quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Reabilitação

Contrariando expectativas, pois tinha jogado muito mal e perdido para o São José, no domingo, o time sub-20 do Grêmio venceu o Lajeadense por 2 x 1, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, e obteve a sua reabilitação. O Grêmio foi melhor que seu adversário ao longo do jogo, embora mostrasse fragilidade defensiva. O goleiro Follmann, mais uma vez, mostrou-se falho, e a defesa cedia muitos escanteios, levando desvantagem na bola aérea. O primeiro tempo terminou com vitória parcial do Grêmio por 1 x 0, depois que Éverton apenas empurrou a bola para as redes depois de uma grande jogada de Breno. porém, no segundo tempo, a inferioridade nas disputas de bola pelo alto cobrou seu preço, e o Lajeadense empatou. Tudo parecia se encaminhar para mais um tropeço do Grêmio, quando, aos 42 minutos, um pênalti claro, cobrado por Canhoto, resultou no gol da vitória. No domingo, novamente na Arena, o Grêmio estreará o seu time principal contra o Aimoré. Um jogo muito propício para conseguir mais uma vitória e o início de uma arrancada no Gauchão.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Cardápio conhecido

O Campeonato Gaúcho é incapaz de apresentar novidades. Todos os anos é servido o mesmo cardápio, com jogos ruins e arbitragens que sempre favorecem um mesmo clube, o Inter. Hoje, no Estádio do Vale, não foi diferente. O time sub-23 do Inter venceu o Novo Hamburgo por 2 x 1. O detalhe é que o Inter, depois de abrir dois gols de vantagem, sofreu um do Novo Hamburgo, que passou a pressionar em busca do empate. Aí, a arbitragem fez a sua parte. Um pênalti claro em favor do Novo Hamburgo não foi marcado, e dois gols do time foram anulados. Dessa forma, fica fácil entender porque o Inter é o atual tricampeão gaúcho e detém o maior número de títulos da competição. O técnico do Novo Hamburgo, Itamar Schüle, revoltado, protestou e foi expulso. Schüle, certamente, será julgado, e talvez venha a ser suspenso. Ele ainda irá aprender que é inútil protestar contra o clube que tem como um dos integrantes de seu Conselho Deliberativo o presidente da Federação Gaúcha de Futebol.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Decisão caseira

Depois de jogos envolvendo 104 clubes, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a mais tradicional competição do gênero no Brasil, já tem os seus finalistas definidos. No próximo sábado, Corinthians e Santos decidirão o título da competição. Será uma grande decisão, pois com dois grandes clubes do próprio estado onde se realiza a disputa, o estádio deverá estar lotado. Um ótimo teste para garotos em busca de afirmação, que, em geral, jogam para públicos bem menores. Pelo prestígio da Copa São Paulo, a partida também deverá ser acompanhada com interesse em todo o país. Ao longo de sua existência, a Copa São Paulo serviu de palco para o surgimento de futuros craques do futebol brasileiro. A esperança é que isso continue a acontecer, garantindo a necessária renovação do futebol mais vitorioso do mundo. Os dois clubes finalistas tem, nos últimos anos, se destacado por seu trabalho nas categorias inferiores. No momento, o time do Santos parece melhor, mas em um clássico de tamanha tradição, tudo pode acontecer. Será a primeira grande decisão de 2014. Para quem gosta de futebol, um espetáculo imperdível.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Reminiscências

