segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Mais um ano que se vai
Dentro de poucas horas, 2012 terá acabado. O ano transcorreu "voando", conforme a impressão de quase todos. Aliás, trata-se de uma sensação que aumenta a cada novo ano, ou seja, a de que o tempo está passando rápido demais. Dizer se um ano foi bom ou ruim é algo que implica em grande subjetividade. Tudo depende de quem responde ao questionamento, pois analisamos a vida pelo nosso viés particular. No plano geral, 2012 foi um ano de acontecimentos marcantes, como o julgamento do mensalão e a reeleição de Barack Obama. O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, apesar de toda a campanha difamatória de que foi e é alvo, elegeu mais um "poste", ao fazer de Fernando Haddad o novo prefeito de São Paulo. A esquerda prosseguiu dando as cartas na América do Sul, mesmo enfrentando o bombardeio incessante da imprensa de direita, e obteve a reeleição do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No esporte, o ano foi ruim para Grêmio e Inter. O Grêmio nada ganhou. O Inter conquistou, apenas, o pouco expressivo Campeonato Gaúcho. O futebol brasileiro, contudo, manteve a hegemonia na Libertadores e recuperou o título mundial, graças às conquistas do Corinthians. Na Fórmula-1, Sebastian Vettel obteve o tricampeonato mundial consecutivo, feito raro que ocorreu, somente, pela terceira vez na história da categoria. Na área do entretenimento, o ano destacou-se pela vinda de grandes shows internacionais ao Brasil, como os de Madonna e Stevie Wonder. A economia brasileira apresentou baixo crescimento, mas a empregabilidade continua estável e a inflação se mantém sob controle. Agora, é esperar 2013, ano da Copa das Confederações e da contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2014. Feliz 2013 para todos nós!
domingo, 30 de dezembro de 2012
Discurso pobre
Roberto Carlos é um dos maiores astros da música brasileira em todos os tempos. Em 51 anos de carreira, são muitas músicas de sucesso e milhões de cópias vendidas. Seu mais recente lançamento, um EP com quatro músicas, sendo apenas duas inéditas, já vendeu 1,5 milhão de cópias. Seu talento como cantor e compositor é inegável, ainda que, é claro, haja quem dele não goste. Também é sabido que Roberto Carlos não tem o lastro cultural de outras grandes figuras da música brasileira, como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Gilberto Gil, por exemplo. Mesmo assim, é constrangedora a forma limitada como Roberto Carlos se expressa fora de suas composições. Ele praticamente não concede entrevistas e, quando o faz, nada diz de substancial, limitando-se a falar de sua obra sem maior profundidade, usando um vocabulário escasso e repetitivo. Hoje, ao receber o Troféu Mário Lago, concedido pela Rede Globo, Roberto Carlos extrapolou nesse aspecto. Numa entrega de prêmio ou troféu, é esperado que o agraciado realize um pronunciamento, declarando a sua satisfação em tê-lo recebido e fazendo agradecimentos. Roberto Carlos se limitou a repetir a expressão que usa há anos em seus shows: "Muito obrigado por todo esse carinho, por todo esse amor". Nem mesmo quando depoimentos gravados exaltando-o foram mostrados ele foi capaz de falar qualquer coisa. O que explicaria esse tipo de comportamento? Medo de dizer algo fora de lugar? Falta de confiança na própria capacidade de expressão? Ora, até para isso haveria solução, pois bastaria contratar alguém para treinar sua fala. Em outras ocasiões o mutismo de Roberto Carlos é, até, aceitável, mas, hoje, foi imperdoável. Ao receber um troféu e praticamente nada falar a respeito, Roberto Carlos deixou a impressão, um tanto contraditória, de ser um compositor inspirado, mas um homem que não sabe o que dizer.
