segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
O anticlímax da dupla Gre-Nal
As contratações de Grêmio e Inter para o ano de 2014, até agora, são de tirar o sono dos seus torcedores. Era sabido que os clubes brasileiros partiriam para uma contenção de gastos, depois de longos anos de gastança. Porém, como conciliar poucas e discutíveis contratações com a necessidade de obter resultados que é própria dos grandes clubes? No caso específico de Grêmio e Inter, ambos deveriam esforçar-se ao máximo para formar times fortes, capazes de grandes conquistas. O Grêmio, por ter obtido a classificação direta para a Libertadores e estar há 12 anos sem conquistar um grande título. O Inter, por que está em dívida com o seu torcedor, depois de dois anos consecutivos péssimos nas competições de maior nível. A movimentação dos dois clubes em termos de reforços, no entanto é desalentadora. O Grêmio trouxe Edinho, um volante extremamente limitado, e o desconhecido zagueiro Geromel. O Inter deverá anunciar até sexta-feira, as contratações do goleiro Dida e do centroavante Wellington Paulista. Em comum, todos esses jogadores tem a idade já um tanto avançada e o fato de nada custarem em termos de aquisição. Edinho, Dida e Wellington Paulista por terem findado seus contratos com os clubes onde estavam, Geromel, por vir por empréstimo. Essa parece ser a nova realidade do futebol gaúcho. Contratações com pouco ou nenhum custo, salários mais baixos. Ótimo para as finanças, mas um anticlímax para os torcedores da dupla Gre-Nal.
domingo, 22 de dezembro de 2013
Um título para ser muito festejado
A conquista, pela Seleção Brasileira de Handebol Feminino, do título de campeã mundial, é um feito altamente expressivo do esporte brasileiro, e deve ser muito festejado. O handebol está longe de ser um esporte popular no Brasil. Sua prática é mais comum nas escolas que nos clubes. A grosso modo, é um futebol jogado com as mãos. Afora o uso das mãos, sua grande diferença em relação ao futebol são os escores altos. Na decisão de hoje, por exemplo, contra a Sérvia, a equipe brasileira venceu por 22 a 20. Essa conquista é muito significativa porque, antes desse título, a melhor colocação do Brasil num mundial de handebol feminino havia sido um 5º lugar. Portanto, na primeira vez em que obteve uma medalha na história da competição, o Brasil ficou com a de ouro. O título não é fruto do acaso. Conscientes de que, para que o handebol evoluísse no Brasil, era preciso buscar o conhecimento nos centros onde ele é mais desenvolvido, os dirigentes brasileiros da modalidade trouxeram o técnico dinamarquês Morten Soubak para treinar a seleção feminina. O trabalho de Soubak, que já vem sendo desenvolvido há alguns anos, foi apresentando um progresso contínuo, que culminou com a conquista do mundial. O Brasil reafirma, assim sua vocação para os esportes coletivos. Se nos esportes individuais o país vive do aparecimento esporádico de grandes estrelas como Adhemar Ferreira da Silva no atlestismo, Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten no tênis, Éder Jofre no boxe e César Cielo na natação, nos esportes coletivos o Brasil já ostenta cinco títulos de Copas do Mundo com o futebol, dois mundiais de basquete, medalhas de ouro olímpicas com o vôlei, tanto masculino quanto feminino. O handebol feminino soma-se, agora, a uma tradição do Brasil nos esportes praticados por equipes. Uma bela notícia para o país que irá sediar a próxima edição das Olimpíadas, que será realizada no Rio de Janeiro, em 2016.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Como já era esperado
Nenhuma surpresa. Aconteceu o que quase todos já esperavam. O Bayern de Munique ganhou o título do Campeonato Mundial de Clubes. A conquista veio com uma vitória de 2 x 0 sobre o Raja Casablanca, do Marrocos. Os gols foram marcados por dois brasileiros, o zagueiro Dante e o meia Thiago Alcãntara, filho de Mazinho, campeão da Copa do Mundo de 1994 pela Seleção Brasileira. Foi uma vitória ao natural, mas com o Raja portando-se com dignidade e jogando, na medida das suas possibilidades, um bom futebol. No final da partida, inclusive, o Raja perdeu dois gols feitos, desperdiçando a chance de, pelo menos, ser derrotado por um placar mais ajustado. O Bayern ganhou, ainda, o troféu Far Play, e teve os dois melhores jogadores da competição. Lahm ficou com a Bola de Prata, e Ribéry, com a Bola de Ouro. O título do Bayern foi, portanto, a confirmação de uma impressão quase generalizada. Se tivesse enfrentado o Atlético Mineiro na decisão, talvez tivesse encontrado uma maior resistência, mas dificilmente deixaria de ser campeão.
