sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Popularidade

Uma pesquisa do Ibope confirma aquilo que venho afirmando constantemente, isto é, de que os escândalos, supostos ou reais, divulgados de maneira quase permanente pela imprensa, não afetam a imagem do governo federal, nem a popularidade da presidente Dilma Rousseff. Conforme demonstra a pesquisa, a aprovação do governo permanece no índice recorde de 62%, e a popularidade de Dilma cresceu um ponto em relação ao último levantamento, estando agora em 78%. O "mensalão" esteve nas manchetes durante o ano inteiro. A cada semana, novas acusações surgiam contra o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Some-se a isso, o fato de que, no início de seu governo, Dilma teve de afastar vários ministros que praticaram malfeitos. Nas últimas semanas, novos escândalos e acusações dominaram o noticiário. Primeiro, o caso envolvendo Rosemary Noronha, poderosa assessora de Lula. Depois, os ataques de Marcos Valério Fernandes de Souza, protagonista do mensalão, ao ex-presidente, que, segundo ele, sabia de tudo o que se passava em relação ao assunto. Pois, mesmo com tal carga sobre o governo anterior e o atual, nada parece atingir os atuais detentores do poder. Isso já havia sido demonstrado em outubro, quando Fernando Haddad, candidato apadrinhado por Lula, saiu de índices baixíssimos nas pesquisas de intenção de voto e elegeu-se prefeito de São Paulo. A nova pesquisa do Ibope vem reafirmar que o prestígio do governo, e de Dilma Rousseff em particular, não é afetado pela onda de denúncias. O eleitor é prático, leva em conta os resultados apresentados pela administração, e os reflexos deles na sua vida. Sabedor de que nunca antes tantos ascenderam à faixa de consumo, de que as desigualdades sociais estão sendo reduzidas, de que os níveis de emprego permanecem satisfatórios, e de que o país tem conseguido se manter a salvo de maiores efeitos da crise econômica no Primeiro Mundo, o eleitor permanece fiel aos que governam o país desde 2003. Para que esse quadro mude, qualquer denúncia, por mais escabroso que pareça ser seu conteúdo, não será suficiente.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O centenário de Luiz Gonzaga

O dia de hoje marca o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião". Foi um artista extraordinário, e eminentemente popular. Nordestino, trazia todas as características do homem do povo brasileiro, com sua origem pobre, exposto a uma série de dificuldades e tendo de enfrentar preconceitos. Migrou para o Rio de Janeiro e, com muita persistência, conseguiu seu lugar no cenário musical do país, tornando-se uma de suas figuras mais populares. Luiz Gonzaga alcançou o sucesso falando diretamente aos sentimentos das pessoas, sem arroubos estilísticos, pois era um homem de pouca instrução formal. Por isso mesmo, obteve grande aceitação do público, pois muitos se identificavam com sua história e trajetória de vida. Mesmo depois de 23 anos da sua morte, Gonzagão, como também era chamado, não é esquecido. Suas músicas seguem perenes na lembrança dos brasileiros, e atravessam gerações. O Brasil é um país de grandes talentos musicais. Muitas vezes, não os reverencia tanto quanto deveria. O centenário de nascimento de Luiz Gonzaga merece ser festejado com intensidade, como justa homenagem a um dos maiores nomes da arte popular brasileira.

Favoritismo

Depois da vitória do Chelsea sobre o Monterrey, do México, por 3 x 1, hoje, aqueles que achavam que o Corinthians é o favorito para conquistar o Campeonato Mundial de Clubes, devem estar revisando sua posição. Ao contrário do Corinthians, cuja vitória sobre o Al Ahly, do Egito, ontem, foi opaca, o Chelsea ganhou do Monterrey com sobras. Chegou a estar goleando por 3 x 0, e foi muito superior ao longo do jogo. Depois de fazer 1 x 0 no primeiro tempo, liquidou o jogo no começo do segundo, ao fazer dois gols em sequência. Levou um gol, mas não teve o resultado ameaçado. Mostrou um futebol envolvente, técnico, com alguns grandes destaques individuais. Cada jogo é um caso diferente, mas, a se julgar pela atuação de cada um nas semifinais, na decisão de domingo, o Chelsea aparece como o campeão mundial mais provável.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ravi Shankar

