domingo, 4 de agosto de 2013
Arbitragem polêmica
O Gre-Nal de hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, terminou empatado em 1 x 1. A figura mais citada depois do jogo, no entanto, não foi nenhum jogador, mas o árbitro Fabrício Neves Corrêa que se viu envolvido por uma grande polêmica. Fabrício conseguiu desagradar a ambos os clubes. Durante a semana, ele já havia sido alvo de insinuações por parte do diretor de futebol do Inter, Luís César Souto de Moura. O Inter, há bastante tempo, critica Fabrício por entender que ele é gremista. Bem, se isso é verdade ou não é outra história, mas não há nada de extraordinário em um gaúcho como Fabrício torcer por um dos dois maiores clubes do Rio Grande do Sul. Incomum seria ele torcer por um clube pequeno, da capital ou do interior. No jogo, Fabrício mostrou o mesmo que em outras ocasiões. Tecnicamente, tem muitas limitações. Na parte disciplinar, é frágil, permitindo que os jogadores lhe pressionem. O resultado do jogo de hoje não passa por ele, já que os gols foram legítimos, mas Fabrício cometeu, pelo menos, dois erros graves. O primeiro foi a não expulsão de Williams, do Inter, que já tinha cartão amarelo e cometeu um pênalti. Deveria, portanto, receber o segundo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho. O erro de Fabrício custou caro ao Grêmio, pois, dois minutos depois de fazer 1 x 0, viu o Inter empatar o jogo numa jogada criada por Williams. O segundo erro foi não ter expulsado Adriano, do Grêmio, que fez uma falta passível de cartão amarelo e já havia recebido um. As expulsões feitas pelo árbitro, de Jorge Henrique e Fabrício, do Inter, e Werley, do Grêmio, contudo, foram justas. A gritaria contra Fabrício Neves Corrêa, nos dois vestiários foi grande, deixando o futebol em segundo plano. O jogo, em si, foi fraco, com poucos lances de gol. O técnico do Grêmio, Renato, surpreendeu ao escalar o time no esquema 3-5-2, que ainda não havia utilizado. Conseguiu fazer com que o Grêmio fosse melhor que o Inter ao longo do jogo, mas errou ao não começar a partida com Máxi Rodriguez que, entrando, mais uma vez, por pouco tempo, deixou, novamente, excelente impressão. O resultado foi melhor para o Inter do que para o Grêmio. Afinal, o Inter jogava fora de casa e se manteve a frente do Grêmio na tabela. Para o Grêmio, por ser o primeiro Gre-Nal da história da Arena, e pela necessidade de subir na classificação, o empate foi frustrante. Porém, cabe lembrar que o Grêmio jogou desfalcado de dois de seus principais jogadores, Zé Roberto e Vargas, e com um esquema ao qual não está habituado. O empate não permitiu que nenhum dois clubes, que vinham de derrotas, obtivesse uma recuperação. A possibilidade de que isso aconteça foi postergada para o próximo jogo de cada um deles.
sábado, 3 de agosto de 2013
Liberalismo
A revista "Veja" segue cada vez mais convicta no seu papel de principal representante do direitismo no Brasil. Sua orientação editorial não é pluralista, como seria de se esperar da maior revista semanal de informação do país. A linha seguida por "Veja" é o que se pode se chamar de "samba de uma nota só". Como se não bastassem as presenças, entre seus colunista e blogueiros, de figuras com Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Maílson da Nóbrega, a publicação agregou a esse "seleto" grupo o economista Rodrigo Constantino. Como novo colunista da edição on-line da revista, Constantino apresenta-se da seguinte maneira: "Coloco no topo da minha hierarquia a liberdade individual, contra os diferentes tipos de coletivismo. A "voz do povo" não é a voz de Deus, e toda a tirania deve ser condenada, inclusive a da maioria". O economista se define como "um liberal clássico". Um dos sete livros que escreveu intitula-se "Privatize Já". Num país marcado pela desigualdade e injustiça, por uma enorme concentração de renda nas mãos de poucos privilegiados, "Veja" e seus colunistas apontam como solução o encolhimento do Estado e as privatizações. Defendem a "liberdade individual", em detrimento dos interesses da coletividade. Para uma população que foi às ruas protestar pela más condições da saúde, educação e segurança públicas, oferecem como remédio a exploração privada de atividades essenciais, tendo a busca do lucro como fator prevalente. Para quem ainda tem dúvida do que acontece, na prática, quando as postulações da publicação são adotadas, basta lembrar que Maílson da Nóbrega, como ministro da Fazenda, foi o responsável pelo maior índice inflacionário da história do país. Felizmente, para o Brasil, as multidões que foram para as ruas não partilham das ideias de "Veja". Elas querem um estado mais eficiente e menos corrupto, mas não desejam o liberalismo, seja ele "neo" ou "clássico". Até porque, adotar uma cartilha econômica liberal num país com as chagas sociais do Brasil seria o mesmo que tentar curar uma ressaca bebendo mais álcool.