sexta-feira, 16 de maio de 2014
A compra da Arena
Em meio a tantas desilusões, os torcedores do Grêmio estão, nos últimos dias, tomados pelo entusiasmo quanto a possibilidade de o clube ficar com a Arena só para si, e não mais em parceria com a construtora OAS. Claro que isso não vai acontecer de uma hora para a outra, pois envolve muito dinheiro, mas, ao contrário do que muitos possam pensar, não se trata de um sonho delirante. A razão para isso é bastante simples. Os estádios, por mais modernos e multiuso que sejam, como é o caso das novas arenas do futebol brasileiro, não são empreendimentos altamente rentáveis. Eles até podem dar algum retorno financeiro, mas nunca na medida sonhada pelas empreiteiras que firmaram parcerias com clubes ou com o poder público, no caso dos estádios municipais e estaduais. Por falta de familiaridade com o futebol, tais empresas julgaram poder fazer dos novos e confortáveis estádios uma verdadeira "mina de ouro", essa sim uma visão delirante. Voltadas, prioritariamente, para atividades que nada tem a ver com o futebol, e confrontadas com a frustração de suas expectativas iniciais quanto à rentabilidade dos estádios, novos ou reformados, a tendência é que, com o tempo, todas as construtoras abandonem as parcerias estabelecidas. Desse modo, os estádios particulares voltariam a pertencer unicamente aos clubes, e os demais voltariam a ser inteiramente públicos. Não será da noite para o dia, e a mudança exigirá muita negociação e dinheiro, mas me parece ser um desfecho inevitável. Empreiteiras são empresas que visam grandes lucros, e já perceberam que os estádios, como empreendimento, estão longe de proporcioná-los. Os gremistas não estão vibrando em vão. Seu sonho tem tudo para se tornar realidade.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
O mesmo receituário de sempre
A revista "Veja" continua sempre empenhada na disseminação dos conceitos neoliberais. Com a proximidade das eleições, então, o proselitismo direitista da publicação torna-se ainda mais sistemático. A ladainha é sempre a mesma, isto é, a de que um país, para acertar na condução da sua economia, precisa adotar medidas "dolorosas" e "imprescindíveis", pois só elas podem levar ao "crescimento sustentado". Dessa vez, a revista utilizou-se do exemplo de Portugal para sustentar suas ideias. Conforme "Veja", Portugal vive o seu melhor momento na economia desde 2010. Isso seria resultante de medidas tomadas pelo governo português como o combate a gastos em obras desnecessárias, corte de benefícios sociais de quem não precisava recebê-los, redução de encargos trabalhistas e abertura da economia. O curioso é que a mesma matéria que apregoa tais "acertos" revela que sete em cada dez portugueses reprovam o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A própria revista afirma que o caminho para a recuperação de Portugal ainda está longe do fim e continuará doloroso para os seus cidadãos, mas expressa a convicção de que a "esperança", depois de muitos anos, está erguida sobre bases sólidas, e que o desafio é não ceder à "tentação populista" nas eleições de 2015. Esse é o mesmo receituário de sempre, por parte da publicação e dos neoliberais como um todo. Os investidores e empresários precisam de "bases sólidas" para fazerem a economia crescer e "gerar empregos". Para os demais cidadãos, resta acreditar em dias melhores e viver de esperança. Não é por acaso que os defensores de tais teorias se empenhem tanto em derrubar o atual governo brasileiro. Eles não aguentam mais esperar pela volta de um governo que venda patrimônio público em troca de moedas podres, favoreça os mais bem situados financeiramente, estimule a "meritocracia" e que se proponha a "modernizar" a legislação trabalhista. Os portugueses já deixaram claro o que acham de tal política econômica. Os brasileiros, também, e haverão de reafirmá-lo nas eleições de outubro.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
O Brasil está fora da Libertadores
