sábado, 15 de junho de 2013

Estreia animadora

A Seleção Brasileira goleou o Japão por 3 x 0, hoje à tarde, no Mané Garrincha, em Brasília, no jogo de abertura da Copa das Confederações. Foi uma estreia animadora. Eram decorridos, apenas, três minutos do primeiro tempo, e a Seleção já fazia 1 x 0 no placar, num belo gol de Neymar. A equipe seguiu jogando bem, e teve outras oportunidades para marcar, mas o placar não se modificou até o final do primeiro tempo. Logo no início do segundo tempo, curiosamente também aos três minutos, veio o 2 x 0, e quando tudo indicava que o placar não seria mais movimentado, aconteceu o terceiro gol, nos acréscimos. Foi uma vitória convincente, no primeiro jogo oficial da Seleção Brasileira desde a Copa América de 2011. Neymar, que vinha gerando preocupações pelos seus desempenhos modestos e pela ausência de gols, quebrou o jejum e jogou bem. Oscar foi outro destaque individual da equipe, que, coletivamente, apresentou-se bem. A segunda vitória consecutiva, novamente goleando por 3 x 0, mostra que há evolução no trabalho da Seleção e aumenta o ânimo e a confiança dos jogadores e da torcida. O próximo jogo, quarta-feira, será contra o México, em Fortaleza. Muitos estão temerosos, pois o México tem sido a "touca" da Seleção nos últimos anos. Não penso assim. Jogando no Brasil, contra um estádio lotado de torcedores apoiando a Seleção, o México não deverá opor maior resistência. O incômodo tabu tem tudo para acabar. Ainda falta muito para a Seleção Brasileira ser uma equipe confiável, mas o pessimismo já pode ser substituído pela esperança.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Vai começar

Amanhã terá início a Copa das Confederações. A competição ainda não firmou uma tradição, pois é, relativamente, recente. Como seu próprio nome diz, reúne as seleções campeãs de cada confederação, e mais a detentora do título da Copa do Mundo. Teve como embrião uma competição promovida pelo Rei Fahd, da Arábia Saudita, mas, em 1997, foi encampada pela Fifa. Inicialmente, era realizada a cada dois anos. A partir de 2005, passou a ser realizada a cada quatro anos, e no mesmo país-sede da Copa do Mundo. Assim, um ano antes da maior competição do futebol mundial, a Copa das Confederações lhe serve de evento teste. A Seleção Brasileira já a conquistou por três vezes, em 1997, 2005 e 2009, sendo portanto a atual campeã. Ganhar essa competição não é algo diretamente relacionado com a conquista da Copa do Mundo, tanto é assim que a Seleção venceu as duas últimas edições da Copa das Confederações mas não teve o mesmo êxito na competição maior. No entanto, a Copa das Confederações de 2013 terá um significado especial para o Brasil. Ela servirá de teste para a Copa do Mundo de 2014, permitindo que se avalie o que precisará ser feito para que, no ano vem, tenhamos um evento exitoso no país. Será a hora de testar a acessibilidade e o conforto dos estádios, o tratamento dispensado aos turistas, a mobilidade urbana, a receptividade local a competições dessa magnitude. Em meio a tudo isso, será a oportunidade para a Seleção Brasileira firmar uma equipe e conquistar a confiança do torcedor para a Copa do Mundo. A Seleção está com sua imagem desgastada junto à torcida, e já não desperta a mesma paixão. Duas competições de tão alto nível, em dois anos consecutivos, trazendo ao país o melhor do futebol mundial, representam a chance de resgatar a velha chama. Agora, deixemos de lado as críticas rançosas contra a realização dessas competições no Brasil, e desfrutemos o privilégio de tê-las em nosso país. A partir de amanhã, a hora é de torcer pela Seleção, e apreciar o espetáculo que vai começar.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Cidadania

