sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sem espaço para tropeços

Hoje, foi o primeiro dia sem jogos da Copa do Mundo. Em exatos 14 dias foram realizados 48 jogos. Um delicioso banquete de jogos em que, nas duas primeiras rodadas, era possível assistir três partidas por dia na televisão. A fase classificatória se foi, e com ela 16 das 32 seleções que iniciaram a Copa deixaram a competição. Depois de um dia de descanso, amanhã tudo recomeça e, dessa vez, sem espaço para tropeços. Cada um dos jogos pelas oitavas de final, a serem realizados nos próximos quatro dias, determinará a eliminação de mais oito seleções. Para mexer ainda mais como os corações de todo o país, a Seleção Brasileira fará o primeiro desses jogos decisivos, amanhã, contra o Chile, às 13 horas. Por sua grandeza, e pelo histórico do confronto entre as duas seleções em Copas do Mundo, afora o fato de jogar em casa, a Seleção é favorita, mas qualquer descuido, numa partida que decide a continuidade na Copa, pode ser fatal. Será um jogo tenso, e todos os demais, daqui para a frente, o serão. Até aqui, a Copa teve um excelente futebol e uma alta média de gols. Agora, no entanto, o nervosismo próprio de jogos tão decisivos deverá fazer com que a competitividade se sobreponha ao futebol mais plástico. Seja como for, o que já era bom tende a ficar ainda mais empolgante. A Copa é um espetáculo ímpar, e só ocorre a cada quatro anos. Vê-la realizada em nosso país, depois de longos 64 anos, é um imenso privilégio. Aproveitemos, portanto. Daqui a pouco, a Copa acaba e, por certo, deixará uma enorme saudade.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Punição justa

A punição imposta pela Fifa ao jogador Luís Suarez, da seleção do Uruguai, foi justa. Morder um adversário é um ato antiesportivo intolerável, e, no caso de Suarez, ele já o praticou por três vezes. Dessa forma, as várias sanções impostas, suspensão de nove jogos oficiais da Fifa mais quatro meses afastado de qualquer atividade relacionada ao futebol, sem sequer poder frequentar estádios, e uma multa equivalente a R$ 250 mil, estão longe de serem demasiadas. Para quem tem, repetidamente, um comportamento tão reprovável, que inclui, também, ofensas racistas a um adversário negro, até o banimento definitivo do esporte não seria um exagero. Claro, não faltam aqueles que acham que a Fifa foi drástica demais, que o Uruguai foi injustiçado por ficar sem seu melhor jogador, que mais uma vez um país pequeno e pouco influente foi vitimado pela ação dos poderosos. Nada disso. Suarez é um grande jogador, mas apresenta um evidente desequilíbrio psicológico. Relevar sua atitude em nome dos interesses do espetáculo seria uma atitude inominável. A punição priva a Copa do Mundo de um dos seus grandes destaques, e deixa o Uruguai sem seu principal jogador, mas era indispensável. Uma medida ruim para o Uruguai, mas benéfica para o futebol.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O privilégio de ver Messi ao vivo