Com o empate de 1 x 1 do Cruzeiro com o San Lorenzo, hoje, no Mineirão, o Brasil está fora da Libertadores de 2014. O Brasil começou a competição com seis clubes, e todos já foram eliminados. Um fracasso rotundo, que chama a atenção. Afinal, as últimas quatro edições da Libertadores haviam sido ganhas por clubes brasileiros. Afora isso, é a primeira vez nos últimos 23 anos que nenhum clube brasileiro chegou sequer às semifinais. Esse mau desempenho na Libertadores, somado ao baixo nível técnico que tem se verificado nas competições em âmbito interno no país, mostram que o futebol brasileiro passa por um preocupante período de entressafra. Uma outra evidência disso é que a Seleção Brasileira que irá defender o pais na Copa do Mundo tem apenas um jogador de exceção, Neymar. Um contraste com seleções como as de 1958 e 1970, recheadas de craques. Por força da Copa, temos muitos estádios bonitos e modernos, entre novos e reformados, mas os jogadores que neles se apresentam deixam a desejar. Se, por um lado, os ingressos encarecem, como consequência de estádios menores e mais confortáveis, por outro, o futebol praticado no país empobrece. Enquanto o modesto Nacional, do Paraguai, classificou-se para as semifinais da Libertadores, gigantes do futebol brasileiro como Grêmio, Flamengo, Cruzeiro, Atlético Mineiro e Botafogo ficaram pelo caminho. No momento, o futebol no Brasil prima mais pela forma, com seus belos estádios, do que pelo conteúdo, dada a reduzida qualidade da maioria dos jogos. Uma possível conquista da Copa poderia injetar um novo ânimo no futebol brasileiro. Caso contrário, a tendência é termos estádios bonitos e com pouco público, afugentado pelos preços altos e pela precariedade técnica das partidas.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Diferenças
Convencido, finalmente, de que precisa de um lateral direito, e de que ainda não encontrou o meia-armador de que necessita, o Grêmio estaria buscando no exterior a solução para tais problemas. As informações dão conta de que os jogadores desejados seriam o lateral direito Rodriguez, do Sampdoria, e o armador Fernandez, da Fiorentina. Ambos são argentinos, com passagem pelo futebol chileno, e viriam por empréstimo até o final do ano. Rodriguez tem 28 anos, e Fernandez, 27, são reservas em seus clubes e estão insatisfeitos. Esse tipo de contratações, caso elas venham a se concretizar, apenas confirmariam que o Grêmio não aprende com os próprios erros, e segue repetindo ações equivocadas que fazem com que viva um exasperante jejum de títulos. Vejamos a comparação com o seu maior rival, e ficará claro porque o Grêmio não acha o caminho das conquistas. As diferenças são evidentes. O Inter contratou Aránguiz, de 24 anos, titular absoluto da seleção do Chile, por empréstimo até a metade do ano. Como o jogador mostrou enorme qualidade, está tratando de adquiri-lo em definitivo. Agora, irá trazer Luque, uma jovem revelação argentina, de 21 anos, do Colón. Enquanto o Inter contrata jogadores jovens, afirmados como Aránguiz e promissores como Luque, o Grêmio busca resolver carências do seu time com jogadores obscuros e rodados. A probabilidade de que fracassem, claro, é muito grande. Assim, a tendência é que o Grêmio continue a carecer de soluções para a lateral direita e para a armação. A justificativa dada por muitos, de que o problema do Grêmio é a falta de recursos financeiros, é inconvincente. Afinal, quem alega ter pouco dinheiro não poderia gastar mais de R$ 1 milhão por mês apenas com os salários de Kléber e Barcos. Sem quebrar esse círculo vicioso de iniciativas que só levam ao fracasso, o Grêmio seguirá perdendo por muitos anos, para desconsolo do seu torcedor.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Voto obrigatório
