sábado, 2 de maio de 2015
Decisões
Amanhã, os principais campeonatos estaduais do país terão suas decisões e conhecerão seus campeões. A rivalidade entre os clubes dentro dos seus estados, garante grandes públicos para os jogos decisivos, mas essas competições, como já escrevi várias vezes nesse espaço, são anacrônicas. A maioria das partidas, envolvendo a presença de clubes pequenos, não atrai o público, e os estádios recebem poucas pessoas. O mais incrível é que os campeonatos estaduais ainda ocupem quase um semestre inteiro do calendário. Com isso, o Campeonato Brasileiro, a mais importante e interessante disputa dentro do país, se obriga a ter várias rodadas em meio de semana. Se os campeonatos estaduais fossem extintos, isso não precisaria ocorrer, pois o Brasileirão teria o seu início antecipado, duraria nove meses, como os campeonatos nacionais europeus, e poderia ser jogado só nos finais de semana. Seja como for, os campeões estaduais serão conhecidos amanhã, e, a partir daí, o que o calendário esportivo brasileiro tem de melhor terá início. Finalmente, se poderá dizer, no quinto mês do ano, que o futebol brasileiro, em 2015, terá começado de fato.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
A entrevista
O presidente do Inter, Vitório Píffero, sempre foi um boquirroto. Ultimamente, andava estranhamente quieto. Porém, hoje, na antevéspera do Gre-Nal que decidirá o Campeonato Gaúcho, não se conteve, e voltou à sua forma habitual. Píffero disparou contra o técnico do Grêmio, Felipão, acusando-o de ter xingado um jogador do Inter no primeiro Gre-Nal decisivo, na Arena. No entanto, perguntado sobre quem era esse jogador, recomendou aos repórteres que olhassem as imagens da partida novamente para saber. O presidente do Inter não parou por aí, e disse que o Grêmio, desde o Gre-Nal anterior, tentou condicionar a arbitragem. Vitório Píffero perguntou, de forma irônica, se no Grêmio não ocorriam problemas, já que a imprensa, segundo afirmou, passou a semana apontando-os apenas no Inter. Na verdade, a semana transcorreu tranquila, sem polêmicas, o que não é comum em Grenais. Foi Píffero quem, com a entrevista que concedeu hoje, procurou quebrar esse clima, trazendo um componente extracampo que em nada favorece ao jogo, e que revela que, por trás da sua conhecida arrogância, está o temor de, mais uma vez, como dirigente, ver o Grêmio sair do Beira-Rio com a taça de campeão, a exemplo do que ocorreu em 2006, quando era vice-presidente de futebol.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Novo horário
A CBF, conforme já havia adiantado o seu novo presidente, Marco Pólo Del Nero, vai mesmo testar o horário das 11h para jogos do Campeonato Brasileiro, que irá iniciar no dia 09 de maio. O novo horário irá estrear em Grêmio x Ponte Preta, dia 10 de maio, jogo inicialmente marcado para às 18h30min. Se acertou em cheio ao acabar com o estapafúrdio horário das 21h aos sábados, a CBF incorre em outro equívoco com jogos às 11h nos domingos. Esse horário apresenta várias inconveniências. Prejudica o almoço dos torcedores, obriga os jogadores a se levantarem mais cedo e se exporem a uma temperatura mais alta do que nos jogos à tarde. Em termos de repouso e alimentação dos jogadores, altera toda a prática habitual. O fato de o Palmeiras ter levado grande público em dois jogos no Allianz Parque nesse horário, argumento usado por Del Nero, tem de ser olhado de um modo mais crítico. O torcedor do Palmeiras está entusiasmado com o seu novo estádio, e a curiosidade em conhecê-lo ainda é muito grande. Em situações normais, o torcedor prefere os horários tradicionais do futebol. No caso de Grêmio x Ponte Preta, sua realização coincidirá com o Dia das Mães, e muitos trocarão a ida ao estádio pelos almoços comemorativos à data. Menos mal que se trata de um teste, e no decorrer do Brasileirão, o público haverá de demonstrar a inconveniência do novo horário, levando-o a ser deixado de lado.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Valmir Louruz