Evitando um fiasco maior
O Atlético Mineiro ficou com o terceiro lugar no Campeonato Mundial de Clubes, ao vencer o Guangzhou Evergrande, da China, por 3 x 2, na despedida do técnico Cuca, num jogo que teve duas viradas no placar. O primeiro gol da partida, logo a 1 minuto do primeiro tempo, foi do Atlético Mineiro. No entanto, com grandes falhas na defesa, o time brasileiro permitiu o empate e, mais tarde, num pênalti, a virada. Ainda no primeiro tempo, Ronaldinho, em mais uma falta muito bem cobrada, empatou o jogo. No segundo tempo, o jogo seguiu franco, com muitas oportunidades para cada lado. Próximo do final da partida, Ronaldinho, depois de simular uma falta, chutou um adversário e foi expulso. Mesmo assim, aos 45 minutos, Luan, num contra-ataque rápido, fez o gol da vitória. O terceiro lugar do Atlético Mineiro repetiu a trajetória do Inter no Mundial de Clubes de 2010 e evitou o que seria um fiasco ainda maior, ou seja, ser derrotado nas duas partidas da competição. Agora, o Atlético Mineiro terá, em 2014, uma nova disputa de Libertadores, com outro técnico, Paulo Autuori, que já ganhou a competição duas vezes. O retrospecto recente de Autuori, contudo, não justifica um maior entusiasmo.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Gastos controlados
As movimentações dos clubes brasileiros visando o ano de 2014 mostram que, efetivamente, a época dos salários milionários e do perdularismo está ficando para trás. Mesmo os clubes classificados para a Libertadores estão adotando a política de gastos controlados. As contratações são poucas e sem grande impacto. O Botafogo, após perder Oswaldo de Oliveira, um técnico conceituado, colocou para substituí-lo o seu auxilar técnico e treinador da categoria sub-20, Eduardo Húngaro. O Flamengo já revelou que não fará grandes investimentos para o ano que vem. O Grêmio trouxe um técnico emergente, Enderson Moreira, um jogador com vínculo encerrado pelo qual não teve de pagar pela contratação, Edinho, e um zagueiro brasileiro desconhecido que estava na segunda divisão da Espanha, Geromel. Por outro lado, vendeu seu lateral esquerdo, Alex Telles, escolhido o melhor da sua posição no Campeonato Brasileiro, para o Galatasaray. Os clubes não trazem grandes reforços, e se desfazem de seus poucos destaques para fazer caixa. Dessa forma, o panorama técnico desolador do Brasileirão deverá se repetir ou até,se agravar. A derrota do Atlético Mineiro para o Raja Casablanca, do Marrocos, o segundo fiasco brasileiro em três anos no Mundial de Clubes, é outro fato que mostra que o futebol do país anda em baixa. No ano em que sediará uma Copa do Mundo pela segunda vez, com fundadas esperanças de ganhá-la, o Brasil vê o futebol de seus clubes tomados pela pobreza, tanto técnica quanto financeira. Os estádios, novos ou reformados, estão muito bonitos, mas o futebol jogado neles está longe de entusiasmar. Tomara que a inesgotável capacidade do futebol brasileiro de revelar talentos, nos brinde com o surgimento de novos craques, capazes de modificar esse quadro tão pouco estimulante.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Perspectivas sombrias
