a disputar competições de maior exigência técnica.

domingo, 14 de junho de 2015

Zito

Num dia em que a Seleção Brasileira fez o seu primeiro jogo oficial depois da Copa do Mundo de 2014, contra o Peru, pela Copa América, um dos seus maiores nomes em todos os tempos, Zito, faleceu, aos 82 anos. Zito tornou-se titular da Seleção no terceiro jogo da equipe na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, entrando no lugar de Dino Sani. Acabou sendo um dos pilares da conquista do título, a primeira Copa do Mundo ganha pela Seleção. Foi titular absoluto, também, no bicampeonato, na Copa do Mundo de 1962, no Chile, quando até gol marcou. Volante, não tinha uma técnica tão apurada quanto a de Dino Sani, mas dominava as características essenciais da posição e possuía uma grande liderança. Com sua morte, perde-se mais um dos campeões mundiais pela Seleção. Muitos já se foram, como Gilmar, Castilho, De Sordi, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Mauro, Zózimo, Jurandir, Nílton Santos, Oreco, Zequinha, Didi, Dida, Garrincha, Joel, Vavá, Félix, Fontana, Joel Camargo, Everaldo. Como todos eles, Zito inscreveu seu nome de forma indelével na história da Seleção. Resta-nos o reconhecimento por tudo o que fez, e fica a saudade de um dos grandes nomes do futebol brasileiro.

Saltando posições

O Grêmio venceu o Atlético Paranaense por 2 x 1, hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, e a vitória lhe proporcionou uma subida na tabela. Saltando posições, o Grêmio pulou do 13º lugar para o sétimo. O próximo jogo, embora seja contra um grande clube, o Palmeiras, apresenta boas perspectivas para o Grêmio, pois será na Arena, onde o Grêmio venceu os dois jogos que fez com o técnico Róger Machado, até agora. A torcida, na partida de hoje, talvez desconfiada pela derrota e a má atuação contra o São Paulo, no Morumbi, não foi em tão grande número quanto em outros jogos, mas o resultado positivo deverá reacender-lhe o entusiasmo. Para que mantenha uma campanha regular, no entanto, o Grêmio terá que melhorar seu rendimento nos jogos fora de casa. Se Róger Machado ganhou os dois jogos que disputou na Arena, em igual número de partidas fora de casa obteve um empate e uma derrota. Contra o Atlético Paranaense, o Grêmio mostrou um bom futebol e foi agressivo o jogo inteiro diante de um adversário que também não se encolheu. Foi um jogo movimentado, corrido, com muitas chances de gol para ambos os lados. Mesmo ao levar o gol de empate, numa falha do goleiro Tiago, o Grêmio não se abateu, e soube buscar a vitória. Resta, agora, o Grêmio manter um equilíbrio em suas atuações, sem despencar da grande atuação contra o Corinthians para o mau desempenho contra o São Paulo. Se conseguir isso, estará no caminho de uma campanha que lhe leve aos primeiros lugares do Brasileirão.

sábado, 13 de junho de 2015

Má campanha

O Inter perdeu para o Corinthians por 2 x 1, de virada, hoje à tarde, no Itaquerão, pelo Campeonato Brasileiro. Embora tenham sido jogadas apenas sete rodadas, não há como deixar de classificar como má a campanha que o Inter vem fazendo no Brasileirão. Em 21 pontos disputados, foram obtidos, somente, nove. Nos quatro jogos que realizou fora de casa, o Inter só conquistou dois pontos. Mais uma vez, a história dos últimos anos se repete, isto é, o Inter é apontado, antes da competição começar, como um dos principais candidatos ao título, que não conquista há 36 anos, mas, depois que a bola rola, as previsões não se confirmam. O presidente do Inter, Vitório Píffero, afirma que o clube tem o objetivo de ganhar o título, depois de tão longo período sem alcança-lo, e que, por isso mesmo, não pretende vender nenhum jogador até o final do ano. Porém, na prática, isso não se confirma. Dependendo dos resultados de amanhã, o Inter poderá ficar muito próximo da zona de rebaixamento. Faltam, ainda, 31 rodadas até que se tenha a definição do campeão, mas tudo indica que o jejum do Inter não acabará em 2015.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O amor na hipermodernidade

