sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Novidades velhas
A direita, cujo arcaísmo e conservadorismo são facilmente reconhecíveis, adora apresentar-se como "moderna". Seus defensores são propagadores de novidades velhas. Seus conceitos econômicos privilegiam o arrocho salarial, fomentam o desemprego, favorecem poucos e prejudicam muitos. Ainda assim, se intitulam modernos, pois afirmam que os governos de esquerda hipertrofiam o Estado, o que geraria "ineficiência" e "baixo crescimento da economia". O correto, sustentam, é um estado mínimo, enxuto, que cumpra, apenas, poucas funções básicas, deixando tudo o mais para a iniciativa privada. Corruptos até a raiz dos cabelos, arvoram-se em denunciadores de escândalos alheios, posando de paladinos da ética. Nada disso resiste a um exame mais atento, e aí é que está o problema. Boa parte do eleitorado se deixa seduzir pela maquiagem marqueteira, capaz de vender pedras como se fossem ouro. Não pode haver nenhuma dúvida, em qualquer pessoa minimamente lúcida, sobre qual o caminho a ser escolhido no segundo turno da eleição presidencial. De um lado, está um governo que trouxe 50 milhões de pessoas para o mercado de consumo, abriu as portas das universidades para negros e pobres, trabalhou em favor da cidadania e da inclusão social. De outro, um candidato de um partido que já esteve no poder e gerou recessão, desemprego, exclusão social, comprou parlamentares para instituir a reeleição em benefício próprio e engavetou todas as denúncias de casos de corrupção envolvendo seus membros. Como meio de fazer o retrocesso parecer algo novo e palatável, coloca um candidato com a estampa de um galã de meia-idade e o mesmo conteúdo de um pastel de vento. O Brasil tem de escolher entre continuar avançando ou cair no conto da carochinha dos demófobos modernosos.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Vexame histórico
O Inter foi goleado pela Chapecoense por 5 x 0, na Arena Condá, hoje, pelo Campeonato Brasileiro. Um vexame histórico, pois essa derrota iguala a pior do Inter em toda a história do Brasileirão, quando perdeu, pelo mesmo placar, para o São Caetano, no Anacleto Campanella, na primeira edição da competição em pontos corridos, no ano de 2003. Era um jogo que o Inter tinha a obrigação de vencer. Afinal, era o vice-líder do campeonato, o líder havia sido derrotado na véspera, o que permitiria uma diminuição da diferença de pontos, e o adversário, mesmo jogando em casa, era modesto. Durante boa parte do primeiro tempo, o Inter conseguiu segurar o ímpeto da Chapecoense. Aos 34 minutos, Dida fez uma grande defesa, evitando o gol, mas aos 36, a Chapecoense abriu o placar, e, dois minutos depois, marcou mais um. Com isso, o Inter foi atordoado para o vestiário. Logo no início do segundo tempo, veio o terceiro gol, estabelecendo uma goleada. A partir daí, pouco havia a ser feito, a não ser tentar evitar um vexame maior, mas nem isso foi conseguido. Pelo contrário, o Inter levou mais dois gols, o último deles num pênalti cometido por Dida que resultou na expulsão do goleiro e na ida de Rafael Moura para o seu lugar, pois todas as substituições já haviam sido feitas. Foi o que se pode chamar de coroamento do desastre. Mesmo que a colocação na tabela continue boa, será difícil o Inter juntar os cacos depois de uma derrota tão fragorosa. Embora faltem apenas 11 jogos para o final da disputa, a demissão do técnico Abel Braga não pode ser descartada.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Obrigação cumprida
