sexta-feira, 12 de abril de 2013

Grandes duelos

Pela primeira vez na história da competição, a Champions League teve seus confrontos das semifinais definidos por sorteio, realizado hoje. Os enfrentamentos serão entre Bayern de Munique x Barcelona, e Real Madrid e Borússia Dortmund. Todos os quatro clubes já venceram a competição anteriormente, o que dá a disputa uma condição de alto nível. Pela primeira vez, também, apenas dois países se fazem representar nas semifinais, Espanha e Alemanha. Real Madrid e Barcelona, que, já há algum tempo, tornaram-se os dois clubes mais poderosos do futebol europeu, terão a grande chance de realizar uma final histórica num confronto direto, já que decidirão suas classificações em casa contra os representantes alemães. Serão jogos emocionantes, com estádios lotados, e assistidos por milhões de pessoas, no mundo inteiro, pela televisão. Todos os quatro clubes possuem grandes credenciais. O Real Madrid é o clube que mais vezes foi campeão da Champions League, com nove títulos. O Bayern de Munique tem quatro títulos da competição, e acaba de ganhar o Campeonato Alemão com seis rodadas de antecipação. O Barcelona, melhor time do mundo nos últimos anos, é o virtual campeão espanhol. O Borússia Dortmund foi bicampeão alemão nas temporadas 2010/2011 e 2011/2012. Em  campo estarão jogadores como Cristiano Ronaldo e Benzema, do Real Madrid,  Messi e Iniesta, do Barcelona, Robben e Ribéry, do Bayern, Lewandovsky, do Borússia Dortmund. Imperdível. Em termos de prognóstico, acho que, embora a tendência aparente de uma decisão entre os espanhóis, ela não se confirmará. Aposto numa decisão entre Real Madrid e Bayern de Munique, com vitória do clube espanhol.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Aliança escusa

O crescimento das chamadas igrejas evangélicas ou neopentecostais, no Brasil, é evidente, nos últimos anos. Antes com um número pouco expressivo de adeptos, expandiram a quantidade de seus seguidores. Aproveitando-se da crise de identidade da ainda majoritária Igreja Católica, foram ampliando sua presença. Para isso, utilizaram-se, fortemente, da mídia. Afora emissoras próprias de rádio e tv, compram espaços nas principais redes, para fazer seu proselitismo. A intenção de seus líderes, nada inocente e inaceitável num país laico, é tomar parte nas decisões de cunho político, impondo ao conjunto da sociedade sua visão sectária, preconceituosa, reducionista e obtusa a respeito de temas comportamentais. A escalada dos evangélicos tornou-se ainda mais saliente com a escolha do deputado federal, e pastor da Assembleia de Deus, Marco Feliciano (PSC-SP) para presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Os setores mais conscientes da sociedade, imediatamente, se manifestaram contra sua investidura no cargo. O deputado e pastor, a cada declaração, demonstra a sua total inabilitação para a função, com um discurso obscurantista. Estranhamente, num momento em que milhões de vozes se levantam contra Feliciano, a maior rede de comunicação do país, a Globo, noticiou, hoje, com destaque, em seus espaços na tv e internet, a reeleição do pastor José Wellington para presidente nacional da Assembleia de Deus. Nunca antes, a eleição de alguém para semelhante posto foi objeto de cobertura jornalística. O fato evidencia uma aliança de objetivos pouco nobres, e perniciosa para os interesses da sociedade, entre a Globo e os evangélicos. Dinheiro, sabe-se, não é problema para tais igrejas, que recolhem grandes quantias, a título de dízimo, dadas pelos incautos que aliciam. Esse mesmo dinheiro está levando a Globo a comprometer a sua já tão abalada credibilidade com a inclusão em seu conteúdo jornalístico de uma notícia sem relevância para o público. Uma situação que só não é percebida pelos distraídos ou muito inocentes. Fatos como esse devem servir de reflexão para aqueles que reagem a qualquer tentativa de disciplinar a atuação dos meios de comunicação como uma "ameaça a liberdade de expressão". O que aconteceu, hoje, não tenho dúvida, caracteriza-se como venda de espaço editorial, uma atitude eticamente inaceitável e de consequências perversas para a opinião pública. O Brasil é um país laico, e que vem tendo apreciáveis avanços no campo social. O arcaísmo das posições evangélicas em nada contribuem com essa saudável evolução. Uma aliança entre essas igrejas e a mais poderosa rede de comunicação do país é um fato escandaloso, que não pode passar em branco. Exige, afora o natural repúdio das mentes mais esclarecidas, uma tomada de posição do governo. Liberdade de expressão é uma coisa, traficar espaço editorial é bem outra.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Decepção