O futebol do Rio Grande do Sul perdeu hoje uma das suas figuras mais dignas e representativas: Valmir Louruz. Como jogador, participou do time do Inter que, em 1969 retomou o título estadual depois de 12 campeonatos em 13 anos ganhos pelo Grêmio. Como técnico, atingiu o ápice de sua carreira ao ganhar o título de campeão da Copa do Brasil pelo Juventude. Nas semifinais, goleou o Inter por 4 x 0, em pleno Beira-Rio. Depois disso, sua trajetória não teve o mesmo êxito e, ultimamente, estava afastado do futebol profissional. Porém, jamais foi esquecido pela comunidade futebolística, que reconhecia nele um profissional sério e competente e uma pessoa afável e de grande caráter. Sua morte, ocorrida de forma repentina, entristece a todos que, de forma próxima ou não, tiveram a oportunidade de acompanhar a sua carreira. Em tempos marcados por tantas atitudes erráticas, homens ilibados como Valmir Louruz fazem muita falta, e deixam grande saudade.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Barbarismo
A Indonésia aplicou, hoje, a pena de morte para mais um cidadão brasileiro, Rodrigo Gularte. A acusação, novamente foi a de tráfico de drogas. A pena de morte é um barbarismo inaceitável no mundo civilizado. No caso da Indonésia, é mais grave ainda, pois pune-se com a execução quem não cometeu um criem de morte. Os direitistas, sempre insensíveis aos direitos humanos, e defensores da repressão, vibram com fatos como esse. Diante dos protestos mais que justificados do governo brasileiro, contrapõem que é direito de um país soberano impor regras dentro de seu território, e sonham que o mesmo fosse feito por aqui. Sou visceralmente contrário á pena de morte. Não há nenhuma sustentação teórica que possa justificá-la. Os que apoiam algo tão bárbaro e vil não estão em busca de justiça, querem vingança. A punição do crime cometido por Rodrigo Gularte ainda que severa, como um longo período de prisão, por exemplo, jamais poderia ser com a sua eliminação. Não há nada de respeitável na prática da Indonésia de matar traficantes, muito menos algo a ser copiado. Esse tipo de medida revela um governo influenciado por conceitos religiosos arcaicos e incompatíveis com a civilização. Há quem, absurdamente, recrimine os protestos do governo brasileiro, alegando que tal postura diplomática poderá trazer prejuízos econômicos ao país! No meu entender, o Brasil não deveria apenas protestar diante de um ato tão ignominioso. O rompimento de relações diplomáticas com a Indonésia seria o mais indicado.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Momento perigoso
O Brasil passa por um momento perigoso. O Congresso Nacional, que tem suas duas casas presididas pelo PMDB, partido conhecido por sua ambiguidade, aponta na direção de uma guinada conservadora, aprovando projetos que ameaçam conquistas históricas dos trabalhadores e da cidadania. Partido coligado ao governo, e ao qual pertence o vice-presidente, o PMDB, no entanto, adota, por parte de muitos dos seus caciques, uma postura ambivalente, oscilando sua conduta entre ser situação ou oposição. Esse é o caso, entre outros, do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sob seu comando, a Câmara tem apresentado uma pauta extremamente conservadora. A PEC da terceirização é um exemplo disso. Aprovada pela Câmara, ela fere mortalmente os interesses da classe trabalhadora. Cunha também já deixou clara sua homofobia e seu conservadorismo no campo do comportamento, e promete barrar todo os projetos que não se encaixem na sua estreita visão moral, condicionada por sua crença evangélica. O país avançou muito nos últimos anos, tanto no que tange à diminuição das desigualdades sociais quanto no que diz respeito aos direitos das minorias. O mau momento político vivido pelo governo está fazendo com que, de forma oportunista, os arautos do atraso tentem impor os seus valores retrógrados. O governo e a sociedade precisam reagir imediatamente, e deter essa marcha para o arcaísmo. Como expressa o ditado, é para frente que se anda, e o Brasil não pode caminhar para trás.
