sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Grupo fácil
Hoje foi o dia, tão esperado, do sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2014. O Brasil pegou um grupo fácil, com Croácia, Camarões e México. Com exceção da Croácia, a Seleção Brasileira não deverá enfrentar maiores dificuldades nos jogos da primeira fase. A partir daí, no entanto, o grau de exigência aumentará. Nas oitavas de final, a Seleção deverá enfrentar a Holanda, ou, até mesmo, a Espanha, atual campeã mundial. Se chegar até às quartas de final, enfrentará, possivelmente, a Inglaterra, e nas semifinais, a Alemanha. Se chegar até à decisão, terá pela frente Argentina, Espanha (caso ela tenha sido campeã do seu grupo na primeira fase} ou Itália. Como se vê, após um início ameno, o caminho da Seleção até o título não será fácil. Porém, com uma equipe definida, um técnico que já foi campeão da competição e contando com o fator local que representa ter sempre a quase totalidade do público presente ao estádios em seus jogos torcendo a seu favor, a Seleção tem tudo para conquistar a Copa e exorcizar de vez a derrota para o Uruguai em 1950. Como é de costume, a primeira fase da Copa terá um "grupo da morte". Será o Grupo D, composto de Itália, Uruguai, Inglaterra e Costa Rica. Um grupo que soma sete títulos de Copa do Mundo! O mais fraco dos grupos é o C, com Colômbia, Costa do Marfim, Grécia e Japão. O que mais importa, contudo, é a convicção de que a Copa de 2014 tem tudo para ser a melhor de todos os tempos. Afinal, ela vai reunir todas as oito seleções que já ganharam a competição. Agora, é só começar a contagem regressiva para que o Brasil sedie, pela segunda vez, a mais importante disputa do futebol mundial.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Nélson Mandela
O mundo perdeu hoje uma figura histórica: Nélson Mandela. Uma daquelas pessoas que despertam a admiração de todos, fascinadas pelo exemplo de vida, por uma existência marcada pela integridade e honradez. Um defensor permanente da paz e da conciliação que, mesmo tendo passado mais de 20 anos preso, não buscou vingança contra seus detratores. Lutou contra o apartheid, a terrível segregação racial da África do Sul, e colheu a vitória. Ao tornar-se o primeiro presidente negro do país, marcou a superação de um período vergonhoso não só para a África do Sul, mas para a humanidade. Buscou sempre o entendimento, não o confronto. Sua imagem era a de um homem paternal, transmitia bondade e acolhimento. Um líder pelo exemplo, não por rompantes e bravatas. Uma prova de que a brandura não significa fraqueza. Mandela foi, e continuará sendo, um símbolo, não só para seu país, mas para o mundo inteiro. Um símbolo da tolerância, do entendimento, da superação de conflitos, da busca da eliminação das barreiras que dividem os seres humanos. Não foi um político, mas um estadista. Um ícone, uma personalidade atemporal de uma existência longa e profícua. Como ele próprio dissera, a morte é inevitável, e ela chegou para Mandela na provecta idade de 95 anos. Certamente, morreu em paz, com a consciência tranquila de quem soube, como poucos, fazer a sua parte.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Mau resultado
A Ponte Preta começou mal a disputa do título da Copa Sul-Americana, contra o Lanus (ARG). Hoje, no Pacaembu, apenas empatou em 1 x 1. O Lanus saiu na frente, já no segundo tempo, e a Ponte Preta conseguiu igualar o placar quando o jogo já se aproximava do final. Ambos os gols foram de falta, e muito bonitos. No primeiro tempo, Santiago Silva, centroavante do Lanus, conhecido por suas limitações técnicas, perdeu um gol incrível. Foi um mau resultado para a Ponte Preta, pois, como era a mandante do primeiro jogo, era importante que vencesse para poder enfrentar com mais chances a segunda e decisiva partida, na casa do adversário. Um novo empate, por qualquer placar, levará a decisão para os tiros livres da marca do pênalti. A esperança da Ponte Preta é que, nas fases anteriores da competição, ela venceu o Criciúma, o Velez Sarsfield e o São Paulo nos jogos fora de casa. Nada está perdido, portanto, mas o Lanus ficou com o favoritismo para o título.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Castigado por viver mais
A expectativa média de vida continua crescendo no Brasil. Ela já chega a 74,6 anos. Em média, as mulheres já vivem mais de 78 anos, e os homens 70 anos e 11 meses. Isso deveria ser motivo de satisfação, pelo que revela de avanço da medicina e das condições gerais de saúde da população, mas também tem a sua face perversa. Os brasileiros estão sendo punidos por viverem mais, pois quem está em vias de se aposentar, a partir dos novos dados de expectativa de vida revelados pelo IBGE, terá de trabalhar por um tempo a mais do que o planejado, e seus ganhos serão reduzidos. Portanto, mais uma vez os aposentados estão sendo tungados. Os apologistas da necessidade de "salvar" a Previdência Social há tempos insistem que ela apresenta déficits crescentes e que essa situação tem de ser equacionada. Com base nesse argumento, o governo Fernando Henrique Cardoso criou o famigerado fator previdenciário e desvinculou o reajuste dos benefícios do aumento do salário mínimo, o que levou os aposentados a uma condição de crescente defasagem de seus ganhos. Estamos, então, diante de um mecanismo perverso, em que quanto mais a longevidade dos brasileiros se expandir, mais eles estarão expostos a miserabilidade na fase de suas vidas em que mais necessitam de recursos. No Brasil, ter uma vida longa parece ser uma afronta, e os aposentados é que são punidos por isso. Incrivelmente, o brasileiro está sendo castigado por viver mais.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Pedro Rocha