O Grêmio venceu o Sport por 2 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. A vitória era uma obrigação para o Grêmio, depois de ter perdido em casa para o São Paulo, bem como pelo fato de enfrentar um adversário nitidamente inferior, e ela foi cumprida. Sem jogar uma grande partida, o Grêmio fez um gol em cada tempo. O primeiro num chutaço de Alan Ruiz, que substituiu Luan, convocado para a Seleção Olímpica. O segundo, de Dudu, após um lançamento primoroso de Giuliano. A surpresa agradável da noite foi a grande atuação do goleiro Tiago, que entrou no time devido à ida de Marcelo Grohe para a Seleção Brasileira. Giuliano, que entrou no segundo tempo, mesmo com o belo lançamento para o gol de Dudu, teve mais uama atuação pálida. A vitória levou o Grêmio, temporariamente, para a zona de classificação da Libertadores. Para nela permanecer, terá de torcer para que o Atlético Mineiro não vença o Fluminense, amanhã, no Maracanã. Aos trancos e barrancos, o Grêmio avança na busca do único objetivo que lhe resta em 2014, o de se classificar para a Libertadores. Seu próximo jogo, no entanto, contra o Palmeiras, no Pacaembu, será extremamente difícil. Afora vários desfalques, terá de se defrontar com um time em ascensão, que conseguiu afastar-se da zona de rebaixamento. O equilíbrio entre os clubes que buscam as primeiras colocações do Brasileirão é grande, e a definição de posições deverá se estender até a última rodada.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Eleição imprevisível
O Grêmio realizou, hoje, o primeiro turno das suas eleições presidenciais. Como era esperado, só duas das cinco chapas concorrentes conseguiram alcançar o mínimo de 20% dos votos do Conselho Deliberativo, e irão, no dia 18, disputar a preferência dos associados do clube, numa eleição de resultado imprevisível. A diferença de votos, no primeiro turno, foi pequena. A chapa 4, da situação, encabeçada por Romildo Bolzan Júnior, obteve 140 votos. A chapa 5, que tem como candidato a presidente Homero Bellini Júnior, teve 107 votos. Se forem somados os votos das outras três candidaturas de oposição, chega-se ao número de 147, superando os votos situacionistas, e indicando um desejo de mudanças. Depois de um longo período comandado pelos caciques Fábio Koff e Paulo Odone, ou por seus seguidores, o Grêmio poderá ser administrado por uma nova liderança. Os repetidos fracassos em campo, com 13 anos sem ganhar um grande título e quatro sem vencer nem ao menos o Campeonato Gaúcho, estimulam o desejo da busca por um novo caminho, capaz de reconduzir o Grêmio ao rumo das vitórias. A influência de Fábio Koff, atual presidente e indicado para ser o vice-presidente de futebol na chapa de Romildo, não pode ser desprezada. Porém, a margem apertada da vitória de hoje demonstra que Bellini Jr, que já concorreu na eleição anterior, em 2012, enfrentando os dois grandes caciques, dessa vez tem chances efetivas de vitória. Talvez tenha chegado a hora de o Grêmio ser varrido pelo vento da renovação. Koff representa um passado glorioso, mas, também, um presente pouco estimulante. Seu candidato, portanto, traz a marca do continuísmo. Ninguém pode saber se Bellini Jr, caso seja eleito, retomará o rumo dos títulos, mas diante do fracasso reiterado das velhas raposas, ele surge como uma alternativa váilida.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Mudanças
Tornou-se comum, depois das manifestações de rua de junho de 2013, dizer-se que "o povo quer mudanças". Passado o primeiro turno das eleições, fica muito difícil entender esse desejo de mudanças. Iniciemos pelo Rio Grande do Sul. Um eleitorado que aspire por mudanças tornaria um candidato que se refere a quilombolas, gays e lésbicas como "tudo isso que não presta" o seu deputado federal mais votado? Esse mesmo eleitorado escolheria para senador um jornalista conhecido pelo seu reacionarismo, em detrimento do ex-governador Olívio Dutra, um homem impoluto e devotado às causas sociais? Como explicar que essas pessoas desejosas de mudanças coloquem na liderança do primeiro turno, e com favoritismo para o segundo, um candidato a governador que tem como vice de sua chapa um membro do empresariado gaúcho, adepto de ideias neoliberais e que gostaria de privatizar o Banrisul, banco estatal que é um orgulho do povo do Rio Grande do Sul? No plano nacional, como entender a enorme votação de Jair Bolsonaro, exemplar maior do fascismo no Brasil, que reelegeu-se para deputado federal? Será que a mudança pretendida é eleger para presidente Aécio Neves, com o seu já anunciado ministro da Fazenda, Armínio Fraga, adepto ferrenho das privatizações e que declarou que "um pouco de desemprego é bom para a economia"? Bem, se isso é mudar, só me resta seguir o poeta, e ir embora para Pasárgada.