Uma pesquisa do Instituto Datafolha revela que 61% das pessoas consultadas são contra o voto obrigatório, o maior índice já verificado no Brasil. Embora possa parecer contraditório para um livre pensador e defensor da liberdade individual, acho que o fim do voto obrigatório seria um desastre para o Brasil. A própria pesquisa sobre o assunto me parece mais uma das tantas tentativas da direita brasileira de moldar o cenário eleitoral aos seus interesses. Antes de sair por aí dando discursos contra a obrigatoriedade do voto, por ser algo supostamente antidemocrático, pensemos, objetivamente, que vantagem teríamos com a adoção do voto facultativo? No meu entendimento, nenhuma. A "qualidade" do voto não se tornaria maior pelo fato dele ser opcional. O que aconteceria é que as classes mais privilegiadas economicamente, ciosas da defesas dos seus interesses, continuariam a votar. Os demais deixariam de fazê-lo, favorecendo a elitização das eleições. Afora isso, muitos eleitores pobres e despolitizados passariam a vender seus votos, dispondo-se a sufragar o nome de qualquer candidato, em troca de dinheiro. Convenhamos, também, que votar não exige nenhum sacrifício. As seções eleitorais são sempre próximas das residências dos eleitores, os que tem deficiências recebem tratamento especial, e, para os que tem mais de 70 anos, o voto já é facultativo. Não há nada que justifique alguém querer eximir-se do ato de votar, a não ser uma enorme ignorância política. O Brasil tem muito mais com o que se preocupar do que em discutir a obrigatoriedade do voto. O voto obrigatório é garantia de pleitos mais abrangentes, concedendo aos eleitos maior legitimidade. Sua extinção só favoreceria as elites predatórias. Para o bem do Brasil, a obrigatoriedade do voto jamais deveria ser revogada.
domingo, 11 de maio de 2014
Vitória indispensável
Em campeonatos de pontos corridos, é indispensável, para os clubes grandes, e com maiores pretensões, que vençam os adversários mais fracos, independentemente se o jogo for em casa ou fora. Nesse sentido, a vitória do Grêmio por 2 x 1 sobre a Chapecoense, hoje à tarde, pelo Campeonato Brasileiro, foi um dever cumprido. O Grêmio não chegou a fazer uma grande atuação, alguns jogadores tiveram desempenhos pálidos, mas o time ganhou, e isso é o que importa. O grande destaque do jogo foi Barcos, autor dos dois gols do Grêmio, que, dessa forma, atenua, em parte, as críticas que vem recebendo quanto à sua produção em campo. A Chapecoense tem um time modesto, e é forte candidata ao rebaixamento. Por isso, em condições normais, talvez o Grêmio devesse ter uma vitória mais afirmativa do que a obtida hoje. Porém, nas atuais circunstâncias, com o Grêmio enfrentando uma crise técnica e de confiança, foi o suficiente. Tendo jogado apenas uma partida em casa, e três fora, o Grêmio faz uma boa campanha, em termos de números, no Brasileirão, e já está em sétimo lugar. Os resultados estão sendo melhores que o futebol praticado pelo time, é verdade, mas isso é um bom sinal. Afinal, se conseguir evoluir tecnicamente, o Grêmio tende a crescer ainda mais na competição.
sábado, 10 de maio de 2014
Vitória previsível
A vitória do Inter por 2 x 1, de virada, sobre o Atlético Paranaense, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, é o que se pode chamar de previsível. O Inter foi beneficiado pela tabela nas nove rodadas antes da Copa do Mundo. Desses jogos, faz cinco como mandante, e quatro como visitante. Só duas dessas partidas serão contra clubes grandes. O maior rival do Inter, o Grêmio, faz quatro jogos como mandante e cinco como visitante. Nesses jogos, o Grêmio enfrentará seis clubes grandes. Com uma tabela tão camarada, seria de se esperar que o Inter alcançasse a liderança, como de fato aconteceu. Hoje, o Inter dormirá líder do Brasileirão. Se, amanhã, Corinthians e Cruzeiro não ganharem os seus jogos, o Inter terminará a rodada como líder isolado da competição. Será, sem dúvida, um fator de estímulo e confiança para o grupo, mas a tabela não vai ajudar sempre. Depois da Copa é que tudo irá se decidir.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Cinema brasileiro
