sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Carnaval

Mais uma vez, é Carnaval. Os desfiles de escolas de samba começarão hoje, em cidades como São Paulo e Porto Alegre. No Rio de Janeiro, serão no domingo e na segunda. Em lugares como Salvador, Recife e Olinda, as multidões já pulam pelas ruas, e só cessarão na Quarta-Feira de Cinzas. Porém, para quem já viveu um grande número de carnavais, é inevitável a sensação de que a festa não é mais a mesma. O Carnaval mais espontâneo, com brincadeiras de rua envolvendo a população, já não é tão expressivo como no passado. Os bailes em clubes, que eram um momento marcante da festa, hoje são escassos e de pouca repercussão. Antes um acontecimento que se espalhava por todo o país, adaptando-se as peculiaridades de cada localidade, hoje o Carnaval praticamente se restringe a alguns polos tradicionais. Seus tempos românticos ficaram para trás. Épocas de marchinhas especialmente compostas para a festa, de enorme sucesso e que permanecem na memória de várias gerações, de confete e serpentina, de pierrôs e colombinas, dos blocos de sujos, de uma euforia autêntica que se perdeu no tempo. Hoje, grande parte das pessoas vê o Carnaval apenas como um feriadão para ser aproveitado em viagens. Notável manifestação cultural no Brasil, o Carnaval segue forte como acontecimento midiático, mas já não tem o mesmo enraizamento de outros tempos no coração do povo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Repetição

Nada muda no Campeonato Gaúcho, em termos de arbitragem, a cada ano que passa, numa nauseante repetição. Ontem, pelo segundo jogo consecutivo, o Inter teve um pênalti inexistente marcado a seu favor. A diferença é que, dessa vez, o goleiro adversário defendeu a cobrança, impedindo a perpetração de uma injustiça inominável. Com isso, o Inter empatou em 0 x 0 com o Cruzeiro, no Vieirão. O Cruzeiro, que faz bela campanha no Gauchão, foi melhor do que o Inter em boa parte do jogo e não merecia perder. Não bastasse marcar um pênalti que só ele viu, o árbitro Anderson Farias ainda expulsou o jogador que supostamente o teria cometido, Laerte, o que torna a "falha" de arbitragem ainda mais revoltante. Em relação ao futebol que apresentou, o Inter, que só ganhou um jogo dos quatro que fez no Gauchão devido a um pênalti inexistente marcado contra o Novo Hamburgo, num"erro" escandaloso de arbitragem, mais uma vez, deixou seu torcedor preocupado. A estreia do Inter na Libertadores, será na terça-feira, contra o The Strongest (BOL), no Hernando Siles, e o time mostra-se muito longe de estar pronto. O técnico do Inter, Diego Aguirre ainda parece estar procurando a melhor escalação e o esquema mais adequado. Para agravar mais esse quadro, na Libertadores os árbitros não são tão bonzinhos e generosos como no Campeonato Estadual.

Descalabro

O Grêmio segue desafiando a paciência do seu apaixonado torcedor. Perdeu, ontem, por 1 x 0, para o Brasil, de Pelotas, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Foi a segunda derrota em quatro jogos no modestíssimo Gauchão. Para piorar, Marcelo Moreno fez seu último jogo pelo clube. Assim, o Grêmio, que tinha em seu time dois dos principais goleadores do Campeonato Brasileiro de 2014, Marcelo Moreno e Barcos, agora não tem nenhum. O discurso da diretoria segue inflexível em relação à necessidade de cortar custos. O gerente de futebol remunerado do clube, Rui Costa, chegou ao desplante de dizer que o Grêmio talvez só contrate reforços em junho! Essas declarações, absurdas e afrontosas à grandeza do Grêmio, são tidas como "realistas" e apoiadas por cronistas aberta ou veladamente identificados com o seu maior rival, o Inter. Afinal, desejam, de forma permanente, de que tudo o que haja de pior aconteça ao Grêmio. Porém, nenhuma política de futebol, por mais convicção que exista por parte de quem a aplique, sobrevive aos maus resultados de campo. A torcida, que, ontem, reagiu com bom humor ao descalabro que se abateu sobre o clube, portando uma faixa com os dizeres "Eu vim torcer, não me vendam", não terá paciência para sempre. Mais cedo do que se pensa, a política de "austeridade" do Grêmio terá de ser, ao menos em parte, alterada. Os resultados de campo são imperativos num clube de futebol, e derrotas em sequência desmancham qualquer convicção.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Negligência