domingo, 5 de outubro de 2014
Reacionarismo em doses fartas
No Rio Grande do Sul, o reacionarismo está em alta. Isso é o que mostra o resultado das eleições, onde ele surgiu em doses fartas. A eleição, para o cargo de senador, de Lasier Martins, em detrimento de Olívio Dutra, é um desses absurdos que desmoralizam um povo, e o remetem para o folclore da política. A larga vantagem de José Ivo Sartori no primeiro turno da eleição para governador é outra excentricidade, para dizer o mínimo. Sartori é candidato de um partido, o PMDB, que, no plano federal, vive agarrado a quem exerce o poder, sem lançar um candidato próprio para presidente, e, nos estados, não apresenta uma linha clara de atuação. Não tem proposta, busca o poder como um fim em si mesmo. O deputado federal mais votado no estado, Luís Carlos Heinze, é um reacionário assumido, defensor dos latifúndios e homofóbico. Onyx Lorenzoni, outro dos mais votados na eleição para deputado federal, também se alinha na extrema direita. O Rio Grande do Sul, tido por muitos como um estado "politizado", dá um péssimo exemplo no sentido contrário. Até mesmo a diferença de votos em favor da presidente Dilma Rousseff foi tímida no Rio Grande do Sul. O estado, e o país, podem estar se encaminhando para um terrível retrocesso. No caso das eleições proporcionais, para Assembleias Legislativas e Câmara dos Deputados, bem como no pleito para o Senado, que é majoritário, mas em turno único, não há o que fazer, pois os resultados estão definidos. Na eleição para governador do Rio Grande do Sul, e para presidente, o segundo turno permite que se pense melhor, para evitar um desatino que terá o povo como a grande vítima.
sábado, 4 de outubro de 2014
Sonho desfeito
O Inter perdeu por 2 x 1 para o Cruzeiro, hoje, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. Tropeços recentes do Cruzeiro e os bons resultados do Inter nos últimos jogos fizeram com que muitos acreditassem na possibilidade de uma vitória diante do clube mineiro Caso isso acontecesse, a diferença do Inter para o Cruzeiro cairia para três pontos, deixando em aberto a disputa pelo título do Brasileirão. Porém, o sonho foi desfeito. A lógica preponderou, e, com pouco mais de trinta minutos de jogo, o Cruzeiro já vencia por 2 x 0. No início do segundo tempo, o Cruzeiro teve um pênalti a seu favor, o que poderia estabelecer uma goleada, mas William bateu muito mal e desperdiçou a cobrança. Logo após, o Inter descontou, com um golaço de Alex, mas o Cruzeiro soube manter o controle do jogo, e teve mais chances de ampliar o placar do que o Inter de empatar. Alex, aliás, foi um caso à parte no jogo. Ele começou o jogo no banco, com Williams entrando no time. Com isso, o Inter quase nada criou em termos ofensivos no primeiro tempo, com exceção de uma cabeçada perigosa de Rafael Moura. Com a entrada de Alex, no intervalo, o Inter cresceu de produção, incomodou o Cruzeiro, e até marcou o seu gol, de autoria dele, por sinal. Deixá-lo no banco foi uma decisão equivocada do técnico do Inter, Abel Braga, e colaborou decisivamente para que o sonho de vencer o Cruzeiro não se concretizasse.
