quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Vitória com toques dramáticos

O Grêmio ganhou do Santos por 2 x 0, hoje, na Arena, pela Copa do Brasil. Foi o resultado exato de que precisava para se classificar para as quartas de final da competição, já que havia perdido o primeiro jogo, na Vila Belmiro, por 1 x 0. Foi uma classificação sofrida, pois o primeiro tempo terminou em 0 x 0. No segundo tempo, o placar foi aberto logo aos 9 minutos, mas o gol da classificação só veio no final, aos 42. Uma vitória com toques dramáticos, tão ao gosto de muitos torcedores, que identificam nesses triunfos carregados de dificuldades a "cara do Grêmio". Particularmente, acho essa uma visão muito limitadora em se tratando de um grande clube. As vitórias devem, preferencialmente, ser alcançadas pela superioridade técnica inequívoca de um time sobre o outro. Essa, contudo, é uma questão menor nesse momento. O que importa é que o Grêmio, depois de muitos desacertos em 2013, vive uma fase extremamente positiva. No Campeonato Brasileiro, venceu seus últimos quatro jogos. Na Copa do Brasil, reverteu a derrota no primeiro jogo e eliminou um adversário de grande tradição, o Santos. Seu adversário nas quartas de final, o Corinthians, é dificílimo, mas os jogos só ocorrerão daqui a dois meses, no final de outubro. Até lá, o Grêmio tem tudo para consolidar sua ótima campanha no Brasileirão, Seus próximos jogos estão longe de ser difíceis. As partidas que restam pelo primeiro turno serão, pela ordem, contra a Ponte Preta, na Arena, o Goiás, no Serra Dourada, e a Portuguesa, novamente em casa. Na abertura do segundo turno, jogará, fora de casa, contra o Náutico, que já está virtualmente rebaixado. Com exceção do Goiás, um adversário médio, mas traiçoeiro, os demais jogos apontam para a tendência de vitórias sem maiores dificuldades. Há um ditado que expressa que depois da tempestade vem a bonança. Nesse momento, parece ser o caso do Grêmio.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O aumento da obesidade

Uma pesquisa revelou que 51% da população brasileira está acima do peso. A cada nova levantamento, o índice vem aumentando. Os médicos já vem alertando, há um bom tempo, que a obesidade está se tornando uma epidemia no Brasil. São muitas as razões por trás do fato. Os maus hábitos alimentares, o estilo de vida sedentário, e o aumento da renda, que propicia maior acesso ao consumo, são algumas das explicações para o crescente ganho de peso dos brasileiros. Infelizmente, os danos do excesso de peso não ocorrem apenas no aspecto estético. Uma série de doenças estão relacionadas à obesidade. Hipertensão arterial, diabetes, enfarte, acidente vascular cerebral, entre outros males, estão, muitas vezes, ligados ao excesso de peso. Emagrecer, portanto, é uma necessidade, antes de uma vaidade. A obesidade, no Brasil, já se constitui numa questão de saúde pública. Campanhas governamentais, certamente, serão estabelecidas para atacar o problema, mas a conscientização de cada um é possível a partir das informações de que já se dispõe. Não falta informação a respeito. Todos os dias, os meios de comunicação alertam para a necessidade de uma alimentação equilibrada, da prática de exercícios, e de que se devem evitar gorduras, açúcar e sal. Porém, com tamanha oferta de alimentos tentadores, e o grande volume de anúncios publicitários estimulando o consumo de guloseimas, manter-se na linha é uma tarefa hercúlea. No entanto, quando o número de pessoas acima do peso ultrapassa a metade da população do país, não dá mais para esperar, é preciso declarar guerra à obesidade. Enquanto milhões ainda se defrontam com a fome e a desnutrição, mais da metade dos brasileiros começa a sofrer as consequências por comer demais. Um contraste chocante, mas duas situações que exigem ações governamentais enérgicas. Se já há programas assistenciais de grande êxito no combate à miséria e à fome, será preciso igual dedicação para enfrentar os problemas causados pela assustadora expansão da obesidade.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Oportunismo