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Vexame histórico
A goleada de 8 x 0 imposta pelo Barcelona ao Santos, hoje, no Nou Camp, expõe o futebol brasileiro a um vexame histórico. Sim, porque essa derrota não afeta apenas o Santos e sua torcida, mas o futebol do país como um todo. Era o primeiro jogo de Neymar, pelo Barcelona, no Nou Camp. Valia, também, pelo tradicional troféu Joan Gamper. Uma partida assim tem repercussão internacional. Aos 10 minutos do primeiro tempo, o Santos já perdia por 2 x 0! Aos 28 minutos, o placar já apontava 4 x 0 para o Barcelona, resultado que se manteve até o intervalo, única e exclusivamente porque o time espanhol não forçou o jogo, o que, por certo, redundaria em mais gols. Ainda assim, logo no início do segundo tempo, o Barcelona chegou aos 5 x 0. Fez mais três gols, chegando ao exótico e humilhante 8 x 0, com quatro gols em cada tempo. Há menos de dois anos, em dezembro de 2011, os dois clubes se enfrentaram pela decisão do Campeonato Mundial, e o Santos, com Neymar e tudo, foi goleado por 4 x 0, e levou um "banho de bola". O jogo de hoje, no entanto, ainda que não se compare em importância com aquele, teve um resultado muito mais constrangedor, e isso que Neymar jogou apenas o segundo tempo, e só esteve junto com Messi em campo por 16 minutos. O Santos é um dos grandes clubes brasileiros. Foi o primeiro clube do país a ganhar a Libertadores e o Mundial, com um time, tendo Pelé como maior estrela, que é o melhor do Brasil em todos os tempos. O Santos já ganhou três Libertadores e dois Mundiais. Não pode sofrer uma goleada tão fragorosa, mesmo de um time qualificadíssimo como o atual Barcelona. O vexame de hoje deve servir como um sinal de alerta para o futebol brasileiro, cujos maiores clubes perdem, ainda muito jovens, os grandes talentos que revelam, e repatriam veteranos em fim de carreira. O Brasil é o único país que disputou todas as Copas do Mundo, e o que mais venceu a competição, num total de cinco vezes. Também é um celeiro inesgotável de grandes jogadores. Porém, o atual estágio do futebol brasileiro é preocupante. A goleada sofrida pelo Santos tornou isso ainda mais evidente. Está mais do que na hora de buscar meios de restituir ao futebol brasileiro o poderio de outros tempos, ou o fosso em relação aos clubes europeus será cada vez maior.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Os protestos não pararam
Algumas manifestações nas seções de leitores dos jornais e nas redes sociais expressavam a impressão de que, após os movimentos que varreram o país no mês de junho, com multidões protestando nas ruas, tudo teria voltado ao normal, ou seja, um estado de letargia. Não é verdade. Todos os dias tem ocorrido protestos no Brasil. No Rio de Janeiro, continuam as manifestações nas cercanias da residência do governador Sérgio Cabral Filho. A Câmara de Vereadores foi ocupada, a exemplo do que havia ocorrido em Porto Alegre. Em São Paulo e Belo Horizonte, também se verificam protestos. Hoje, em Porto Alegre, manifestantes se concentraram em frente ao prédio onde reside o prefeito José Fortunatti. Como se vê, a mobilização não cessou. Claro que, passado o impacto inicial da ida de milhões de pessoas às ruas, os protestos se tornam mais específicos em suas motivações e reúnem grupos menores, mas, tudo indica, eles vieram para ficar. O brasileiro pegou gosto pelas reivindicações, pelo exercício da democracia. Sabe que, sem pressionar os políticos, nada se consegue. Nem mesmo durante a visita do Papa Francisco ao Brasil os protestos cessaram. Eles se incorporaram à rotina do país. A forma convencional de se fazer política não estava mais se mostrando suficiente para o atendimento das demandas populares. Foi preciso o clamor das ruas para que os políticos saíssem da sua acomodação. Muitos condenam as manifestações, tachando-as de baderna. Nada mais falso. Elas não são novidade em outros lugares do mundo. Por aqui, a já conhecida tendência do brasileiro ao imobilismo, fez com que ocorressem de forma muito esporádica. Não é mais assim. Se os governantes e parlamentares estão contando que, com o tempo, tudo voltará a ser como antes, podem desistir. Terão, de agora em diante, de conviver com a pressão permanente das ruas.