A morte de Ravi Shankar, hoje, aos 92 anos, representa o desaparecimento de um ícone da música. Shankar tornou a música indiana conhecida no mundo ocidental. Tocava cítara, um instrumento tão estranho quanto fascinante na sua sonoridade. Sua introdução no mundo do show business se deveu, em grande parte, a George Harrison, quando ainda era um Beatle. George encantou-se com a cítara, que logo tratou de inserir em músicas dos Beatles. A música do grupo em que a cítara aparece de forma mais marcante talvez seja "Norwegian Wood", belíssima composição assinada por Lennon e McCartney. Harrison e Shankar estabeleceram uma amizade que durou até a morte do primeiro. Foi a partir de um pedido de Shankar que Harrison promoveu o "Concerto para Bangladesh", em 1º de agosto de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, o primeiro grande show de rock beneficente. Shankar, inclusive, foi um dos músicos que se apresentou na ocasião. Os dois também gravaram juntos. No "Concert for George", show realizado no Royal Albert Hall, em Londres, no dia em que se completava 1 ano da morte de George Harrison, Shankar também se apresentou. O músico indiano ganhou três "Grammy" e iria receber o prêmio pela quarta vez na sua próxima edição. Shankar teve uma carreira longa e exitosa, e deixa duas filhas também dedicadas a música. A mais famosa delas é Norah Jones, grande cantora que cancelou a turnê que faria pelo Brasil, e que iniciaria, hoje, por Porto Alegre, ao saber da morte do pai.

Atitude injustificável

O Tigre protagonizou mais um dos tantos papelões do futebol argentino. No segundo jogo pela decisão da Copa Sul-Americana, contra o São Paulo, no Morumbi, terminou o primeiro tempo perdendo por 2 x 0, sendo amplamente dominado e merecendo levar mais gols. Como já havia acontecido no primeiro jogo, na Bombonera, o Tigre excedeu-se na violência e nas provocações. Com o término do primeiro tempo, o time argentino partiu para cima dos jogadores do São Paulo. O conflito foi contido, mas o Tigre não voltou para o segundo tempo, o que levou a arbitragem a encerrar o jogo e declarar o São Paulo campeão. As versões vindas da Argentina dão conta de que os jogadores do Tigre teriam sofrido agressões de policiais, e isso levou o time a  não voltar para o segundo tempo. A alegação terá de ser apurada, mas tudo indica não passar de um argumento falso. Tanto no primeiro jogo, como hoje, o Tigre não mostrou futebol e abusou da violência. A menos que consiga apresentar alguma razão para sua atitude de não voltar para o segundo tempo, o Tigre deveria não apenas ser suspenso pela Confederação Sul-Americana de Futebol, como defendem alguns, mas ser desfiliado da instituição. A atitude do clube argentino foi de uma antiesportividade inaceitável, uma total desconsideração para com as mais de 60 mil pessoas presentes no Morumbi e com todos os que assistiam o jogo pela televisão. Há um ditado que expressa que quem não tem competência não se estabelece. Parece ser o caso do Tigre. Seu horizonte é o de um clube condenado a ser pequeno, sem condições de se fazer presente em competições internacionais.

Sem brilho

A vitória do Corinthians sobre o Al Ahly, do Egito, pelas semifinais do Campeonato Mundial de Clubes, não teve brilho. Foi um jogo de escassas oportunidades de gol. O único gol do jogo teve uma bela construção. Douglas, mostrando sua conhecida capacidade técnica, alçou uma bola de trivela para a conclusão de cabeça de Guerrero. O Corinthians não fez muito mais do que isso e, no segundo tempo, foi dominado pelo modesto Al Ahly, mas conseguiu conservar sua vitória. O que se viu do Corinthians dá margem a duas interpretações. A primeira é a de que o importante foi ter alcançado a vitória, mesmo sem jogar bem. A outra é a de que, se repetir uma atuação tão fraca na decisão do título, principalmente se seu adversário for o Chelsea, suas chances de ser campeão ficarão bastante reduzidas. De qualquer forma, o Corinthians superou a síndrome Mazembe e já está na decisão do Mundial de Clubes. O Chelsea ainda precisa chegar lá. Para isso, terá de vencer o Monterrey, do México, amanhã. Portanto, o sonho corintiano de ser campeão mundial, mesmo sem um bom futebol, está mais vivo do que nunca.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A praga do politicamente correto