Numa demonstração do mais evidente oportunismo, a revista "Veja", na sua edição dessa semana, entrevista, nas páginas amarelas, o cantor e compositor Lobão. Embora esteja longe de ser uma figura admirada pela revista, Lobão recebeu o privilégio de aparecer na seção mais nobre de "Veja" em função de seu discurso antipetista, recentemente adotado. Não é segredo para ninguém que basta alguém se mostrar adversário do PT para, imediatamente, ganhar a simpatia de "Veja". Lobão lançou, há pouco tempo, um livro intitulado "Manifesto do Nada na Terra do Nunca". Nele, critica o PT e os intelectuais de esquerda, os quais define como "espécie que reina soberana na nossa terra, patrulhando incautos e dando carteirada nos descontentes, filha de um marxismo guarani-caiová de butique e encarnação vívida da ofensa, da obtusidade e do recalque". Ao longo de sua entrevista, Lobão faz vários ataques ao PT e às esquerdas, o que deve soar como música aos ouvidos de quem publica e edita a revista. Entre outras coisas, Lobão comparou os protestos do mês de junho em várias cidades do Brasil com desfile de escola de samba. Ele disse que é a favor de manifestações qualquer que seja a causa, desde que haja uma definida, o que, entende, não aconteceu nos protestos de junho, os quais, na sua opinião, serviram para fortalecer as esquerdas. Anteriormente, Lobão fez campanha para o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, mas rompeu com o PT e diz que, hoje, não vota em ninguém e propõe uma campanha para o voto deixar de ser obrigatório, pois acha que isso não é compatível com a democracia. No que tange à atividade artística, seu meio de atuação, Lobão também dispara a sua metralhadora giratória, tecendo críticas às gravadoras e aos "jabás" que pagam para as rádios, a Caetano Veloso e Gilberto Gil, cujos últimos trabalhos relevantes considera terem sido feitos há mais de 30 anos, e a Chico Buarque de Holanda, de quem diz nunca ter gostado e de ser daqueles que "tem inveja da pobreza". Extremamente crítico em relação aos outros, Lobão não tem o mesmo rigor em se tratando da sua própria pessoa. "Faço rock'n roll da melhor qualidade e sei que tenho o melhor show do Brasil", afirma. Na verdade, Lobão era um astro de tempos idos entregue ao ostracismo até encontrar uma publicação que, por mero oportunismo, lhe proporcionou os holofotes tão desejados. Incautos, Lobão, serão aqueles que se deixarem levar por essa exótica parceria.

domingo, 25 de agosto de 2013

A morte de dois campeões do mundo

O futebol brasileiro sofreu duas grandes perdas nesse fim de semana. Em dias seguidos, morreram dois titulares da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1958, o goleiro Gylmar e o lateral direito De Sordi. Há poucos dias, Djalma Santos, reserva de De Sordi, e que jogou a decisão da Copa de 58 devido a uma lesão do titular, também faleceu. A primeira morte, no sábado, foi de De Sordi, em Bandeirantes (PR). De Sordi foi convocado pela primeira vez para a Seleção em 1954. Sua última convocação foi em 1961. Jogou todas as partidas da Copa de 58, com exceção da decisão, por ter se machucado. Com isso, Djalma Santos entrou em seu lugar e saiu na foto do título, tendo sido escolhido o melhor lateral direito da competição, mesmo tendo jogado apenas uma partida. Ao todo, De Sordi realizou 22 jogos pela Seleção Brasileira. Em clubes, jogou no XV de Novembro de Piracicaba (SP), São Paulo, e União Bandeirante (PR). Ele sofria do Mal de Parkinson, e morreu por falência de múltiplos órgãos, aos 82 anos. Hoje, faleceu Gylmar. Sua primeira convocação para a Seleção foi em 1953. Em 1969, fez seu jogo de despedida da Seleção, pela qual teve uma longa carreira de 104 jogos. Foi titular nas Copas do Mundo de 1958 e 1962, quando a Seleção foi bicampeã, e participou dos dois primeiros jogos da malfadada campanha de 1966. Afora as duas Copas, ganhou vários torneios e competições pela Seleção. Os clubes pelos quais jogou foram Jabaquara, de Santos (SP), Corinthians e Santos. Nos dois grandes clubes paulistas, conquistou muitos títulos. Gylmar havia sofrido um AVC, em 2000, depois do qual não andava e se comunicava com dificuldade. Sua morte, aos 83 anos, se deveu a um enfarte. Com as mortes de Gylmar e De Sordi, restam apenas cinco titulares vivos da Seleção de 58: Belini, Nílton Santos, Zito, Pelé e Zagallo. Nílton Santos, o mais velho da equipe, está com 88 anos, sofre do Mal de Alzheimer, e vive numa clínica geriátrica. O tempo é implacável, e, aos poucos, está levando os integrantes daquela equipe inesquecível, provavelmente, a maior já formada no futebol em todos os tempos.