Certas notícias tem o poder de nos remeter às reminiscências, algo tanto mais inevitável quanto mais se tenha vivido. Foi o que aconteceu comigo ao tomar conhecimento da morte de Márcio Antonucci, ex-integrante da dupla "Os Vips", de grande sucesso no tempo da Jovem Guarda. Eu ainda residia na minha terra natal, Rio Grande, quando a Jovem Guarda irrompeu no meio musical brasileiro. Mesmo sendo apenas uma criança, não fiquei incólume ao seu apelo. Afinal, as músicas da Jovem Guarda tinham melodias de fácil assimilação e letras simples, bem ao gosto de uma criança. Como não gostar de "Eu sou terrível", com Roberto Carlos, "Festa de Arromba", com Erasmo Carlos,  "Prova de Fogo", com Wanderléa, "Pobre Menina", com Leno e Lilian, "Coruja", com Deni e Dino? Eram músicas que os críticos mais exigentes tachavam, muitas vezes, de simplórias, mas que "grudavam" no ouvido e se tornaram grandes sucessos. Os Vips foi uma dupla que também obteve grande êxito na época. Seu maior sucesso foi a música "A Volta", composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. A exemplo de quase todos os astros da Jovem Guarda, à exceção de Roberto e Erasmo, os Vips mergulharam no ostracismo a partir dos anos 70, mas não ha quem tenha vivido naquela época que não se recorde deles. Márcio Antonucci faleceu aos 68 anos, uma morte um tanto precoce nos dias de hoje. Foi um homem bem sucedido. Depois de sua fase como cantor, trabalhou em grandes redes de tv, como Globo, Record e SBT. Chegou a ser casado com outra figura famosa da Jovem Guarda, Lilian, da dupla com Leno. A notícia de sua morte, ao mesmo tempo que me faz encarar a óbvia realidade da finitude de todos nós, me remete a uma viagem no tempo, em minha infância, enquanto o rádio tocava "A Volta": "Estou guardando o que há de bom em mim"... Impossível não se deixar levar pelas lembranças de um período de minha vida, importante e já tão distante.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Filme antigo

O Grêmio não ganha um grande título há treze anos, e mesmo o modesto Campeonato Gaúcho não consegue conquistar há quatro. Como se costuma dizer no Rio Grande do Sul, só há uma coisa pior do que ganhar o Gauchão, é perdê-lo. O Inter já tem uma vantagem de seis títulos gaúchos sobre o Grêmio ao longo da história. O fato não pode surpreender ninguém. Nos últimos anos, o Grêmio tem negligenciado cada vez mais a competição, sob o pretexto de priorizar outras disputas. Foram raras as vezes, na atual década, em que o Grêmio se fez representar por seus titulares em jogos do campeonato estadual. O resultado prático disso são derrotas para adversários inexpressivos que comprometem a imagem do clube. Hoje, esse filme, já tantas vezes visto, voltou a ser exibido. Ainda que tenha jogado num ridículo gramado sintético, sob uma temperatura altíssima, não há como se aceitar a derrota do time sub-20 do Grêmio para o modestíssimo São José, por 1 x 0, no Passo da Areia. Na véspera, o Inter, mesmo jogando com seu time sub-23, fez valer sua grandeza e ganhou do São Luiz por 2 x 0. A obrigação do Grêmio era, do mesmo modo, se impor sobre seu fraco adversário. Ao contrário, o que se viu foi uma atuação deprimente dos jovens jogadores do Grêmio. O time gremista jamais levou perigo ao adversário, e ainda tomou um gol numa falha patética de sua defesa. Mesmo sofrendo o gol aos 34 minutos do primeiro tempo, e, portanto, com muito jogo pela frente para buscar uma reação, o Grêmio em momento algum deu a ideia de que iria fazê-lo. Para o torcedor fica a desolação de começar um novo ano com uma derrota, em paralelo com uma vitória de seu maior rival. Um filme antigo e constantemente reprisado, que o torcedor não aguenta mais assistir.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Precariedade técnica

