quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mais um fiasco histórico

O Inter não está mais sozinho na condição de clube sul-americano responsável por um fiasco histórico em campeonatos mundiais de clubes. Três anos e quatro dias depois de sua derrota para o Mazembe, o Atlético Mineiro veio lhe fazer companhia. O Atlético Mineiro perdeu, hoje, pelas semifinais do Mundial de Clubes, para o Raja Casablanca, clube que só está na competição por ser o atual campeão do país sede da disputa, o Marrocos. Foi uma derrota inapelável, por 3 x 1. O Atlético Mineiro começou pressionando, tentando resolver logo o jogo, mas o gol não saía, e o time brasileiro concedia espaços ao Raja, que armava contra-ataques perigosíssimos. Ainda no primeiro tempo, o time marroquino perdeu dois gols feitos. A conversa no intervalo não parece ter surtido efeito, pois, logo aos seis minutos do segundo tempo, o Raja fez 1 x 0. O gol sofrido fez o Atlético Mineiro perturbar-se, errando passes e continuando a proporcionar espaços ao adversário. O técnico Cuca, então, resolveu sacar o lateral direito Marcos Rocha, colocando o atacante Luan em seu lugar. As câmeras flagraram Marcos Rocha, furioso, despejar palavrões em direção a Cuca. Ainda assim, o Atlético Mineiro chegou ao empate, aos 17 minutos, num gol de falta de Ronaldinho Gaúcho, que, afora esse lance, pouco fez em todo o jogo. Mesmo com o empate, o Atlético Mineiro não melhorou sua produção e não conseguia passar a frente no placar. O pior veio aos 37 minutos, quando o árbitro marcou, equivocadamente, um pênalti de Réver. O Raja fez 2 x 1, e o pouco tempo restante para o fim do jogo fez o time brasileiro partir para o ataque no desespero. Cuca ainda colocou Alecsandro em campo, mas de nada adiantou. O gol de empate, que levaria o jogo para a prorrogação, não aconteceu. Para tornar o fiasco ainda maior, aos 48 minutos, em mais um contra-ataque contundente, o Raja Casablanca fez 3 x 1. Um duro golpe para a sofrida torcida atleticana. Agora, o Inter não está mais só com o seu "Mazembaço". Para lhe fazer companhia, o Atlético Mineiro terá, daqui por diante, o "Rajazaço".

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Em ritmo de treino

O primeiro jogo pelas semifinais do Campeonato Mundial de Clubes, entre Guanghzou Evergrande, da China, e Bayern de Munique, foi pouco mais do que um treino para o time alemão, que goleou por 3 x 0. O Guangzhou até conta com bons jogadores, como os brasileiros Élkson e Muriqui e o argentino Conca, e um técnico renomado, o italiano Marcello Lippi, campeão da Copa do Mundo de 2006 pela Itália, mas não conseguiu fazer frente ao poderoso Bayern. Mesmo desfalcado de jogadores como Schwasteinger e Robben, o Bayern sobrou em campo. Seu primeiro gol só saiu aos 39 minutos do primeiro tempo, até porque o Bayern não forçava o ritmo, jogava ao natural. Porém, quatro minutos depois, já acontecia o segundo gol. O terceiro veio logo a 1 minuto do segundo tempo, afastando qualquer chance de reação do time chinês. A partir daí, o que se viu foi quase um jogo em meia linha, com  o Bayern empilhando chances de gols que iam sendo desperdiçadas uma após outra. Assim, o placar, embora dilatado, não espelha o que foi o jogo. A goleada poderia ter sido muito maior. Resta ver, agora, como se portará o Atlético Mineiro, amanhã, contra o Raja Casablanca, do Marrocos. Pela amostra de hoje, no entanto, o favoritismo do Bayern para a conquista do título parece ainda mais robustecido.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Retrocesso