sábado, 29 de dezembro de 2012
Conselhos e lições de vida
As pessoas que frequentam as redes sociais se deparam com uma enorme quantidade de postagens com conselhos de toda a ordem, lições de vida dos mais diferentes tipos, e mensagens de auto-ajuda de conteúdo raso. Isso ocorre todos os dias, durante o ano inteiro. Nos finais de ano essa tendência se acentua ainda mais, e o pior é que não fica restrita às redes sociais, se espalhando pela imprensa. O término de um ano e a proximidade do começo de outro levam a uma profusão de matérias e colunas dando dicas sobre os erros a não serem repetidos e aos objetivos que devemos perseguir no novo período que está por se iniciar. Chama a atenção a convicção com que tais fórmulas do sucesso e da felicidade são distribuídas aos leitores. Há um ditado que expressa, com certa dose de cinismo, que "se conselho fosse bom, não era dado, seria vendido". Em princípio, todos nós sabemos os caminhos mais adequados para atingirmos nossos propósitos. Se não os seguimos, ou deles nos desviamos, não há de ser por falta de caráter. O homem, já dizia Ortega y Gasset, é ele e suas circunstâncias. Entre os planos que fazemos, os caminhos que traçamos para torná-los realidade, e a sua concretização, há, muitas vezes, um abismo. A vida seria muito fácil se pudesse ser resumida às recomendações de uma cartilha. Viver é algo imprevisível, sempre, perigoso, por vezes, injusto, em muitas ocasiões. Não fracassamos porque queremos ou porque nos sabotamos. Essa última hipótese até acontece, mas generaliza-la é ceder à psicologia de almanaque. Ao contrário do que diz uma frase que foi muito repetida em determinada época, querer não é poder. Portanto, não afunde no desânimo ao se sentir distante das situações descritas nos conselhos de bem viver. Isso apenas prova que você é um ser humano, com todas os seus limites e imperfeições. As tais dicas para uma vida feliz, por sua vez, são tão descartáveis quanto um lenço de papel.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Muita bilheteria e pouca profundidade
Fazer cinema no Brasil nunca foi fácil. A falta de recursos, financeiros e técnicos, e a concorrência desleal dos filmes hollywoodianos, entre vários outros fatores, fizeram do cinema brasileiro, ao longo do tempo, um produto da obstinação e idealismo dos seus realizadores. Ainda assim, os filmes brasileiros alcançaram, em vários momentos, êxito comercial. As chanchadas dos anos 50, com seu humor ingênuo, atraíam multidões aos cinemas e tornaram famosos atores como Oscarito e Grande Otelo, entre outros. Nos anos 70, as chamadas "pornochanchadas", com um erotismo que, hoje, soaria pueril, alcançaram grande sucesso. Porém, nem só de humor e erotismo viveu o cinema brasileiro. O filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de 1976, adaptado da grande obra de Jorge Amado, levou 12 milhões de espectadores aos cinemas, sendo recordista brasileiro de bilheteria por muitos anos. Porém, o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992) ao extinguir a Embrafilme, praticamente acabou com o o cinema no país. Até então, havia uma produção numérica de filmes bastante expressiva no Brasil, que, com o fim da Embrafilme, quase cessou por completo. Transcorreram muitos anos até que o cinema brasileiro se reerguesse. Hoje, a produção cinematográfica brasileira já é, novamente, expressiva em termos quantitativos. O mesmo, contudo, não se pode dizer da qualidade dos filmes. Nas últimas edições do Oscar, o maior prêmio do cinema mundial, as produções brasileiras não tem conseguido ultrapassar a seleção prévia para concorrer na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Isso tornou a acontecer, agora, com "O Palhaço". Mesmo com todos os elogios da crítica brasileira, o filme, dirigido por Selton Mello, ficou fora do Oscar. Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem gerado grandes sucessos de bilheteria, mas com uma mesma fórmula, a da comédia do tipo "besteirol", de um humor fácil e raso e com a presença, no elenco, de nomes conhecidos da televisão. Filmes como "Se Eu Fosse Você" (1 e 2), "E Aí, Comeu?" "Os Penetras", "De Pernas Pro Ar" (1 e 2), levam grande público aos cinemas seguindo esse receituário, mas constituem um modelo calcado na superficialidade, no apelo imediato, com pouca profundidade. Dessa forma, o cinema brasileiro tem estado longe do prestígio de outros tempos. Tais filmes repercutem no mercado interno, mas seu conteúdo não os torna atraentes fora do território brasileiro. Para obter o reconhecimento do mercado externo, é preciso produzir filmes como "O Pagador de Promessas", "Central do Brasil", "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" (1 e 2). Criar uma indústria cinematográfica rentável no país é algo altamente positivo, mas é preciso, também, investir em produções de maior conteúdo.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
A demora nas contratações
Os torcedores de Grêmio e Inter não estão tendo motivos para sorrir nesse período de férias do futebol. Nessa época do ano, sem a realização de competições, os clubes dedicam-se a reforçar seus grupos de jogadores. Os torcedores ficam ávidos por novidades, grandes nomes que possam qualificar seus times. Grêmio e Inter, por motivos diferentes, necessitam de um acréscimo significativo de qualidade. O Grêmio por ter uma Libertadores para disputar, caso passe pela fase preliminar da competição. O Inter, por ter ficado num modestíssimo 10° lugar no Campeonato Brasileiro. No entanto, a movimentação dos dois clubes, até agora, em termos de contratações, é decepcionante. O Grêmio trouxe apenas três jogadores. São eles o veteraníssimo goleiro Dida, da Portuguesa, uma contratação absolutamente equivocada e desnecessária, o lateral-esquerdo Alex Telles, do Juventude, que não passa de uma promessa, e o centroavante William José, do São Paulo, outro jogador em busca de uma afirmação definitiva e cujo futebol, particularmente, não me agrada. Para piorar, sem que se possa entender o porquê, dispensou o melhor lateral-esquerdo de que dispunha no grupo, Júlio César. O zagueiro Naldo, de muito boas atuações nos últimos jogos de 2012, foi para a Udinese , pois o Grêmio não exerceu a cláusula de preferência que detinha para a aquisição do jogador. O clube negocia, há cerca de um mês, a vinda do atacante chileno Vargas, do Nápoli, mas outros interessados apareceram, o que complicou a transação. Os reforços, antes prometidos para o final de ano, só deverão ser anunciados em 2013, o que é muito ruim para quem, no dia 23 de janeiro, já terá um jogo altamente decisivo contra a LDU , em Quito, pela Pré-Libertadores. O Inter, escudado no fato de que, ao contrário do Grêmio, só enfrentará competições de maior exigência a partir do mês de maio, não fez, ainda, nenhuma contratação. Nem mesmo para a lateral direita, posição para a qual não há hoje, no grupo, nenhum jogador, foi feita qualquer contratação. Em se tratando de um clube que fez campanhas muito pálidas em 2012, conquistando, assim mesmo sem nenhum brilho, apenas o Campeonato Gáucho, tal inação torna-se incompreensível. Por enquanto, para os torcedores de Grêmio e Inter, as perspectivas para 2013 não parecem nem um pouco promissoras..
