sábado, 1 de junho de 2013

Oportunidade desperdiçada

O Grêmio empatou em 1 x 1 com o Santos, hoje à tarde, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado, que em outros tempos poderia ser saudado, foi uma oportunidade de vitória desperdiçada pelo Grêmio. Como já aconteceu várias vezes em 2013, o Grêmio saiu ganhando, mas encolheu-se, inexplicavelmente, permitindo que o adversário empatasse. Para piorar, o gol de empate do Santos foi consequência  de um pênalti claro e infantil cometido por Souza, e a cobrança foi feita por William José, de péssima passagem pelo Grêmio. Os quatro pontos em seis disputados, até aqui, não são ruins. Porém, o Grêmio tinha tudo para obter mais uma vitória, e novamente deixou-a escapar. Algumas situações são inquietantes em relação aos jogadores. Vargas não só marcou o gol do Grêmio, como foi o melhor do time em campo. No entanto, é possível que o Nápoli requisite o seu retorno, o que seria terrível para os interesses do Grêmio. Barcos continua no seu jejum de gols, o que é extremamente preocupante. Fernando fez muita falta, mas talvez seja vendido. Pará continua um lateral direito muito abaixo das necessidades do Grêmio. O próximo jogo do Grêmio, contra o Vitória, quarta-feira, na Arena, aparentemente, seria fácil. Porém, em três jogos, o Vitória obteve sete pontos, com, pela ordem, um empate e duas vitórias. A impressão que ficou, após o jogo de hoje, é que o Grêmio do técnico Vanderlei Luxemburgo continua o mesmo, isto é, sempre que precisa mostrar imposição, repetidamente, fracassa. O melhor a fazer, independentemente dos resultados que venham a ser colhidos nas três partidas que restam até a parada para a Copa das Confederações, é aproveitar esse período sem jogos para trocar o técnico e injetar um novo ânimo no grupo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Chance única

Normalmente, as chances da dupla Gre-Nal em jogos contra o Santos, na Vila Belmiro, são muito reduzidas. Em jogos oficiais, o Grêmio ganhou do Santos, na Vila Belmiro, apenas duas vezes. O Inter nunca venceu lá. Amanhã, no entanto, o Grêmio terá uma chance quase irrepetível de obter uma vitória contra o Santos no estádio do adversário. O clube paulista passa por um momento de transição. Será seu segundo jogo sem Neymar. No primeiro, perdeu por 2 x 1 para o Botafogo, no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ). Como se isso não bastasse, hoje, na véspera do jogo contra o Grêmio, a diretoria do Santos anunciou a demissão do técnico Muricy Ramalho. Fica difícil imaginar que, diante de tantas notícias negativas, o Santos seja capaz de uma grande atuação. O Grêmio, por outro lado, precisa provar que está mesmo numa nova fase. Sabe-se que não falta qualidade ao grupo gremista, e sim atitude e foco. Por várias vezes , desde que Vanderlei Luxemburgo assumiu como técnico, o Grêmio mostrou-se tímido em momentos cruciais. No jogo de amanhã, é indispensável ter ousadia. Um ditado popular expressa que "quem não arrisca, não petisca". Para quem tem ambições de obter o título do Campeonato Brasileiro, como é o caso do Grêmio, é essencial largar bem na competição. Para isso, é fundamental não desperdiçar oportunidades de conquistar pontos. Com todo o respeito que merece um clube com a grandeza do Santos, esse é um jogo para o Grêmio ganhar. Para consegui-lo, contudo, terá de mostrar um empenho e comprometimento que tem estado ausentes na era Luxemburgo. Eis aí um jogo ideal para o Grêmio mostrar que vive novos tempos, ou então, de que só a mudança de técnico poderá lhe trazer novos horizontes.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Classificação dramática

