domingo, 26 de janeiro de 2014
Superioridade absoluta
O fosso técnico existente entre a dupla Gre-Nal e os demais clubes do Campeonato Gaúcho é enorme, uma superioridade absoluta. A cada ano, o Gauchão parece ficar mais fraco. Para se ter uma ideia, o Inter, jogou, até agora, três partidas na competição, sempre com o seu time sub-23, e ganhou todas. O Grêmio também jogou três partidas, duas com o time sub-20 e uma com o principal. Perdeu uma, com o time sub-20, num jogo em grama sintética, com temperatura de 40 graus, mas ganhou as outras duas e já é líder do seu grupo. Na rodada desse fim de semana, só Grêmio e Inter venceram seus jogos, as demais partidas terminaram empatadas. O Inter foi o primeiro a jogar. Enfrentou um Passo Fundo animado, no Vermelhão da Serra, e saiu na frente logo no início do jogo, sofrendo o empate pouco depois, mas, no segundo tempo, fez o gol da vitória por 2 x 1. Aylon, que marcou o primeiro gol, e fez a jogada do segundo, mais uma vez se destacou. Como já se esperava, o Grêmio, jogando com o seu time principal, não teve dificuldade para ganhar do Aimoré, que tinha perdido os dois jogos que realizara. Goleou por 4 x 0, com grandes atuações de Máxi Rodriguez e Wendel, boas participações de Barcos e Riveros, e um desempenho apagado de Kléber, novamente. Marcelo Grohe fez uma defesa excepcional, e outras muito boas. Descontada a fragilidade do adversário, o Grêmio teve uma atuação bastante satisfatória, coletiva e, com poucas exceções, individualmente. Porém, é bom reiterar que o campeonato estadual não serve para parâmetro. Só quando as competições de maior nível começarem poderemos avaliar a verdadeira capacidade dos times de Grêmio e Inter.
sábado, 25 de janeiro de 2014
O campeonato do absurdo
Os campeonatos estaduais são, sabidamente, competições anacrônicas, de baixíssimo nível técnico. A triste realidade de estádios vazios, repete-se, em todos eles, pelo país afora. Porém, nada se compara ao Campeonato Gaúcho. Não bastasse o público ridículo da quase totalidade dos jogos, temos, agora, partidas disputadas com portões fechados, mesmo sem uma punição que obrigue a adoção da medida. No espaço de quatro dias, entre a quinta-feira passada e o próximo domingo, dois jogos terão sido realizados sem a presença de torcedores. O primeiro, na quinta-feira, foi o jogo Cruzeiro 2 x 1 São José. O mandante da partida era o Cruzeiro, cujo novo estádio ainda não está em condições de utilização. O clube,então, solicitou à Federação Gaúcha de Futebol que o jogo fosse realizado no estádio Parque Lami, do extinto Porto Alegre, na zona sul da cidade. O estádio, no entanto, não foi liberado pela vistoria para receber torcedores, e o jogo só foi autorizado para realização com portões fechados. No mesmo dia, o jogo São Paulo, de Rio Grande x Brasil, de Pelotas, foi transferido para 12 de fevereiro, pois o estádio Aldo Dapuzzo foi reprovado pela vistoria. Como, no domingo, a tabela marcava outra partida do São Paulo em casa, contra o Esportivo, ela foi transferida para o estádio da Boca do Lobo, do Pelotas. Aí aconteceu outro fato insólito, com a Brigada Militar de Pelotas dizendo não dispor de efetivo para dar segurança ao jogo. Decidiu-se, então, novamente, pelo recurso dos portões fechados. Um autêntico absurdo, como tantos outros dessa competição bizarra. Como diria aquele personagem de um antigo programa humorístico, perguntar não ofende. Se o jogo será sem público, porque não fazê-lo no próprio Aldo Dapuzzo? Em 2013, o Campeonato Gaúcho teve uma das piores médias de público da sua história. Na ocasião, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, questionado sobre o fato enquanto passava férias em Nova York, mostrou-se indiferente, justificando que a verba de televisão compensa a ausência de torcedores no estádio. Diante de uma afirmação como essa, pode-se esperar o quê do chamado Gauchão? O pior é que não se vê nenhuma reação concreta dos clubes e da imprensa, e Noveletto, que está há um longo período no cargo, pensa, agora, em ser presidente da CBF! Coitado do futebol brasileiro.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Protestos
