segunda-feira, 27 de abril de 2015

Momento perigoso

O Brasil passa por um momento perigoso. O Congresso Nacional, que tem suas duas casas presididas pelo PMDB, partido conhecido por sua ambiguidade, aponta na direção de uma guinada conservadora, aprovando projetos que ameaçam conquistas históricas dos trabalhadores e da cidadania. Partido coligado ao governo, e ao qual pertence o vice-presidente, o PMDB, no entanto, adota, por parte de muitos dos seus caciques, uma postura ambivalente, oscilando sua conduta entre ser situação ou oposição. Esse é o caso, entre outros, do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sob seu comando, a Câmara tem apresentado uma pauta extremamente conservadora. A PEC da terceirização é um exemplo disso. Aprovada pela Câmara, ela fere mortalmente os interesses da classe trabalhadora. Cunha também já deixou clara sua homofobia e seu conservadorismo no campo do comportamento, e promete barrar todo os projetos que não se encaixem na sua estreita visão moral, condicionada por sua crença evangélica. O país avançou muito nos últimos anos, tanto no que tange à diminuição das desigualdades sociais quanto no que diz respeito aos direitos das minorias. O mau momento político vivido pelo governo está fazendo com que, de forma oportunista, os arautos do atraso tentem impor os seus valores retrógrados. O governo e a sociedade precisam reagir imediatamente, e deter essa marcha para o arcaísmo. Como expressa o ditado, é para frente que se anda, e o Brasil não pode caminhar para trás.

domingo, 26 de abril de 2015

Poderia ser bem melhor

O Gre-Nal de hoje à tarde, na Arena, o primeiro válido pela decisão do Campeonato Gaúcho, que terminou empatado em 0 x 0, deixou a desejar. Por ser uma partida decisiva, esperava-se mais dos dois times. O Inter entrou em campo com três volantes, indicando que o empate lhe satisfazia, mas, na volta do intervalo, retirou-o e adotou uma postura mais ousada. O Grêmio dominou no primeiro tempo e criou três chances de gol, mas não as aproveitou. A falta de um centroavante de qualidade, capaz de fazer os gols de que o time necessita, transformou-se num problema crônico no Grêmio, e poderá ser um fator decisivo para que o clube não conquiste o título de campeão gaúcho. Braian Rodriguez, mais uma vez, teve uma atuação lastimável. A ausência de Yuri Mamute, recém voltando de lesão, fez com que as opções de ataque do Grêmio se tornassem ainda mais escassas. O técnico do Grêmio, Felipão, deveria ter voltado para o segundo tempo com outro jogador no lugar de Braian Rodriguez, mas como as opções de banco eram somente garotos preferiu não jogar sobre seus ombros o peso de resolver um jogo decisivo. Felipão estava guardando Cristian Rodriguez para a última meia hora da partida, mas a expulsão de Geromel fez com que ele entrasse em outro contexto de jogo e não pudesse ser um fator diferencial em favor do Grêmio. A partir da expulsão de Geromel, o Inter, valendo-se da vantagem de ter um jogador a mais, tomou conta da partida e criou muitas chances de gol. A propósito, novamente, o Grêmio foi vítima da prática do "dois pesos e duas medidas". A expulsão de Geromel só aconteceu porque ele havia recebido um primeiro cartão amarelo injusto, numa jogada em que foi, visivelmente, na bola. Enquanto isso, Rodrigo Dourado, do Inter, que recebeu um cartão amarelo logo no início do jogo, cometeu várias outras faltas de igual gravidade do que a que originou sua advertência, uma delas por trás, mas foi poupado, pelo árbitro, da expulsão que devia ter ocorrido. Pelas circunstâncias, o empate acabou não desagradando a ninguém. Ao Inter, porque jogou fora de casa e não perdeu. Ao Grêmio, porque embora tenha desperdiçado a chance de se impor na sua casa e encaminhar a conquista do título, vai para o segundo jogo podendo ser campeão com qualquer empate com gols. Para o próximo domingo, Geromel será um sério e sentido desfalque, mas Cristian Rodriguez e Yuri Mamute estarão totalmente recuperados e se constituirão em importantes alternativas. O Gre-Nal de hoje poderia ter sido bem melhor, e pouco serviu para a definição de quem será o campeão gaúcho de 2015. Ficou tudo para o Gre-Nal do Beira-Rio.