Por mais que alguns se esforcem, não dá para vender a ideia de que os campeonatos estaduais são competições interessantes. Hoje, a maioria dos campeonatos estaduais teve início, e a confirmação da precariedade técnica deles ocorreu já na primeira rodada. Foi o caso do Campeonato Gaúcho. O Inter, representado por seu time sub-23, fez sua estreia no Gauchão. Ainda sem poder utilizar o Beira-Rio, o Inter, como mandante, jogou no Estádio do Vale, em Novo Hamburgo, e venceu o São Luiz, de Ijuí, por 2 x 0. Com esse mesmo time, o Inter, em amistosos, perdeu para o Cruzeiro (RS) , empatou com o Esportivo, de Bento Gonçalves, e foi derrotado pelo Pelotas, na decisão da Recopa Gaúcha, numa partida em que ganhava por 2 x 0, com um homem a mais, e permitiu a virada para 3 x 2. Pois mesmo com tamanha demonstração de fragilidade, o Inter sub-23 não teve dificuldade para ganhar do São Luiz. Nem mesmo o fato de contar com um técnico experiente no futebol do Rio Grande do Sul como Beto Almeida, e de ter realizado várias contratações, fez com que o São Luiz levasse qualquer perigo ao modesto time que entrou em campo pelo Inter. O que só comprova o absurdo de um campeonato que mistura clubes que já foram campeões mundiais, como Grêmio e Inter, com outros que sequer pertencem a alguma divisão do futebol brasileiro. Os campeonatos estaduais representam três meses desperdiçados no calendário dos grandes clubes, disputando jogos sem nenhum atrativo, para um público diminuto. Um absurdo que teima em se perpetuar.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Provocação

O presidente do Inter, Giovanni Luigi, está longe de fazer um bom trabalho. Em seu último ano de mandato, Luigi necessita que o Inter tenha um grande desempenho em 2014 para que ele possa sair com a imagem menos desgastada. Até aqui, na comparação com os dois presidentes anteriores, Fernando Carvalho e Vitório Píffero, seu trabalho é muito fraco. Ainda assim, Luigi encontra tempo para dar "alfinetadas" no maior rival, o Grêmio, destacando a satisfação pela volta ao Beira-Rio, frisando que o estádio "é nosso". O comentário de Luigi é uma clara alusão ao relacionamento conturbado entre Grêmio e OAS, que faz com que a Arena apresente restrições de utilização por parte do clube. A resposta à provocação de Luigi não tardou. O vice-presidente do Grêmio, Nestor Hein, disse que o palhaço fica excitado diante de uma lona nova, numa referência à reforma do velho Beira-Rio. Houve quem achasse, na imprensa, que a resposta de Hein foi muito agressiva, e desproporcional ao que havia sido dito por Luigi. Não concordo. Hein, mesmo sendo um homem elegante, deu a resposta contundente que Luigi merecia. Ele, embora a imprensa esportiva do Rio Grande do Sul, majoritariamente identificada com o Inter, tente lhe atribuir grandes qualidades, é um presidente tíbio e atrapalhado, sob cuja administração os resultados de campo despencaram. Não está, portanto, em condições de "alfinetar" ninguém. A rude, mas acertada, resposta de Nestor Hein apenas confirma o que expressa o ditado, isto é, quem diz o que quer, ouve o que não quer.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O outro lado de uma profissão glamurosa

Certas profissões exercem um grande fascínio sobre as pessoas, pois a elas estão associadas a ideia de uma vida de fama e fortuna. Incluem-se, nesse caso, atividades como as de ator ou esportista. No caso da carreira de ator ou atriz, a grande exposição de imagem e a fama dela decorrente, exerce um grande fascínio sobres as pessoas. No entanto, nessa como em qualquer outra atividade, são poucos os que chegam ao topo, e muitos os que enfrentam dificuldades. Um exemplo disso é o que acontece com o ator Francisco Carvalho, que, em 2012, participou da novela "Salve Jorge". O papel de Carvalho era o do Seu Galdino, um comerciante solitário e rabugento que habitava a favela retratada na novela. Carvalho disse que está desempregado desde o final de "Salve Jorge", e que teve até de tirar um empréstimo para poder sustentar mulher e dois filhos. O ator já tem uma certa idade, está longe de ser um galã, e sempre fez papéis de coadjuvante. Ele diz que é disso que vive e pediu para que o chamem para novos trabalhos. Francisco Carvalho representa o lado duro de uma profissão marcada pela presença de grandes ídolos, adorados pelas multidões, que ocupam as capas de revistas e ganham altos salários. Embora, em seus trabalhos tenha a oportunidade de contracenar com eles, sua vida é muito diferente da dos grandes astros e estrelas. Carvalho, com suas dificuldades particulares, mostra que, nessa como em outras atividades, poucos são os eleitos, e muitos os excluídos.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Uma ideia a ser repensada