O Grêmio empatou com o Fluminense em 0 x 0, hoje à noite, na Arena, pela Libertadores. Mesmo que se saiba que o jogo não era inteiramente decisivo, pois o Grêmio precisa marcar pontos na última partida, contra o Huachipato, fora de casa, o resultado foi decepcionante. Mais uma vez, o Grêmio se mostrou um time sem soluções, que toca demasiadamente a bola sem objetividade, facilitando a tarefa defensiva dos adversários. Como se não bastasse mais uma pífia atuação do Grêmio, o zagueiro Cris, no final do primeiro tempo, foi expulso por uma jogada violenta, comprometendo, ainda mais, as possibilidades do time na partida. Foi mais um dado a comprometer a trajetória de Cris no Grêmio, pois o jogador, até agora, não disse ao que veio. Outros nomes, contudo, também estiveram muito apagados. O ataque inexistiu, pois Vargas e Barcos tiveram péssimas atuações. Zé Roberto voltou a jogar para os lados, os laterais foram muito tímidos no apoio. Agora, o Grêmio vai para um jogo, contra o Huachipato, fora de casa, em que não pode perder. Com o futebol que vem apresentando, não dá nenhuma confiança de que possa evitar a eliminação.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os defensores do golpe

No dia 31 de março completaram-se 49 anos do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e jogou o Brasil nas trevas de uma ditadura assassina que durou 21 anos. Um regime espúrio que indicava presidentes e governadores a revelia da vontade popular, cassava mandatos de políticos de oposição, perseguia, torturava e matava quem a ele se opusesse. Incrivelmente, ainda hoje, há quem exalte e defenda esse período deprimente da história do país. Há alguns meses, uma jovem gaúcha propôs a recriação da Arena, o partido de sustentação do ilegítimo governo militar, ideia que recebeu apoio de muitas pessoas. Uma reportagem levada ao ar ontem no programa CQC, da Rede Bandeirantes, foi exemplar na demonstração dos tipos humanos que defendem o golpe de 64. O programa entrevistou oficiais da reserva que comemoravam a passagem de mais um aniversário da quartelada de 64. Um espetáculo grotesco, patético. Os entrevistados eram todos homens de provecta idade, em adiantado estado de senilidade. Figuras que mal se sustentam sobre as próprias pernas, de raciocínio lento e fala vacilante, repetindo a velha cantilena de que o espúrio golpe livrou o Brasil de uma ditadura comunista, negando a existência de torturas praticadas pelo regime, e, até mesmo, defendendo a ideia de que está na hora de os militares voltarem para restituir a ordem, pôr fim à corrupção, fechar o Congresso Nacional. Tamanha é a decrepitude física e mental desses homens, que poderiam até inspirar pena. Porém, não devemos ceder a impulsos sentimentais dessa ordem. Eles, em que pese sua aparência frágil, não são velhinhos inocentes. São os carrascos da liberdade e da democracia. São a personificação da estupidez e da vacuidade moral do regime golpista. Merecem o desprezo permanente, não a piedade.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A morte da Dama de Ferro

Margareth Thatcher morreu, hoje, aos 87 anos. Sua saúde já vinha debilitada desde 2002, e um AVC tirou-lhe a vida. Por uma questão de princípios, jamais me regozijo com a morte de qualquer pessoa. Não quero o mal dos outros, nem mesmo das pessoas mais vis e asquerosas. A doença e a morte sempre me impactam, e não as desejo para ninguém. Esclarecido esse aspecto, coloco muito claramente minha opinião sobre a ex-primeira-ministra da Inglaterra. Foi uma governante que reuniu tudo que pode haver de pior num político. Entres suas características estavam a insensibilidade social, o desprezo aos mais pobres, o desapreço pela democracia, a amizade com ditadores sanguinários, a opção pelo estado mínimo, que privatiza os lucros e socializa os prejuízos. Para se ter uma ideia de sua visão de mundo, basta destacar que Thatcher era amiga de Augusto Pinochet, o golpista ditador e assassino do Chile, e execrava o venerável Nélson Mandela, ex-presidente da África do Sul. Junto com Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos, Margareth Thatcher empenhou-se pelo fim do bloco comunista. O esfacelamento da União Soviética e a queda do Muro de Berlim foram saudados como o fim de uma era e o início de novos tempos. As consequências práticas da quebra da dicotomia entre comunismo e capitalismo, contudo, foram as piores possíveis. Em vez de um mundo dividido entre dois pólos ideológicos, estabeleceu-se um "samba de uma nota só" em que o capitalismo em sua forma mais selvagem e desumana passou a dar as cartas. A crise econômica que, desde 2008, varre os Estados Unidos e a Europa é a demonstração flagrante da inviabilidade dos preceitos neoliberais. A imprensa conservadora, os banqueiros, os empreiteiros, os donos de grandes fortunas, por certo, tecerão grandes homenagens a Thatcher. Porém, o que ela merece mesmo é o esquecimento. Thatcher pertence a um grupo onde se encontram o já citado Reagan e George W. Bush, outro ex-presidente americano, o dos governantes que reúnem, a um só tempo, autoritarismo, cinismo, insensibilidade, elitismo. O lugar de tais figuras é o rodapé da história, pois não deixarão saudade.