sábado, 25 de abril de 2015

A visão crítica de Bresser Pereira

O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro dos governos Sarney e FHC, tem se mostrado um analista lúcido do momento vivido pelo Brasil, e isso foi demonstrado, novamente, em entrevista que concedeu ao jornal "Zero Hora", de Porto Alegre. Bresser Pereira saiu do PSDB por discordar do caráter não nacionalista do partido. Embora não seja petista, revela que sua posição é mais próxima do PT do que a de sua antiga sigla. Bresser Pereira diz que não há preconceito contra o PT, é que, simplesmente, os ricos nunca gostaram da democracia, e a temem. Por extensão, temem o PT. O economista afirma que, os 12 anos de governos do PT tiveram um grande êxito, que foi uma melhor distribuição de renda. A classe média, no entanto, que era progressista no começo dos anos 80, analisa Bresser, deu uma guinada para a direita. A distribuição de renda reduz a diferença entre as classes, e a classe média, de repente, viu os aeroportos invadidos por pobres. Conforme Bresser Pereira, a herança escravista das elites brasileiras é muito violenta. Por conseguinte, o preconceito é muito grande. Bresser constata que, infelizmente, a classe média virou muito conservadora. Ele avança em sua apreciação, e diz que a classe capitalista, por temer a democracia, precisa controlá-la, e faz isso desmoralizando o Estado e comprando o político. O meio de fazer isso é o financiamento de campanhas por empresas, ao qual ele se refere como escandaloso. Bresser Pereira afirma que o Brasil perdeu a ideia de nação ao se submeter ao neoliberalismo, a partir do governo Collor. Para ele, a sociedade civil brasileira ficou forte, com o tempo, mas a nação se enfraqueceu muito quando se submeteu ao imperialismo. "Uma nação forte evita a ocupação do mercado pelo imperialismo", declara Bresser Pereira. Como se pode notar, é a visão crítica de um economista de capacidade reconhecida, que não pertence à "esquerda radical", denominação dada pela direita aos partidos de forte base popular. O que Bresser Pereira diz não tem viés ideológico, é apenas uma análise honesta da situação do Brasil atual.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Os 20 anos de "Malhação"

Em tempos onde tudo é cada vez mais fugaz e inconstante, um programa de televisão completar 20 anos no ar é algo digno de nota. Na data de hoje, o seriado "Malhação", da Rede Globo, completa duas décadas de transmissão ininterrupta. O mais espantoso é que seu público alvo é o adolescente, o qual se caracteriza pela volubilidade. Porém, entre altos e baixos nesse já tão longo período, "Malhação" mostrou-se uma proposta extremamente bem sucedida. O seriado é a porta de entrada para jovens e inexperientes atores e atrizes, que dali saem para os vôos mais altos das novelas, macrosséries, minisséries, e seriados mais adultos. Também é uma plataforma de lançamento de novos autores. Hoje, os seus primeiros telespectadores já estão, praticamente, na meia-idade, e seus filhos, provavelmente, assistem as histórias atuais do seriado (que a própria Globo, equivocadamente, denomina de "novela"). Alguns jovens atores e atrizes, depois de iniciarem sua carreira televisiva em "Malhação", já foram imediatamente incluídos em produções do horário nobre da teledramaturgia. Os autores da história que está no ar atualmente já estão escalados para escrever uma novela. Nesses 20 anos, é claro, "Malhação" teve de se reinventar constantemente, nem sempre com o mesmo êxito. Em alguns momentos de baixa, cogitou-se da extinção do programa. No entanto, "Malhação" resistiu, e, hoje, vive uma situação de audiência significativa para o horário, e ampla repercussão nas redes sociais. Não é fácil falar para os jovens e obter a sua aprovação. "Malhação" tem conseguido isso durante todo esse tempo, e nada indica que vá acabar tão cedo.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Terceirização