Há poucos dias, a presidente Dilma Rousseff foi vaiada ao usar a expressão "portadores de deficiência". Percebendo as razões da vaia, Dilma pediu desculpas e corrigiu a expressão para "pessoas com deficiência", sendo, então, aplaudida. O fato foi, apenas, mais uma demonstração de uma praga que assola os nossos dias, a do uso do "politicamente correto". Assim como ocorreu com os deficientes físicos que vaiaram Dilma, homossexuais rejeitam o termo "homossexualismo", que consideram pejorativo. Preferem a palavra "homossexualidade" para designar a sua condição. Dentro dessa onda de substituição de termos, "negro" é tido como ofensivo. Recomenda-se o uso de "afrodescendente". Essa censura verbal é patética. As palavras passam a ser consideradas agressivas ou discriminatórias, o que é uma bobagem. Se fosse verdade que quem usa as expressões cujo banimento é proposto demonstra desprezo pelos supostos atingidos, ao utilizar outras tidas como aceitáveis estaria, apenas, sendo hipócrita. Na verdade, a retomada da democracia, num país sufocado por séculos de autoritarismo e censura, teve um efeito libertador sobre toda a sociedade, e, particularmente, em segmentos historicamente discriminados, que passaram a ter vez e voz. Isso é ótimo. Porém, em nome de defender os direitos desses grupos não se pode partir para uma censura verbal. Considerar que chamar alguém de "negro" constitui racismo é praticar um exagero. Os homossexuais são alvo de grande preconceito, é sabido, mas mudar a palavra que define essa condição em nada altera a situação. No fundo, a postura de quem protesta contra o uso de determinadas palavras revela um sentimento de vitimização. Numa sociedade plural e democrática, o politicamente correto é uma forma de censura, o que é condenável. Com exceção dos palavrões, nenhum termo é, em princípio, ofensivo. Respeito se conquista de formas bem mais objetivas e práticas, não censurando o modo de falar das pessoas. Toda censura, feita em nome seja lá do que for, constitui uma violência. Numa sociedade plural e democrática é preciso saber conviver, sem fazer imposições ou coerções sobre o que dizem os outros.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Remando contra a maré

Certas situações são exemplares para que se perceba o lado mais vil e mesquinho das pessoas. A inauguração da espetacular Arena do Grêmio, referida por mim em meu texto anterior, foi devidamente festejada pela imprensa, que não economizou adjetivos diante da maravilha a que todos assistimos. Porém, sempre há aqueles que, movidos pela inveja, despeito e ressentimentos de toda a ordem, destoam do sentimento geral. Houve quem, hoje, usasse seus espaços nos meios de comunicação para tentar diminuir a esplendorosa inauguração da Arena, ressaltando o que não deu certo, em vez de exaltar o que esteve correto. Ocorreram alguns imprevistos, normais em se tratando de um acontecimento de tal porte, mas que em nada deslustram a inauguração, e que serão devidamente corrigidos. O que não se pode tolerar é que, em nome de uma pretensa objetividade jornalística, alguém proceda como o notório chefe de esportes de uma rádio de Porto Alegre que, movido pela sua identificação com o maior rival do Grêmio e seu ódio visceral à empresa de comunicação que é líder de audiência no Rio Grande do Sul, procurou diminuir a grandiosidade da festa de sábado. Seu coloradismo e sua inconformidade com a preferência esmagadora do público por uma empresa que não é a sua, fez com que chegasse ao ponto de dizer que sua concorrente deveria ter resolvido os contratempos verificados em termos de estrutura na inauguração da Arena, numa declaração totalmente destituída de senso. Não parou por aí, e sugeriu que o Grêmio torne a fechar a Arena, para não "pagar mico" no Jogo Contra a Pobreza, no próximo dia 19/12. Seria mais proveitoso para todos se o radialista em questão explicasse porque a sua empresa, depois de ter adquirido os direitos de transmissão por televisão dos jogos do Campeonato Gáucho de Futsal - Série Ouro, parou de transmiti-los durante a competição, o que fez com que a federação gaúcha da modalidade voltasse a firmar contrato com a antiga detentora dos mesmos, isto é, a concorrente tão odiada por ele. A liberdade de expressão não pode servir de anteparo para que alguns se valham do privilégio de possuírem espaços nos meios de comunicação e se sintam no direito de falar o que bem entendem ferindo o bom senso e remando contra a maré em relação ao restante da imprensa e à opinião pública. No fundo, o tal chefe de esportes não passa de um pobre coitado. Porém, mesmo os que ostentam essa condição tem de ter ponderação e responsabilidade ao emitirem suas opiniões. Felizmente, a única consequência prática que tal tipo de comportamento pode acarretar é a queda ainda maior da audiência da rádio onde trabalha o tal boquirroto.

