terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Primeira convocação

O novo técnico da Seleção Brasileira, Luís Felipe Scolari, o Felipão, fez sua primeira convocação, para o amistoso contra a Inglaterra, no dia 6 de fevereiro, em Wembley. No meu entender, foi uma convocação irregular, com grandes acertos, mas, também com equívocos. Entre os acertos, a volta de Hernanes, que jamais deveria ficar de fora de qualquer chamada, Arouca, que agora estará numa Seleção "quente" e não apenas com jogadores que atuam no Brasil, a manutenção de Ramires que, comprovando sua qualidade, já está trabalhando com seu terceiro técnico na equipe brasileira, e a permanência de nomes que se destacaram na era Mano Menezes, como Diego Alves e Hulk. Entre os equívocos, as voltas de Júlio César e Ronaldinho, e as presenças de Dante, Miranda e Leandro Castán. Júlio César vive um má fase que já se estende por cerca de três anos, o que ocasionou sua saída do Internazionale, de Milão (ITA) e sua ida para o modesto Queen's Park Rangers (ING), lanterna do Campeonato Inglês, onde, por sinal, já é reserva. Ronaldinho, ainda que tenha feito um bom Campeonato Brasileiro, em 2012, pelo Atlético Mineiro, jamais brilhou na Seleção tanto quanto nos clubes, e estará com 34 anos quando da realização da próxima Copa do Mundo. Dante, embora jogue no grande Bayern de Munique, é um desconhecido do torcedor, lhe falta identificação com o futebol brasileiro. Miranda e Leandro Castán também jogam em clubes de destaque na Europa, Atlético de Madri (ESP) e Roma (ITA), respectivamente, mas são zagueiros apenas medianos. Alex, do Paris Saint Germain (FRA) e Dedé, do Vasco, por exemplo, são bem melhores. Portanto, a convocação foi apenas razoável. Resta esperar para ver o rendimento em campo, e torcer para que, com o tempo, Felipão aprimore suas listas de convocados.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cantilena

O leitor deste espaço talvez já esteja cansado de verificar a frequência com que abordo este tema, mas é impossível deixar de fazê-lo. Refiro-me à insistência, igualmente cansativa, com que a imprensa conservadora brasileira identifica pretensões golpistas e antidemocráticas por parte do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e do PT. Tais fantasmas nunca foram mais do que isto, ou seja, assombrações. As "ameaças à democracia e ao estado de direito" são apenas delírios de grupos inconformados com a perda do poder. As mais novas "denúncias" dos fiscais da ética política dão conta de que Lula que ser "rei" e estaria interferindo em administrações de "correligionários que lhe devem o cargo", como afirma a revista "Veja", maior porta-voz do direitismo brasileiro. Lula estaria, segundo a publicação, reunindo-se em horário de expediente com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e membros do seu secretariado, para traçar diretrizes da administração. A revista trata o fato como escandaloso. Não vejo o porquê. Goste-se dele ou não, Lula é o maior líder político brasileiro da atualidade. Se Haddad, sabidamente, é um dos tais correligionários que lhe devem o cargo, porque Lula iria se eximir de influir em sua administração como prefeito? Dizer que Lula está transgredindo normas ao proceder assim é um argumento desesperado de quem tenta de todas as formas desacreditar a imagem do ex-presidente e do governo do PT no plano federal, e fracassa continuadamente neste intento. A revista chega ao ponto de, num tom raivoso e genérico, destituído de objetividade, afirmar que o ex-presidente, quando no poder, sempre demonstrou prazer em fazer aquilo que a Constituição, as leis, a liturgia do cargo e o bom-sendo proibiam. Outra "ameaça" captada  no ar pela imprensa conservadora foi a de que Lula teria sinalizado para a presidente Dilma Rousseff que gostaria de voltar ao cargo,  o que a impediria de concorrer à reeleição. Duas coisas devem ser esclarecidas sobre isto. A primeira é que tal hipótese não passa de uma especulação. A segunda é que ela nada tem de ilegal. Lula cumpriu dois mandatos sucessivos como presidente, o máximo que a Constituição autoriza, e não praticou o golpe de emendar a Carta Magna para obter um terceiro mandato, embora fosse líquido e certo que o conseguiria, se assim o desejasse. Agora, depois de cumprido um período com outro ocupante no cargo, nada impede que Lula concorra novamente ao posto. A cantilena contra Lula e o PT prossegue, mas nada tem obtido de prático, a não ser, provavelmente, esgotar a paciência dos leitores.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Inícios distintos