Os protestos e reivindicações são instrumentos legítimos da sociedade, mas o que está acontecendo e o que se prevê que irá ocorrer no país em 2014 não é nada bom. As manifestações começam pacíficas, para, mais tarde, degenerar em atos de vandalismo. O mote por trás desse tipo de comportamento seria a revolta com os "gastos excessivos da Copa", em detrimento de recursos para a saúde e educação. Por várias vezes, manifestei meu pensamento a respeito e acho desnecessário detalhá-lo. Em resumo, ao contrário de tantos companheiros de imprensa, sempre fui totalmente favorável a realização da Copa do Mundo no Brasil. A tendência é que, conforme o que já se verificou na Copa das Confederações, em 2013, o país seja varrido por uma série de protestos durante a Copa do Mundo de 2014. O mais incrível é que, mesmo quando as manifestações se transformam em baderna, as forças de segurança não intervém. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, inclusive, já declarou que esse continuará sendo o procedimento quando ocorrerem novos protestos, já que, ontem, a Brigada Militar não interferiu em uma manifestação no centro de Porto Alegre quando foram depredadas caçambas de lixo e quebradas vidraças. Essa postura tem, por certo, motivação eleitoral, pois candidatos a reeleição como Tarso e a presidente Dilma Rousseff serão em outubro próximo, não querem sofrer, nas urnas, a consequência de serem apontados como ordenadores de ações de repressão aos protestos. Dessa forma, tudo se encaminha para que tenhamos uma Copa que chame a atenção muito mais por tumultos fora dos estádios do que pelo que irá ocorrer dentro de campo. O pior é que a única consequência prática disso será um enorme desgaste da imagem do Brasil no exterior. Com ou sem Copa, a saúde e a educação continuarão a ser tão negligenciadas como sempre foram no país.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Reabilitação
Contrariando expectativas, pois tinha jogado muito mal e perdido para o São José, no domingo, o time sub-20 do Grêmio venceu o Lajeadense por 2 x 1, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, e obteve a sua reabilitação. O Grêmio foi melhor que seu adversário ao longo do jogo, embora mostrasse fragilidade defensiva. O goleiro Follmann, mais uma vez, mostrou-se falho, e a defesa cedia muitos escanteios, levando desvantagem na bola aérea. O primeiro tempo terminou com vitória parcial do Grêmio por 1 x 0, depois que Éverton apenas empurrou a bola para as redes depois de uma grande jogada de Breno. porém, no segundo tempo, a inferioridade nas disputas de bola pelo alto cobrou seu preço, e o Lajeadense empatou. Tudo parecia se encaminhar para mais um tropeço do Grêmio, quando, aos 42 minutos, um pênalti claro, cobrado por Canhoto, resultou no gol da vitória. No domingo, novamente na Arena, o Grêmio estreará o seu time principal contra o Aimoré. Um jogo muito propício para conseguir mais uma vitória e o início de uma arrancada no Gauchão.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Cardápio conhecido
O Campeonato Gaúcho é incapaz de apresentar novidades. Todos os anos é servido o mesmo cardápio, com jogos ruins e arbitragens que sempre favorecem um mesmo clube, o Inter. Hoje, no Estádio do Vale, não foi diferente. O time sub-23 do Inter venceu o Novo Hamburgo por 2 x 1. O detalhe é que o Inter, depois de abrir dois gols de vantagem, sofreu um do Novo Hamburgo, que passou a pressionar em busca do empate. Aí, a arbitragem fez a sua parte. Um pênalti claro em favor do Novo Hamburgo não foi marcado, e dois gols do time foram anulados. Dessa forma, fica fácil entender porque o Inter é o atual tricampeão gaúcho e detém o maior número de títulos da competição. O técnico do Novo Hamburgo, Itamar Schüle, revoltado, protestou e foi expulso. Schüle, certamente, será julgado, e talvez venha a ser suspenso. Ele ainda irá aprender que é inútil protestar contra o clube que tem como um dos integrantes de seu Conselho Deliberativo o presidente da Federação Gaúcha de Futebol.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Decisão caseira