Novo tropeço

O Inter empatou em 3 x 3 com o Goiás, hoje, no Estádio do Vale, pelo Campeonato Brasileiro. Foi o sexto jogo consecutivo do Inter sem vitória, com uma derrota e cinco empates. Porém, esse é um empate para ser comemorado, pois até os 40 minutos do segundo tempo, o Goiás vencia por 3 x 1. O pior é que as vozes do vestiário do Inter preferiram culpar a arbitragem pelo resultado. O fato concreto é que a defesa do Inter é muito fraca e vaza com facilidade. Jogadores como Ednei e Ronaldo Alves não tem condições de vestir a camisa do Inter. Mesmo contando com jogadores qualificados do meio para a frente, como D'Alessandro e Diego Forlàn, e um goleador como Leandro Damião, o Inter não consegue compensar as suas falhas defensivas. Para piorar, seus dois últimos jogos foram em casa, e, agora, sua próxima partida será contra o Coritiba, fora de casa. O empate no final fez o Inter subir do 10º para o 8º lugar no Brasileirão, mas sua campanha é insatisfatória e não sinaliza para a possibilidade da conquista do titulo. Se é convicção da imprensa de que o Inter possui um time e um grupo qualificados, capazes de lhe fazerem aspirar ao título, é inevitável que se comece a questionar o trabalho do técnico Dunga.

