domingo, 3 de novembro de 2013

Indignação

O Inter perdeu por 1 x 0 para o Atlético Paranaense, hoje, no Durival Brito, pelo Campeonato Brasileiro. Foi mais uma atuação fraca do time, e outra derrota. O destaque maior não ocorreu em campo, mas depois do jogo. Um dos diretores de futebol do Inter, Marcelo Medeiros, habitualmente calmo e polido, deu uma entrevista em tom forte, dizendo-se indignado com a atuação do time, e revelando que, por causa dela, proferiu palavrões durante a partida. Alguns jogadores chegaram a manifestar preocupação pela possibilidade de rebaixamento. Após a eliminação da Copa do Brasil, que lhe tirou a última chance de obter uma classificação para a Libertadores, o Inter parece uma nau sem rumo. As declarações de Marcelo Medeiros e a apreensão revelada por alguns jogadores quanto ao rebaixamento, demonstram o quão conturbado está o vestiário do Inter. A hipótese de queda para a Segunda Divisão é muito remota, mas, de qualquer forma, o Inter tem de tornar a vencer. Não há nada pior para um grande clube do que se acostumar com as derrotas.

Vaias

O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Bahia, hoje á tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Ao contrário de outros jogos, o Grêmio teve amplo domínio da partida e criou várias chances de gol, mas, ainda assim, não conseguiu mandar nenhuma bola para as redes. Foi o quarto jogo consecutivo do Grêmio sem marcar gols. Nos últimos oito jogos, o Grêmio só obteve uma vitória. No jogo de hoje, em casa e contra um adversário de hierarquia inferior, a vitória era uma obrigação, e por isso, ao final, o torcedor, frustrado, vaiou fortemente o time. Justamente na reta final das competições, quando teria de mostrar mais força, o Grêmio está vacilando perigosamente. A semana será decisiva para o Grêmio, pois, ao final dela, poderá estar eliminado da Copa do Brasil e fora da zona de classificação para a Libertadores no Brasileirão. Urge uma recuperação imediata do time, para que pare de tropeçar e não perca o que parecia já estar garantido, ou seja, a participação na Libertadores. Será uma semana de grandes desafios para o Grêmio, sem que haja a confiança de que ele irá superá-los.

sábado, 2 de novembro de 2013

Fator previdenciário

Entre as muitas iniquidades perpetradas pelo governo Fernando Henrique Cardoso está o fator previdenciário. Criado em 1999. o fator previdenciário leva em conta o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de vida do trabalhador no momento da aposentadoria. A partir da sua entrada em vigor, as aposentadorias se tornaram mais tardias. Outro golpe sofrido pelos aposentados foi quando seus ganhos deixaram de ser atrelados ao aumento do salário mínimo, o que vem gerando uma progressiva defasagem em seus proventos. Historicamente, os aposentados são sacrificados pelos governos brasileiros. Argumenta-se que a Previdência Social brasileira é deficitária, que apresenta enormes rombos, o que não é verdade, mas uma mentira repetida até ser aceita como fato concreto. O dinheiro dos aposentados, na realidade, serviu para financiar, ao longo do tempo, projetos faraônicos e obras superfaturadas. O crescente aumento na expectativa média de vida é outro argumento utilizado para espalhar a ameaça de uma previdência insustentável. As centrais sindicais, felizmente, estão trazendo à discussão, novamente, a alteração do fator previdenciário, retirando esse item do seu cálculo. A mudança no cálculo do fator previdenciário foi uma promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff, mas percebe-se o desinteresse do governo em cumpri-la. O projeto foi aprovado por unanimidade no Senado, em 2012, mas segue parado na Câmara dos Deputados. As centrais sindicais preparam uma mobilização para o dia 12, nas principais capitais brasileiras, para retomar o debate do assunto com o governo. Fazem muito bem. Os aposentados não podem continuar sendo o bode expiatório dos desvarios econômicos dos governos.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mais uma Feira do Livro