O Dia dos Namorados, que hoje transcorre, é mais uma data comercial, como outras que são dedicadas às mães, aos pais e às crianças, por exemplo. Porém, ainda que tais datas sejam um meio de aquecer o consumo e aumentar as vendas do comércio, elas podem ensejar algumas reflexões. No que se refere ao Dia dos Namorados, ele propicia que pensemos sobre o amor, palavra tão curta, de significado lindo e profundo, mas desvalorizada na atualidade. Vivemos uma época denominada por muitos de "hipermodernidade", ou seja, um estágio adiante da "pós-modernidade", que já nos soava tão assustadora. Nessa etapa da história humana, de notáveis avanços científicos e tecnológicos, e aceleradas transformações comportamentais, o amor tende a ser visto como algo anacrônico, ou de significado meramente literário. Não por acaso, uma sensação de aridez parece tomar conta de tudo e de todos. Falta encantamento aos nossos dias. Deixamo-nos empolgar pelas invenções de última geração, estabelecendo relacionamentos virtuais, "conversando" por meio de computadores e mensagens de celular, abolindo, cada vez mais, o contato pessoal e epidérmico. Saímos de um mundo real para ingressar em um no qual até as relações pessoais tem uma condição virtual. Diante desse quadro, como fica o amor na hipermodernidade? Descaracterizado, aviltado, desconsiderado, desvirtuado. O romantismo de outros tempos, hoje é visto como "brega". Parece não haver espaço para manifestações mais calorosas dos sentimentos. Somos envolvidos pelo ritmo trepidante de uma época em que tudo é vivido aceleradamente, sem tempo para a contemplação. A natureza humana, no entanto, na sua essência, é sempre a mesma. Precisamos de carinho e atenção. Por trás de tantos apelos à frivolidade e ao consumismo, mergulhados que estamos numa existência superficial e insípida, há a chama, enfraquecida, mas jamais extinta, do amor. No fim das contas, ele é o que, verdadeiramente, há de mais essencial na vida humana. Sem ele, tudo torna-se vão, carente de significado. Não é à toa, portanto, que um dos grandes sucessos do maior grupo musical de todos os tempos tem por título "All You Need Is Love". Pura verdade. O amor é tudo de que necessitamos. Ele nos supre. Tomara que as pessoas se apercebam disso, e que, um dia, ao conceituarmos o ser humano, possamos defini-lo como "hiperamoroso".

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Vai começar a Copa América

Terá início hoje a Copa América, competição que reunirá, nessa edição, afora as 10 seleções da América do Sul, o México e a Jamaica como convidados. Pouco valorizada, ao longo da história, pelos brasileiros, a Copa América é o equivalente sul-americano da Eurocopa, embora seja uma competição bem mais antiga que sua congênere europeia. Tradicionalmente, uruguaios e argentinos sempre deram um maior valor para a Copa América do que os brasileiros, o que se reflete no número de conquistas por cada seleção. Enquanto o Uruguai tem 15 títulos, e a Argentina 14, o Brasil, até hoje, alcançou apenas oito. Os europeus, arrogantemente, costumam dizer que a Eurocopa é a Copa do Mundo sem o Brasil e a Argentina. Não é verdade. A Eurocopa de 2004, por exemplo, foi decidida entre Portugal e Grécia. Ninguém imagina que, algum dia, essa decisão possa se repetir numa Copa do Mundo. Deveríamos valorizar o que é nosso, na condição de sul-americanos, em vez de achar que a grama do vizinho sempre é mais verde. Para a Seleção Brasileira, particularmente, a Copa América de 2015 reveste-se de uma grande importância, pois será a primeira competição oficial após o humilhante desempenho na Copa do Mundo de 2014. O técnico Dunga, de volta à Seleção, terá que mostrar se, em jogos valendo pontos, se a equipe confirmará o excelente retrospecto de dez vitórias e 100% de aproveitamento nos amistosos até agora realizados, ainda que, em sua passagem anterior pelo cargo tenha, também, ido muito bem durante a fase preparatória, ganhando a Copa América, inclusive, e, depois, fracassado na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Muitos projetam que essa poderá ser a melhor Copa América da história, pois terá a Argentina, atual vice-campeã mundial, com jogadores como Messi, Di Maria, Tévez, Agüero e Higuain, o Uruguai, sem Suárez, suspenso, mas com Cavani, a Colômbia, com  James Rodriguez, Falcão Garcia e Cuadrado, o Chile, com sua melhor equipe em muitos anos e jogando como país sede,  e a Seleção Brasileira, com vários jogadores médios, mas contando com um supercraque, Neymar. Há, também, destaques em outras seleções, como Guerrero, no Peru, por exemplo. Vai começar a Copa América. O jogo de abertura será Chile x Equador, hoje à noite. Para quem gosta de futebol, um bom programa.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Vaias