O final de ano não está sendo de boas notícias para os torcedores do Grêmio. Pelo contrário, os primeiros movimentos da diretoria para 2014 fazem com que as perspectivas do clube para o próximo ano sejam sombrias. Primeiro, foi a contratação do técnico Enderson Moreira, de currículo inexpressivo para um clube do porte do Grêmio. Hoje, a contratação do volante Edinho, ex-Inter, que estava no Fluminense. Edinho, mesmo ganhando títulos importantes pelo Inter, nunca caiu nas graças do torcedor. Alguns cronistas identificados com o Inter o detestavam. Isso tudo quando Edinho ainda era um jovem jogador. Agora, Edinho já está com 30 anos. Afora o fato de já ter trabalhado com Enderson Moreira no Fluminense, fica difícil entender o critério utilizado na contratação de Edinho, pois o Grêmio dispõe de volantes de muita boa qualidade, como Souza, Riveros e Ramiro. Talvez o argumento seja o de buscar um jogador experiente e acostumado com grandes competições, como a Libertadores. Porém, esse mesmo critério foi utilizado, equivocadamente, em 2013, com a desnecessária contratação de Dida e a fracassada vinda de André Santos. Na verdade, a contratação de Edinho é do tipo que não motiva o torcedor. Como se não bastassem essas más notícias dos últimos dias, especula-se que o Grêmio pode estar trazendo o zagueiro Geromel, do Mallorca (ESP), um brasileiro desconhecido em seu próprio país, que já está com 28 anos e tem uma trajetória medíocre na carreira. Pelo visto, no Natal de 2013, o Grêmio reservou para os seus torcedores apenas presentes de grego.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Mais um fiasco histórico
O Inter não está mais sozinho na condição de clube sul-americano responsável por um fiasco histórico em campeonatos mundiais de clubes. Três anos e quatro dias depois de sua derrota para o Mazembe, o Atlético Mineiro veio lhe fazer companhia. O Atlético Mineiro perdeu, hoje, pelas semifinais do Mundial de Clubes, para o Raja Casablanca, clube que só está na competição por ser o atual campeão do país sede da disputa, o Marrocos. Foi uma derrota inapelável, por 3 x 1. O Atlético Mineiro começou pressionando, tentando resolver logo o jogo, mas o gol não saía, e o time brasileiro concedia espaços ao Raja, que armava contra-ataques perigosíssimos. Ainda no primeiro tempo, o time marroquino perdeu dois gols feitos. A conversa no intervalo não parece ter surtido efeito, pois, logo aos seis minutos do segundo tempo, o Raja fez 1 x 0. O gol sofrido fez o Atlético Mineiro perturbar-se, errando passes e continuando a proporcionar espaços ao adversário. O técnico Cuca, então, resolveu sacar o lateral direito Marcos Rocha, colocando o atacante Luan em seu lugar. As câmeras flagraram Marcos Rocha, furioso, despejar palavrões em direção a Cuca. Ainda assim, o Atlético Mineiro chegou ao empate, aos 17 minutos, num gol de falta de Ronaldinho Gaúcho, que, afora esse lance, pouco fez em todo o jogo. Mesmo com o empate, o Atlético Mineiro não melhorou sua produção e não conseguia passar a frente no placar. O pior veio aos 37 minutos, quando o árbitro marcou, equivocadamente, um pênalti de Réver. O Raja fez 2 x 1, e o pouco tempo restante para o fim do jogo fez o time brasileiro partir para o ataque no desespero. Cuca ainda colocou Alecsandro em campo, mas de nada adiantou. O gol de empate, que levaria o jogo para a prorrogação, não aconteceu. Para tornar o fiasco ainda maior, aos 48 minutos, em mais um contra-ataque contundente, o Raja Casablanca fez 3 x 1. Um duro golpe para a sofrida torcida atleticana. Agora, o Inter não está mais só com o seu "Mazembaço". Para lhe fazer companhia, o Atlético Mineiro terá, daqui por diante, o "Rajazaço".