Um dia antes de completar 71 anos, faleceu, hoje, o ex-jogador uruguaio Pedro Rocha. Ele foi vítima de uma doença degenerativa, a atrofia do mesencéfalo, contra a qual lutava há vários anos, que lhe comprometera a fala e os movimentos. Pedro Rocha foi o único jogador uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo. Pelé o considera um dos cinco maiores jogadores de todos os tempos. No Peñarol, ganhou oito campeonatos uruguaios, três Libertadores da América, e dois Campeonatos Mundiais de Clubes. Pelo São Paulo, jogou de 1971 a 1977, fez 324 partidas e marcou 119 gols, conquistou dois campeonatos paulistas e um brasileiro. No Brasil, jogou, ainda, por Coritiba, Palmeiras e Bangu, e encerrou sua carreira no Al Nassr, da Arábia Saudita, em 1980. Também foi técnico, sem muito êxito, e, entre outros, clubes, treinou o Inter, onde teve uma passagem rápida e apagada. Porém, como jogador, sua qualidade era indiscutível. Um craque de uma época de ouro do futebol. Apenas quatro dias depois de Nílton Santos, outro craque que esteve em quatro Copas do Mundo, é mais um artista da bola que nos deixa.
Entusiasmo arrefecido
Desde que o argentino Jorge Bergoglio foi escolhido como o novo papa, que adotou por nome Francisco, a revista "Veja" brindou-lhe com toda a sorte de elogios e referências positivas. Francisco foi apontado pela revista como o homem que viera para salvar a Igreja, dar-lhe uma nova face, limpá-la da presença de pedófilos e homossexuais entre seus membros, conter a perda de fiéis para outras religiões, entre muitas outras tarefas. Sua bondade, carisma, simpatia e acessibilidade eram saudadas pela publicação. Porém, ao divulgar o primeiro documento de relevo de seu papado, a exortação apostólica "Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho), Francisco sofreu as primeiras críticas da revista que tanto o exaltava, indicando que o entusiasmo da publicação pela sua figura pode estar arrefecendo. Tudo porque, numa análise percuciente e praticamente irrebatível, Francisco condenou o livre mercado e criticou o capitalismo. Num trecho particularmente inspirado, Francisco escreveu o seguinte: "Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum". Essas verdades, incontestáveis à luz da razão, não foram, é claro, assimiladas por "Veja". A revista argumentou que o "legítimo" direito de acumular riqueza nasceu das próprias costelas trincadas da Igreja pela Reforma Protestante, no século XVI, que segundo o filósofo alemão Max Weber, tirou dos cristãos os dilemas éticos e morais que os impediam de obter lucro. "Veja" considerou, também, que se o papa olhasse com atenção o governo "antidemocrático" da Argentina da presidente Cristina Kirchner, perceberia que a solução é menos, e não mais, Estado. Por fim, a publicação afirma que ao transformar uma solução, o livre mercado, em problema, Francisco pode estar se encaminhando para pregar no deserto. Nada mais falso. Francisco acertou na "mosca". Suas palavras vão ao encontro do que sentem na carne os desvalidos e do que tem consciência as mentes mais lúcidas e esclarecidas. Ter sofrido críticas de uma publicação tão repugnantemente conservadora e neoliberal como "Veja" é um sinal inequívoco do acerto do que escreveu.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Melhor do que a encomenda
O Grêmio ganhou do Goiás por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória como tantas outras do Grêmio no Brasileirão, sem jogar bem, marcando apenas um gol, abusando dos chutões, concedendo posse de bola ao adversário, sofrendo até o apito final. Porém, a rodada não poderia ter sido melhor para o Grêmio, pois, afora vencer um concorrente direto pela classificação da Libertadores, viu outros dois clubes com o mesmo objetivo, Atlético Paranaense e Botafogo, serem derrotados. Com isso, o Grêmio voltou a ser o vice-líder da competição, posição que só perderá se, na última rodada, for derrotado pela Portuguesa e o Atlético Paranaense vencer o Vasco. Portanto, o Grêmio está com o vice-campeonato encaminhado, o que lhe dará a classificação direta para a Libertadores. Os resultados de hoje, no entanto, já garantiram o Grêmio, pelo menos na pré-Libertadores, pois não há mais hipótese de o clube terminar o campeonato abaixo do terceiro lugar. Foi uma rodada melhor do que a encomenda para o Grêmio, que fez a sua parte e foi ajudado pelos resultados paralelos. Agora, resta confirmar o vice-campeonato, na última rodada e, depois, tratar de montar um time que possa dar a perspectiva concreta de ganhar a Libertadores novamente.