Os protestos contra o aumento nos preços das passagens de ônibus que estão acontecendo em várias capitas brasileiras, mostram que o país está mudando. Como era de se esperar, os mais conservadores classificam os manifestantes de baderneiros e vibram com atitude violentas de repressão por parte da polícia. Também não faltam governantes, como foi o caso dos governadores do Rio de Janeiro e de São Paulo, Sérgio Cabral Filho e Geraldo Alckmin, respectivamente, que classificam os protestos como atos políticos e não uma manifestação espontânea da população. Há, infelizmente, quando de movimentos desse tipo, aqueles que se excedem, agindo como vândalos, aproveitando-se do anonimato dos que se misturam a uma multidão. Porém, não me parece que seja uma "ação orquestrada" para desestabilizar administrações. O que está ocorrendo é que, depois de longos períodos ditatoriais que sufocavam as manifestações próprias da condição de cidadãos, o Brasil vive um período de continuidade democrática que já dura 28 anos. Com isso, a passividade do povo brasileiro, sempre tão criticada, está, aos poucos, cedendo lugar ao ímpeto reivindicatório. As pessoas não estão mais dispostas a aceitar, resignadamente, os ataques ao seu bolso. As tarifas dos ônibus urbanos, com seus constantes aumentos, causam sensíveis perdas financeiras aos usuários. Esse tipo de transporte é essencial, não eletivo. Milhões de pessoas necessitam dele para se deslocar ao local de trabalho ou estudo. Trata-se de um serviço de largo alcance social, que não pode ser visto sob a vil perspectiva do lucro. As pichações e depredações que acompanham alguns desses protestos, devem ser repudiadas, e o excesso dos atos de repressão, também. Não se justifica o uso de balas de borracha, ferindo várias pessoas, entre elas jornalistas. Ainda que com alguns excessos criticáveis por parte dos manifestantes, os protestos que estão se espalhando pelo país são a demonstração de que, finalmente, os brasileiros estão aprendendo a exercer a sua cidadania.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vendendo ilusões

O Grêmio empatou em 1 x 1 com o São Paulo, hoje à noite, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Pela enésima vez, Vanderlei Luxemburgo arriscou começar o jogo com três atacantes. Sacou Elano do time e escalou Welliton. Também pela enésima vez, não deu certo. Luxemburgo tomou essa decisão de última hora pelo fato do São Paulo ter sido escalado com três atacantes. Na prática, o desempenho do Grêmio com essa escalação, no primeiro tempo foi desastroso. O time foi envolvido pelo São Paulo, e teve uma péssima atuação. Enquanto, no ataque do São Paulo, só Aloísio destoava, com Luis Fabiano e Osvaldo se destacando, no Grêmio, Welliton, novamente, foi horroroso, Kléber continuou dando encontrões nos zagueiros, e Barcos errava quase todos os lances. A consequência foi a derrota parcial por 1 x 0. No segundo tempo, o Grêmio voltou com Elano e Guilherme Biteco, e com outro ânimo, emparedando o São Paulo. Ainda assim, conseguiu apenas o empate, no final do jogo, no "abafa" em uma cobrança de escanteio. Um empate que, talvez, não tenha sido o melhor para o Grêmio, pois uma derrota potencializaria a hipótese da saída do técnico Vanderlei Luxemburgo, a quem a torcida não suporta mais. No entanto, não tendo sido o Grêmio derrotado, Luxemburgo prosseguiu com seu discurso de que o time está no caminho certo e de que o Grêmio é candidato ao título, e o presidente Fábio Koff reiterou sua confiança no trabalho do técnico. As falas de Luxemburgo e Koff estão tão desconectadas do que se observa em campo, que eles podem ser classificados de vendedores de ilusões. Porém, depois de tudo que já foi visto, até aqui, de um Grêmio que só frustra o seu torcedor, é improvável que alguém ainda se disponha a comprá-las.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Lobby gay