O caso do menino argentino, de apenas 3 anos, que caiu de uma sacada do 3º andar de um hotel em Capão da Canoa, no litoral norte do Rio Grande do Sul, é algo que estarrece pela negligência. A mãe do menino disse que descera para tomar café e deixara-o no apartamento porque ele dormia profundamente. No entanto, qualquer pessoa que esteja dormindo pode despertar de uma hora para a outra. A atitude descuidada da mãe resultou na queda do filho, que sofreu múltiplas fraturas e pode vir a não sobreviver. Crianças, principalmente se muito pequenas, exigem vigilância permanente, pois qualquer descuido pode ter consequências terríveis. As aflições da mãe do menino estão apenas começando. Afora o sofrimento com o que ocorreu com o filho, ela terá de enfrentar a acusação por lesão corporal culposa e negligência. Pode-se argumentar de que ela não agiu por mal, mas a imprevidência cobra o seu preço. A maternidade é uma vivência existencial maravilhosa, mas ela traz consigo os seus ônus. Não se descuidar dos filhos pequenos por um segundo sequer, é um deles.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O exemplo da Grècia

A recente vitória do partido esquerdista Syriza nas eleições da Grècia mostra que a tentativa de estimular uma guinada à direita no Brasil está na contramão dos tempos atuais. A vitória do Syriza foi uma vigorosa resposta do povo grego às medidas de "austeridade" impostas ao país pela Comunidade Européia, um exemplo a ser seguido por muitos países. Sabe-se, há muito tempo, que a propalada "austeridade", defendida pelos neoliberais como meio de sanear financeiramente países endividados, visa, apenas, garantir que os credores, como bancos e empreiteiras, recebam o que lhes é devido. Para a população, tudo o que tais medidas ocasionam é recessão, desemprego, miséria, falta de perspectivas. Os gregos resolveram dar um basta aos métodos conservadores de "recuperação econômica". Como a Grécia é um país de economia pequena, as grandes potências européias ainda não manifestam maior preocupação. Porém, se países de maior expressão econômica, como a Espanha, por exemplo, que vive grave crise, aderirem ao exemplo grego, tudo mudará de figura. Mesmo com toda a apologia ao neoliberalismo por parte da grande imprensa, a esquerda vem expandindo sua influência no mundo. Na América do Sul, Brasil, Argentina, Uruguai, Equador, Venezuela, Bolívia e Chile tem governos de esquerda, todos eleitos democraticamente. No Chile, por sinal, após uma breve experiência com um governo de direita, tendo como presidente um magnata, o povo devolveu o poder à esquerda. A direita grita, mas os eleitores não lhe ouvem. Por isso, qualquer tentativa de golpe será rechaçada no Brasil. Ninguém vai impor ao povo brasileiro um caminho diferente daquele que foi por escolhido por ele nas urnas.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Reabilitação

O Grêmio, que vinha de derrota, obteve a sua reabilitação ao vencer o Avenida, nos Eucaliptos, por 3x1, hoje, pelo Campeonato Gaúcho. Não há motivos, no entanto, para comemorações. A vitória foi obtida sobre um adversário fraquíssimo, lanterna absoluto do Gauchão. Ainda assim foi construída com um gol de pênalti, outro marcado contra, e um frango do goleiro. Pior que isso, o jogo chegou a estar empatado em 1 x 1. A vitória só foi alcançada depois que Marcelo Moreno e Éverton entraram no time. Aliás, Marcelo Moreno está sendo vendido, o que é uma notícia aterrorizante para o torcedor. A vitória de hoje não encobre o momento terrível que vive o Grêmio, um clube que vende todos os seus bons valores em nome de uma necessidade de cortar custos. Até o técnico Felipão já avisou que serão necessárias reposições, pois com o grupo atual, o Grêmio não pode almejar nada. Para um clube que não ganha títulos expressivos há 14 anos e não conquista sequer o campeonato estadual desde 2010, não poderia haver um quadro mais desalentador.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Apito amigo

O jogo Inter x Novo Hamburgo, hoje,  no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho, assemelhou-se a um filme muitas vezes visto, do qual se conhece o enredo de cor. O Inter, jogando com um time reserva, não teve uma boa atuação, e merecia empatar com o esforçado Novo Hamburgo, mas venceu por 1 x 0, devido a um pênalti inexistente, marcado no final do primeiro tempo. Nada que não se assista repetidamente no futebol gaúcho, todos os anos. Sempre que o Inter tem dificuldades para resolver o jogo com o seu futebol, surge o "apito amigo" para facilitar tudo. Hoje, não foi diferente. Assim, o princípio de crise que já se insinuava é interrompido, e a tranquilidade, ao menos por enquanto, volta a predominar no Inter. Pena, para o Inter, que nas competições fora do Rio Grande do Sul, os árbitros não sejam tão generosos.