domingo, 9 de dezembro de 2012

O começo de uma nova era

Embora resida em Porto Alegre, não acompanhei passo a passo a obra do novo estádio do Grêmio, a Arena. Algumas pessoas viram a obra desde que saiu do chão, e a sua evolução até ser concluída. Cheguei a planejar uma visita ao estádio antes de sua abertura ao público, mas isso acabou não se concretizando. Sendo assim, ao estar presente ontem na inauguração da Arena, o impacto que senti foi ainda maior do que já seria esperado. Trata-se de uma obra portentosa, um estádio sem similar no Brasil. São mais de 60 mil lugares, sendo a quase totalidade com cadeiras e um pequeno setor sem elas, reservado para a "avalanche" da torcida "Geral do Grêmio". São quatro andares de acomodações, todos de excelente visibilidade para o campo. Para os que sentam nas cadeiras do anel inferior, a distância para o gramado é de, apenas, 10 metros, o que gera uma incrível sensação de interação com o jogo.  Depois da bela festa de inauguração, o jogo contra o Hamburgo, com o apelo da evocação da decisão do Campeonato Mundial de Clubes de 1983, e a repetição do placar daquela ocasião, inclusive, com o empate parcial,  foi um  digno complemento. Para a satisfação da torcida, coube a um jogador do Grêmio, André Lima, marcar o primeiro gol do novo estádio. O Grêmio sai na frente no que deve ser uma tendência dos clubes brasileiros daqui por diante, isto é, a adoção do padrão Fifa de construção de estádios. O Palmeiras já está erguendo a sua arena, no mesmo terreno onde ficava o velho Parque Antárctica. O Vasco já planeja deixar de lado o seu antigo estádio de São Januário e também construir uma arena. As modernas arenas primam pelo conforto, visibilidade e interação do público com o espetáculo. Sua acústica é muito melhor que a dos estádios convencionais, o que amplifica o grito do torcedor. Também é verdade que elas tiram um pouco da vibração do torcedor na medida em que todos os lugares são marcados, o que dificulta a aglomeração na hora de comemorar um gol. Afora isso, tanto conforto também custa caro, diminuindo a possibilidade das pessoas com menores recursos financeiros de se fazerem presentes nos estádios. Porém, os prós são muito maiores do que os contras. Mesmo para quem, como eu, já não é jovem, e vai aos estádios há 41 anos, a sensação diante do que se viu na Arena do Grêmio foi de êxtase e encantamento. Como estádio, é único, até o momento, no Brasil. Só vemos algo semelhante quando assistimos, pela televisão, aos jogos da Europa. Com a Arena, começa uma nova era para o Grêmio e para o futebol brasileiro. Até por isso, um jornal francês considerou estranho a Arena não ter sido incluída entre os estádios da Copa do Mundo de 2014. O jornal foi ameno em suas considerações. Depois do que se viu ontem, a não inclusão da Arena entre os estádios da Copa não é, apenas, estranha, mas totalmente absurda.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A véspera do grande dia

Hoje, estamos na véspera da inauguração do novo estádio do Grêmio, a Arena. Uma obra portentosa, com capacidade para 60.500 pessoas, inteiramente construída dentro do padrão Fifa. O Grêmio terá, a partir de agora, o mais moderno estádio das Américas. Para a inauguração, shows, fogos de artifício, solenidades e um amistoso com o Hamburgo, adversário do Grêmio na decisão do Campeonato Mundial de Clubes de 1983. O sonho está se tornando realidade. Ainda que deixar o Olímpico tenha doído no torcedor, o novo estádio tem tudo para ser o começo de uma era de vitórias e glórias para o clube, encaminhando-o para uma fase de hegemonia. Nem tudo está perfeito. O estádio ainda necessita de alguns retoques, e seu entorno apresenta condições precárias. Nesse aspecto, a inauguração talvez pudesse ficar para um pouco mais tarde. Porém, a vontade do atual presidente do Grêmio, Paulo Odone, de estrear o estádio ainda na sua administração, pesou na balança. Não importa. A partir de amanhã, o Grêmio e a cidade não serão mais os mesmos. Não se trata apenas da inauguração de mais um estádio, mas de uma obra cujos padrões de sofisticação e conforto ainda não foram vistos no país. Um motivo para o torcedor do Grêmio se encher de orgulho. Os que estiverem amanhã na Arena, como torcedores ou profissionalmente, viverão um momento histórico.