Em encontro com membros da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos, o Papa Francisco reconheceu a existência de um "lobby gay" dentro da Cúria Romana, fato que lamentou. A afirmação, partindo do papa, deverá ter grande repercussão e escandalizar os fiéis mais sensíveis e puritanos, mas não deveria espantar ninguém. A homossexualidade é algo inerente à humanidade. Não é uma doença, nem uma perversão, é uma condição sexual de algumas pessoas. Como o sexo sempre foi um tabu em quase todas as sociedades, uma atividade sexual tida como fora da "normalidade" sempre gera desconforto. Com isso, ao longo do tempo, a homossexualidade foi coberta pelo véu da hipocrisia. A sociedade fingia que não a percebia, obrigando os homossexuais a viverem nas sombras. Não lhes era dado o direito de "saírem do armário", pois o repúdio social era enorme. Os que ousavam fazê-lo eram colocados num papel caricato e estigmatizado, servindo de chacota para as pessoas "normais". Muitos se espantam, e se mostram inconformados, com a visibilidade e a influência dos gays nos tempos atuais. Nunca se falou tanto sobre eles, seus direitos e reivindicações. Eles vão para as ruas, mostram a sua cara, estão nas mais diferentes profissões, não mais apenas como cabeleireiros ou maquiadores. Não há nisso nada a ser recriminado, pelo contrário. Os tempos em que vivemos abrigam muitas iniquidades, como, de resto, aconteceu em qualquer época. Porém, se há algo de bom nesse período da história que atravessamos, é a disposição das chamadas "minorias sociais" de ganharem vez e voz. Elas buscam o seu espaço, não aceitam mais a discriminação e a segregação. Encontram, é claro, a resistência dos mais conservadores, mas não se dobram mais diante dela. Não há mais lugares onde não se façam presentes. Porque a Cúria Romana ficaria de fora? Seus integrantes, ainda que devotados à vida religiosa, são seres humanos. Sendo assim, estão sujeitos a todas as manifestações próprias da condição humana, e a homossexualidade é uma delas.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Troca desvantajosa

O futebol brasileiro está se desfazendo, cada vez mais cedo, das suas jovens revelações, e contratando veteranos como nunca fizera antes. Foi-se o tempo em que os torcedores se entusiasmavam com os novos valores que assistiam nos jogos preliminares (que, por sinal, não existem mais). Hoje, quanto mais qualificado for o jogador, menos tempo ele permanecerá no clube que o revelou. Em pouco tempo, tomará o caminho do exterior, onde fará sua independência financeira. Sequer resta aos clubes o consolo de receber uma grande quantia quando da venda do jogador, pois só uma fatia dos seus direitos econômicos lhe pertence. Hoje em dia, antes mesmo de se profissionalizarem, os jogadores já estão ligados a empresários e outros sanguessugas do futebol que adquirem partes dos seus direitos. Assim, aqueles jogadores revelados por um clube e que nele permaneciam por longos anos, conquistando títulos e agregando novos torcedores que o tomavam como ídolo, são, apenas lembranças do passado. Incapazes de  reter suas revelações, os clubes se obrigam a vendê-las, e para ocupar o seu lugar, trazem veteranos de grande nome, os quais carregam consigo alguns inconvenientes. Em primeiro lugar, por serem jogadores de idade avançada, sua utilização não pode ser por um prazo muito longo. Outra desvantagem é que, também em função da idade, tem pouca ou nenhuma chance de serem negociados, mais adiante, com outro clube. Por último, seu currículo vitorioso faz com que venham ganhando altos salários. Dessa forma, enquanto as três maiores revelações dos últimos anos no Brasil, Neymar, Lucas e Oscar, já tomaram o caminho da Europa, veteranos que já não interessam ao futebol daquele continente aportam por aqui. São muitos os exemplos. Zé Roberto, 38 anos, e Cris, 35, do Grêmio. Seedorf, 37 anos, do Botafogo. Alex, 35 anos, do Coritiba. Juan, 35 anos, e Diego Forlán, 33, do Inter. Deco, 35 anos, do Fluminense. Ao contrário do que dizem alguns, o futebol brasileiro continua a produzir novos valores, incessantemente, mas de que adianta, se eles não permanecem no país?. Fernando, grande revelação do Grêmio, também já está indo jogar lá fora. Guilherme Biteco e Misael, outros jovens surgidos no Grêmio, nem tinham jogado pelos profissionais e já estavam negociados com o exterior. Agora, vindos do Torneio de Toulon, onde foram campeões pela Seleção Brasileira de Novos, surgem com destaque, Ygor Mamute e Mateus Biteco, que já tinham tido participações no time principal do Grêmio. Se confirmarem a expectativa em torno do seu futebol, quanto tempo permanecerão por aqui? Vale a mesma pergunta para Otavinho, grande revelação do Inter. São jogadores que, por sua qualidade e por serem formados no próprio clube, teriam tudo para se transformarem em grandes ídolos de suas torcidas, mas não se lhes dá tempo para isso, pois logo tomam o rumo do exterior. Um triste quadro, que se agravou desde a edição da malfadada "Lei Pelé", que favorece jogadores, empresários, e todo o tipo de aproveitadores ligados ao futebol, e sacrifica justamente o que há de mais importante nele, que são os clubes.