Não são poucos os brasileiros que desdenham do cinema produzido no país. Alegam que ele é de má qualidade, que não se compara ao que é feito em outros países. Essa é uma visão falsa e preconceituosa. A produção cinematográfica brasileira é, hoje, bastante expressiva em termos quantitativos. Ainda que grande parte desses filmes sejam comédias de fácil assimilação, há também obras de maior fôlego. Um exemplo disso é o filme "Getúlio", que está em cartaz há duas semanas, em todo o país. Ele aborda os últimos 19 dias de vida de Getúlio Vargas, o maior presidente brasileiro. No ano em que se completam 60 anos da morte de Vargas, o filme se debruça sobre esse importante momento da vida política brasileira, em que um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda resulta na morte do major da Aeronáutica Rubens Tolentino Vaz, e em seu desdobramento leva Getúlio ao suicídio. O filme tem atuações marcantes de Tony Ramos, como Getúlio, e Drica Moraes, como sua filha, Alzira. Um filme que mostra a capacidade brasileira de fazer bom cinema, como já foi demonstrado tantas vezes anteriormente. Certamente, quem o assistir, se convencerá de que o cinema brasileiro é capaz de fazer trabalhos de grande nível. O fantasma das limitações técnicas, que resultavam num péssimo áudio, por exemplo, ficou no passado. O cinema brasileiro merece ser prestigiado.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Jair Rodrigues
O Brasil perdeu, hoje, Jair Rodrigues, um de seus artistas mais carismáticos. Jair gravou seu primeiro disco há exatos 50 anos, e logo alcançou o sucesso. Sua interpretação de "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros, no festival da TV Record, em 1966, é uma das mais antológicas da televisão brasileira. Em dupla com Elis Regina, fez sucesso em disco e na televisão. O auge de sua carreira foi nos anos 60, mas ele jamais saiu de cena. Mesmo que já não tivesse, nos últimos anos, a mesma exposição na mídia de épocas anteriores, continuava com uma extensa agenda de shows e lançando novos trabalhos. Encantava pela sua alegria e espontaneidade. Exibia um permanente bom humor. Jair Rodrigues era o tipo de pessoa que colecionava amigos. Vários deles, aliás, disseram, ao saber de seu falecimento, que tinham a impressão de que ele jamais morreria. Marcou sua presença, também, pela versatilidade, cantando vários gêneros musicais. Seus dois filhos, Jair Oliveira e Luciana Mello seguiram a carreira do pai, e também tornaram-se cantores. Num mundo de tanta negatividade, pessoas como Jair Rodrigues são indispensáveis, pela alegria e positividade. Por isso mesmo, quando morrem, a lacuna que deixam é imensa. No caso de Jair Rodrigues permanecem, no entanto, na memória das pessoas, os grandes sucessos que atravessam os anos, e a simpatia que contagiava a todos.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Convocação coerente
A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, divulgada hoje pelo técnico Luiz Felipe Scolari, foi bastante coerente. Com exceção de Henrique, cujo nome era pouco aventado pela imprensa, os demais jogadores chamados estão dentro do que era esperado. Ao contrário de outras Copas, dessa vez não havia nenhum jogador cuja convocação fosse reclamada pela opinião pública, como Romário em 2002, e Neymar em 2010. Em contraste com seu antecessor no cargo, Mano Menezes, que convocou 102 jogadores, Felipão, desde que reassumiu a Seleção, chamou, apenas, 49. Sua convocação final para a Copa, portanto, não poderia mesmo ter grandes surpresas. A Seleção possui um único jogador de exceção, Neymar. De resto, é uma equipe mediana, o que não lhe tira a possibilidade de ser campeã. A zaga talvez seja, mesmo, o setor mais discutível. Miranda vive grande fase no Atlético de Madrid, e poderia ter sido chamado. Henrique também é bom jogador, afora ser versátil e homem de confiança de Felipão, com quem trabalhou no Palmeiras. Nesse caso, Felipão poderia ter deixado Dante de fora, pois, embora sempre tenha sido convocado pelo técnico, parece bem inferior aos outros dois. Seja como for, a convocação, no geral, foi justa e equilibrada. A sorte está lançada. Agora, é tudo com Felipão e seus 23 convocados.
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