O jogo Nigéria 2 x 3 Argentina, hoje, no Beira-Rio, proporcionou um raro privilégio para os gaúchos:assistir Messi ao vivo. Messi não é o atual detentor do título de melhor jogador do mundo, e sim Cristiano Ronaldo, mas ganhou o prêmio nas quatro edições anteriores. Só não venceu da última vez por força de lesões que atrapalharam o seu rendimento. Mesmo assim , não resta dúvida de que é melhor que o astro português, embora ele também seja um jogador excepcional. Nem bem o jogo havia começado, aos dois minutos do primeiro tempo, e Messi já brindava o público com um belo gol. A Nigéria empataria um minuto depois, mas Messi, pouco antes do intervalo, fez um golaço de falta e colocou a Argentina, novamente, na frente do placar. Houve um novo empate da Nigéria, a Argentina fez o terceiro gol e, então, com a vitória garantida, Messi foi poupado, saindo aos 20 minutos do segundo tempo. Enquanto esteve em campo, mostrou porque é considerado, independentemente de um ano eventualmente ruim como 2013, o melhor jogador em atividade no mundo. Mais uma vez, a exemplo dos outros dois jogos da Argentina, até aqui, na competição, Messi foi decisivo. Com seus quatro gols, divide a artilharia da Copa do Mundo com Neymar, outro jogador que está desequilibrando as partidas em favor de sua equipe. As pessoas que foram ao Beira-Rio para ver Messi não tiveram nenhuma frustração. Suas expectativas foram plenamente correspondidas. Há quem diga que foi sua melhor partida com a camisa da Argentina. Bom para mim e todos os demais que estiveram no estádio, que puderam se deleitar com seu futebol magnífico.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Uma festa das Américas

A Copa do Mundo está se transformando numa festa das Américas. Entre os classificados para as oitavas de final estão sete seleções da Américas do Sul, Central e do Norte, podendo chegar a nove. Por outro lado, várias equipes europeias já deram adeus à competição, entre elas três campeãs mundiais, Itália, Espanha e Inglaterra. Com isso, comprova-se a força do fator local no resultado das Copas. Nas Copas realizadas, até hoje, na Europa, só uma vez uma equipe de fora do continente foi campeã: a Seleção Brasileira, em 1958, na Suécia. Porém, nas Copas realizadas nas Américas do Sul e do Norte, as seleções campeãs sempre foram americanas, sem exceção. Não se sabe, ainda, é claro, quem será a campeã da Copa do Mundo de 2014, e Holanda e França aparecem como grandes candidatas, com a Bélgica podendo surpreender, mas é inegável que a Seleção Brasileira, por jogar em casa e ter Neymar fazendo a diferença, a Argentina, que conta com Messi, o Uruguai com sua proverbial garra e a Colômbia com um futebol de alto nível, aparecem como sérias postulantes ao título. O clima quente e úmido da maioria das sedes da Copa pode estar tendo sua influência, mas, na verdade, o que está fazendo a diferença em prol dos americanos é o bom futebol praticado dentro de campo. Ao contrário da decadente Espanha, da limitada Itália e da sempre decepcionante Inglaterra, as seleções das Américas contam com nomes como os já referidos Neymar e Messi, James Rodriguez, da Colômbia, Luis Suárez, do Uruguai, e Campbell, da Costa Rica. Eles tem sido o fator de desequilíbrio em favor de suas equipes. Resta aos não menos brilhantes Robben e Van Persie, da Holanda, e Benzema, da França, tentarem estragar essa celebração americana.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ainda longe do ideal

A Seleção Brasileira goleou Camarões por 4 x 1, hoje, no Mané Garrincha, mas sua produção ainda está longe do ideal. O primeiro gol veio cedo, com Neymar, mas a Seleção chegou a ceder o empate para Camarões e a sofrer pressão do fraquíssimo adversário, que teve vários escanteios a seu favor. Daniel Alves falhou feio na jogada que culminou com o gol de Camarões, e sua condição de titular é, cada vez mais, incompreensível. Neymar, mais uma vez, foi o diferencial, marcando dois gols, e se tornando, por enquanto, o artilheiro isolado da Copa do Mundo. O primeiro tempo da Seleção foi bastante modesto, apesar da vitória parcial de 2 x 1. No segundo tempo, a equipe cresceu de produção, a partir da entrada, na volta do intervalo, de Fernandinho no lugar de Paulinho. A troca, mais tarde, de Hulk por Ramires, também foi positiva. A boa atuação e o fato de ter marcado o último gol do jogo, devem garantir a titularidade para Fernandinho, pois Paulinho, novamente, não foi bem. Fred marcou um gol, mas sua atuação, ao longo da partida, foi discreta. O grande trunfo da Seleção tem sido Neymar. Ele tem sido o fator de desequilíbrio quando a Seleção não encontra as soluções dentro de campo. Classificada em primeiro lugar no seu grupo, a Seleção irá, agora, pela terceira vez na história, jogar contra o Chile nas oitavas de final. A derrota, nesse jogo, significará a eliminação da Copa. Mesmo que o Chile possua uma boa equipe, a Seleção deverá ir para as quartas de final. A partir daí, no entanto, será preciso que a Seleção mostre um futebol bem mais consistente para poder prosseguir na competição.