domingo, 9 de junho de 2013

Goleada

A Seleção Brasileira goleou a França por 3 x 0, hoje à tarde, na Arena do Grêmio, em jogo amistoso. O resultado, é claro, deve ser visto com as devidas reservas. O primeiro tempo terminou empatado em 0 x 0, e a França criou várias chances de gol. No segundo tempo, o panorama seguia semelhante até a Seleção abrir o placar. A partir daí, o entusiasmo brasileiro, somado ao cansaço do adversário, fez com que a França se limitasse a se defender, conformada em perder de pouco. Nem isso, no entanto, foi possível, e, nos minutos finais de jogo, a Seleção Brasileira marcou mais dois gols, um deles de pênalti. O valor maior dessa vitória foi quebrar o ciclo de resultados negativos contra grandes seleções, que vinha desde 2009, e o tabu de não ganhar da França desde 1992. Afora isso, o resultado serve de alento para a Seleção para a estreia na Copa das Confederações, contra o Japão, sábado, no Mané Garrincha, em Brasília. Como destaques individuais no jogo de hoje, podem ser apontados Oscar, Marcelo e Hernanes. Este último, mesmo jogando por pouco tempo, marcou um gol e mostrou que, sempre que entra na equipe, colabora de maneira efetiva. Outro que merece ser lembrado é Hulk. Embora tenha feito reiteradas críticas ao seu futebol, devo reconhecer que teve grande movimentação e foi um atacante perigoso e insinuante. O destaque negativo foi David Luiz, que esteve inseguro no jogo, abusando das faltas e quase marcando um gol contra. Merece ser realçada, também, a linda festa proporcionada pela torcida, emoldurada pela belíssima Arena do Grêmio, estádio que colheu elogios entusiasmados dos que vieram de longe para assistir ao jogo, ou fazer a sua cobertura para os meios de comunicação. Tomara que, a exemplo do que ocorreu em 2001, o Rio Grande do Sul tenha sido o local do início de uma caminhada vitoriosa da Seleção Brasileira.

O mesmo de sempre

O Grêmio perdeu por 2 x 0 para o Atlético Mineiro, na Arena do Jacaré, pelo Campeonato Brasileiro. A atuação do Grêmio foi uma repetição enfadonha de tantas outras. Um time de pouca intensidade, lento, com excessiva troca de passes e sem poder ofensivo. Kléber e Barcos, atacantes caros e famosos, continuam jogando mal. Seus salários, somados, devem chegar a R$ 1 milhão, ou quase. Muito dinheiro para nenhum retorno. O técnico Vanderlei Luxemburgo acabou por se render à realidade e trocou os dois por Welliton e Lucas Coelho. Não adiantou. Welliton comprovou que não tem futebol para jogar no Grêmio, e Lucas Coelho desperdiçou uma oportunidade de gol imperdível. O Atlético Mineiro vinha de seis jogos sem vitória, e encontrou no Grêmio um adversário que facilitou a sua reabilitação. O tempo passa e o Grêmio não evolui. Jogadores saem, outros chegam, mas o rendimento segue insuficiente. O ideal seria que, depois do jogo atrasado contra o São Paulo, na quarta-feira, independentemente do resultado, o Grêmio trocasse o seu técnico, mas isso, infelizmente, não deverá acontecer.