sábado, 24 de agosto de 2013

Sequência vitoriosa

O Grêmio venceu o Flamengo por 1 x 0, hoje, no Mané Garrincha, pelo Campeonato Brasileiro. Foi a quarta vitória consecutiva do Grêmio no Brasileirão, a terceira fora de casa, onde, antes, o time não conseguia ganhar. O gol surgiu cedo, logo aos sete minutos do primeiro tempo, marcado por Pará, numa cobrança de falta. Foi o primeiro gol de Pará com a camisa do Grêmio. A vitória, afora ser importante pela sequência e por fixar o Grêmio no terceiro lugar da competição, traz de volta a confiança, um tanto abalada pela derrota para o Santos, na quarta-feira, pela Copa do Brasil. Agora, movido pelo entusiasmo de mais um resultado positivo, o Grêmio irá ter, certamente, uma Arena lotada na próxima quarta-feira, quando terá de fazer dois gols de diferença sobre o Santos para se classificar para as quartas de final da Copa do Brasil. No jogo de hoje, o Grêmio foi superior ao Flamengo durante todo o tempo. Barcos perdeu duas grandes chances que poderiam ter feito a vitória do Grêmio ser muito mais tranquila. O Flamengo surpreendeu negativamente, pelo mau futebol e pela apatia. O técnico Mano Menezes terá muito trabalho para conseguir transformar o Flamengo num time competitivo. O time carece de jogadores qualificados, e seus raros nomes mais expressivos, como Marcelo Moreno, por exemplo, renderam muito pouco. Por outro lado, o técnico do Grêmio, Renato, dessa vez, acertou nas substituições. Retirou Kléber e colocou Yuri Mamute, trocando um atacante por outro. As entradas de Mateus Biteco e Gabriel também foram corretas. Mateus Biteco entrou no lugar de Souza, que se lesionou, em mais uma substituição entre jogadores de mesma característica. A troca de Barcos por Gabriel, embora sendo a saída de um atacante e a entrada de um zagueiro, também foi acertada, pois faltavam poucos minutos para o final da partida e era uma maneira de preservar o resultado. Os dias que virão tem tudo para serem positivos para o Grêmio. Seus dois próximos jogos serão em casa. Afora o já referido jogo contra o Santos, pela Copa do Brasil, enfrentará a Ponte Preta, pelo Campeonato Brasileiro. A tarefa contra o Santos, em que tem de reverter a derrota no primeiro jogo, é difícil, mas está longe de ser hercúlea. O Santos é um time modesto, e, apesar da vitória, foi inferior ao Grêmio ao longo da primeira partida  A Ponte Preta, por sua vez, vem mal no Brasileirão, está na zona de rebaixamento, e hoje, após mais uma derrota, ficou sem seu técnico, Paulo César Carpeggiani. Depois de muitas turbulências em 2013, o Grêmio, ao que parece, irá navegar em águas calmas por um bom tempo.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Descritério

Algumas coisas no Rio Grande do Sul são mesmo muito estranhas, ou pior, verdadeiramente incompreensíveis. Não é novidade, para quem aqui habite, a diferença de tratamento espantosamente desigual da crônica esportiva local em relação aos seus dois maiores clubes de futebol, Grêmio e Internacional. Historicamente, desde que se instituiu o jornalismo esportivo por essas paragens, a preferência pelo Inter é escancarada, sem disfarces. Isso, obviamente, não é algo correto, nem deveria ser aceito passivamente, mas, enfim, afora ferir mortalmente a prática do bom jornalismo, não coloca em risco a vida de ninguém. O problema maior é quando orgãos públicos dos quais dependem a segurança dos cidadãos agem em desconformidade com o rigor técnico necessário na sua atividade, e tomam decisões com critérios diferentes para situações análogas. Todos ainda se lembram do estardalhaço feito pela Brigada Militar e Corpo de Bombeiros em relação a área da Arena do Grêmio destinada à Torcida Geral. Maximizou-se um incidente ocorrido no jogo Grêmio x LDU, pela Pré-Libertadores, quando alguns gradis cederam em função da "avalanche", ferindo torcedores. Imediatamente, Brigada e Bombeiros vieram a público para exigir o fim da avalanche e que a área da Geral também recebesse cadeiras, como no restante do estádio. Tudo em nome da "segurança". O fato de que a colocação de cadeiras no local reduziria a capacidade do estádio de 60.500 pessoas para 52 mil não foi levado em conta, ou seja, danem-se os interesses do clube e de seus torcedores. Estabeleceu-se um longo e estressante debate em  torno do assunto. O Grêmio, felizmente, não cedeu na questão das cadeiras, mas teve que concordar com o fim da "avalanche", colocando mais gradis na área, o que reduz a capacidade do estádio para 55 mil pessoas. Pois bem, depois de tamanha queda de braço em relação às dependências do mais moderno e bonito estádio do Brasil, os mesmos orgãos, Brigada e Bombeiros, aprovaram, a toque de caixa, a instalação de arquibancadas móveis no Estádio do Vale, do Novo Hamburgo, a fim de aumentar sua capacidade de seis mil para 15 mil pessoas, possibilitando a sua utilização pelo Inter em jogos do Campeonato Brasileiro. Ontem, quando o Inter fazia apenas o seu terceiro jogo no local, e com um público de pouco mais de duas mil pessoas, parte das arquibancadas móveis vergou, fazendo com que imaginemos a tragédia que poderia ocorrer se o estádio estivesse lotado. O próprio Inter, preocupado, já deseja solicitar para a CBF que seus jogos voltem a ser realizados no Estádio Francisco Stédile, em Caxias do Sul. Porém, o assunto extrapola o terreno esportivo, é uma questão de segurança pública. Trata-se de uma conduta escandalosa por parte da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros. Escandalosa por ter sido irresponsável e facciosa, colocando vidas em risco. Um total descritério em casos muito semelhantes. Rigor excessivo para com um estádio seguro, que acabara de ser inaugurado, e condescendência para com a ampliação, em prazo mínimo, de um estádio acanhado, com a colocação de arquibancadas móveis, que, por si só, não inspiram segurança. Não é possível que fatos como esses passem batidos, sem a cobrança aos responsáveis. São acontecimentos tão graves que merecem a intervenção do governador do Estado para o seu esclarecimento. A segurança das pessoas tem de estar acima de tudo, não pode ser posta em risco por decisões irrefletidas dos orgãos ditos responsáveis. Constatar que tais instituições não ajam com a isenção e o profissionalismo que deveriam ser obrigatórios, tratando de forma diferente as mesmas situações, conforme as partes envolvidas, já é, por si só, revoltante. Se isso implica em ameaça à integridade física das pessoas, é, simplesmente intolerável. Esperemos, em nome do interesse público, que o assunto não caia no esquecimento, e que uma satisfação, se é que é possível, seja dada á opinião pública.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Sem convencer