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC que autoriza a terceirização da mão-de-obra até para a atividade principal de uma empresa, é um golpe mortal na classe trabalhadora. A proposta ainda tem de ser votada pelo Senado, mas a sua aprovação parcial já é um acinte contra os trabalhadores. Esse é mais um capítulo da história de terror que o Brasil vive desde a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para presidente da Câmara dos Deputados. Reacionário, e com suas campanhas financiadas por grandes empresas, Cunha age de acordo com os interesses de seus padrinhos, pouco se importando com o povo. A grande imprensa, é claro, não esconde sua simpatia pelo avanço da terceirização, mas ela representa um retrocesso inaceitável nas relações trabalhistas. A presidente Dilma Rousseff, acuada pela crise política que envolve seu governo, terá de, ainda assim, reagir a esse descalabro. Afinal, ela prometeu não mexer nos direitos trabalhistas. Seja qual for o custo político, Dilma terá de vetar o projeto quando ele chegar às suas mãos. Os arranjos e alianças feitos em nome da governabilidade não podem levar um governo do PT a retirar direitos dos trabalhadores. Será uma prova de fogo para a presidente Dilma, mas ela terá de ter a coragem necessária para enfrentar a oposição e tomar a atitude de vetar a PEC. Não há outra saída aceitável.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vitória escassa

O Inter, como se esperava, venceu o The Strongest, hoje, no Beira-Rio, pela Libertadores. Uma vitória escassa, por 1 x 0, num jogo em que se esperava que o Inter pudesse golear. Valdívia, o autor do único gol da partida, confirmou sua condição de mais novo candidato a ídolo do time. O público, de 41 mil pessoas, o maior do Beira-Rio em 2015, foi outro destaque. Com o resultado, o Inter garantiu o primeiro lugar em seu grupo, e ficou em terceiro na classificação geral. O cruzamento dos grupos para a próxima fase, no entanto, não lhe foi favorável. Seu adversário nas oitavas de final será o Atlético Mineiro. A vantagem de realizar o segundo jogo em casa é do Inter, mas num clássico nacional isso pode não fazer tanta diferença, principalmente dependendo do que aconteça no primeiro. O Atlético Mineiro é muito forte jogando no Independência, e se conseguir uma vitória expressiva na primeira partida, poderá tornar extremamente difícil uma reversão por parte do Inter no segundo jogo. Para agravar ainda mais a situação, a primeira data do confronto será na próxima quarta-feira, em meio aos dois Grenais que decidirão o Campeonato Gaúcho. Os próximos dias, para o Inter, serão decisivos para a sorte do clube no primeiro semestre, e irão pautar sua conduta no restante do ano.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Os 30 anos de um trauma

Na data de hoje, há 30 anos, o Brasil vivia o desfecho de um drama, que se converteu num trauma político. O presidente eleito, Tancredo Neves, morria sem ter tomado posse, depois de uma longa internação hospitalar e de várias cirurgias. Tancredo fora eleito pelo Colégio Eleitoral, depois da rejeição, pelo Congresso Nacional, da emenda que propunha restituir as eleições diretas para presidente. Conciliador por natureza, homem afeito ao diálogo, Tancredo era um nome que os militares aceitavam para pôr fim ao seu ciclo no poder, algo que não aconteceria com outros líderes da oposição de perfil mais combativo. Sua eleição para presidente, ainda que da forma indireta adotada no período da ditadura, foi encarada pelo povo como uma redenção. Por conseguinte, sua morte sem ter tomado posse mergulhou o país num clima de desalento e desencanto. O cargo de presidente foi assumido por José Sarney, o vice na chapa de Tancredo, figura umbilicalmente ligada ao regime militar. No entanto, mesmo com esses dissabores, começava, ali, a chamada Nova República, e, a partir dela, o Brasil chega, atualmente, a 30 anos de continuidade democrática. Mesmo sem ter exercido o cargo de presidente, Tancredo Neves cumpriu o seu papel de por fim ao regime militar e reconduzir o país à democracia, e inscreveu o seu nome na história como um dos seus grandes vultos.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Posturas reprováveis