Limites
O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o São Paulo, hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Todos os fatores favoreciam o Grêmio para que obtivesse uma vitória. Afinal, o Grêmio vinha estava invicto há nove jogos e há oito sem tomar gols, o jogo era na Arena, que recebeu o segundo maior público de sua história, e o São Paulo tinha conquistado apenas um ponto nos quatro jogos anteriores. Porém, nada disso adiantou, pois o Grêmio esbarrou nos seus limites. Pará, Ramiro e Dudu foram muito mal, como de hábito, Barcos voltou a ter uma má atuação, e a falta de articulação, mais uma vez, se fez sentir. A rigor, só Marcelo Grohe, Geromel e Rhodolfo jogaram bem. O esquema do Grêmio, de grande solidez defensiva, funciona muito bem nos jogos fora de casa. Na Arena, no entanto, quando precisa propor o jogo, o Grêmio tem enormes dificuldades, mesmo contra adversários modestos, como Atlético Paranaense e Chapecoense, diante dos quais obteve vitórias por 1 x 0. Contra um adversário de grande porte, como o São Paulo, com vários jogadores de alto nível, essas dificuldades tendem a se ampliar. Não bastasse isso, uma arbitragem confusa e insegura, deixou o time ainda mais instabilizado em campo. Para sorte do Grêmio, os resultados paralelos o beneficiaram, mas o problema está nas limitações do seu próprio time, principalmente a dificuldade em marcar gols. Sem superá-las, o Grêmio dificilmente obterá classificação para a Libertadores.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
As mudanças na Fórmula 1
O dia de hoje foi marcado por notícias impactantes na Fórmula 1. Depois de seis anos na equipe, onde conquistou um tetracampeonato de 2010 a 2013, o alemão Sebastian Vettel está deixando a RBR, e, ainda que não haja a confirmação oficial, irá para a Ferrari, para o lugar do espanhol Fernando Alonso, que sairá da equipe italiana, pela qual não conquistou nenhum título. Vettel ainda tinha um ano de contrato com a RBR, que abriu mão do cumprimento do mesmo, de forma amigável. Com a saída de Vettel, o companheiro de equipe do australiano Daniel Ricciardo na equipe austríaca será o russo Daniil Kvyat, da STR. Por sua vez, Fernando Alonso deverá ir para a Mc Laren, onde já teve uma passagem anterior e saiu por conflitos com o piloto inglês Lewis Hamilton, atualmente na Mercedes. Com essas novidades, o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2015 já se prenuncia como muito promissor. As Mercedes de Hamilton e do alemão Nico Rosberg, dominantes em 2014, deverão sofrer com a concorrência de Ricciardo, que já tem brilhado esse ano, de Vettel e Alonso em suas novas equipes e com o brasileiro Felipe Massa e o finlandês Valteri Bottas, da Williams, ambos de bom desempenho no atual campeonato. O equilíbrio, em 2015, deve ser bem maior do que em 2014, onde o título já está restrito aos pilotos da Mercedes. A dança das cadeiras começou antes do esperado, e já agita os bastidores da principal categoria do automobilismo mundial.
Os 40 anos de uma despedida
Na data de ontem, há 40 anos, Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, se despedia dos gramados. Ele retornaria, pelo New York Cosmos, prolongando por mais três anos a sua carreira, mas era uma experiência num futebol ainda incipiente e que teve êxito apenas parcial, pois o clube fechou alguns anos depois, e só agora está retomando suas atividades. Portanto, dentro do futebol de alto nível, a verdadeira despedida de Pelé se deu no dia 2 de outubro de 1974, no jogo Santos 2 x 0 Ponte Preta, numa Vila Belmiro lotada. Pelé estava com 34 anos. Aos 22 minutos do segundo tempo, Pelé se ajoelhou no gramado, e virou o corpo para os quatro lados do campo. O futebol nunca mais seria o mesmo, pois o melhor dentre todos os jogadores estava parando. Antes e depois de Pelé, o mundo assistiu jogadores espetaculares, como Puskas, Di Stéfano, Cruyff, Maradona, Messi. No entanto, nenhum se igualou a ele. Pelé poderia ter escolhido um amistoso festivo, num Maracanã lotado, para fazer sua despedida, mas isso ele já fizera quando do seu último jogo pela Seleção Brasileira, em 1971, contra a Iugolásvia. Era chegada a vez de sua despedida definitiva, e ela teria de ser no velho e acanhado estádio de seu Santos, pelo qual jogou durante a toda carreira. Lembro de ter ouvido o relato desse momento marcante pelo rádio, aos 12 anos de idade. Eu pude fruir os anos finais da carreira de Pelé, e sabia do enorme significado daquele fato. Naquela noite, na modesta Vila Belmiro, Pelé dava adeus aos gramados. O que faria a partir daí, pouco importa. Pelé adotou posições equivocadas, deu declarações desastradas, não teve o mesmo brilho fora dos campos. Porém, isso não é relevante. Ele é o maior de todos os tempos, e a data de ontem marca 40 anos de uma orfandade para todos os amantes do futebol. Sim, somos órfãos de um nível de excelência de futebol que só Pelé foi capaz de atingir. Desde então, vivemos uma profunda e irremediável saudade.
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