O Inter goleou o Salgueiro, do interior de Pernambuco,  por 3 x 0, hoje, no Estádio do Vale, pela Copa do Brasil. Porém, o resultado, visto isoladamente, é enganoso. O primeiro tempo terminou com um quase inacreditável 0 x 0. Logo no início do segundo tempo, veio o primeiro gol, consequência de um pênalti grotesco. D' Alessandro cobrou e marcou. O que poderia parecer o início de uma série de gols não se confirmou. O jogo seguiu com o Inter criando chances, mas sem um futebol avassalador, e o segundo gol custou a sair, só ocorrendo devido a uma falha constrangedora do goleiro Mondragón, do Salgueiro, que pulou em branco num cruzamento, permitindo a conclusão de Scocco. No final, quando o placar já parecia definitivo, Diego Forlán fez o terceiro gol. Os 3 x 0 caracterizam uma goleada, mas o Inter esteve longe de realizar uma grande atuação. Indiividual e coletivamente, faltou brilho ao Inter. Ainda que, no início do jogo, Jorge Henrique já tivesse colocado uma bola no travessão, o Inter teve uma produção modesta, e as chances de gol aconteciam mais pela extrema fragilidade do adversário do que por uma imposição técnica. A verdade é que, como já se esperava, o Inter vai para o segundo jogo, na semana que vem, com a classificação para a próxima fase já garantida. A partida de hoje serviu, apenas, para quebrar a série de cinco jogos sem vitória, mas, como teste, seu valor foi nulo. As reais possibilidades do Inter só poderão ser aferidas contra outros adversários. Hoje, o Inter fez pouco mais que um treino, no qual seu rendimento não convenceu.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Derrota indigesta