O Grêmio se propôs a cumprir o que estabelece o Estatuto do Torcedor, e reservar 10% dos ingressos do próximo Gre-Nal, a ser realizado domingo, na Arena, para os torcedores do Inter. Para oficializar essa e outras medidas, representantes dos dois clubes e da Brigada Militar se reuniram, hoje, na Arena. Porém, nesse item específico, o Inter não garantiu reciprocidade para o Gre-Nal do dia 3 de maio, no Beira-Rio, alegando não querer fazer testes num jogo de decisão. Para piorar o quadro, a Brigada Militar disse não ter condições de dar segurança para cinco mil torcedores visitantes na Arena. Mais uma vez, a Brigada Militar mostra terrível má vontade para com os interesses do futebol, empobrecendo o Gre-Nal, o mais importante jogo do Rio Grande do Sul. Não é crível que a corporação não consiga dar segurança a qualquer que seja o número de torcedores de um clube visitante presente nos estádios. Na verdade, a intenção da Brigada Militar é que os clubes remunerem os seus serviços. Os clubes, com razão, negam-se a fazê-lo, pois dar proteção ao público é uma obrigação constitucional da Brigada, que recebe dos cofres públicos para esse fim. Os argumentos de que a Brigada só tem obrigação de garantir a segurança na área externa dos estádios, e que dentro deles ocorre um espetáculo privado, ou ainda de que os clubes, por gastarem altas somas com os seus jogadores, deveriam pagar à corporação por seus serviços, são pífios, não se sustentam. O contribuinte gaúcho paga para que a Brigada garanta a sua segurança, e isso inclui os estádios de futebol, dentro ou fora dos mesmos. A Brigada Militar, com sua atitude, impede o cumprimento do que dispõe o Estatuto do Torcedor. Por outro lado, o Inter deveria retribuir o gesto elevado do Grêmio, e também lhe garantir 10% dos ingressos no Beira-Rio, mas não mostrou disposição para isso. Ainda que uma medida positiva como a reedição da torcida mista tenha sido anunciada para o próximo Gre-Nal, a negativa da Brigada Militar em dar segurança para um contingente maior de torcedores visitantes, e a recusa do Inter em retribuir ao Grêmio na mesma proporção de público proposta, são posturas reprováveis que deslustram os Gre-Nais decisivos do Campeonato Gaúcho.

domingo, 19 de abril de 2015

Expectativa confirmada

Confirmando a expectativa da maioria, o Inter, mesmo jogando com um time quase totalmente reserva, venceu o Brasil de Pelotas, hoje à tarde, no Beira-Rio, por 3 x 1, e obteve a sua classificação para a decisão do Campeonato Gaúcho. O primeiro tempo foi de um mau futebol, e sem gols. O Brasil de Pelotas mostrava aplicação, mas com terríveis limitações técnicas, enquanto o Inter criou algumas chances de gol, mas sem forçar muito. No segundo tempo, consciente de que o empate lhe bastava para obter a classificação, mas que só a vitória o faria levar o segundo jogo da decisão para o Beira-Rio, o Inter impôs a sua superioridade e venceu com facilidade. Agora, serão dois Grenais para decidir o Gauchão, o primeiro deles na Arena. O favoritismo é do Inter, por ser o atual tetracampeão estadual e fazer a segunda partida na sua casa, mas o Grêmio resgatou sua autoestima e a confiança do seu torcedor e tem sobradas razões para acreditar que pode conquistar o título.

sábado, 18 de abril de 2015

Classificado

O Grêmio está classificado para a decisão do Campeonato Gaúcho, depois de vencer o Juventude por 2 x 1, hoje à tarde, na Arena. Agora, o Grêmio irá esperar a definição do seu adversário, que sairá do jogo Inter x Brasil de Pelotas, amanhã, no Beira-Rio. O desempenho do Grêmio contra o Juventude foi muito bom, especialmente no primeiro tempo. Antes e depois do gol de Luan, o Grêmio teve outras oportunidades de marcar, e, mais uma vez, foi punido por seu desperdício, sofrendo o gol de empate no final do primeiro tempo, na única bola que o Juventude concluíra até aquele momento. No segundo tempo, o Grêmio iniciou um tanto inseguro, por força do gol que havia tomado, mas, com o decorrer do jogo, recuperou o controle da partida e chegou à vitória. Algumas atuações individuais no Grêmio foram muito destacadas. Luan fez sua melhor partida em 2015, embora precise melhorar a força de seus chutes. Giuliano também jogou um futebol de alto nível. Geromel fez muito boa partida, e recuperou-se de sua falha no gol de Douglão para o Juventude, ao desempatar o jogo e determinar a vitória do Grêmio. Matias Rodriguez, Fellipe Bastos e Douglas também tiveram boas atuações. Por ter vencido os dois jogos das semifinais contra o Juventude, o Grêmio chega confiante para a decisão do Gauchão, e ansioso para obter o fim do seu jejum de títulos.