domingo, 7 de abril de 2013

Derrota

O Inter perdeu para o Veranópolis por 1 x 0, hoje à tarde, no Antônio David Farina, pelo Campeonato Gaúcho. Foi a segunda derrota do Inter no Gauchão, a primeira com o seu time titular. O Inter tomou um gol cedo, dominou inteiramente o jogo, mas não conseguiu sequer o empate. Nenhum jogador do Inter se destacou individualmente. Alguns, como Dátolo e Rafael Moura, tiveram péssimo desempenho. Outros como Williams e D"Alessandro chamaram  a atenção apenas pela irritação com a arbitragem. A arbitragem, por sinal, foi um capítulo à parte. O árbitro Fabrício Neves Corrêa expulsou um jogador do Veranópolis, deu injustificáveis cinco minutos de acréscimo e, incrivelmente, evitou uma possível briga de D'Alessandro com adversários, afastando-o com um empurrão. Uma atitude inusitada e inexplicável, pois não cabe ao árbitro impedir um jogador de envolver-se em confusões, e sim puni-lo adequadamente caso isso aconteça. O Inter vem jogando mal há muitas partidas. A diferença é que o time vinha ganhando mesmo assim, e, agora, perdeu. Pelos que se está vendo até o momento, quando enfrentar jogos de maior nível de exigência, o que ainda não ocorreu em 2014, o Inter terá muitas dificuldades.

Futebol pífio

O Grêmio venceu o Cerâmica, de Gravataí, por 1 x 0, ontem à noite, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. A atuação do time, contudo, foi, mais uma vez lastimável. Poucas coisas são mais desagradáveis, ultimamente, do que assistir aos jogos do Grêmio. Mesmo contando com grandes jogadores em seu grupo, o Grêmio repete, a cada partida, um futebol pífio, sem ânimo, coletivamente pobre e sem atuações individuais destacadas. O técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, está há um ano e dois meses no cargo e ganha um grande salário. A folha de pagamento do clube, especula-se, chega a R$ 10,5 milhões. Ainda assim, nada se vê em campo que justifique tamanhos gastos. O argumento de que está sendo priorizada a disputa da Libertadores não passa de uma desculpa. Se isso fosse verdadeiro, o Grêmio não estaria numa situação aflitiva na competição continental, tendo perdido dois dos quatro jogos que fez até agora, para os fracos Huachipato e Caracas. A verdade é que, tanto nos jogos do Gauchão, quanto nos da Libertadores, o futebol do Grêmio tem deixado muito a desejar. As perspectivas do Grêmio, nas duas competições, não parecem ser promissoras.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A nova face do Brasil

Duas manifestações públicas, ocorridas nessa semana, de personalidades do meio musical, repercutiram fortemente junto ao público, e mostraram, para desconsolo dos conservadores, a nova face do Brasil, muito menos afeita ao ranço e ao preconceito. A primeira a manifestar-se foi a cantora Joelma, da Banda Calypso, adepta de uma igreja evangélica, que comparou os homossexuais a drogados, entre outras observações de cunho homofóbico. Suas declarações tiveram repercussão imediata, sendo muito mal recebidas pela maioria das pessoas. Joelma, ao perceber o impacto negativo do que dissera, tentou se retratar, sem êxito. Entre outras consequências de suas afirmações, o marido de Joelma, Chimbinha, seu companheiro na Banda Calypso, entrou em depressão e procurou ajuda de um psiquiatra, e o filme que ira ser produzido sobre o grupo foi cancelado. Dias depois, outra cantora agitaria o país com uma declaração. Daniela Mercury, mãe de cinco filhos, dois biológicos e três adotados, e que, em novembro, terminara um casamento, assumiu que está vivendo um relacionamento amoroso com uma mulher. A repercussão do que disse Daniela foi bem diferente em relação ao que falou Joelma. Várias mensagens de apoio a Daniela, tanto de anônimos quanto de famosos, surgiram, rapidamente, nas redes sociais. A coragem de Daniela em assumir sua bissexualidade, sem hipocrisias, foi vista com bons olhos pela maioria das pessoas. Claro que há muitas pessoas que partilham das posturas homofóbicas de Joelma e que condenam veementemente o comportamento de Daniela Mercury, mas elas já não são preponderantes. Seus berros são abafados pelas vozes, em bem maior número, dos que não mais toleram o obscurantismo e o falso moralismo disfarçados de princípios religiosos. Os dois fatos, acontecidos numa mesma semana, evidenciam um embate que se trava, nesse momento, na sociedade brasileira, entre os defensores do atraso e do medievalismo contra os arautos de novos tempos, plenos de liberdade. As reações verificadas na opinião pública não deixam dúvidas de qual grupo sairá vencedor dessa disputa. O Brasil ainda tem muto o que avançar como sociedade, mas já exibe uma nova face. Nela, não há mais futuro para quem aposta na discriminação, na segregação, no ódio e no preconceito. Os que desfraldam tais bandeiras continuarão a gritar seus impropérios, mas serão cada vez menos ouvidos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Objetivo alcançado