O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Santos, hoje á noite, na Vila Belmiro, pela Copa do Brasil. Foi uma derrota indigesta, daquelas difíceis de engolir. O Santos, como se esperava, mostrou-se um time limitadíssimo, sem inspiração, e foram do Grêmio as chances mais claras de gol. Barcos e Souza perderam os chamados "gols feitos", e o Grêmio, que tinha tudo para ganhar, sequer levou o empate. Mais uma vez, o técnico do Grêmio, Renato, deu contribuições negativas ao escalar o time e quando procedeu substituições. Bressan voltou após cumprir suspensão, e esse é um velho critério de Renato, isto é, quem sai do time por cartão ou lesão, volta assim que estiver apto. Não é um bom critério. O mais importante no futebol é o rendimento em campo, e Bressan há tempos não vinha jogando bem. Gabriel que entrou em seu lugar contra o Vasco, deu muito boa resposta. Renato, contudo, colocou Bressan de volta ao time, e ele jogou muito mal. Nas substituições, Renato errou, novamente. Ao tirar Riveros para colocar Guilherme Biteco, fragilizou o meio de campo. Mais tarde, ao tentar corrigir o erro, tirou Kléber para colocar Mateus Biteco. Antes que Mateus Biteco pudesse entrar em campo, no entanto, o Santos fez o seu gol. Aqui, cabem várias considerações. Não está escrito em lugar algum que um técnico tenha que fazer uso das substituições em todos os jogos. Há partidas, como a de hoje, em que o rendimento do time, que era bom, e o resultado, que se apresentava satisfatório, recomendavam a manutenção da mesma escalação até o final. As exceções admissíveis seriam possíveis lesões ou o pedido de algum jogador para sair, devido ao cansaço. Não aconteceu nada disso, e, ao fazer as substituições, Renato alterou uma estrutura que estava funcionando a contento. Agora, o Grêmio precisa ganhar o segundo jogo por dois gols de diferença para ir adiante na Copa do Brasil. A tarefa está longe de ser difícil, pois o Santos é muito fraco. Porém, o Grêmio não marcou nenhum gol fora de casa, e isso pode ser perigoso num regulamento que adota o gol qualificado. Outro fato a ser levado em conta é que, embora tenha um time frágil, o Santos é um grande clube, e jogará por um simples empate. Ao perder para um adversário medíocre num jogo em que deveria ter ganho, o Grêmio conseguiu tornar complicada uma classificação que tinha tudo para ocorrer ao natural.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Triste retrato

A morte de Orlando Francisco Rodrigues, segurança e jardineiro, de 70 anos, hoje, em Porto Alegre, acabou tendo repercussão nacional. Rodrigues era um homem simples, um dos tantos anônimos a percorrerem, diariamente, as ruas do país, mas a forma como morreu escancarou, mais uma vez, a precariedade do sistema de saúde no Brasil, num triste retrato. Ele foi acometido de um mal súbito, hoje pela manhã, no centro da cidade. Acionado para que lhe prestasse socorro, o SAMU disse não dispor de nenhuma ambulância para enviar ao local. Pior do que isso, o atendente do SAMU, diante da insistência do repórter Manoel Soares, da RBS TV, respondeu com extrema rispidez ao pedido, dizendo que não havia ambulância e que, se estavam com tanta pressa, deveriam levar Rodrigues para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) ou para a Santa Casa. Depois de mais de 20 minutos de espera, Rodrigues, que recebera atendimento de primeiros socorros do bombeiro Guilherme Limongi Barbieri, de 21 anos, foi transportado para o HPS numa viatura do 9º Batalhão de Polícia Militar, para a qual foi conduzido nos braços, pois não havia maca. Chegou às 10h54min, e teve sua morte constatada às 11h.Talvez Orlando Francisco Rodrigues viesse a falecer de qualquer forma. Porém, a maneira como foi atendido é inaceitável, e expõe o descaso com que a saúde é tratada no Brasil. A falta de uma ambulância para atender uma ocorrência demonstra existir um número insuficiente de viaturas. Por certo, as autoridades alegarão para tanto a crônica ausência de recursos, o que não pode ser aceito. Afinal, saúde, educação e segurança são itens essenciais e devem ser providos pelo poder público. Para isso, os brasileiros pagam impostos em proporção superior a da maioria dos países do mundo. O mínimo que se pode exigir em troca é que, numa cidade de grande porte, capital de um dos estados mais importantes da federação, uma pessoa vitimada por um mal súbito tenha um atendimento imediato e eficiente. Por fatos como esse, é que os manifestantes tomam as ruas em protesto. Foi mais um episódio lamentável na vida brasileira, que há de doer na consciência dos que ainda possuem uma.