O rebaixamento da Portuguesa para a segunda divisão, e a manutenção do Fluminense na primeira, decidido, hoje, por unanimidade, pelo STJD, é um ato vergonhoso, que representa um retrocesso terrível para o futebol brasileiro que, assim, retorna aos tempos das viradas de mesa que subvertiam resultados de campo para favorecer grandes clubes. Mais inaceitável do que isso é ver que vários jornalistas esportivos, mesmo antes da decisão ser tomada, tentavam justificá-la sob o argumento de que a Portuguesa, de fato, cometera um erro ao escalar o jogador Hevérton e, portanto, seu rebaixamento era, apenas, o estrito cumprimento do que estabelece a lei. Por trás desse "apreço" ao cumprimento da lei, está, na verdade, a leniência para com as patifarias tão abundantes no passado do futebol brasileiro e que, agora, voltam a nos assombrar. Ainda que a Portuguesa tivesse de perder quatro pontos, isso poderia ser feito no próximo Campeonato Brasileiro, com o clube já iniciando a competição com tal passivo de pontos. Essa é uma solução perfeitamente aplicável às normas da Fifa. Ao punir a Portuguesa com a perda dos quatro pontos no recentemente encerrado Brasileirão de 2013, o STJD opta pelo golpismo, rebaixando o clube para salvar o Fluminense da segunda divisão. Ainda que seja juridicamente sustentável, a decisão de hoje foi sórdida, nojenta, execrável, repugnante, asquerosa e, ás vésperas de o Brasil sediar uma Copa do Mundo, remete o futebol do país de volta aos seus piores tempos, em que abundavam manobras de bastidores e maracutaias de todos os tipos.

Escolha equivocada

A contratação do técnico Enderson Moreira pelo Grêmio é uma escolha equivocada que vem se somar à anunciada redução de gastos para o ano que vem. Tendo lutado para conseguir classificação direta para a Libertadores, e alcançado seu objetivo, é incompreensível que o Grêmio reduza o investimento no futebol e contrate um técnico de currículo inexpressivo. A ideia de fazer mais com menos, apostando em um time com muitos jogadores "pratas da casa" e treinado por um técnico emergente, é um despropositado pensamento mágico, só aceitável para quem ainda acredite no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa. Num ano em que deveria maximizar seus esforços na busca de um grande título, que não conquista há 12 anos, o Grêmio oferece ao seu torcedor a perspectiva desalentadora de ser um mero participante da próxima Libertadores, sem nenhuma condição efetiva de ganhar o título. O Grêmio, com o presidente Fábio Koff, guindado ao cargo, pela terceira vez, por uma torcida que viu nele a chance de voltar aos bons tempos, teve em 2013, um desempenho praticamente idêntico ao do ano passado, quando o ocupante do posto era Paulo Odone. Com a classificação direta para a Libertadores, seu único diferencial em relação ao Grêmio de Odone no ano anterior, Koff deveria buscar, em 2014, a retomada das grandes conquistas. Em vez disso, direciona o clube para o caminho da mediocridade. Até agora, a administração de Koff, tão repleta de promessas grandiosas, tem se constituído num estelionato eleitoral.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Uma mudança para servir de exemplo

A redemocratização do Brasil já ocorreu há 28 anos, pondo fim aos 21 anos de duração da execrável e espúria ditadura militar. Porém, mesmo depois de todo esse tempo, municípios, avenidas, ruas e escolas continuam a levar o nome de figuras que participaram do golpe militar. Inciativas para que tais denominações fossem trocadas chegaram a ser feitas, mas esbarraram na resistência da direita. Agora, uma escola de Salvador partiu para a ação. A Escola Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici decidiu trocar seu nome, pois incomodava à comunidade que ele homenageasse um ditador. Numa votação democrática, envolvendo a comunidade escolar, optou-se entre os nomes do ex-deputado federal e guerrilheiro Carlos Marighella e o do geógrafo Mílton Santos. Marighella venceu com 69% dos votos. Conforme a vice-diretora do colégio, Maria das Graças Passos, a mudança vem em boa hora, ainda mais com a escolha do nome de um baiano que combateu a ditadura. Esse é um fato que merece ser exaltado, ainda mais por se tratar de uma escola. Num país que insiste em não fazer a devida punição dos agentes da ditadura, ignorando o exemplo dos seus vizinhos, Argentina e Uruguai, é digna de aplausos a medida tomada na Bahia. Não se justifica que ainda existam no país homenagens a artífices da ditadura. A avenida Castelo Branco, via de acesso a Porto Alegre, por exemplo, deveria ter o seu nome trocado. A direita certamente irá estrilar com o ocorrido em Salvador, mas vai ficar falando sozinha. A alteração foi feita numa votação democrática, pelos diretamente interessados. Restituída a democracia, a população deixa a cada dia mais claro por qual dos lados confrontantes optou. Mesmo com toda a carga da grande imprensa em favor do conservadorismo, o povo mostra, em pequenas votações, como a da escola de Salvador, ou nas eleições, que fez a sua opção, e ela não contempla homenagens a golpistas e liberticidas.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Abel está de volta