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Perspectivas sombrias
O Grêmio perdeu por 2 x 0 para o Corinthians, hoje à noite, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. Em cinco jogos fora de casa, no Brasileirão, o Grêmio teve três derrotas e dois empates. A mudança de técnico, com a saída de Vanderlei Luxemburgo e a entrada de Renato, surtiu pouco efeito. O time não demonstra nenhuma evolução técnica, nem tática. Houve alguma melhora anímica, mas, hoje, nem isso se verificou. Na derrota para o Corinthians, o Grêmio foi um time amorfo, e que não atacou. Nem mesmo o erro de arbitragem, no primeiro gol do Corinthians, marcado por Émerson em impedimento, serve como atenuante. Renato começou cometendo um erro grave, ao escalar Kléber e deixar Vargas no banco. Errou mais, ainda, ao só mexer no time aos 32 minutos do segundo tempo, quando o Corinthians, que ganhava o jogo, já havia feito suas três substituições. A primeira, de Zé Roberto por Guilherme Biteco, ainda no primeiro tempo, não conta, pois foi motivada por uma lesão. As individualidades seguem sem dar resposta no Grêmio. Kléber e Barcos foram duas nulidades, Elano joga cada vez menos, Zé Roberto abusa dos toques laterais. Há também uma lacuna terrível na lateral direita, onde a mediocridade de Pará acaba com a paciência de qualquer um. Em termos de atuações, o único destaque foi Riveros, mais uma vez o melhor jogador do Grêmio em campo. No entanto, isso é muito pouco para as pretensões de um clube como o Grêmio. O presidente do Grêmio, Fábio Koff, ao trazer Renato de volta, tomou uma medida populista, para obter apoio da torcida. O mais indicado seria contratar Cristovão Borges, de grande trabalho no Vasco, e que agora brilha no Bahia. Foram apenas cinco jogos do Grêmio com Renato, é verdade, mas, mesmo assim, o time já teria de apresentar melhoras consistentes. Isso não aconteceu. As perspectivas do Grêmio não parecem nada animadoras, pelo contrário, são bastante sombrias.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Decisão absurda
A decisão da Brigada Militar de que o Gre-Nal do próximo domingo, na Arena, tenha torcida única do mandante, o Grêmio, é absurda. O Gre-Nal, hoje reconhecido, até fora do Rio Grande do Sul, como o clássico de maior rivalidade do futebol brasileiro, vem, infelizmente, sofrendo um processo de esvaziamento, e, o que é pior, com a participação dos próprios clubes. Tudo começou, há alguns anos, quando, sob a alegação de preservar os interesses de seus associados, cada vez em maior número, Grêmio e Inter passaram a fornecer para o visitante apenas 2 mil ingressos nos Gre-Nais. Agora, tendo como argumento a impossibilidade de garantir a chegada da torcida do Inter em segurança ao estádio, a Brigada Militar determina que o Gre-Nal tenha a presença, apenas, da torcida do clube mandante. Isso é uma confissão de incompetência! Como pode uma corporação cuja finalidade é zelar pela segurança pública declarar-se incapaz de proporcioná-la? O maior espetáculo esportivo do Rio Grande do Sul é descaracterizado no seu brilho porque quem deveria garantir a segurança de sua realização se declara incapaz de fazê-lo? O pior é que o Ministério Público acatou a determinação da Brigada Militar. Frequento estádios desde 1971. Assisti ao meu primeiro Gre-Nal em 1972. Sempre com estádios cheios e com cerca de 40% do espaço reservado para o visitante. Era um espetáculo belíssimo e de um notável colorido. Um lado em azul, preto e branco, outro em vermelho e branco. Tudo isso está virando uma doce lembrança. Estão acabando com o Gre-Nal. A Brigada Militar não pode assumir tamanho protagonismo. A corporação existe para servir à sociedade, não para submetê-la aos seus caprichos e à sua autodeclarada incompetência. Espero que, até o final da semana, essa absurda decisão venha a ser modificada, se preciso for, até mesmo, com a intervenção do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Abuso