Mercado

A escolha de Aldemar Bendine para presidente da Petrobrás, ontem divulgada, foi mal recebida pelo "mercado". Um jornal americano chegou a destacar que esperava-se a indicação de um nome mais "independente". Chega a ser risível, mas é isso mesmo. O "mercado" e seus defensores querem que uma empresa estatal seja presidida por alguém que tome decisões não afinadas com as diretrizes de quem o nomeou, no caso a presidente Dilma Rousseff, mas que sejam do agrado dos "investidores", termo elegante usado para definir os grandes especuladores do mercado financeiro. Por certo, os que fazem esse tipo de análise gostariam de ver no cargo alguém do perfil do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que reza pela cartilha neoliberal. Dilma Rousseff trocou a diretoria da Petrobrás, como era inevitável que fosse feito, mas, é claro, indicou nomes da sua confiança. Não poderia ser diferente. O "mercado" sonha com um estado mínimo, que governe para os seus interesses. Porém, ainda não será dessa vez. A presidente, ao nomear Bendine, mostrou que é ela quem governa o país. Para o bem do Brasil.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Terceiro turno

O noticiário da grande imprensa brasileira, em termos de assunto principal, virou um samba de uma nota só. Rádios, tevês, revistas, jornais e sites de internet batem firme no "Petrolão" e suas conexões com o PT. A manchete de hoje é a de que um dos delatores do esquema de corrupção na Petrobrás teria revelado que o PT recebeu US$ 200 milhões originados das negociatas dentro da empresa. Não há dia sem que uma nova denúncia do gênero seja ecoada pelos meios de comunicação. Nada tenho contra a veiculação de qualquer notícia, pois informar é o papel da imprensa. O que chama a atenção é o furor com que a imprensa se empenha na tarefa de desgastar a imagem pública do PT, conectando-o com malfeitos de toda a ordem. Chega-se a ter a impressão de que foi o PT que instalou a corrupção no Brasil. A mesma indignação, no entanto, não foi vista quando o PSDB governou o país, nem em relação ao seu desempenho no estado de São Paulo, que comanda há 20 anos. Como se sabe, em termos de corrupção, o PSDB não fica a dever a nenhum partido, muito antes pelo contrário. Na verdade, a afinidade ideológica entre os proprietários dos grandes veículos de comunicação do país e o PSDB faz com que a imprensa aja de forma indulgente com o partido. Sim, o governo federal tem problemas, a presidente Dilma Rousseff obteve a sua reeleição com pequena margem de votos, a corrupção é um fato, e a economia vive um momento delicado. Porém, nada disso justifica a tentativa de se fazer um terceiro turno eleitoral, levantando, até mesmo, hipóteses irresponsáveis, como a do impeachment da presidente Dilma. Para desgosto dos fomentadores do golpismo, pesquisas dão conta de que a simpatia pelo PT voltou a crescer junto ao eleitorado brasileiro. Não haverá terceiro turno. A democracia brasileira, que está atingindo 30 anos de exercício continuo, não será interrompida. O governo foi eleito legitimamente, nas urnas. Esse é o único aval de que ele precisa.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Vexames

Grêmio e Inter vivem realidades econômicas diferentes, mas, hoje à noite, no Campeonato Gaúcho, igualaram-se na capacidade de proporcionar vexames. O Inter jogou mais cedo, às 19h30min. Em pleno Beira-Rio, num jogo em que chegou a estar goleando o São José por 3 x 0, empatou em 4 x 4, sofrendo um gol aos 45 minutos do segundo tempo. Se a produção ofensiva agradou, com o estreante Vitinho e Eduardo Sasha fazendo dois gols cada um, a defesa foi um descalabro. Como disse, com acerto, o técnico do Inter, Diego Aguirre, independentemente do esquema tático que seja adotado, nenhum time pode levar quatro gols num único jogo. Foi o segundo jogo do Inter no Gauchão, contra adversários modestos, e ambos terminaram empatados. Diego Aguirre recebeu críticas fortes do presidente do Inter, Vitório Píffero, que deixou claro que ele não foi escolha sua. Foi o vice-presidente de futebol Luís Fernando Costa, recentemente falecido, quem o escolheu, o que lhe deixa sem respaldo para enfrentar eventuais pressões, e pode fazer com que sua passagem pelo Inter seja extremamente breve. Mais tarde, às 22h, o Grêmio, jogando no Cristo Rei, perdeu para o Aimoré por 2 x 1. Os gols do Aimoré foram no início e no fim do primeiro tempo. No segundo, o Grêmio descontou, mas não teve forças para obter um melhor resultado. As carências do Grêmio ficaram escancaradas. Poucos jogadores tiveram boa atuação. Talvez o mais destacado tenha sido Júnior, que já mereceria ser efetivado como lateral esquerdo titular. Douglas e Fellipe Bastos estiveram mal, Marcelo Oliveira falhou grosseiramente no primeiro gol do Aimoré, e Galhardo foi inexpressivo tanto na lateral direita quanto como volante. Ao perder para um adversário tão modesto, o Grêmio sinaliza que 2015 será mais um ano de muito sofrimento para seus torcedores.