Agora é oficial: Abel Braga é o novo técnico do Inter. Será a sexta passagem do técnico pelo clube! Abel é o técnico que conquistou os títulos de maior expressão da história do Inter, pois foi campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2006. Esse é o motivo principal do seu retorno, pois o Inter vem de dois anos seguidos de péssimos desempenhos nas competições de grande porte, e 2014 é o último de Giovani Luigi como presidente, sendo, portanto, a oportunidade que sobrou para o dirigente máximo do clube tentar levantar a imagem da sua administração. Outro ponto que favorece Abel é que suas principais virtudes são a liderança que mantém sobre o grupo e a coesão que consegue estabelecer nele. Num clube cujo vestiário tem apresentado graves problemas nos últimos anos, essas características de Abel tendem a ser bastante favoráveis. Nem todos, no entanto, manifestam entusiasmo pela contratação de Abel. Há os que alegam que ele é um técnico de salário muito alto, e que, por já estar rico e afirmado, não teria mais a mesma motivação para o trabalho. Resta esperar para ver o que vai acontecer na prática. Chama atenção, contudo, que o Inter, que não irá participar da Libertadores, invista num técnico caro e renomado, enquanto seu maior rival, o Grêmio, que estará na maior competição do futebol sul-americano, pretenda fazer uma política de contenção de gastos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Grupo difícil

O Grêmio lutou muito para obter classificação direta para a Libertadores. Porém, ao não ficar entre os cabeças de chave da competição, acabou sorteado para o que pode ser considerado o "grupo da morte" da Libertadores de 2014. No grupo, afora o Grêmio, estarão presentes o Newell's Old Boys (ARG), Nacional de Medellin (COL), e Oriente Petrolero (BOL) ou Nacional (URU). Se, por um lado, é um grupo atrativo sob o ponto de vista da bilheteria, de outro, sua exigência técnica torna a luta pela classificação extremamente árdua. Não bastasse isso, o que se diz é que o Grêmio irá diminuir sua folha de pagamentos, se desfazendo de jogadores de altos salários e sem fazer grandes contratações. Um indício claro dessa tendência foi a confirmação, hoje, da saída do goleiro Dida. A saída de Dida não chega a ser um problema do ponto de vista técnico, mas se outros jogadores forem dispensados ou negociados pelos simples fato de terem uma alta remuneração, e não houver a chegada de nomes de grande nível, as perspectivas do Grêmio na Libertadores serão bem modestas. O torcedor do Grêmio sofre com a ausência de grandes títulos há 12 anos. Com a ideia do clube de reduzir custos, e entrando num grupo tão duro na primeira fase da Libertadores, esse jejum tem tudo para se prolongar.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ainda não foi dessa vez

A Ponte Preta disputou, esse ano, a primeira competição internacional de sua história, e conseguiu chegar na decisão. Começou, então, a acalentar o sonho de conquistar o primeiro título da sua longa história de 113 anos, o segundo clube de futebol mais antigo do Brasil. Porém, ainda não foi dessa vez. A decisão do título foi contra o Lanús, da Argentina. No primeiro jogo, quarta-feira passada, no Pacaembu, a Ponte Preta ficou no empate em 1 x 1. Hoje, fora de casa, perdeu por 2 x 0, e viu adiada, mais uma vez, a tão sonhada conquista de um título. Ao longo de sua história, a Ponte Preta montou bons times, pelos quais passaram jogadores como Dicá, Nelsinho, Manfrini, Valdir Peres, Carlos, Édson, Oscar, Polozi, Juninho, Nenê, entre outros, mas os títulos sempre escaparam. Uma condição que dói ainda mais porque o seu grande rival, o Guarani, ostenta o título de campeão brasileiro de 1978. A Ponte fez uma campanha meritória na Copa Sul-Americana, vencendo, fora de casa, Criciúma, Velez Sarsfield e São Paulo. Chegou com méritos na decisão, mas, mais uma vez, o título não veio. Com a derrota da Ponte Preta, o Botafogo foi beneficiado, pois classificou-se para a Pré-Libertadores, condição que ficaria com o clube paulista, caso fosse o campeão. A conquista esteve muito perto, mas ainda não chegou. A luta da Ponte Preta para obter um título continuará por mais tempo.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Artificialismo