O conflito ocorrido ontem entre torcedores da Geral do Grêmio e soldados da Brigada Militar, na Arena, antes do início do jogo entre Grêmio e Fluminense, foi de culpa exclusiva dos integrantes da corporação policial. A reação dos torcedores se deu após a covarde agressão ao torcedor conhecido como "Gaúcho da Geral". O torcedor foi estupidamente agredido por que portava uma muleta que adaptara como mastro para a bandeira do Rio Grande do Sul que sempre carrega consigo. "Gaúcho da Geral" é um frequentador assíduo dos estádios, e não se sabe de nenhuma conduta indevida de sua parte. A alegação de que ele não poderia estar de muletas naquele setor do estádio, e de que a mesma poderia se converter numa arma, varia entre o patético e o ridículo. Não faltam, é claro, dentro e fora da imprensa, os "paladinos da moral" defendendo a ideia de que a Brigada Militar tem mais é de "baixar o cacete" mesmo. Outros aproveitam para pedir que o Grêmio acabe com a torcida Geral de uma vez por todas. A apresentadora Renata Fan, da Rede Bandeirantes, fanática torcedora do Inter, diz que a culpa do incidente é do Grêmio, por insistir em manter um setor do estádio sem assentos, contrariando o que acontece em todas as arenas modernas. Afora a facciosidade, Renata Fan demonstra desinformação. O estádio do Borussia Dortmund, por exemplo, reserva 25 mil lugares, de uma capacidade total de pouco mais de 70 mil, para uma área sem assentos, de ingressos de custo mais baixo e que concentra os torcedores mais entusiasmados. A verdade é que, desde o início, a Brigada Militar está exorbitando em relação a Arena. Subitamente, no Brasil, em função do tal "padrão Fifa" resolveu-se, na base do "canetaço", mudar a forma de se torcer no futebol. Não se quer mais permitir torcedores portando bandeiras com mastro, tirando a camisa, entre outras imposições absurdas só concebíveis por quem nunca entrou num estádio. O Grêmio já sofreu um enorme prejuízo ao ter de instalar gradis na área da Geral que reduziram a capacidade do setor, e, agora, poderá perder o mando de campo em alguns jogos em função de um fato que só ocorreu devido ao despreparo e truculência da Brigada Militar. Está mais do que na hora do Grêmio dispensar os serviços da Brigada Militar e contratar seguranças privados para os dias de jogos. Isso trará mais tranquilidade e segurança para os frequentadores da Arena. O que se viu ontem foi uma clara demonstração de abuso policial injustificável contra um torcedor indefeso. As reações de outros torcedores, ainda que violentas, foram mera consequência.
domingo, 28 de julho de 2013
Fiasco
O Inter foi goleado pelo Náutico por 3 x 0, hoje à tarde, na Arena Pernambuco, pelo Campeonato Brasileiro. Não há outra classificação para esse fato que não seja a de fiasco. Ainda que seja verdade que os dois últimos gols tenham ocorrido no final do jogo, quando o Inter lançou-se ao ataque na busca do empate, a derrota é injustificável e, tendo sido por goleada, torna-se ainda mais constrangedora. Afinal, o jogo começou com os dois clubes em posições extremas na tabela. Na liderança, o Inter, na lanterna, o Náutico. Deve-se destacar, contudo, que, mesmo nas quatro vitórias consecutivas que obteve antes da partida de hoje, o Inter não chegou a jogar bem. Em todas elas, também, a presença de D'Alessandro foi, quase sempre, preponderante. Hoje, sem seu principal jogador, o Inter, mais uma vez, não encontrou soluções. O resultado é uma ducha de água fria na semana que antecede o primeiro Gre-Nal da Arena. A única vantagem do Inter é que o Grêmio terá um jogo dificílimo contra o Corinthians, na quarta-feira, fora de casa. Se o Grêmio tiver um mau resultado, somado ao desgaste do jogo em si, enquanto seu maior rival passará a semana apenas treinando, é possível que o Inter venha a ganhar confiança para o Gre-Nal. Até lá, no entanto, o caldeirão colorado irá ferver. Uma derrota como a de hoje não se assimila tão facilmente.