domingo, 22 de junho de 2014

Agradável surpresa

Uma agradável surpresa. Assim foi o jogo Coreia do Sul 2 x 4 Argélia, hoje á tarde, no Beira-Rio. Dentre todos os cinco jogos que Porto Alegre abrigará durante a Copa do Mundo, esse parecia, de longe, o mais fraco. Porém, o estádio recebeu um grande público, a exemplo dos dois jogos realizados anteriormente, e a partida foi intensamente disputada e com muitos gols, certamente agradando a quem esteve no Beira-Rio. Numa Copa de excelente média de gols e de muito bom nível técnico, chama a atenção o fato de que grandes favoritos estão devendo futebol, casos de Brasil e Argentina, e equipes pouco cotadas estão fazendo boas campanhas, como Costa Rica e Argélia. O jogo foi, fora do gramado, uma festa, como tem sido as partidas da Copa. Ao contrário dos jogos anteriores em Porto Alegre, esse reuniu povos de culturas muito diferentes das que estamos acostumados, o que o tornou ainda mais interessante. Ainda que os jogos não fossem bons, a Copa já valeria a pena por ser uma grande festa dos povos, um encontro multicultural singular. Num país com vocação para a celebração e a alegria, como é o caso do Brasil, a Copa se torna um acontecimento ainda mais especial. Dentro e fora de campo, a Copa do Mundo de 2014 é um sucesso, e quem apostou no contrário fracassou rotundamente.

sábado, 21 de junho de 2014

A vida difícil dos favoritos

Está difícil a vida das seleções cotadas, antes da Copa do Mundo, como favoritas para vencer a competição. Em princípio, os quatro maiores candidatos ao título eram Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina. Nenhum deles, no entanto, confirmou, até o momento, essa impressão. A Seleção Brasileira venceu a Croácia sem convencer, e com a ajuda da arbitragem, na primaria rodada. No segundo jogo, não passou de um empate em 0 x 0 com o México, com uma atuação fraca. A Alemanha, depois de golear Portugal no primeiro jogo, não passou, hoje, de um empate em 2 x 2 com Gana, numa partida em que merecia ter perdido. A Espanha, num vexame para quem á a atual campeã do mundo, foi eliminada já na segunda partida. Por sua vez, a Argentina foi a única das quatro seleções mais cotadas a vencer os dois jogos que fez até aqui, mas com um futebol pobre. Hoje, por exemplo, ganhou de 1 x 0 do Irã, com um gol aos 46 minutos do segundo tempo. A Argentina, do mesmo modo que no jogo contra a Bósnia-Herzegovina, precisou do talento individual de Messi para alcançar a vitória, e o Irã não merecia a derrota. Em contrapartida, seleções que não eram tidas como candidatas preferenciais ao título, como França e Holanda, já se inscrevem como aspirantes à conquista. Afora isso, o inesperado desempenho da Costa Rica, que venceu os seus dois jogos e já está classificada para as oitavas de final, confirma essa como uma Copa de agradáveis surpresas e ótimo futebol. Ao contrário das últimas edições da competição, que apresentaram pouco brilho dentro dos gramados, a Copa do Mundo de 2014 tem tudo para deixar saudade também por sua qualidade.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Façanha notável