As vaias ouvidas após o apito do árbitro que pôs fim ao amistoso Seleção Brasileira 1 x 0 Honduras, hoje à noite, no Beira-Rio, mostra bem o que foi o jogo. A Seleção venceu, mas exibiu um futebol burocrático e inconvincente. O público, como se já desconfiasse da pouca qualidade da partida, não compareceu em grande número ao estádio. Foram, apenas 22 mil pessoas presentes. Não bastasse o jogo reunir uma Seleção Brasileira desprovida de grandes craques, à exceção de Neymar, contra um adversário de pequena expressão, choveu em Porto Alegre desde o período da tarde até o final da partida. Afora isso, o jogo foi realizado no tardio horário das 22 horas, e teve transmissão direta pela TV para a própria praça. Os torcedores que, ignorando os fatores adversos, foram, ainda assim, ao estádio, mereceriam ter sido brindados com um espetáculo de melhor qualidade. Foi a décima vitória em 10 jogos desde que Dunga retornou ao cargo de técnico da Seleção, mas isso é apenas um dado estatístico, nada mais. Em sua primeira passagem pelo cargo, de 2006 a 2010, Dunga também teve números excelentes, ganhando, inclusive, todas as competições menores, mas, na Copa do Mundo, razão de ser de todo o trabalho da Seleção, em qualquer época, fracassou. A Seleção de Dunga empilha vitórias, mas não entusiasma ninguém. As vaias de hoje apenas comprovam essa realidade.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Enxugando gelo

A expressão que serve de título para esse texto é sobejamente conhecida, e refere-se à inutilidade de algumas ações humanas quando se tenta conter o inevitável. Atualmente, nos deparamos com a tentativa de "enxugar gelo" por parte das igrejas evangélicas e de seus pastores. Eles tem radicalizado no discurso homofóbico e contra os "atentados aos bons costumes" que estariam sendo cometidos pela televisão. O resultado dessas ações tem sido nulo. Mesmo com Silas Malafaia, o mais famoso desses pastores, vociferando dia e noite contra os homossexuais, a Parada Gay de São Paulo teve, em 2015, uma das suas edições mais exitosas, e muitos pais levaram filhos pequenos para assisti-la. A estreia, ontem à noite, da macrossérie "Verdades Secretas", da Rede Globo, também mostrou que as cenas tórridas de sexo não são rejeitadas pelo público. As cenas ardentes do primeiro capítulo envolvendo os personagens de Rodrigo Lombardi e Alessandra Ambrósio bateram recordes de acesso nas redes sociais. Por mais que alguns se esforcem, o Brasil não vai empreender um retorno a um moralismo caduco. Os homofóbicos e moralistas hipócritas fazem barulho, mas nada mais que isso. Como expressa o ditado, os cães ladram e a caravana passa.

domingo, 7 de junho de 2015

Campanha impecável

A Seleção Brasileira venceu o México por 2 x 0, em amistoso realizado hoje no Allianz Parque. Foi a nona vitória da Seleção em nove jogos, desde a volta de Dunga ao cargo de técnico da equipe. Uma campanha, em termos de números, impecável. A seleção carece de grandes nomes, e hoje isso se acentuou ainda mais pela ausência de Neymar, mas é uma equipe competitiva e aplicada. Muito há, ainda, a ser feito antes de que a atual Seleção seja considerada confiável, e os resultados até agora obtidos foram apenas em partidas amistosas, mas é inegável o comprometimento dos jogadores. Se até as equipes recheadas de astros precisam aplicar-se intensamente para alcançar os seus objetivos, com muito mais razão as que são escassas em talentos tem de fazê-lo. A Seleção tem pouco brilho, mas muita vontade de vencer, e isso, para quem carrega a lembrança da humilhante goleada de 7 x 1 para a Alemanha na Copa de 2014, é uma promessa de melhores dias.

Vitória tranquila

Num jogo no horário incomum das 11 horas, com o estádio quase lotado e muita emoção pela data de um ano do falecimento do ídolo Fernandão, o Inter venceu o Coritiba por 2 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória tranquila, como seria de se esperar, diante de um adversário que está afundado na zona de rebaixamento. O Inter construiu o placar ainda no primeiro tempo, e depois apenas administrou o resultado. O próximo jogo, no entanto, contra o Corinthians, no Itaquerão, terá um nível de exigência bem mais alto. Será uma boa oportunidade para se saber quais são as reais possibilidades do Inter no Brasileirão.