Grêmio e Inter começaram a disputa do Campeonato Gaúcho com fórmulas idênticas, mas com resultados diferentes. Ambos escalaram times reservas para suas estreias, mas o rendimento em campo foi desigual. Ontem, jogando como mandante no Complexo Esportivo da Ulbra, em Canoas, o Inter não conseguiu mais do que um empate com o Passo Fundo em 1 x 1. O Inter até saiu na frente no placar, com um belo gol de calcanhar de Cassiano, mas cedeu o empate. A partir daí, o Passo Fundo esteve mais perto do gol da vitória do que o Inter. Um início preocupante para o torcedor do Inter, que esperava mais do seu time de reservas diante do vice-campeão da Segunda Divisão. O Grêmio, ao contrário, jogou fora de casa, contra o Esportivo, de Bento Gonçalves, campeão da Segunda Divisão. Depois de um primeiro tempo que terminou em 0 x 0, o Grêmio se impôs no segundo tempo e venceu por 2 x 0. O autor do primeiro e bonito gol, Lucas Coelho, confirmou as ótimas referências sobre o seu futebol. Parece que, finalmente, depois de muito tempo, o Grêmio está revelando, em casa, um grande atacante. Foi só a primeira rodada, em jogos com times reservas, que não disputarão todo o Gauchão, mas já  gerou seus efeitos, em função de inícios distintos. Os torcedores do Inter estão de cara amarrada. Os do Grêmio, exibem um largo sorriso.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Vai começar

A maioria dos campeonatos estaduais de 2013 começará hoje. Daqui até maio, estaremos envolvidos com competições de um baixo nível técnico, reflexo de um tipo de disputa totalmente anacrônico. Os campeonatos estaduais não fazem mais sentido no contexto do futebol atual. Caracterizam-se pela reunião de clubes de representatividade e patamares financeiros muito díspares. Com isso, os grandes clubes, justificadamente, colocam os campeonatos estaduais em segundo plano, escalando times mistos ou reservas durante boa parte de seu desenrolar. Até mesmo clubes de Pernambuco e Bahia estão deixando seus campeonatos em segundo plano para privilegiara a Copa do Nordeste, que também se inicia hoje. Afora tudo isso, os campeonatos estaduais tem uma duração exagerada, prejudicando os clubes na sua preparação para competições de maior fôlego. Sendo bem realista, só resta, para quem gosta de futebol,esperar que maio chegue logo, para que os campeonatos estaduais tenham acabado e possamos voltar a nossa atenção para competições bem mais interessantes. Até lá, serão muitos jogos, e pouca qualidade em campo, tendo como consequência, com raras exceções, estádios quase vazios. Um dia, quem sabe, os dirigentes deixem de lado seus interesses menores e, em nome do melhor para o futebol, removam do calendário essas competições cuja razão de ser foi engolida pelo tempo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Imortal

Independentemente do que venha a acontecer daqui por diante, a campanha do time júnior do Grêmio na Copa São Paulo está coroada de brilho. Em meio a disputa, o grupo viu seu técnico ser requisitado para voltar a Porto Alegre, com a finalidade de treinar o time B do Grêmio que vai jogar as primeiras partidas do Campeonato Gaúcho. Seu auxiliar-técnico ficou em seu lugar. Vários jogadores foram chamados a acompanhar o técnico em sua participação no time B, o que reduziu o grupo que permaneceu na Copa São Paulo a apenas 14 nomes. Nessas condições, o Grêmio já passou de fase duas vezes, empatando com Coritiba e Atlético Mineiro, em 1 x 1 e 2 x 2, respectivamente, e os eliminando nos tiros livres da marca do pênalti. Para quem, no segundo jogo da fase classificatória, perdeu para o modesto Espigão (RO), trata-se de uma recuperação excepcional. Enquanto isso, seu maior rival, o Inter, foi alijado da competição já na primeira fase de mata-matas, pelo pequeno Velo Clube, de Rio Claro (SP). Por essas e por outras é que o Grêmio é conhecido por "Imortal".