sábado, 30 de novembro de 2013
Pelada
O Inter empatou com o Corinthians em 0 x 0, hoje, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. Poucas vezes o resultado de um jogo foi tão previsível. O Corinthians tem enorme dificuldades para marcar gols, e está totalmente desmotivado, por não aspirar mais nada no Brasileirão. Nem mesmo a despedida do técnico Tite em jogos do Corinthians como mandante, que levou 35 mil pessoas ao estádio, foi capaz de tornar o time menos letárgico. Para o Inter, o empate interessava, pois era o ponto que faltava para afastar de vez a hipótese, que já era remota, de rebaixamento. A consequência foi uma partida fraquíssima, uma autêntica pelada, em que os dois times poderiam ficar jogando durante dias que, ainda assim, não marcariam gols. Nem mesmo o fato de ter ficado com um jogador a mais em campo desde os oito minutos do segundo tempo, quando Williams foi expulso, fez o Corinthians crescer em campo. O futebol praticado pelos dois times foi horroroso, incompatível com a tradição dos dois clubes, mas que espelha fielmente o que foram as suas campanhas na competição.. Em resumo, um jogo para ser esquecido.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
A seleção do campeonato
A CBF divulgou, hoje, a seleção dos melhores do Campeonato Brasileiro de 2013. Os escolhidos foram Fábio (Cruzeiro), Marcos Rocha (Atlético Mineiro), Dedé (Cruzeiro), Manoel (Atlético Paranaense) e Alex Telles (Grêmio); Nílton (Cruzeiro), Elias (Flamengo), Éverton Ribeiro (Cruzeiro) e Paulo Baier (Atlético Paranaense); Wálter (Goiás) e Éderson (Atlético Paranaense). O craque do campeonato foi Éverton Ribeiro. O jogador revelação foi Marcelo (Atlético Paranaense). O melhor técnico, Marcelo Oliveira (Cruzeiro). A seleção escolhida deixa claro o baixo nível técnico do campeonato e do futebol brasileiro. Com exceção de Fábio, que inexplicavelmente nunca é convocado, Marcos Rocha, que já foi lembrado algumas vezes, e de Dedé, que segue nos planos de Felipão, os demais jogadores não são de nível de Seleção Brasileira. Manoel vem destacando-se há algum tempo pelo Atlético Paranaense, mas não se tem certeza sobre o que poderia fazer num grande clube, Alex Telles ainda é, apenas, uma promessa. Nílton, Elias e Evérton Ribeiro brilharam, mas não são foras de série. Paulo Baier, que só teve grande rendimento em clubes médios, já tem 39 anos. Wálter, de grande talento, vive uma eterna briga com a balança. Éderson foi o goleador do Brasileirão, mas é um jogador tecnicamente modesto. A revelação do campeonato, Marcelo, é outro que ainda terá de confirmar se é ou não um grande jogador. O futebol brasileiro, infelizmente, está nivelado por baixo. Há muita paridade entre os times, mas pela ausência de grandes valores, e não pela sua presença em número significativo, como seria desejável. O equilíbrio entre os disputantes até proporciona emoção, como no caso da luta pela classificação para a Libertadores, ainda não totalmente definida, mas tecnicamente os jogos são pobres. Os grandes clubes brasileiros gastam muito dinheiro para formar seus times, mas o que se vê em campo não justifica esse dispêndio. Resta torcer para que a inesgotável fábrica de talentos do futebol brasileiro possa nos brindar, brevemente, com novos craques capazes de alterar esse quadro.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Nílton Santos
O Brasil perdeu, hoje, um dos seus maiores jogadores de futebol de todos os tempos: Nílton Santos. Escolhido pela Fifa, no final do século passado, como o melhor lateral esquerdo da história do futebol mundial, Nílton Santos foi convocado pela Seleção Brasileira para as Copas do Mundo de 1950, 1954, 1958 e 1962, sendo campeão nas duas últimas. Em 16 anos de carreira, só vestiu duas camisas, a do Botafogo e a da Seleção Brasileira. Na Copa do Mundo de 1962, foi titular e campeão com 37 anos de idade. Nílton Santos não enriqueceu com o futebol. Após parar de jogar, teve algumas experiências como técnico, sem maior repercussão. Nessa atividade, aliás, por um breve período, treinou o São Paulo, de Rio Grande (RS). Craque dentro de campo, Nílton Santos foi também um grande ser humano. Há alguns anos, sofria do Mal de Alzheimer. Faleceu aos 88 anos, de infecção pulmonar. Mais um campeão do mundo que se vai, e que deixa uma imensa saudade.
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