Sem brilho
O Grêmio venceu o Fluminense por 2 x 0, hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Era uma vitória que, pelas circunstâncias, era praticamente obrigatória. Afinal, o Grêmio vinha de uma derrota para o modesto Criciúma, jogava em casa, e seu adversário tinha perdido as quatro partidas anteriores. No entanto, embora tenha obtido a vitória de que precisava, o Grêmio, mais uma vez, exibiu um futebol sem brilho. No primeiro tempo, que terminou empatado em 0 x 0, o Grêmio mostrou pouca produtividade, com exceção de uma forte pressão exercida nos últimos minutos. Ainda assim, o Grêmio foi prejudicado pela não marcação de um pênalti claríssimo de Leandro Euzébio sobre Barcos. No segundo tempo, o Grêmio marcou um gol cedo, com Riveros, e depois ampliou, com Kléber, mas não fez muito mais do que isso em termos ofensivos. Algumas atuações individuais deixaram bastante a desejar. Foi o caso de Elano, apagadíssimo durante todo o tempo que esteve em campo, e de Zé Roberto, que, novamente, abusou de toques laterais improdutivos. Por outro lado, três jogadores se destacaram. Alex Telles voltou a jogar muito bem, Kléber fez sua melhor partida pelo Grêmio em 2013, e Riveros, que fazia sua estreia, marcou um gol e foi o melhor em campo. A vitória foi muito importante, mas o Grêmio não terá tempo para respirar. Na quarta-feira, jogará contra o Corinthians, fora de casa, e, no próximo domingo, terá o primeiro Gre-Nal da história da Arena. Grandes desafios para um time que ainda tem muito o que melhorar, mas que, com a vitória de hoje, serão enfrentados com mais confiança.
sábado, 27 de julho de 2013
O legado da jornada
Amanhã terminará a Jornada Mundial da Juventude, e o Papa Francisco retornará ao Vaticano. Durante toda a semana, o Brasil voltou seus olhos para o Rio de Janeiro. Francisco, inegavelmente um papa simpático e carismático, mobilizou multidões. Hoje, em Copacabana, 3 milhões de pessoas estiveram presentes a mais um contato com o pontífice. Um número verdadeiramente impressionante, pois representa o dobro da população de Porto Alegre concentrada nos poucos quilômetros de Copacabana. O sucesso de público de Francisco, portanto, é inegável. A cobertura midiática de sua estada no Brasil foi ampla. No entanto, aproximando-se o momento do final da Jornada e do retorno do papa ao Vaticano, impõe-se o questionamento sobre o que ficará como legado para a Igreja e a sociedade dessa semana tão intensa. A escolha de Francisco como papa não se deu por acaso. Seu despojamento, sua opção pelos pobres, sua fala objetiva e sem rodeios, sua acessibilidade, são essenciais para tentar dar uma nova imagem a uma Igreja marcada por escândalos e pelo distanciamento de seus fiéis. O fato de ser um sul-americano também não é aleatório, pois a América do Sul é o lugar do mundo onde, mesmo perdendo adeptos como em todas as outras regiões do globo, a Igreja ainda é largamente preponderante. Porém, o que de prático a passagem de Francisco pelo Brasil irá mudar na relação da Igreja com seus fiéis e no encolhimento do número de adeptos? Muito pouco. Mesmo encantadas com a simpatia de Francisco, as pessoas não irão aceitar as imposições e os dogmas da Igreja. Mesmo entre os que se declaram católicos, a maioria aprova o uso da camisinha e da pílula anticoncepcional, práticas condenadas pela Igreja. Pouquíssimas pessoas nos dias de hoje, mesmo entre os fiéis, estão dispostas a manterem a castidade antes do casamento, outra preceito defendido pela Igreja. Até mesmo a homossexualidade, ainda rejeitada pela maioria da população, não recuará no seu avanço rumo a aceitação pela sociedade. O papa foi muito bem recebido no Brasil, que viveu uma semana de festa em torno de sua figura, mas nem mesmo o seu carisma será capaz de reverter a perda de fiéis para outras religiões nem o constante aumento do ateísmo. Se não revisar suas posturas e alterar significativamente o seu discurso, a Igreja terá sua crise agravada. Nada indica, contudo, que isso venha a acontecer.
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