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Em ritmo de treino
O primeiro jogo pelas semifinais do Campeonato Mundial de Clubes, entre Guanghzou Evergrande, da China, e Bayern de Munique, foi pouco mais do que um treino para o time alemão, que goleou por 3 x 0. O Guangzhou até conta com bons jogadores, como os brasileiros Élkson e Muriqui e o argentino Conca, e um técnico renomado, o italiano Marcello Lippi, campeão da Copa do Mundo de 2006 pela Itália, mas não conseguiu fazer frente ao poderoso Bayern. Mesmo desfalcado de jogadores como Schwasteinger e Robben, o Bayern sobrou em campo. Seu primeiro gol só saiu aos 39 minutos do primeiro tempo, até porque o Bayern não forçava o ritmo, jogava ao natural. Porém, quatro minutos depois, já acontecia o segundo gol. O terceiro veio logo a 1 minuto do segundo tempo, afastando qualquer chance de reação do time chinês. A partir daí, o que se viu foi quase um jogo em meia linha, com o Bayern empilhando chances de gols que iam sendo desperdiçadas uma após outra. Assim, o placar, embora dilatado, não espelha o que foi o jogo. A goleada poderia ter sido muito maior. Resta ver, agora, como se portará o Atlético Mineiro, amanhã, contra o Raja Casablanca, do Marrocos. Pela amostra de hoje, no entanto, o favoritismo do Bayern para a conquista do título parece ainda mais robustecido.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Retrocesso
O rebaixamento da Portuguesa para a segunda divisão, e a manutenção do Fluminense na primeira, decidido, hoje, por unanimidade, pelo STJD, é um ato vergonhoso, que representa um retrocesso terrível para o futebol brasileiro que, assim, retorna aos tempos das viradas de mesa que subvertiam resultados de campo para favorecer grandes clubes. Mais inaceitável do que isso é ver que vários jornalistas esportivos, mesmo antes da decisão ser tomada, tentavam justificá-la sob o argumento de que a Portuguesa, de fato, cometera um erro ao escalar o jogador Hevérton e, portanto, seu rebaixamento era, apenas, o estrito cumprimento do que estabelece a lei. Por trás desse "apreço" ao cumprimento da lei, está, na verdade, a leniência para com as patifarias tão abundantes no passado do futebol brasileiro e que, agora, voltam a nos assombrar. Ainda que a Portuguesa tivesse de perder quatro pontos, isso poderia ser feito no próximo Campeonato Brasileiro, com o clube já iniciando a competição com tal passivo de pontos. Essa é uma solução perfeitamente aplicável às normas da Fifa. Ao punir a Portuguesa com a perda dos quatro pontos no recentemente encerrado Brasileirão de 2013, o STJD opta pelo golpismo, rebaixando o clube para salvar o Fluminense da segunda divisão. Ainda que seja juridicamente sustentável, a decisão de hoje foi sórdida, nojenta, execrável, repugnante, asquerosa e, ás vésperas de o Brasil sediar uma Copa do Mundo, remete o futebol do país de volta aos seus piores tempos, em que abundavam manobras de bastidores e maracutaias de todos os tipos.
Escolha equivocada
A contratação do técnico Enderson Moreira pelo Grêmio é uma escolha equivocada que vem se somar à anunciada redução de gastos para o ano que vem. Tendo lutado para conseguir classificação direta para a Libertadores, e alcançado seu objetivo, é incompreensível que o Grêmio reduza o investimento no futebol e contrate um técnico de currículo inexpressivo. A ideia de fazer mais com menos, apostando em um time com muitos jogadores "pratas da casa" e treinado por um técnico emergente, é um despropositado pensamento mágico, só aceitável para quem ainda acredite no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa. Num ano em que deveria maximizar seus esforços na busca de um grande título, que não conquista há 12 anos, o Grêmio oferece ao seu torcedor a perspectiva desalentadora de ser um mero participante da próxima Libertadores, sem nenhuma condição efetiva de ganhar o título. O Grêmio, com o presidente Fábio Koff, guindado ao cargo, pela terceira vez, por uma torcida que viu nele a chance de voltar aos bons tempos, teve em 2013, um desempenho praticamente idêntico ao do ano passado, quando o ocupante do posto era Paulo Odone. Com a classificação direta para a Libertadores, seu único diferencial em relação ao Grêmio de Odone no ano anterior, Koff deveria buscar, em 2014, a retomada das grandes conquistas. Em vez disso, direciona o clube para o caminho da mediocridade. Até agora, a administração de Koff, tão repleta de promessas grandiosas, tem se constituído num estelionato eleitoral.
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