Depois de jogos envolvendo 104 clubes, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a mais tradicional competição do gênero no Brasil, já tem os seus finalistas definidos. No próximo sábado, Corinthians e Santos decidirão o título da competição. Será uma grande decisão, pois com dois grandes clubes do próprio estado onde se realiza a disputa, o estádio deverá estar lotado. Um ótimo teste para garotos em busca de afirmação, que, em geral, jogam para públicos bem menores. Pelo prestígio da Copa São Paulo, a partida também deverá ser acompanhada com interesse em todo o país. Ao longo de sua existência, a Copa São Paulo serviu de palco para o surgimento de futuros craques do futebol brasileiro. A esperança é que isso continue a acontecer, garantindo a necessária renovação do futebol mais vitorioso do mundo. Os dois clubes finalistas tem, nos últimos anos, se destacado por seu trabalho nas categorias inferiores. No momento, o time do Santos parece melhor, mas em um clássico de tamanha tradição, tudo pode acontecer. Será a primeira grande decisão de 2014. Para quem gosta de futebol, um espetáculo imperdível.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Reminiscências
Certas notícias tem o poder de nos remeter às reminiscências, algo tanto mais inevitável quanto mais se tenha vivido. Foi o que aconteceu comigo ao tomar conhecimento da morte de Márcio Antonucci, ex-integrante da dupla "Os Vips", de grande sucesso no tempo da Jovem Guarda. Eu ainda residia na minha terra natal, Rio Grande, quando a Jovem Guarda irrompeu no meio musical brasileiro. Mesmo sendo apenas uma criança, não fiquei incólume ao seu apelo. Afinal, as músicas da Jovem Guarda tinham melodias de fácil assimilação e letras simples, bem ao gosto de uma criança. Como não gostar de "Eu sou terrível", com Roberto Carlos, "Festa de Arromba", com Erasmo Carlos, "Prova de Fogo", com Wanderléa, "Pobre Menina", com Leno e Lilian, "Coruja", com Deni e Dino? Eram músicas que os críticos mais exigentes tachavam, muitas vezes, de simplórias, mas que "grudavam" no ouvido e se tornaram grandes sucessos. Os Vips foi uma dupla que também obteve grande êxito na época. Seu maior sucesso foi a música "A Volta", composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. A exemplo de quase todos os astros da Jovem Guarda, à exceção de Roberto e Erasmo, os Vips mergulharam no ostracismo a partir dos anos 70, mas não ha quem tenha vivido naquela época que não se recorde deles. Márcio Antonucci faleceu aos 68 anos, uma morte um tanto precoce nos dias de hoje. Foi um homem bem sucedido. Depois de sua fase como cantor, trabalhou em grandes redes de tv, como Globo, Record e SBT. Chegou a ser casado com outra figura famosa da Jovem Guarda, Lilian, da dupla com Leno. A notícia de sua morte, ao mesmo tempo que me faz encarar a óbvia realidade da finitude de todos nós, me remete a uma viagem no tempo, em minha infância, enquanto o rádio tocava "A Volta": "Estou guardando o que há de bom em mim"... Impossível não se deixar levar pelas lembranças de um período de minha vida, importante e já tão distante.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Filme antigo
O Grêmio não ganha um grande título há treze anos, e mesmo o modesto Campeonato Gaúcho não consegue conquistar há quatro. Como se costuma dizer no Rio Grande do Sul, só há uma coisa pior do que ganhar o Gauchão, é perdê-lo. O Inter já tem uma vantagem de seis títulos gaúchos sobre o Grêmio ao longo da história. O fato não pode surpreender ninguém. Nos últimos anos, o Grêmio tem negligenciado cada vez mais a competição, sob o pretexto de priorizar outras disputas. Foram raras as vezes, na atual década, em que o Grêmio se fez representar por seus titulares em jogos do campeonato estadual. O resultado prático disso são derrotas para adversários inexpressivos que comprometem a imagem do clube. Hoje, esse filme, já tantas vezes visto, voltou a ser exibido. Ainda que tenha jogado num ridículo gramado sintético, sob uma temperatura altíssima, não há como se aceitar a derrota do time sub-20 do Grêmio para o modestíssimo São José, por 1 x 0, no Passo da Areia. Na véspera, o Inter, mesmo jogando com seu time sub-23, fez valer sua grandeza e ganhou do São Luiz por 2 x 0. A obrigação do Grêmio era, do mesmo modo, se impor sobre seu fraco adversário. Ao contrário, o que se viu foi uma atuação deprimente dos jovens jogadores do Grêmio. O time gremista jamais levou perigo ao adversário, e ainda tomou um gol numa falha patética de sua defesa. Mesmo sofrendo o gol aos 34 minutos do primeiro tempo, e, portanto, com muito jogo pela frente para buscar uma reação, o Grêmio em momento algum deu a ideia de que iria fazê-lo. Para o torcedor fica a desolação de começar um novo ano com uma derrota, em paralelo com uma vitória de seu maior rival. Um filme antigo e constantemente reprisado, que o torcedor não aguenta mais assistir.