Por pouco o Atlético Mineiro não foi eliminado da Libertadores, como os demais clubes brasileiros. Empatou, em 1 x 1, com o Tijuana, do México, hoje à noite, no Independência, resultado que lhe era suficiente, em razão do 2 x 2 no primeiro jogo, pelo critério do maior número de gols marcados fora de casa. A classificação, no entanto, foi dramática. O Atlético teve contra si um pênalti aos 45 minutos do segundo tempo! Porém, o goleiro Victor defendeu a cobrança e levou o Atlético para as semifinais da Libertadores. A eliminação, nessas circunstâncias, seria muito cruel para o clube brasileiro, que foi o primeiro colocado entre todos os participantes da competição na fase de grupos. Por intermináveis minutos, antes que o pênalti fosse batido, os fantasmas de sempre se abateram sobre os atleticanos, ou seja, a fama do clube ser um "cavalo paraguaio", a sensação terrível de, mais uma vez, morrer na praia. Caso fosse eliminado, o Atlético, que já deixou o título do Campeonato Brasileiro escapar em 2012, depois de um início empolgante, certamente mergulharia numa crise. Seu time, provavelmente, seria desmanchado, e seu técnico, demitido. O drama teve um final feliz, contudo, e, agora, faltam quatro jogos para o Atlético alcançar o título da Libertadores. Tecnicamente, é o melhor time entre os semifinalistas e, depois do susto de hoje, dificilmente se deixará atemorizar por qualquer outra coisa. A impressão que se tem é que o Atlético Mineiro só não será campeão da Libertadores se perder para si mesmo.

Impunidade

O Brasil costuma ser caracterizado, por usa própria população, como o país da impunidade. Não é por acaso. A Justiça brasileira tem por hábito ser rigorosa com os "ladrões de galinhas" e extremamente leniente com criminosos que pertençam a extratos superiores, economicamente, da sociedade. Para quem pode pagar bons advogados, os recursos jurídicos disponíveis com o intuito de procrastinar ou mesmo evitar definitivamente a devida punição de um réu parecem infindáveis. O resultado disso é o sentimento, disseminado entre os brasileiros, da ineficácia da Justiça como meio de se alcançar a reparação de crimes e ilicitudes. Nem mesmo diante da maior tragédia já ocorrida no Rio Grande do Sul esse quadro se alterou. O incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, ocorrida no dia 27 de janeiro, que deixou um total de 242 mortos, causou comoção em todo o país e repercutiu, inclusive, no exterior. Foi resultado de um conjunto de irresponsabilidades e omissões. Os diversos implicados, em maior ou menor grau, na tragédia, foram sendo liberados de qualquer responsabilização, restando quatro pessoas que foram presas. Os quatro presos foram os proprietários da boate, Elissandro Spohr, o Kiko, e Mauro Hoffmann, e Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, vocalista e produtor, respectivamente, do grupo "Gurizada Fandangueira". Ontem, numa atitude criticada pelo Ministério Público e que gerou revolta entre os familiares das vítimas, os quatro réus foram postos em liberdade pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Com a medida tomada, é grande o risco de que eles fujam do país. O promotor criminal de Santa Maria, Maurício Trevisan, discordou da posição do Tribunal de Justiça. Afora temer a fuga dos réus, Maurício Trevisan disse que se os desembargadores decidiram pela sua liberação por entenderem que não há mais risco para a ordem pública e clamor social, precisam ir a Santa Maria. Mesmo sem ir até lá, os desembargadores puderam ter uma ideia da repercussão da sua decisão assim que a votação foi encerrada. Familiares das vítimas que estavam presentes à votação manifestaram a sua revolta. Ao deixar o local do julgamento, Jáder Marques, advogado de Elissandro Spohr, o Kiko, foi atingido por um tapa desferido pelo familiar de uma das vítimas. O presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Adherbal Ferreira, deixou o tribunal chorando e afirmou: "Eu pensei que aqui houvesse justiça, mas me enganei feio". A dor e a revolta diante de tão injusta decisão não é só dos familiares das vítimas, é de todos os brasileiros que se comoveram com a tragédia de Santa Maria. Como sempre, os desembargadores justificaram seus votos com tecnicalidades jurídicas, alegando estarem na estrita observância do que determina a lei. Pois se é assim, a lei é falha, por ser permissiva e promover a impunidade. Nada pode ser pior para um país do que a convicção firmada entre seus habitantes de que o Poder Judiciário é ineficiente e, pior do que isso, injusto em suas decisões. Os brasileiros já tem essa percepção há muito tempo. A liberação dos quatro réus do incêndio da boate Kiss veio reforçar essa imagem. Infelizmente, por fatos como o ocorrido ontem, o Brasil seguirá sendo conhecido, aqui e lá fora, como o país da impunidade.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mais um brasileiro eliminado