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Ineficiência
No último sábado, nesse espaço, manifestei minha posição contrária ao chamado "endurecimento" da Lei Seca, por entender que ele visa muito mais aumentar a arrecadação de multas do que salvar vidas no trânsito. Bastaram poucos dias para que isso se comprovasse. No feriadão de Natal, já com as mudanças da referida lei em vigor, as mortes no trânsito aumentaram em todo o país. Isso confirma o que tenho sustentado, isto é, de que as leis não são capazes de modificar o comportamento humano. Ninguém deixa de agir dessa ou daquela forma por causa da edição de leis mais rigorosas. Comportamentos só se alteram através da educação, e isso leva muito tempo. Como não temos paciência para esperar os frutos de ações de longo prazo, apelamos para o imediatismo de leis mais duras. Sem resultados práticos, como já se viu no feriadão de Natal. A ideia de que multas mais altas diminuiriam os casos de embriaguez ao volante é um equívoco. Seria como acreditar que as pessoas deixariam de fumar caso os cigarros tivessem seu preço sensivelmente aumentado. A queda do consumo de cigarros, verificada nos últimos anos, é efeito das campanhas de conscientização, que conseguiram demonstrar para as pessoas, os inúmeros e graves malefícios causados pelo fumo. Com o trânsito, não há de ser diferente. Enquanto as pessoas não se aperceberem dos riscos a que submetem a si próprias e aos outros quando dirigem sob o efeito de álcool, não haverá lei, por mais drástica que seja, que reduza os alarmantes números de mortes no trânsito. A Lei Seca desperta a simpatia de grande parte da opinião pública, mas seu efeito prático é quase nulo.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Presentão
Depois de realizarem, ontem, um show, em local fechado, com entradas ao preço de R$800, cuja renda reverteu para a Sociedade Viva Cazuza, Stevie Wonder e Gilberto Gil estão se apresentando, hoje, no dia de Natal, nas areais da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O show, é claro, não tem cobrança de ingressos. Cerca de 500 mil pessoas, não só do Rio, mas dos mais diversos lugares, deverão assistir a apresentação. Um "presentão" de Natal para todos quantos tenham o privilégio de estar na Cidade Maravilhosa. Estive entre o 1,5 milhão de pessoas que, em fevereiro de 2006, estavam, na mesma praia de Copacabana, assistindo ao show dos Rolling Stones. Lamento não poder estar, hoje, nas areias da célebre praia para assistir o magnífico Stevie Wonder e o brilhante Gilberto Gil. Momentos como esse deveriam ser mais frequentes, não só no Rio, mas em várias outras cidades. Grandes artistas se apresentando, de graça, para enormes públicos. Afinal, nem só de pão vive o homem. Shows assim não devem ser privilégio dos que podem pagar por ingressos caros. Como diz a letra de uma famosa música, "todo artista tem de ir aonde o povo está". O Rio de Janeiro é um lugar único, por suas incomparáveis belezas. Afora isso, é uma cidade voltada para a alegria e a celebração. O show da noite de hoje é mais uma demonstração dessa característica. Um fecho de ouro para o Natal da Cidade Maravilhosa, que deixa uma ponta de inveja em quem não pode estar lá.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Mais uma tentativa fracassada
As coisas não andam fáceis, mesmo, para a oposição e a imprensa de direita, no Brasil. Desesperada com a popularidade dos governos petistas, que já comandam o país pelo terceiro mandato consecutivo, a imprensa conservadora brasileira vive tentando encontrar candidatos a presidente capazes de retirar do poder os atuais ocupantes. Nos últimos tempos, dois nomes surgiram como possibilidade, o do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, e o do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Barbosa foi alçado a condição de herói nacional por ter, como relator do processo, imputado severas penas aos réus do mensalão. Campos, por ter rompido alianças com o PT em alguns municípios e obtido vitórias que o teriam qualificado para "voar com as próprias asas", se candidatando a presidente em 2014. A realidade, contudo, teima em desafiar tais conjecturas. Pesquisas de intenção de voto recentemente realizadas mostraram que tanto a presidente Dilma Rousseff como o seu antecessor no cargo, Luís Inácio Lula da Silva, ganhariam a eleição, caso ela se realizasse hoje. O "herói", Barbosa, por sua vez, tem apenas 9% da preferência do eleitorado. Em relação a Eduardo Campos, o tombo é