sábado, 18 de janeiro de 2014
Precariedade técnica
Por mais que alguns se esforcem, não dá para vender a ideia de que os campeonatos estaduais são competições interessantes. Hoje, a maioria dos campeonatos estaduais teve início, e a confirmação da precariedade técnica deles ocorreu já na primeira rodada. Foi o caso do Campeonato Gaúcho. O Inter, representado por seu time sub-23, fez sua estreia no Gauchão. Ainda sem poder utilizar o Beira-Rio, o Inter, como mandante, jogou no Estádio do Vale, em Novo Hamburgo, e venceu o São Luiz, de Ijuí, por 2 x 0. Com esse mesmo time, o Inter, em amistosos, perdeu para o Cruzeiro (RS) , empatou com o Esportivo, de Bento Gonçalves, e foi derrotado pelo Pelotas, na decisão da Recopa Gaúcha, numa partida em que ganhava por 2 x 0, com um homem a mais, e permitiu a virada para 3 x 2. Pois mesmo com tamanha demonstração de fragilidade, o Inter sub-23 não teve dificuldade para ganhar do São Luiz. Nem mesmo o fato de contar com um técnico experiente no futebol do Rio Grande do Sul como Beto Almeida, e de ter realizado várias contratações, fez com que o São Luiz levasse qualquer perigo ao modesto time que entrou em campo pelo Inter. O que só comprova o absurdo de um campeonato que mistura clubes que já foram campeões mundiais, como Grêmio e Inter, com outros que sequer pertencem a alguma divisão do futebol brasileiro. Os campeonatos estaduais representam três meses desperdiçados no calendário dos grandes clubes, disputando jogos sem nenhum atrativo, para um público diminuto. Um absurdo que teima em se perpetuar.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Provocação
O presidente do Inter, Giovanni Luigi, está longe de fazer um bom trabalho. Em seu último ano de mandato, Luigi necessita que o Inter tenha um grande desempenho em 2014 para que ele possa sair com a imagem menos desgastada. Até aqui, na comparação com os dois presidentes anteriores, Fernando Carvalho e Vitório Píffero, seu trabalho é muito fraco. Ainda assim, Luigi encontra tempo para dar "alfinetadas" no maior rival, o Grêmio, destacando a satisfação pela volta ao Beira-Rio, frisando que o estádio "é nosso". O comentário de Luigi é uma clara alusão ao relacionamento conturbado entre Grêmio e OAS, que faz com que a Arena apresente restrições de utilização por parte do clube. A resposta à provocação de Luigi não tardou. O vice-presidente do Grêmio, Nestor Hein, disse que o palhaço fica excitado diante de uma lona nova, numa referência à reforma do velho Beira-Rio. Houve quem achasse, na imprensa, que a resposta de Hein foi muito agressiva, e desproporcional ao que havia sido dito por Luigi. Não concordo. Hein, mesmo sendo um homem elegante, deu a resposta contundente que Luigi merecia. Ele, embora a imprensa esportiva do Rio Grande do Sul, majoritariamente identificada com o Inter, tente lhe atribuir grandes qualidades, é um presidente tíbio e atrapalhado, sob cuja administração os resultados de campo despencaram. Não está, portanto, em condições de "alfinetar" ninguém. A rude, mas acertada, resposta de Nestor Hein apenas confirma o que expressa o ditado, isto é, quem diz o que quer, ouve o que não quer.
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