Não bastassem todos os encantos dessa competição inigualável que é a Copa do Mundo, ela nos proporciona, vez por outra, fatos como a façanha notável da Costa Rica, que venceu Uruguai e Itália e já está classificada para as oitavas de final antes mesmo de terminada a primeira fase. Incluída no chamado "grupo da morte", junto com três seleções campeãs mundiais, as já citadas Uruguai e Itália mais a Inglaterra, a Costa Rica era considerada como candidata a "saco de pancadas" da competição. Contrariando todas as expectativas, a Costa Rica estreou ganhando, de virada, do Uruguai, por 3 x 1, e, hoje, na Arena Pernambuco, venceu a Itália por 1 x 0, placar que só não foi maior devido à péssima arbitragem do chileno Enrique Osses, que, no minuto anterior ao gol, deixou de marcar um pênalti claro em seu favor e lhe prejudicou em vários lances durante o jogo. A Costa Rica é um pequeno país, de apenas 4,5 milhões de habitantes. Pela segunda vez consegue se classificar para as oitavas de final de uma Copa do Mundo, depois de derrotar duas seleções que, somadas, ganharam seis títulos mundiais. Um grande feito, que reafirma o futebol como o mais apaixonante dos esportes, o que mais adeptos reúne em todo o mundo. Afinal, só o futebol proporciona acontecimentos desse tipo. Nos demais esportes, coletivos ou individuais, os favoritos ganham quase sempre. No futebol, ainda que haja uma lógica preponderante, por vezes o menos cotado se supera, e recebe, dos seus torcedores e dos amantes em geral desse esporte, reconhecimento e admiração.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Os 70 anos de Chico Buarque

O dia de hoje marca mais uma data "redonda", a dos 70 anos de Chico Buarque de Holanda. Uma data que não pode passar em branco, mesmo que eclipsada pelo assunto dominante do momento, a Copa do Mundo. Chico é um dos mais inspirados compositores brasileiros, ao mesmo tempo refinado e popular. Criou algumas das mais belas obras da música popular brasileira, só ou em parceria. Seus parceiros, aliás, também são nomes de primeira grandeza, como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Francis Hime e Edu Lobo. Músicas como "A Banda", "Carolina", "Trocando em Miúdos", "Tatuagem", "Atrás da Porta", "Olhos nos Olhos", "O Meu Amor", "O que Será", "Meus Caros Amigos", "Homenagem ao Malandro", "Bye Bye Brasil", "Beatriz", "Vai Passar", "Construção", entre tantas outras, colocam Chico como um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos. Nos últimos anos, tem se dedicado mais a literatura. Seu disco mais recente, lançado em 2011, depois de um longo intervalo, teve boa acolhida da crítica, mostrando que o seu talento continua intacto. Tímido, avesso às entrevistas, Chico, no entanto, se comunica através de suas letras, sempre inspiradas. Nos 70 anos de Chico Buarque, nós é que estamos de parabéns pelo privilégio de poder fruir a obra de um compositor de tão alto nível.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Vexame histórico

A derrota da Espanha por 2 x 0 para o Chile, hoje, no Maracanã, é um vexame histórico. Atual campeã mundial, e bicampeã europeia, a Espanha já está eliminada da Copa do Mundo, mesmo ainda faltando uma rodada para terminar a primeira fase. A goleada de 5 x 1 para a Holanda, na estreia, já dava indícios do que hoje se confirmou, isto é, o ciclo dessa equipe multicampeã chegou ao fim. Para continuar a frequentar o grupo das melhores seleções, a Espanha terá de empreender uma intensa renovação. Menos mal que a Espanha é a atual bicampeã europeia sub-21, o que indica que os novos valores tão necessários estão sendo revelados. Porém, isso é o futuro. No momento, o que resta para a Espanha é uma despedida melancólica da Copa, contra a Austrália, outra equipe que já está eliminada, na Arena da Baixada. Um anticlímax para quem chegou ao Brasil como uma das favoritas para o título.