domingo, 26 de abril de 2015
Poderia ser bem melhor
O Gre-Nal de hoje à tarde, na Arena, o primeiro válido pela decisão do Campeonato Gaúcho, que terminou empatado em 0 x 0, deixou a desejar. Por ser uma partida decisiva, esperava-se mais dos dois times. O Inter entrou em campo com três volantes, indicando que o empate lhe satisfazia, mas, na volta do intervalo, retirou-o e adotou uma postura mais ousada. O Grêmio dominou no primeiro tempo e criou três chances de gol, mas não as aproveitou. A falta de um centroavante de qualidade, capaz de fazer os gols de que o time necessita, transformou-se num problema crônico no Grêmio, e poderá ser um fator decisivo para que o clube não conquiste o título de campeão gaúcho. Braian Rodriguez, mais uma vez, teve uma atuação lastimável. A ausência de Yuri Mamute, recém voltando de lesão, fez com que as opções de ataque do Grêmio se tornassem ainda mais escassas. O técnico do Grêmio, Felipão, deveria ter voltado para o segundo tempo com outro jogador no lugar de Braian Rodriguez, mas como as opções de banco eram somente garotos preferiu não jogar sobre seus ombros o peso de resolver um jogo decisivo. Felipão estava guardando Cristian Rodriguez para a última meia hora da partida, mas a expulsão de Geromel fez com que ele entrasse em outro contexto de jogo e não pudesse ser um fator diferencial em favor do Grêmio. A partir da expulsão de Geromel, o Inter, valendo-se da vantagem de ter um jogador a mais, tomou conta da partida e criou muitas chances de gol. A propósito, novamente, o Grêmio foi vítima da prática do "dois pesos e duas medidas". A expulsão de Geromel só aconteceu porque ele havia recebido um primeiro cartão amarelo injusto, numa jogada em que foi, visivelmente, na bola. Enquanto isso, Rodrigo Dourado, do Inter, que recebeu um cartão amarelo logo no início do jogo, cometeu várias outras faltas de igual gravidade do que a que originou sua advertência, uma delas por trás, mas foi poupado, pelo árbitro, da expulsão que devia ter ocorrido. Pelas circunstâncias, o empate acabou não desagradando a ninguém. Ao Inter, porque jogou fora de casa e não perdeu. Ao Grêmio, porque embora tenha desperdiçado a chance de se impor na sua casa e encaminhar a conquista do título, vai para o segundo jogo podendo ser campeão com qualquer empate com gols. Para o próximo domingo, Geromel será um sério e sentido desfalque, mas Cristian Rodriguez e Yuri Mamute estarão totalmente recuperados e se constituirão em importantes alternativas. O Gre-Nal de hoje poderia ter sido bem melhor, e pouco serviu para a definição de quem será o campeão gaúcho de 2015. Ficou tudo para o Gre-Nal do Beira-Rio.