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu que, no Campeonato Mundial de Fórmula-1 de 2014, a última corrida, o Grande Prêmio de Abu Dhabi terá os pontos valendo em dobro. A medida é uma clara tentativa de dar mais competitividade à F-1, que tem sido dominada por Sebastian Vettel e sua equipe, a RBR, nos últimos quatro anos. Se a medida já tivesse sido adotada anteriormente, Vettel não teria ganho um de seus quatro títulos consecutivos, o de 2011. Vettel, aliás, já se pronunciou sobre a mudança, considerando-a injusta para quem se esforça durante um ano inteiro. Concordo com Vettel. No esporte, as competições buscam apontar quem é o melhor. Por vezes, há uma superioridade escancarada de um competidor sobre os demais. Isso pode levar a uma previsibilidade quanto ao resultado que desestimule o público. Como o esporte se tornou um negócio milionário, é preciso cativar a audiência. Para isso, é desejável que as competições apresentem um alto grau de disputa, mantendo a mobilização e o interesse do público quanto ao seu desfecho. Tudo isso é muito compreensível, mas não justifica um artificialismo como pontos dobrados numa única corrida. O recurso do formulismo pode até ser eficiente para manter a emoção durante uma competição, mas é injusto. Os melhores tem o direito de usufruir a sua superioridade, ainda que isso tire um pouco do interesse pela disputa. Não se pode punir o talento. Vettel e a RBR tem sido hegemônicos na F-1, mas isso é consequência da qualidade do piloto e da competência da equipe. Eles tem feito um trabalho melhor do que os dos seus concorrentes, e, enquanto isso persistir, tem o direito de colher os resultados correspondentes.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Proposta rejeitada

O Conselho Deliberativo do Grêmio rejeitou, na noite de hoje, a proposta do conselheiro Renato Moreira que previa modificações no processo eleitoral do clube. Uma lástima que a proposta tenha sido inteiramente recusada. O único equívoco da proposição de Renato Moreira, uma das mais expressivas lideranças do clube, era a ideia de aumentar o mandato do presidente de dois para três anos. De resto, a intenção de retomar a eleição presidencial em dezembro, depois do encerramento dos jogos oficiais, era excelente. Historicamente, o processo eleitoral no Grêmio sempre foi assim, até o momento em que se lançou a infeliz ideia de realizar as eleições em outubro, período em que o clube está em plena disputa de competições, o que gera um desvio de foco extremamente prejudicial. Moreira também propunha a unificação da eleição para o Conselho Deliberativo com a presidencial, com a primeira se realizando um pouco antes da segunda, evitando o prolongamento da ebulição política no clube. Outra excelente ideia foi a de reinstituir o cargo de vice-presidente de futebol, que em péssima hora foi extinto. Renato Moreira, inconformado com a rejeição da proposta, disse que ela só não foi aprovada por ter sido de sua autoria, dando um cunho de mesquinharia política ao fato. O fato é que, exceção feita ao aumento do mandato presidencial, que em nada beneficiaria o Grêmio, as demais proposições seriam muito favoráveis ao clube. O Grêmio não ganha grandes títulos há 12 anos, e nesse período só venceu três campeonatos estaduais. Entre as muitas razões para isso, estão as equivocadas alterações nos processos eleitorais, modificando o que dera certo ao longo da história do clube. Com a rejeição integral da proposta de Moreira, o Grêmio perdeu uma chance preciosa de reparar esse equívoco.