O Inter venceu o Rio Branco do Acre por 2 x 0, hoje à noite, na Arena da Floresta, em sua estreia na Copa do Brasil. Com a vitória por dois gols de diferença na casa do adversário o Inter eliminou a necessidade do segundo jogo, alcançando o seu objetivo de ganhar uma folga maior no calendário. Ainda que tenha vencido, o Inter não jogou bem. A vitória só veio no segundo tempo, depois da entrada de Caio no lugar de Rafael Moura. Em sua primeira intervenção no jogo, Caio fez 1 x 0. Nos acréscimos, Caio simulou um pênalti, que foi marcado pelo árbitro. Diego Forlán cobrou e fez 2 x 0, classificando o Inter para a próxima fase da Copa do Brasil. Curiosamente, ao se livrar do segundo jogo contra o Rio Branco, o Inter sofreu dois sérios prejuízos. Como Leandro Damião ainda tem um jogo de suspensão para cumprir, ele ficará ausente do primeiro jogo da próxima fase. O mesmo acontecerá com D'Alessandro, que foi expulso hoje. Caso ocorresse o segundo jogo contra o Rio Branco, ambos cumpririam a suspensão nessa partida. O próximo adversário do Inter, provavelmente, será o Santa Cruz (PE), que ganhou o primeiro jogo contra o Guarani de Juazeiro (CE), fora de casa, por 2 x 1. Mesmo que o Santa Cruz não seja um grande time, exigirá do Inter bem mais do que fez o Rio Branco. Por isso, convém ao Inter melhorar bastante o seu futebol, que, contra o Rio Branco, deixou muito a desejar.

Convocações inesperadas

O técnico da Seleção Brasileira, Luís Felipe Scolari, convocou, ontem, 18 jogadores para o amistoso do próximo sábado, em La Paz, contra a Bolívia. Mesmo sendo um jogo de caráter diplomático, em função da morte do adolescente boliviano Kevin Spada, atingido por um sinalizador disparado por um torcedor corintiano, na partida San José x Corinthians, em Oruro (BOL), pela Libertadores 2013, a convocação trouxe surpresas. Felipão chamou apenas 18 jogadores, todos eles de clubes brasileiros, e incluiu quatro nomes da Seleção Brasileira Sub-20 que fez péssima campanha no recente Campeonato Sul-Americano da categoria, no qual foi eliminada na primeira fase. O goleiro Mateus Vidotto, do Corinthians, o lateral Douglas Santos, do Náutico, o zagueiro Dória, do Botafogo, e o atacante Leandro, emprestado pelo Grêmio ao Palmeiras, são os quatro jogadores em questão. Ainda que seja um jogo amistoso, contra um adversário tecnicamente fraco, é de se perguntar qual a razão da chamada dos quatro garotos, e que proveito isso poderá trazer para uma Seleção Brasileira que corre contra o tempo para formar uma equipe confiável para a Copa do Mundo de 2014. Entre os demais convocados, a insistência com Jean, do Fluminense, um volante de nível apenas mediano, e o retorno de Ronaldinho, do Atlético Mineiro, merecem reparos. O destaque positivo fica para os retornos do goleiro Jefferson, do Botafogo, do lateral-esquerdo André Santos, do Grêmio, do volante Arouca, do Santos, e do centroavante Leandro Damião, do Inter. A convocação de Alexandre Pato, do Corinthians, é discutível, já que o jogador teve uma carreira, até aqui, marcada por um número excessivo de lesões e por um futebol muito abaixo do que se esperava quando iniciou sua trajetória. Seja como for, do ponto de vista técnico, esse é um jogo que, pela fragilidade da Bolívia, pouco servirá como teste para a Seleção Brasileira.