Vexame

Não há como qualificar de outra forma o desempenho da Seleção Brasileira Sub-20 no campeonato sul-americano da categoria, que está sendo realizado na Argentina. Foi um vexame.A exemplo da equipe anfitriã, a Seleção Sub-20 também foi eliminada na primeira fase da disputa. Em quatro jogos, venceu apenas um, por escasso 1 x 0, contra a Venezuela, com um gol de pênalti. A justificativa de que a atual geração é muito inferior a que lhe antecedeu, que tinha Neymar e Oscar, entre outros, não convence. Ainda que, em relação a si própria, a Seleção Sub-20 tivesse um nível consideravelmente inferior, sua qualidade deveria ser suficiente para se impor diante de adversários modestos como Equador e Peru, o que não conseguiu. Uma diferença substancial em comparação com o trabalho anterior, foi que, em 2011, o técnico era Ney Franco, uma das grandes revelações na função nos últimos anos, no futebol brasileiro. A Seleção Sub-20 de agora foi treinada por Émerson Ávila, um nome ainda não afirmado na profissão. Seja como for, a Seleção Sub-20 protagonizou um vexame, que não pode ser ignorado. A grandeza do futebol brasileiro exige que se tomem providências para que isso não se repita no futuro.

Walmor Chagas

O Brasil é um país de grandes atores e atrizes. Não nos faltam notáveis talentos das artes cênicas. Em meio a essa plêiade de grandes nomes, do teatro, cinema e televisão, há os que são ainda maiores, verdadeiros ícones dessa fascinante arte de representar. O Brasil perdeu, hoje, um desses pilares. A morte de Walmor Chagas, aos 82 anos, priva o país de um ator de talento excepcional e marcante presença em cena. Walmor Chagas brilhou em todas as frentes. No cinema, participou de filmes como "São Paulo S.A." e "Xica da Silva". Na televisão, fez várias novelas. Ainda na televisão, teve destaque em minisséries como "Avenida Paulista" e "Os Maias". No teatro, sua grande paíxão, trabalhou em obras clássicas, dos maiores autores do gênero. Foi casado com outro nome do Olimpo teatral brasileiro, a atriz Cacilda Becker. Há vinte anos, mudara-se para um sítio isolado no alto de uma montanha, vivendo em meio ao verde. Os índícios são de que Walmor tenha cometido suicídio. A idade avançada e a saúde, que já se apresentava frágil, talvez estejam por trás de seu gesto. Um fim trágico e sombrio para um ator de talento luminoso.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Uma usina de conflitos

Em apenas 27 dias sob o comando de sua nova diretoria, encabeçada pelo presidente Fábio Koff, o Grêmio tem se mostrado um clube intranquilo, quase convulsionado. O próprio presidente deu início ao processo, quando concedeu uma desastrada e inoportuna entrevista em que declarava que o novo estádio do Grêmio, a Arena, não era do clube. Depois disso, outro dirigente, Remi Acordi, disse que o técnico Vanderlei Luxemburgo recusara três grandes jogadores cujos nomes estavam no "cofre" para serem contratados pela nova administração. Luxemburgo negou o fato e o dirigente foi afastado. Hoje, duas notícias impactaram a torcida. A primeira foi a de que o vice-presidente de futebol. Omar Selaimen, havia pedido demissão. Ora, um ocupante de um cargo de tal relevância que pede demissão menos de um mês após a sua posse, e sem que as competições que o clube tem a disputar sequer tenham se iniciado, é um grave indício de crise. A segunda notícia aumentou ainda mais essa impressão. O zagueiro Vílson, que estava escalado como titular para o primeiro jogo da Pré-Libertadores contra a LDU, em Quito, foi mandado de volta ao Brasil depois de um desentendimento com Luxemburgo. Desde que a atual administração assumiu, praticamente, não há um dia sem que o Grêmio seja sacudido por notícias preocupantes. Até agora, a nova diretoria do Grêmio teve poucos acertos, e muitos erros. Fábio Koff elegeu-se cercado por enorme confiança da torcida, mas não vem correspondendo a tamanha esperança. O clube parece estar vivendo um desgoverno, com o técnico extrapolando suas funções e tornando-se um presidente de fato. Onde deveria haver harmonia e foco para a busca de grandes conquistas, há uma série de desencontros, e uma usina geradora de conflitos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A ditadura da felicidade