Com a derrota do Fluminense para o Olímpia, por 2 x 1, de virada, hoje à noite, no Defensores del Chaco, mais um clube brasileiro foi eliminado da Libertadores. Agora, cinco dos seis clubes brasileiros que iniciaram a Libertadores já estão fora da competição. Amanhã, o Atlético Mineiro decidirá a classificação para as semifinais contra o Tijuana, no Independência. Como obteve um bom empate em 2 x 2, fora de casa, no primeiro jogo, é bem provável que o clube brasileiro siga adiante na competição. Seria algo bastante lógico, já que o Atlético foi o clube que terminou em primeiro lugar entre todos os participantes na fase de grupos. Na verdade, a única eliminação inesperada entre os brasileiros foi a do Corinthians. Grêmio e São Paulo vieram da pré-Libertadores e seus times jamais embalaram desde o início do ano. O Palmeiras foi rebaixado para a Segunda Divisão, o que o tornava um franco atirador na competição. O Fluminense, campeão brasileiro em 2010 e 2012, vinha mostrando um decréscimo de rendimento. O Atlético é, sem dúvida, o melhor time entre os brasileiros e, se obtiver sua classificação para as semifinais, como tudo indica, aparece como o grande favorito da competição. Os três semifinalistas já definidos, Independiente Santa Fé, Newells Old Boys e Olímpia, são times inferiores ao Atlético tecnicamente. O grande desafio do clube brasileiro, mais uma vez, será superar a sua fama de "cavalo paraguaio". Os resultados dos brasileiros, até aqui, no entanto, ligaram o sinal de alerta. Com um nível de investimento bem mais alto do que os clubes dos demais países da América do Sul, o rendimento dos brasileiros na Libertadores foi muito abaixo do que se poderia esperar. Foi muito pouco retorno para gastos tão altos.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Futebol empresarial

O futebol é um esporte que desperta a paixão popular. Desde seu surgimento foi ampliando sua aceitação e se tornou um fenômeno de massas. Com o passar do tempo, com não poderia deixar de ser, os farejadores de lucros passaram a gravitar em torno do futebol, transformando-o num negócio gigantesco. Esse processo vem se ampliando aceleradamente, e, como efeito perverso, está virando as costas para os torcedores. Por incrível que pareça, o torcedor mais humilde, com poucos recursos financeiros, que com sua paixão construiu a grandeza do futebol, vem sendo deixado de lado. Os novos estádios são cada vez mais confortáveis e bonitos, mas com capacidade bem menor do que os antigos monumentos de concreto. Com isso, os ingressos se tornaram bem mais caros, elitizando o público que os frequenta. Essa era uma realidade que ainda não estava de todo presente no Brasil, mas a necessidade de atender as exigências da Fifa em relação à Copa do Mundo de 2014 fez com que vários estádios fossem construídos e outros tantos reformados, levando o futebol no país a um outro patamar. Muitos vibram com esse novo cenário. O eterno complexo de vira-lata de grande parte dos brasileiros faz com que sempre nos coloquemos em desvantagem com o que se pratica no exterior. Nossos estádios novos e reformados adquiriram uma feição europeia, o que desperta entusiasmo em muitas pessoas. Porém, como costuma acontecer no capitalismo, o futebol está se tornando um meio de encher o bolso de poucos privilegiados. A grande "solução" para as mazelas do futebol brasileiro passou a ser a adoção, nos clubes, de uma estrutura "empresarial". Em entrevista para a revista "Época", o ex-vice-presidente do Barcelona e atual CEO do Manchester City, Ferran Soriano, reforça esse pensamento. Soriano diz que todo clube deve ser gerido como uma empresa. Embora reconheça que há a relação social com os torcedores, afirma que é preciso gerenciar isso com inteligência e pouca emoção. Ferran Soriano acha que tudo fica mais difícil quando se permite que os torcedores votem na presidência e no conselho. "Os clubes com governantes correm o risco de se politizar demais", afirma Soriano. "A estrutura política dos grandes clubes não deixa os profissionais trabalharem", acrescenta. O CEO entende que é precisos esquecer "essa história velha de que quem gerencia o futebol o faz por paixão"..No seu modo de ver, em clubes que tem um dono as coisas se resolvem mais facilmente. Ferran Soriano considera que mexer com muito dinheiro pode dar margem à corrupção, e que a  profissionalização é a solução para esse problema. Poucas vezes li uma entrevista com argumentos tão cínicos e interesseiros. Ao contrário do que sentencia Soriano a eleição de presidente e conselheiros de clubes por seus torcedores é uma medida democrática e saudável. O torcedor, com sua paixão e apoio, é a razão de ser de um clube. Nada mais justo que seja ele a decidir quem deve administrá-lo. Por outro lado, se a profissionalização é a saída contra a corrupção, como explicar o que acontece na Itália? Lá, os clubes tem donos e são altamente profissionalizados, mas o futebol vive envolvido em escândalos de corrupção que estão minando sua credibilidade. As ideias de Soriano, é claro, serão aclamadas pelos deslumbrados de sempre, mas não vão frutificar no Brasil. O atual processo de elitização em curso no futebol do país, com o tempo, se mostrará inviável. Depois da Copa do Mundo de 2014, os preços dos ingressos terão de ser rebaixados, ou os estádios se transformarão em espaços vazios. O Brasil, nesse caso felizmente, não é a Europa. Aqui, queira ou não o senhor Soriano, o futebol é movido a paixão. Todas as tentativas de dar aos clubes uma feição empresarial redundaram em fracasso. A razão para isso, bastante simples, é que clube de futebol não é banco, não tem de dar lucro. Seu "lucro" são os títulos, que alimentam o entusiasmo dos seus torcedores, ampliando o seu número. O resto é conversa de quem, em vez de contribuir com o futebol, quer usá-lo para obter ganhos fáceis e vultosos.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mortes na imprensa conservadora