ainda pior. Em entrevista à revista "Época", Campos revelou que não será candidato a presidente em 2014, e que seguirá na base de sustentação a Dilma, apoiando a sua reeleição. Campos acrescentou que esteve junto com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), outro potencial candidato da oposição, no mesmo palanque, pela última vez, em apoio a Tancredo Neves, e que não irá se juntar a ele nas eleições de 2014. Em pouquíssimo tempo, as duas candidaturas suscitadas pelos antipetistas já fizeram água. Barbosa ainda teria tempo para tentar inflar seus índices nas pesquisas, mas é pouco provável que conseguisse, depois de apresentar números tão modestos justamente quando está tremendamente exposto pela mídia. Campos simplesmente mostrou de que lado está e desestimulou os que pretendiam postular sua candidatura a presidente. A cada dia que passa, para a inconformidade de muitos e satisfação da maioria, confirma-se a constatação de que, mesmo com denúncias e escândalos surgindo a cada dia, e sofrendo uma campanha contrária incessante de veículos de comunicação, os atuais mandatários seguem desfrutando de altíssimos índices de popularidade e com a perspectiva de uma longa permanência no poder. Afinal, numa democracia, quem decide isso é o eleitor, e ele continua deixando clara qual é a sua opção.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Redes sociais
As chamadas "redes sociais" são o fenômeno mundial dos tempos atuais. Milhões de pessoas, no mundo inteiro, estão conectadas a elas. A de maior sucesso, no momento, é o Facebook. Numa sociedade cada vez mais informatizada, fomos tomados por uma "internetmania". O problema é que isso já está trazendo reflexos nocivos à vida das pessoas. Uma pesquisa indica que a ânsia em estar conectado e interagindo nas redes sociais está levando muitas pessoas a perderem preciosas horas de sono e a praticarem menos sexo. A constatação, embora preocupante, não é surpreendente. Os espantosos avanços da tecnologia nos trouxeram possibilidades de comunicação inimagináveis para nossos bisavós. O preço a se pagar por isso, contudo, foi caro, pois, quanto mais nos conectamos, mais solitários ficamos. Estamos tornando os relacionamentos cada vez mais virtuais e menos físicos. As redes sociais nos proporcionam a possibilidade de entrar em contato com parentes e amigos que andavam afastados, o que é ótimo, mas, em geral, a relação não passa do plano cibernético. Até mesmo o gesto de ligar para alguém que está de aniversário, tendo a oportunidade de conversar com ele, vai caindo em desuso, já que é mais cômodo postar uma mensagem de felicitações pelas redes sociais. Estamos, cada vez mais, interligados. Há quem possua até mil amigos cadastrados em uma ou mais redes sociais. No entanto, na vida concreta, fora dos computadores, smartphones e outros recursos semelhantes, estamos, também, mais embotados, solitários em meio à multidão.
sábado, 22 de dezembro de 2012
O endurecimento da Lei Seca
Andar na contramão de posições que ganham a simpatia de grande parte da opinião pública não é uma atitude das mais atraentes para quem se propõe a escrever textos como os postados nesse espaço. Muito mais cômodo seria remar a favor da maré. Porém, esse nunca foi o meu comportamento. Gostem as pessoas, ou não, exponho o meu pensamento, ainda que o mesmo não reflita o posicionamento aparentemente preponderante sobre o assunto em foco. Assim sendo, discordo dos que saúdam o "endurecimento" da Lei Seca. Por mais que tentem, não me deixo convencer de que a tal lei foi feita para salvar vidas, acabando com a carnificina dos acidentes de trânsito. O que, espertamente, ocorre é a utilização de um tema que causa comoção junto ao público, para fornecer mais uma fonte de arrecadação para os governos. Tanto é verdade, que a multa por dirigir alcoolizado, que já era alta, aumentou substancialmente, indo, em números redondos, de R$ 900 para R$ 1.900. Uma autêntica demonstração do que é a indústria da multa. Em outras oportunidades, já expus minha convicção de que não se muda o comportamento humano editando leis. Mesmo quando do surgimento da Lei Seca, as mortes no trânsito não diminuíram. Os radares e pardais também não fizeram decrescer as tragédias no trânsito. O "endurecimento" não terá, também, nenhum efeito prático nesse sentido. Vai, apenas, engordar os cofres do governo que, nesse caso, como em tantos outros do gênero, age como lobo em pele de cordeiro.
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