Dois colunistas, ambos do mesmo veículo de comunicação, a revista "Época", debruçaram-se, recentemente, sobre a obrigação de ser feliz que caracteriza os tempos em que vivemos. Com enfoques distintos e complementares sobre o assunto, Eliane Brum e Walcyr Carrasco discorreram sobre o fato de que a felicidade deixou de ser uma conquista, e tornou-se uma imposição. Alguém poderia perguntar o porquê resolvi escrever sobre um tema já abordado tão proximamente por outros. Justamente porque entendo que não é coincidência o fato de Eliane e Walcyr sentirem, quase ao mesmo tempo, a necessidade de abordar o assunto. Trata-se de algo perturbador em nossos dias, com severas consequências para a vida das pessoas. A felicidade é, em princípio, algo muito subjetivo e de definição imprecisa. Pode ser concebida de diferentes formas. Alguns podem entendê-la como sendo serena, outros a imaginam de forma mais intensa. Porém, atualmente, a felicidade é propagandeada como algo esfuziante, trepidante, excitante, com muita "adrenalina". A simplicidade e a singeleza não cabem nessa fórmula, visivelmente atrelada aos propósitos do consumismo. Somos bombardeados, diariamente, pela difusão da ideia de que, para ser feliz, é preciso adquirir roupas caras e aparelhos eletrônicos sofisticados, ter um bom carro, fazer muitas viagens, ter uma vida sexual movimentada. O fato de que os seres humanos não são todos iguais, e que suas expectativas e possibilidades diferem muito de um indivíduo para o outro, é solenemente ignorado pelos arautos da felicidade plena. Assim sendo, ou você corresponde ao perfil da felicidade espetacularizada, ou é visto como um fracassado. Outra consequência desse estado de coisas é que se mostrar triste ou infeliz tornou-se algo "cafona" e que necessita, até mesmo, ser combatido com medicamentos. Ora, a tristeza é tão inerente ao ser humano quanto a alegria. Não constitui, em si, uma patologia. No entanto, na sociedade consumista e infantilizada em que vivemos, somos tomados pela compulsão de buscar uma felicidade irreal, superlativa, carregada de euforia. Obviamente, o resultado dessa busca só pode ser uma enorme frustração, ou até mesmo, a depressão, já que não conseguimos corresponder a tão elevadas exigências. Na verdade, aqueles que tem boa saúde, paz interior, e possuem recursos para uma existência digna, não teriam alcançado a felicidade? Parece razoável entender que sim, mas para nossa sociedade consumista e individualista isto não é suficiente. Estamos submetidos a uma ditadura da felicidade que, paradoxalmente, nos torna mais infelizes. A felicidade é uma conquista, e como tal, pode ser alcançada por diversos caminhos, conforme as inclinações e aspirações de cada um. Não cabe em fórmulas prontas. Ser feliz é um direito, não uma obrigação.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O partido de Marina Silva

Há poucos dias, escrevi sobre a excessiva proliferação de partidos no Brasil, e de que descobrira a existência de mais um, o Partido Ecológico Nacional. Agora, cogita-se de que a ex-candidata a presidente Marina Silva, irá criar o seu próprio partido. Marina teve grande votação na última eleição presidencial, representando uma alternativa à polarização PT-PSDB, mas desentendeu-se com o partido pelo qual concorreu, o PV, e deixou a sigla. Afora ser mais um partido, num país que já os tem em excesso, a nova legenda, caso venha mesmo a ser criada, teria que tipo de proposição? Um partido precisa ter um ideário definido, uma orientação ideológica clara, não pode ser, apenas, um agrupamento de pessoas. O partido de Marina Silva, contudo, parece ser muito mais uma sigla constituída no culto à personalidade da ex-candidata. Marina Silva é uma figura humana e política admirável, mas um partido deve representar um conjunto de ideias e programas, não um séquito de admiradores de uma personalidade carismática. Alguém poderia dizer que Marina Silva criaria um novo partido porque nenhum dos já existentes atende às suas expectativas. Isso pode até ser verdadeiro, mas, caso ela viesse a ganhar uma eleição majoritária para um cargo executivo concorrendo pela nova legenda teria que, obrigatoriamente, realizar alianças com outras siglas, ou não conseguiria governar. Goste-se ou não, a política exige composições. Ninguém governa sozinho. Isso é ruim e bom, ao mesmo tempo. Ruim porque leva, muitas vezes, a coligações espúrias entre partidos sem maior afinidade entre si. Bom porque, com a necessidade de alianças entre partidos, não se corre o risco de uma só legenda empalmar o poder. Marina Silva poderia repensar sua ideia de criar mais um partido. Deveria levar suas bandeiras para um já existente, que se dispusesse a acolhê-las.