quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Um sopro de esperança
Um gol aos 47 minutos do segundo tempo impediu que o Brasil de Pelotas fosse eliminado da Copa do Brasil pelo Flamengo sem a chance de um segundo jogo. Num Bento Freitas lotado, o Brasil perdeu por 2 x 1 para o Flamengo, mas um gol no final do jogo garantiu a realização da segunda partida, no Maracanã. Em campo, o Brasil foi um time esforçado, empurrado por sua fanática torcida, mas mostrou muitas limitações técnicas, criando poucas chances de gol ao longo do jogo. Com isso, o Flamengo não demorou a dominar a partida e chegou a estar vencendo por 2 x 0, o que lhe garantiria a classificação sem a necessidade de um segundo jogo. A marcação do gol que protelou a definição do confronto surgiu mais da pressão final de um time que buscava não ser eliminado, do que por um futebol de qualidade. Na verdade, tudo indica que o Flamengo não terá dificuldade de se impor no segundo jogo e obter a sua classificação. Porém, ao adiar a definição da disputa entre os dois clubes, o gol do Brasil mostrou a fibra de um time que não se entrega antes do apito final do árbitro, e fez explodir uma torcida apaixonada. Um gol que representa um sopro de esperança, e, como se sabe, sonhar não custa nada. Será difícil o Brasil conseguir uma façanha no Maracanã, mas só ter a chance de tentá-la já enche de orgulho o seu torcedor.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Premiações justas
Na noite de domingo, aconteceu pela, 87ª , vez a cerimônia de entrega do Oscar, o mais importante prêmio do cinema mundial. Todos os anos, não faltam os que criticam a dinâmica da cerimônia, ou que a qualifiquem de chata e sem graça, mas o fato é que ela é assistida em mais de 100 países em todo o mundo, o que comprova que seu fascínio e glamour continuam intactos. Os filmes que receberam o maior número de indicações para os prêmios caracterizaram-se pela boa qualidade. Até por isso, não houve uma concentração de Oscars num único filme, e as premiações foram justas, distribuindo-se entre os vários indicados. A única escolha que, longe de ser injusta, poderia ser questionada, é a de Melhor Ator para Eddie Redmayne, por "A Teoria de Tudo". Redmayne teve uma atuação excepcional, mas Michael Keaton, que concorria na mesma categoria, não ficou atrás com seu desempenho em "Birdman", que foi escolhido como Melhor Filme e ainda arrebatou o prêmio de diretor para o mexicano Alejandro González Iñarritu. As demais escolhas foram dentro do esperado. Julianne Moore, como era cogitado, venceu como Melhor Atriz por "Simplesmente Alice". Lamentavelmente, o filme só entrará em circuito no Brasil no dia 12 de março. O trabalho brilhante de J.K. Simmons em "Whiplash" fazia dele o favorito absoluto para o prêmio de Ator Coadjuvante, o que, afinal, se confirmou. Patrícia Arquette também correspondeu às expectativas, vencendo na categoria Atriz Coadjuvante. "O Grande Hotel Budapeste", um filme de composição esmerada, ganhou os prêmios de Maquiagem e Cabelo, Trilha Sonora e Design de Produção. "Selma", tido por muitos como um filme injustiçado no número de categorias para as quais foi indicado, ganhou o prêmio de Melhor Canção, com a comovente "Glory", cuja interpretação, feita por John Legend e Common, arrancou lágrimas da plateia. Por outro lado, "Sniper Americano" recebeu apenas o prêmio de Edição de Som, uma categoria técnica, mostrando que nem os americanos levaram a sério a patriotada dirigida por Clint Eastwood. Num ano de bons filmes, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood soube, na quase totalidade dos casos, distribuir os prêmios de acordo com os méritos de cada um.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Sem ataque
Grande humorista gaúcho, nos primórdios do século passado, e riograndino como eu, radicado no Rio de Janeiro, Aparício Torelly, o "Barão de Itararé", dizia que de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. A lembrança da tirada do célebre humorista me ocorre devido à produção ofensiva do time do Grêmio. Hoje, o Grêmio empatou em 0 x 0 com o Juventude, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, e não jogou mal. No segundo tempo, o Grêmio, praticamente, "alugou" o campo do Juventude. Porém, não havia quem fizesse os gols. Pedro Rocha não repetiu suas atuações anteriores, foi apenas esforçado. Everaldo, que começou o jogo, e Lucas Coelho, que entrou durante a partida, não possuem condições de vestir a camisa do Grêmio. Negociar dois goleadores como Barcos e Marcelo Moreno de uma só