Começa, hoje, em Porto Alegre, a 59ª edição da Feira do Livro. Numa cidade desprovida de encantos e sem atrativos turísticos, a Feira do Livro é um evento de grande magnitude. Ela realiza-se ao ar livre, na Praça da Alfândega, em pleno centro da cidade. São mais de cem bancas, onde são encontrados os mais diversos gêneros, lançamentos e saldos, aproximando as pessoas dos livros. Próxima de completar 60 anos, a Feira do Livro é uma instituição de Porto Alegre, e, na minha opinião, é o seu maior evento cultural. Sem a sisudez de uma feira em local fechado, a da Praça de Alfândega proporciona o contato com os livros em meio às árvores e à intensa circulação de pessoas pelo centro. Há alguns anos, afora a comercialização de livros em si, a feira passou a contar com uma série de palestras e encontros que reúnem escritores, professores, intelectuais e apaixonados pela literatura. Até o dia 18 próximo, a Feira do Livro lançará a cidade numa intensa ebulição cultural. Um acontecimento que se repete há décadas, cercado pelo carinho de moradores e visitantes da capital do Rio Grande do Sul. Com obras de todos os gêneros e faixas de preço, retira do livro o conceito de algo pouco acessível, contribuindo com sua popularização. Num país de tão baixos índices de leitura, que em todo o seu território dispõe de menos livrarias que a cidade de Buenos Aires, uma feira com essas características merece todos os elogios. Para os habitantes da cidade, ou quem a estiver visitando nesse período, a Feira do Livro é um programa obrigatório.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Proposta excêntrica

O meio político não para de nos surpreender. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade de uma proposta de emenda à Constituição que cria cotas para parlamentares negros, em todas as casas legislativas do país. O texto dessa excêntrica proposta diz que serão reservadas vagas para parlamentares oriundos da população negra nas cinco legislaturas posteriores á promulgação. Para preencher as vagas, serão realizadas eleições específicas, simultaneamente com as feitas para as demais cadeiras. Não haverá aumento de cadeiras. O número de vagas reservadas não deverá ser inferior a um quinto ou superior á metade do total de cadeiras. A proposta é carregada de boas intenções, mas não acho que seja esse o caminho para que os negros tenham a devida representação no parlamento. Um exemplo disso é a lei que obriga que os partidos tenham pelo menos 30% de mulheres nas nominatas de candidatos nas eleições. Os partidos tem enormes dificuldades para preencher esse índice, e o número de mulheres nas casas legislativas continua pouco expressivo. A quantidade de negros no parlamento, evidentemente, não corresponde à sua participação no total da população brasileira, mas reservar-lhes um percentual de cadeiras não parece ser a solução. Na mesma linha, já há quem defenda que metade das cadeiras do parlamento sejam ocupadas por mulheres. No Brasil, historicamente, viceja a ideia de que se possa transformar a realidade editando leis. Se negros e mulheres estão sub-representados no parlamento, não será estabelecendo reserva de vagas que a questão será solucionada. Para que esse quadro se modifique, a sociedade é que precisa avançar. O parlamento reflete, em sua composição, o pensamento do eleitorado. Não se modificam comportamentos e posturas criando leis. A composição do parlamento demonstra o quanto a sociedade brasileira ainda é injusta e desigual, mas a mudança desse panorama deve se dar ao natural, ainda que esse processo seja mais lento do que o desejável. O Brasil possui um cipoal de leis, sem que isso, em momento algum, o tenha tornado um país melhor.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Escalação equivocada

O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Atlético Paranaense, hoje, no Durival Britto, pelas semifinais da Copa do Brasil. Não foi um resultado desastroso para o Grêmio, pois o segundo e decisivo jogo será na Arena. Há, também, um fator atenuante para a derrota, o de que o Grêmio não teve nenhum de seus atacantes titulares, que estavam suspensos. Porém, o técnico do Grêmio, Renato, equivocou-se na escalação com que o time começou o jogo. Para preservar o esquema de sua preferência, o 3-5-2, escalou dois atacantes, ambos garotos, Yuri Mamute e Lucas Coelho. O correto seria escalar apenas um deles, colocando um meia no time, preferencialmente Máxi Rodriguez. Assim, o time teria um jogador capaz de fazer a jogada de ligação com o atacante que fosse escalado. Yuri Mamute teve uma atuação esforçada, mas Lucas Coelho foi uma nulidade. Sem levar perigo ao gol do Atlético Paranaense, o Grêmio foi para o intervalo perdendo por 1 x 0. Mais uma vez, Renato errou ao não modificar o time no intervalo. Ao, finalmente, fazer uma alteração, colocando Elano e tirando Lucas Coelho, o Grêmio cresceu de produção e criou três chances de gol, o que não havia feito em todo o jogo. A classificação ainda está ao alcance do Grêmio. No confronto com o Santos, o Grêmio perdeu o primeiro jogo, também por 1 x 0, e se classificou ao vencer a segunda partida por 2 x 0. Será, no entanto, uma tarefa muito árdua para um time que tem uma dificuldade crônica de fazer gols.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Imprensa independente