sábado, 25 de abril de 2015
A visão crítica de Bresser Pereira
O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro dos governos Sarney e FHC, tem se mostrado um analista lúcido do momento vivido pelo Brasil, e isso foi demonstrado, novamente, em entrevista que concedeu ao jornal "Zero Hora", de Porto Alegre. Bresser Pereira saiu do PSDB por discordar do caráter não nacionalista do partido. Embora não seja petista, revela que sua posição é mais próxima do PT do que a de sua antiga sigla. Bresser Pereira diz que não há preconceito contra o PT, é que, simplesmente, os ricos nunca gostaram da democracia, e a temem. Por extensão, temem o PT. O economista afirma que, os 12 anos de governos do PT tiveram um grande êxito, que foi uma melhor distribuição de renda. A classe média, no entanto, que era progressista no começo dos anos 80, analisa Bresser, deu uma guinada para a direita. A distribuição de renda reduz a diferença entre as classes, e a classe média, de repente, viu os aeroportos invadidos por pobres. Conforme Bresser Pereira, a herança escravista das elites brasileiras é muito violenta. Por conseguinte, o preconceito é muito grande. Bresser constata que, infelizmente, a classe média virou muito conservadora. Ele avança em sua apreciação, e diz que a classe capitalista, por temer a democracia, precisa controlá-la, e faz isso desmoralizando o Estado e comprando o político. O meio de fazer isso é o financiamento de campanhas por empresas, ao qual ele se refere como escandaloso. Bresser Pereira afirma que o Brasil perdeu a ideia de nação ao se submeter ao neoliberalismo, a partir do governo Collor. Para ele, a sociedade civil brasileira ficou forte, com o tempo, mas a nação se enfraqueceu muito quando se submeteu ao imperialismo. "Uma nação forte evita a ocupação do mercado pelo imperialismo", declara Bresser Pereira. Como se pode notar, é a visão crítica de um economista de capacidade reconhecida, que não pertence à "esquerda radical", denominação dada pela direita aos partidos de forte base popular. O que Bresser Pereira diz não tem viés ideológico, é apenas uma análise honesta da situação do Brasil atual.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Os 20 anos de "Malhação"
Em tempos onde tudo é cada vez mais fugaz e inconstante, um programa de televisão completar 20 anos no ar é algo digno de nota. Na data de hoje, o seriado "Malhação", da Rede Globo, completa duas décadas de transmissão ininterrupta. O mais espantoso é que seu público alvo é o adolescente, o qual se caracteriza pela volubilidade. Porém, entre altos e baixos nesse já tão longo período, "Malhação" mostrou-se uma proposta extremamente bem sucedida. O seriado é a porta de entrada para jovens e inexperientes atores e atrizes, que dali saem para os vôos mais altos das novelas, macrosséries, minisséries, e seriados mais adultos. Também é uma plataforma de lançamento de novos autores. Hoje, os seus primeiros telespectadores já estão, praticamente, na meia-idade, e seus filhos, provavelmente, assistem as histórias atuais do seriado (que a própria Globo, equivocadamente, denomina de "novela"). Alguns jovens atores e atrizes, depois de iniciarem sua carreira televisiva em "Malhação", já foram imediatamente incluídos em produções do horário nobre da teledramaturgia. Os autores da história que está no ar atualmente já estão escalados para escrever uma novela. Nesses 20 anos, é claro, "Malhação" teve de se reinventar constantemente, nem sempre com o mesmo êxito. Em alguns momentos de baixa, cogitou-se da extinção do programa. No entanto, "Malhação" resistiu, e, hoje, vive uma situação de audiência significativa para o horário, e ampla repercussão nas redes sociais. Não é fácil falar para os jovens e obter a sua aprovação. "Malhação" tem conseguido isso durante todo esse tempo, e nada indica que vá acabar tão cedo.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Terceirização
A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC que autoriza a terceirização da mão-de-obra até para a atividade principal de uma empresa, é um golpe mortal na classe trabalhadora. A proposta ainda tem de ser votada pelo Senado, mas a sua aprovação parcial já é um acinte contra os trabalhadores. Esse é mais um capítulo da história de terror que o Brasil vive desde a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para presidente da Câmara dos Deputados. Reacionário, e com suas campanhas financiadas por grandes empresas, Cunha age de acordo com os interesses de seus padrinhos, pouco se importando com o povo. A grande imprensa, é claro, não esconde sua simpatia pelo avanço da terceirização, mas ela representa um retrocesso inaceitável nas relações trabalhistas. A presidente Dilma Rousseff, acuada pela crise política que envolve seu governo, terá de, ainda assim, reagir a esse descalabro. Afinal, ela prometeu não mexer nos direitos trabalhistas. Seja qual for o custo político, Dilma terá de vetar o projeto quando ele chegar às suas mãos. Os arranjos e alianças feitos em nome da governabilidade não podem levar um governo do PT a retirar direitos dos trabalhadores. Será uma prova de fogo para a presidente Dilma, mas ela terá de ter a coragem necessária para enfrentar a oposição e tomar a atitude de vetar a PEC. Não há outra saída aceitável.
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