vez, ficando só com garotos no grupo, era algo que, evidentemente, teria consequências duras para o Grêmio, pois o time ficou sem ataque. A atuação do Grêmio contra o Juventude talvez tenha sido a melhor do ano, até agora, mas a absoluta incapacidade do time de transformar as oportunidades criadas em gols, leva qualquer torcedor à exasperação. Se ganhasse o jogo de hoje, o Grêmio iria, pelos critérios, para o quarto lugar no Gauchão. Com o empate, ficou num constrangedor oitavo lugar, última posição da zona de classificação. Suas únicas vitórias na competição foram contra os três clubes que estão na zona de rebaixamento. Para piorar, domingo tem Gre-Nal, no Beira-Rio. Mesmo que o Inter anuncie que irá jogar com um time misto, não há nenhuma razão para otimismo por parte do Grêmio. As entrevistas do técnico Felipão e do gerente de futebol remunerado Rui Costa, após o jogo de hoje, deixaram claro que nem dentro do próprio Grêmio há esperança de melhores dias a curto prazo. O fim do sofrimento do torcedor gremista é uma perspectiva cada vez mais longínqua.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Mais uma do apito amigo
Nada é mais previsível do que um jogo do Inter no Campeonato Gaúcho. Toda vez que joga pelo Gauchão, o Inter é brindado com "erros" de arbitragem que lhe favorecem extremamente o objetivo de ganhar as partidas. Hoje à tarde, contra o São Paulo, de Rio Grande, no Aldo Dapuzzo, não foi diferente. Ainda que o time do São Paulo seja muito fraco, a participação do árbitro Francisco Silva Neto na vitória do Inter por 2 x 1 foi decisiva. Francisco Neto marcou impedimentos inexistentes do São Paulo, não deu um escanteio claro em favor do clube riograndino, marcou dois pênaltis em favor do Inter, sendo que o segundo foi absolutamente inexistente, e deu cinco cartões amarelos para o mandante e apenas um para o visitante. Foi mais uma demonstração da força do "apito amigo", com a qual o Inter conta em todas as edições do campeonato estadual. O Inter, com o "misto quente" que colocou em campo, tinha plenas condições de vencer o modesto time do São Paulo, ao natural. O árbitro, no entanto, conhecido nos círculos mais íntimos pela alcunha de "Chico Colorado", preferiu tomar a tarefa para si. Revoltante!
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Verdades irrebatíveis
A edição da revista "Veja" que chegou às bancas nesse fim de semana traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com a advogada francesa Marine Le Pen, candidata favorita nas eleições para presidente da França que ocorrerão em 2017. Marine pertence à Frente Nacional, partido de extrema direita fundado em 1972 por seu pai, Jean Marie Le Pen. O curioso é que, mesmo com essa orientação ideológica, Marine recebeu críticas de "Veja". Tudo porque, segundo a revista, Marine manifesta "aversão ao liberalismo e antiamericanismo", o que provaria que esquerda e direita se encontram nos extremos. "Veja" sustenta que, nesse caso, esquerda e direita estão unidas pelo nacionalismo, como isso fosse algo negativo. Por mais que se discorde da ideologia de Marine, como é o meu caso, não há como não destacar o acerto de várias de suas afirmações na entrevista. Marine declara que seu partido, que ela nega ser de extrema direita, é uma organização patriota, que preza o Estado-nação, o nacionalismo econômico, a independência diplomática em relação aos Estados Unidos e defende uma imigração controlada. Convenhamos, nada há de errado com tais conceitos. Um Estado com forte identidade nacional, com uma economia soberana, independente da influência diplomática americana é o que deveriam buscar todos os países que tenham pretensões a ser algo mais do que uma república das bananas. A questão da imigração é mais controvertida, tem muito a ver com o ranço xenófobo típico da direita, mas é certo que ela exige um ordenamento, não pode ser feita de forma indiscriminada. Em relação à economia da Europa, Marine diz que o continente, um dos mais ricos do mundo, está falido, o que teria começado com a adoção do euro. O desemprego e a pobreza explodiram, declara Marine, que acrescenta que as políticas de austeridade criaram um sofrimento imenso. Marine vai adiante e afirma que no século XX houve dois tipos de totalitarismo: o comunismo e o nazismo. Para Marine, os de hoje são o islamismo, que quer impor a lei muçulmana a tudo, e a globalização, que reconhece apenas os interesses do comércio. Em relação a vitória do partido de extrema esquerda Syriza em recentes eleições na Grécia, Marine reconhece que é uma sigla que