A existência de uma imprensa livre e independente é, sem dúvida, um dos pilares da democracia. O problema é quando por trás da defesa de tais princípios se escondem apenas os interesses corporativos de grandes conglomerados de comunicação. Os veículos da grande imprensa brasileira vivem alertando para supostas tentativas do governo de cercear a liberdade de expressão e controlar o conteúdo editorial dos meios de comunicação. Tais veículos procuram posar, diante da opinião pública, como paladinos em defesa da liberdade e da democracia. O governo, ao de alguma forma afrontar seus interesses, seria a expressão de uma visão totalitária de poder, que não admite críticos nem opositores. Trata-se, evidentemente, de uma posição maniqueísta e que distorce a realidade dos fatos. A verdade é que, no Brasil, poderosos grupos de comunicação detém várias concessões de canais de rádio e televisão, operando também como editores de jornais e revistas e no meio cibernético. Paralelamente à atuação específica nos meios de comunicação, esses grupos estendem seus tentáculos para diversos outros empreendimentos e atividades econômicas. Assim, sua linha editorial está, na verdade, muito mais comprometida com seus interesses corporativos do que com os da sociedade como um todo. Na Argentina, o poder judiciário declarou a constitucionalidade da Lei de Meios, o que implicará numa limitação do número de concessões de emissoras de rádio e televisão a que grupos de comunicação terão direito. Para se enquadrarem nos limites da lei, grupos terão de abrir mão de várias concessões de que, atualmente, dispõem. A grande imprensa brasileira, imediatamente,atacou a medida, qualificando-a como uma tentativa do governo da presidente Cristina Kirchner de controlar os meios de comunicação e atacar os críticos de sua administração. Foi destacado o fato de que quatro dos sete juízes que votaram sobre a medida foram nomeados pelo falecido ex-presidente Nestor Kirchner, com quem Cristina era casada. A Lei de Meios atinge frontalmente os interesses do Grupo Clárin, o maior conglomerado de comunicação da Argentina. O fato acontecido na Argentina deveria reacender a discussão sobre o assunto no Brasil. Ninguém precisa ensinar ao povo brasileiro o quão deletéria pode ser a ação dos governos quando resolvem inibir a liberdade de imprensa. Durante a espúria ditadura militar, sofremos duramente com essa experiência. Por outro lado, não é nada benéfico para o país ter seus meios de comunicação controlados economicamente por alguns poucos e gigantescos grupos. Isso não garante à população uma difusão da informação que seja, efetivamente, plural e independente. Ao criticar duramente o ocorrido na Argentina, a imprensa brasileira não está agindo em defesa da liberdade de expressão, e sim tentando influir para que algo semelhante não ocorra no Brasil. Teme que seus muitos interesses, em nada relacionados com a população em geral, venham a ser ameaçados.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O domínio de Vettel