Diego Forlán não deverá ficar no Inter, indo, provavelmente para um clube do exterior. Em poucos dias, é o terceiro caso de um jogador estrangeiro caro e badalado que deixa a dupla Gre-Nal. O primeiro foi o chileno Vargas. Emprestado pelo Nápoli ao Grêmio, ele nunca repetiu no clube suas grandes apresentações pela seleção do Chile. Isso, somado ao alto valor dos seus direitos econômicos e a falta de recursos do clube, fez com que o Grêmio desistisse de manter o jogador. Há poucos dias, o argentino Scocco, vice-goleador da Libertadores de 2013, e por quem o Inter pagara um alto valor, comunicou que não queria permanecer no clube, por não ter "adrenalina" para jogar no futebol brasileiro. Agora, é o uruguaio Diego Forlán que está de saída. O jogador não mostrou um futebol compatível com a condição de quem foi escolhido o melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Os três exemplos parecem suficientes para que Grêmio e Inter repensem a ideia de contratar astros estrangeiros. Ao longo da história, Grêmio e Inter recorreram várias vezes à contratação de estrangeiros. Muitos foram bem sucedidos, como Ancheta, Figueroa, De León, Arce. Outros tantos, no entanto, fracassaram. As últimas contratações do gênero por parte da dupla Gre-Nal não tem sido bem sucedidas. Vargas, Scocco e Diego Fórlan, custaram caro, e vieram ganhando altos salários. Em campo, não justificaram tamanhos gastos. Numa época de contenção de custos como a que se apresenta, atualmente, no futebol brasileiro, convém repensar a ideia de contratar astros estrangeiros, alguns deles comprometidos em servir suas seleções em boa parte do ano. Em termos de relação custo-benefício, os resultados não tem sido satisfatórios.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Brasil dividido

A questão envolvendo os chamados "rolezinhos", reunião de jovens da periferia em shoppings centers, expõe, mais uma vez, a dramática divisão de classes existente no Brasil. Ela confirma a existência de uma Belíndia no país, termo cunhado pelo economista Edmar Bacha, citado vez por outra nesse espaço. Uma pequena e privilegiada porção da sociedade com um padrão de vida belga, de um lado, e enormes bolsões de pobreza ao estilo indiano, de outro. O lado belga tenta, o tempo inteiro, fugir do convívio com a parte indiana. Fecha-se em condomínios gradeados e de muros altos, procura frequentar espaços exclusivos, sem contato com a "ralé". Os shopping centers, templos de consumo são, no entender dos mais aquinhoados, um espaço que lhes pertence, e que não pode ser "invadido" por hordas de pobretões que vão descaracterizar o seu glamour e colocar em risco a sua segurança. Os brasileiros da porção privilegiada querem exclusividade para desfrutar o ar condicionado de tais ambientes, suas tentadoras praças de alimentação, as lojas de grife, suas opções de lazer. O repúdio aos rolezinhos é apenas mais uma demonstração da insensibilidade e do preconceito das classes mais favorecidas em relação aos desafortunados da sociedade. Há juízes acolhendo ações de shopping centers proibindo tais manifestações. Outros não as estão deferindo, por não verem razão para tanto. O mito do país acolhedor, de um povo cordial, novamente cai por terra. O Brasil é um país extremamente desigual e sectário, onde endinheirados reagem sempre que os mais pobres demonstram não reconhecer qual é o "seu lugar". O Brasil é um país que colheu, nos últimos anos, notáveis avanços em várias áreas, mas continua medieval no aspecto social.