defende muitas ideias totalmente contrárias às da Frente Nacional. Porém, Marine apoia a decisão do povo grego de tomar as rédeas do seu destino e de recusar os mandos da União Europeia. Marine revela que admira a luta dos gregos para escapar da escravidão que lhes foi imposta pela dívida que contraíram. Como se vê, até mesmo num partido de direita há quem consiga analisar os fatos com lucidez e rejeite a receita tão ardorosamente defendida por "Veja" e outros orgãos da grande imprensa brasileira, que inclui um americanofilismo servil, a expansão sem restrições da globalização, e a aplicação de medidas de "austeridade" cujo único propósito é preservar os interesses de empreiteiras e bancos, impondo sacrifícios à sociedade. Os conceitos proclamados por Marine Le Pen em sua entrevista, são, quase todos, verdades irrebatíveis. Eles não pertencem a nenhuma corrente ideológica, são próprios de seres humanos capazes de pensar com autonomia, recusando o papel de meros instrumentos de sórdidos interesses econômicos transnacionais.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Governo desastroso
O Rio Grande do Sul está vivendo, talvez, o pior governo de toda a sua história. O atual governador do Estado, José Ivo Sartori (PMDB), há menos de dois meses no cargo, já conseguiu surpreender negativamente até os críticos mais moderados. Seu próprio partido considera seu desempenho, até o momento, decepcionante e, o mais espantoso, não acredita que ele possa melhorar. Não poderia haver notícia pior em se tratando de um governante cujo mandato só expirará em 1º de janeiro de 2019. Não há nada de positivo que parta de Sartori. Nas poucas vezes em que se posiciona ou faz alguma declaração, já que a inação é a sua principal característica, Sartori é, apenas, um portador de más notícias. Agora, o governador informa que, possivelmente, irá atrasar o pagamento de servidores. A alegação é a mesma de sempre, tão surrada quanto mentirosa, a da falta de recursos. "Se não há dinheiro, não se pode pagar", diz Sartori, cinicamente. O inepto governador tornou a declarar que tomará medidas impopulares, e, por isso mesmo, tem de aproveitar para tirar fotos com eleitores agora, pois, admite, daqui a seis meses, ninguém desejará fazê-lo. Todos já conhecem esse filme. Nada mais é do que a velha aplicação da "austeridade" como forma de governar, típica do neoliberalismo. Vende-se para a sociedade a ideia de que o Estado está "quebrado" e sem dinheiro, e, portanto, é preciso fazer cortes de gastos, que implicam em "sacrifícios" para a população. O combate à sonegação por parte das empresas, que seria um meio altamente eficiente de se obter recursos, nem é cogitado pelos arautos do "cinto apertado". Na verdade, o que governos como o de Sartori fazem é favorecer os interesses dos setores mais privilegiados da sociedade. Estes não podem sofrer "calotes", ainda que para pagá-los seja preciso tungar o bolso dos mais frágeis na escala social, ou seja, Sartori e outros de sua turma agem como um Robin Hood às avessas, que tiram dos pobres para dar aos ricos. Certamente, muitos do que elegeram Sartori já devem estar fortemente arrependidos. Deixaram-se levar pelas artimanhas da grande imprensa e negaram a reeleição a um político e intelectual brilhante, Tarso Genro, colocando em seu lugar um homem bronco e incapaz. Todos os habitantes do Rio Grande do Sul irão pagar o preço desse desatino, sofrendo, por longos quatro anos, os efeitos de um governo desastroso.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Falência ética
A vitória da Beija-Flor nos desfiles de Carnaval na Marquês de Sapucaí escancara a falência ética que se abate sobre o Brasil. Como referi anteriormente nesse espaço, a escola recebeu uma doação de R$10 milhões do regime ditatorial da Guiné Equatorial, há 35 anos no poder. A Beija-Flor nega ter recebido a doação, e diz que seu desfile foi financiado por empreiteiras brasileiras que tem negócios naquele país africano. Uma das construtoras apontadas como financiadoras do desfile, a Odebrecht, desmentiu que tenha injetado recursos na Beija-Flor. Para piorar essa história malcheirosa, o puxador de samba da escola, Neguinho da Beija-Flor, em entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, embora tenha dito que não houve a doação da Guiné Equatorial, argumentou que o Carnaval do Rio de Janeiro era uma bagunça em outros tempos, e que foi a contravenção que transformou-o num espetáculo magnífico, de repercussão internacional. O brasileiro é leniente com transgressões éticas, desde que seus objetivos sejam alcançados, ou seja, é a velha história de que os fins justificam os meios, ou do político que rouba mas faz. Em sua entrevista, Neguinho da Beija-Flor desdenhou dos reparos à vitória de sua escola de samba. Destacou o fato de que o enredo exaltava a cultura africana. Citou o fato de os negros terem sido escravizados e queixou-se de que quando se homenageia a cultura desse povo isso é alvo de críticas. O puxador da Beija-Flor meteu os pés pelas mãos em suas declarações, e foi um retrato fiel da falta de senso ético que caracteriza o Brasil.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Recuperação