A Fórmula 1 tem um novo fenômeno: Sebastian Vettel. O piloto alemão, de apenas 26 anos, conquistou ontem, no Grande Prêmio da Índia, faltando ainda três corridas para o fim da competição, o seu tetracampeonato na mais importante categoria do automobilismo. Só três outros pilotos ganharam tantos ou mais títulos que Vettel: Juan Manuel Fangio, Alain Prost e Michael Schumacher. Porém, só Vettel e Schumacher ganharam quatro títulos de forma consecutiva. Schumacher em 2001, 2002, 2003 e 2004, todos pela Ferrari. Vettel em 2010, 2011, 2012 e 2013, todos pela RBR. Em apenas sete anos de F-1, Vettel já tem, afora os quatro títulos, 36 vitórias, 59 pódios e 43 pole positions. Está a caminho de bater o recorde de vitórias seguidas na categoria. Foi o piloto mais jovem a ser campeão, bi, tri e tetra da F-1. Tudo indica que vai bater todas as marcas da categoria. Afinal, só dois pilotos tem mais títulos do que ele na F-1, Fangio e Schumacher. Fangio foi campeão cinco vezes, Schumacher, sete. Com apenas 26 anos, Vettel tem tudo para superá-los. Após o fim da era Schumacher, não se esperava que, tão cedo, a F-1 vivesse, novamente, sob o domínio absoluto de um único piloto. Por um lado, isso desestimula um pouco o público, dada a previsibilidade do resultado das corridas. Por outro, dota o esporte, em geral, e o automobilismo, em particular, de um novo mito. Campeões o esporte tem muitos. Fenômenos, são poucos. Por tudo que já fez, e pelo que, provavelmente, ainda fará, Vettel já é uma lenda viva do esporte.

domingo, 27 de outubro de 2013

Rotina

O Inter perdeu por 3 x 2 para o São Paulo, hoje á tarde, no Francisco Stédile, pelo Campeonato Brasileiro. Foi a nona derrota do Inter no Brasileirão, e mais uma vez, o time tomou muitos gols, demonstrando que a saída do técnico Dunga, por si só, não solucionou os problemas. O clube continua com a sua rotina de maus resultados. O árbitro Péricles Bassols Cortez, do Rio de Janeiro, teve uma atuação muito ruim, mas não foi o culpado pela derrota. Ofensivamente, o Inter, novamente, teve um bom desempenho, mas, também de forma habitual, a defesa deixou a desejar. O resultado retira do Inter qualquer possibilidade lógica de se classificar para a Libertadores. O rebaixamento é uma possibilidade distante. O que parece restar ao Inter, em 2013, é portar-se com dignidade nos jogos que faltam, e voltar renovado em 2014.

Atuação vergonhosa

O Grêmio foi goleado por 4 x 0 pelo Coritiba, hoje, no Couto Pereira, pelo Campeonato Brasileiro. Não só o placar foi vexatório. A atuação do Grêmio foi vergonhosa. O técnico do Grêmio, Renato, poupou três jogadores, alegadamente por cansaço muscular, Rhodolfo, Souza e Ramiro. Com isso, o Grêmio jogou com apenas dois zagueiros, em vez dos três habituais, sendo que um deles, Werley, retornava de lesão. Adriano mostrou as terríveis limitações de sempre, e Mateus Biteco, mais uma vez, teve uma atuação pífia. A solidez defensiva do Grêmio, que em muito se deve aos três jogadores poupados, desmoronou. Para piorar, com apenas 14 segundos de jogo, Pará, sem que nenhum adversário o estivesse acossando, marcou um ridículo gol contra. Aos três minutos, o Coritiba já fazia 2 x 0, pois Alex foi deixado sem marcação para chutar de fora da área e mandar a bola para as redes. Ainda no primeiro tempo, uma bola dada de presente ao Coritiba redundou em mais um gol. No segundo, o Coritiba marcou outro, ampliando o fiasco do Grêmio. Em todo o jogo, o Grêmio só teve uma chance de gol, com Elano, aos 39 minutos do segundo tempo. A exemplo do que fizera contra o Cricíuma, na Arena, Renato subestimou o Coritiba, poupando três titulares. Eles fizeram muita falta. O desempenho do time, afora ter sido tecnicamente horroroso, foi marcado pela apatia e ausência de competitividade. Faltou marcação, comprometimento. O êxito do Grêmio sob o comando de Renato tem sido alcançado com o time jogando "com a corda esticada", marcando muito e não dando espaços aos adversários. Hoje, não foi nada disso. Foi um time desmobilizado, desinteressado. O resultado fez o Grêmio cair para o terceiro lugar e ver vários clubes se aproximando na contagem de pontos. Não era a hora de poupar ninguém. O tropeço contra o Coritiba poderá custar muito caro ao Grêmio.