sábado, 8 de junho de 2013

O gol do alívio

O Inter empatou em 2 x 2 com o Cruzeiro, hoje á tarde, na Arena do Jacaré, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado, que em outras circunstâncias seria bom, dessa vez não tem porque ser festejado, pois o Inter está muito atrasado na tabela, tendo ganho apenas um jogo em cinco disputados. Ainda assim, o belo gol de Gabriel, que determinou o placar final, trouxe um certo alívio. Afinal, o Inter saiu ganhando mas permitiu a virada, que aconteceu após um pênalti ridículo cometido por Rafael Moura, que deu um tapa na bola. O Inter estava se encaminhando para mais uma derrota, o que, certamente, faria eclodir uma crise no clube, aferventando o ambiente durante os 30 dias em que o Brasileirão ficará paralisado. Até a continuidade de Dunga como técnico do Inter poderia ficar ameaçada. Nesse sentido, o gol de Gabriel foi providencial. Ele permitiu ao técnico e aos dirigentes a valorização do resultado, destacando que o Inter jogou melhor que o Cruzeiro e que o adversário é qualificado e um dos grandes clubes do futebol brasileiro. Em termos objetivos, no entanto, a campanha do Inter é preocupante. Nos cinco jogos que realizou antes da parada da competição, obteve apenas seis pontos em 15 disputados. Para se ter uma ideia da precariedade desse desempenho, seu maior rival, o Grêmio, ganhou sete pontos em nove disputados, ou seja, mesmo que perca os dois jogos que tem atrasados em relação ao Inter, ainda assim ficará com um ponto a mais. Se ganhar as duas partidas, o Grêmio abrirá sete pontos de vantagem sobre o Inter. O que, verdadeiramente, o jogo deixou de bom para o Inter foi a atuação de Otavinho. O menino foi o melhor jogador do Inter em campo, e parece ser mais uma grata revelação das categorias inferiores do clube. Afora isso, ficou, mais uma vez, a certeza de que o Inter precisará agregar muita qualidade, tanto ao time quanto ao grupo, para poder sustentar pretensões maiores no campeonato.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A interdição do Engenhão

Num país em que novos escândalos surgem a cada dia, o do momento é o da interdição do Engenhão. O estádio, construído há, apenas, seis anos, em 2007, para os Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, foi interditado em março, por deformações em sua cobertura metálica. Agora, três meses depois, revela-se que a reforma necessária levará um ano e meio, o que fará com que o estádio só venha a ser reaberto em 2015! Cabe lembrar que o Engenhão custou mais de 300 milhões de reais. Como pode um estádio tão novo e caro já apresentar defeitos estruturais que resultem na sua interdição? Não se trata, é óbvio,de uma fatalidade, mas, sim, do resultado de uma construção mal realizada. O curioso é que ninguém assume a responsabilidade pelo ocorrido. O consórcio que construiu o estádio diz que nada teve a ver com isso. Como sempre, ninguém deverá ser responsabilizado. Os clubes do Rio de Janeiro continuarão com o prejuízo de não ter um estádio para jogar, tendo de realizar partidas no interior, ou até, em outros estados. A reforma, por certo, não custará barato, em mais uma farra com dinheiro público. O futebol, é claro, não é uma ilha. Ele reproduz, em seu âmbito, as vicissitudes do país como um todo. O cidadão comum, no caso o torcedor, é o pato da história. Ele encara o futebol com paixão, enquanto outros enxergam esse esporte, somente, como uma oportunidade de ganhos financeiros. A reforma do Engenhão servirá para que as empresas que a realizarem obtenham altas somas pelo serviço, pago com dinheiro público. Até que ela seja concluída, o torcedor e os clubes continuarão privados do uso do estádio, o que lhes causa grandes transtornos. O pior é que sequer há previsão de quando as obras iniciarão. No país da impunidade, uma obra mal construída não é motivo para punição, é apenas mais uma chance de ganhar dinheiro.