A inadiável recuperação do Grêmio ocorreu hoje á noite, com a vitória de 2 x 0 sobre o Passo Fundo, no Vermelhão da Serra, pelo Campeonato Gaúcho. O Grêmio não começou bem no jogo. Cometia erros de passes primários e falhava no acabamento das jogadas. Porém, a partir do gol de Erazo, numa cobrança primorosa de escanteio por parte de Douglas, o time ganhou tranquilidade e desenvolveu um melhor futebol. Ao fazer 2 x 0, no segundo tempo, o Grêmio consolidou sua vitória. Afora o resultado em si, a boa notícia foram as atuações de alguns jogadores. Júnior provou que já é titular indiscutível da lateral esquerda, foi o melhor do Grêmio em campo. Erazo fez sua melhor partida pelo Grêmio, até agora. Douglas subiu de produção. Pedro Rocha, mais uma vez, agradou. Os destaques negativos foram Araújo, muito mal tecnicamente, e Everaldo, que apesar de ter sido participativo, está muito abaixo das necessidades de um time como o Grêmio. A vitória era uma obrigação e foi alcançada. Ela levou o Grêmio de volta ao grupo dos oito clubes da zona de classificação. Ainda é muito pouco para o Grêmio. Resta esperar que na segunda-feira, contra o Juventude, na Arena, o Grêmio possa firmar uma nova fase e entrar com ânimo renovado no Gre-Nal do dia 1º de março, no Beira-Rio, quando, possivelmente, já poderá contar com novos reforços.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Má estreia
O Inter estreou na Libertadores perdendo por 3 x 1 para o The Strongest, no Hernando Siles. A primeira chance clara de gol do jogo foi do Inter, mas Nilmar desperdiçou. A partir daí, o The Strongest foi dominante e marcou dois gols muito cedo, o que complicou as chances do Inter no jogo. O técnico do Inter, Diego Aguirre, errou na escalação, ao colocar Anderson de titular e deixar Vitinho no banco. Aos 35 minutos de jogo, evidenciando o erro, retirou Anderson, que não estava jogando nada, e colocou Vitinho. Desde sua entrada, Vitinho se mostrou bem mais participativo que Anderson. Depois de ser totalmente envolvido no primeiro tempo, o Inter voltou bem melhor no segundo e fez um gol, de pênalti, logo aos 4 minutos. O gol motivou o Inter e abalou um pouco o The Strongest. Vitinho quase empatou o jogo, colocando uma bola no travessão, mas o segundo gol não veio e, então, o cansaço falou mais alto e o The Strongest voltou a tomar conta do jogo, fazendo o terceiro e decisivo gol. Foi uma má estreia do Inter na Libertadores. Pelos critérios, o Inter é o lanterna do grupo. Seus dois próximos jogos na competição serão em casa. A vitória, em ambos, é obrigatória. Caso contrário, a classificação para as oitavas de final ficará seriamente ameaçada.
O show não pode parar
O Carnaval está chegando ao fim, com o espetáculo cada vez mais deslumbrante e extasiante dos desfiles do sambódromo da Marquês de Sapucaí, cujos resultados serão conhecidos amanhã, mas, ainda na ressaca dos dias de festa, o show não pode parar. Assim, ainda hoje, a Champions League, depois de dois meses de intervalo, será retomada, e começará a Libertadores. Portanto, após alguns dias apenas com os insossos campeonatos estaduais, os apaixonados por futebol poderão assistir jogos de qualidade e emoção. Muitos dizem que, no Brasil, o ano só começa, de fato, após o Carnaval. No que tange ao futebol, em 2015, isso é verdadeiro. Hoje, na Champions League, jogarão Paris Saint Germain x Chelsea e Shakhtar Donetsk x Bayern de Munique. Duas partidas com vários jogadores de renome internacional, muitos deles brasileiros, e que irão despertar atenção aqui e em muitos lugares ao redor do mundo. Na Libertadores, o Inter será o primeiro clube brasileiro a estrear, jogando contra o The Strongest, na altitude de La Paz. Portanto, não há tempo para descanso. Antes mesmo da Quarta-Feira de Cinzas, e da retomada da rotina, novas emoções estão chegando. Depois da batucada, é hora do grito de gol.
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