Nos últimos dias, dois dos maiores representantes da imprensa de direita no Brasil faleceram. Primeiro foi Ruy Mesquita, da família proprietária do jornal "O Estado de São Paulo", depois Roberto Civita diretor editorial do Grupo Abril, que foi fundado por seu pai. Dentre as várias publicações da Editora Abril, a menina dos olhos de Roberto Civita era a revista semanal "Veja". A revista despeja, a cada semana, a visão de mundo de Civita, americanófila, antiesquerdista, defensora do capitalismo selvagem, da lei do mercado, do Estado mínimo, da "meritocracia". "Veja" se torna cômica, por vezes, pois sua linha editorial é tão facciosa que chega a ser panfletária. O que se vê nas páginas da publicação não pode ser chamado de jornalismo. Não há a mínima isenção nos assuntos abordados, apenas uma pregação insistente e histérica dos preceitos mais caros ao direitismo. "O Estado de São Paulo", jornal da família Mesquita, não fica atrás. O chamado "Estadão" apoiou abertamente o espúrio golpe militar de 1964. O veículo teria se "arrependido" de tal apoio quando o regime militar suprimiu as eleições previstas para 1965. Mais tarde, com a censura a várias matérias, o jornal publicou poemas de Camões nos espaços a elas destinados, numa postura de aparente resistência e rebeldia, mas nunca deixou de ser, no seu ideário, um bastião do conservadorismo. Mesquita e Civita representam um tipo que, para o bem do país, deveria sair, definitivamente de cena. Refiro-me aos barões da imprensa, ricos herdeiros de impérios jornalísticos erguidos por seus ascendentes, que se dedicam a tentar doutrinar a opinião pública com suas ideias elitistas, sectárias, preconceituosas e neoliberais. Alardeiam a pretensão de servirem de farol para a sociedade, quando, na realidade, apenas defendem os seus interesses e os dos grupos a eles associados. O resultado prático das ideias que apregoam é um país cada vez mais injusto e desigual, onde poucos ficam com quase tudo, e milhões dividem as migalhas que sobram. Posam de "avançados", mas representam o que há de mais atrasado e retrógado no pensamento ocidental. Não deixam nenhum legado que possa ser festejado. Pelo contrário, ajudaram a construir impérios que disseminam a má informação e a manipulação ideológica mais rasteira. Foram homens poderosos. Porém, não foram grandes homens. Serviram a si e aos seus, em detrimento dos interesses maiores da população.

domingo, 26 de maio de 2013

Dever cumprido

O Grêmio venceu o Náutico por 2 x 0, hoje á tarde, no Alfredo Jaconi, na estreia dos dois clubes no Campeonato Brasileiro. Não se poderia aceitar outro resultado do Grêmio que não fosse a vitória. Depois dos sucessivos fracassos do clube, até aqui, em 2013, ganhar do Náutico era uma imposição. A vitória, no entanto, foi apenas o cumprimento de um dever. Nada mais do que isso. Para que o Grêmio recupere seu crédito junto ao torcedor, será preciso muito mais. No jogo de hoje, não houve maiores novidades. Os gols foram marcados por Zé Roberto e Elano, que, há muito tempo, são os dois melhores jogadores do time. Vargas e Barcos tiveram boa movimentação, mas continuaram sem marcar gols, o que é preocupante em se tratando de dois atacantes tão renomados e caros. O próximo jogo do Grêmio, sábado, contra o Santos, na Vila Belmiro, já apresentará uma exigência bem maior. Historicamente, o Grêmio não costuma se dar bem no estádio do clube paulista. Menos mal que, com a saída de Neymar para o Barcelona, o Santos está enfraquecido técnica e animicamente. Nos outros três jogos antes da Copa das Confederações, contra Atlético Mineiro, Vitória e São Paulo, só o clube baiano pode oferecer uma maior facilidade. A vitória de hoje garantiu um bom início no Brasileirão, mas o desempenho do Grêmio, daqui para a frente, segue sendo uma incógnita.

sábado, 25 de maio de 2013

Empate

O Inter empatou em 2 x 2 com o Vitória, hoje, na Arena Fonte Nova, na estreia dos dois clubes no Campeonato Brasileiro. Com pouco mais de dez minutos de jogo, o Inter já perdia por 2 x 0. A reação obtida, portanto, pode levar a que se tenha esse empate como um bom resultado para o Inter, até pelo fato de a partida ter sido fora de casa, mas essa é uma impressão equivocada. O Inter ainda não enfrentou, até aqui, em 2013, nenhum adversário do seu tamanho. Nos Grenais do Campeonato Gaúcho, em que isso poderia acontecer, o Grêmio jogou com os reservas. Nos demais jogos, o Inter enfrentou clubes pequenos ou médios, e, mesmo assim, deixou a desejar. Contra o Santa Cruz, pela Copa do Brasil, não passou de um  0 x 0, no Arruda, e venceu por 2 x 0, no Francisco Stédile, jogando um futebol modesto. Hoje, contra o Vitória, mais uma vez, mostrou pouco. Diante de um adversário limitado, tomou dois gols muito cedo, e não teve forças para buscar mais do que o empate. A defesa, que vinha sendo elogiada por sua solidez, tomou dois gols logo no início do jogo. Diego Forlán, ainda que tenha feito um gol, voltou a ter uma atuação acanhada. D'Alessandro, novamente, tentou fazer a diferença, mas os adversários do Brasileirão não são tão frágeis quanto os do Campeonato Gaúcho. Sem Leandro Damião, o Inter fica carente de um centroavante eficiente. A melhor notícia do Inter na partida foi a volta de Fred ao futebol de alto nível, já que ele vinha decaindo de produção. Seja como for, a impressão que fica é a de que o Inter vai precisar se reforçar se quiser algo maior na competição. Com o que tem até o momento não pode ambicionar muito..

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A saída de Neymar

Agora, parece não haver mais dúvida de que Neymar está deixando o Santos e o futebol brasileiro. O Santos aceitou as duas propostas que recebeu pelo jogador, e deixou a decisão de para qual clube ir nas mãos de Neymar. Uma das propostas é do Barcelona. A outra, especula-se, seria do Real Madrid. Na verdade, o Santos manteve Neymar pelo máximo de tempo que foi possível. Desde o surgimento da malfadada Lei Pelé, os clubes brasileiros não conseguem segurar seus grandes craques por muito tempo. Tudo porque, com a extinção do passe, correm o risco de ver o jogador sair sem receberem nem um centavo por ele. Assim, em determinado momento, são obrigados a negociar o jogador para poder obter algum ganho. O pior é que esse valor nunca representa a totalidade dos direitos sobre o jogador. A mesma perversa legislação faz com que, hoje em dia, os direitos econômicos de um jogador sejam fatiados entre diversos proprietários, com o clube recebendo apenas uma fração do valor total da negociação. Um jogador como Neymar deveria render ao Santos um valor astronômico, mas isso não vai acontecer porque o clube não possui a totalidade dos seus direitos. Há alguns anos, o São Paulo teve de vender Kaká para o Milan por irrisórios 8 milhões de dólares, para não ver o jogador sair sem nada receber por ele. A saída de Neymar representará, por certo, a sua independência financeira, e um enorme ganho para seus empresários. Para o Santos, significará um aporte de recursos muito menor do que seria justo, caso pudesse ficar com o valor integral da negociação. Para o futebol brasileiro, uma perda que o tornará, tecnicamente, ainda mais pobre. Tudo por causa de uma lei estúpida, que fere de morte a peça mais importante na estrutura do futebol, que é o clube. Uma lei que, infelizmente, leva o nome do maior jogador de todos os tempos. Dentro de campo, Pelé foi de uma qualidade inigualável. Fora dele, criou uma lei que favorece o bolso de jogadores e de seus empresários, mas prejudica os interesses dos clubes e de seus torcedores.