sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Eliminação cruel

A eliminação do Grêmio na Copa Sul-Americana se deu de forma cruel. O Grêmio saiu na frente no placar, e só seria eliminado se sofresse três gols. Pois foi exatamente o que aconteceu. O último gol, de pênalti, ocorreu já nos acréscimos. Duro demais! O pênalti, embora a revolta dos jogadores do Grêmio, existiu. A culpa pela derrota de 3 x 1 do Grêmio para o Millonarios (COL), no El Campin, em Bogotá, ontem, não é da arbitragem. Um time que obtém um resultado  parcial, embora estivesse perdendo, que ainda lhe era favorável, não pode permitir uma reversão nos acréscimos. Ao apelarem para os chutões, os jogadores do Grêmio facilitaram a tarefa do adversário. Deviam era ter mantido a posse de bola, enervando o Millonarios. O técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, mais uma vez, cometeu erros num jogo decisivo. Novamente, começou o jogo com três volantes e apenas um atacante, o quer nunca deu certo. Pior, ao ter a sorte de sair na frente no placar, manteve o esquema até o final. A saída de Kléber, lesionado, poucos minutos depois de entrar em campo, também resultou de um erro de Luxemburgo. Não havia nenhuma razão para tirar Marcelo Moreno e colocar Kléber, que vinha de lesão e não tem correspondido tecnicamente. O resultado foi uma ducha de água fria na, até então, eufórica torcida gremista. A partir dele, a renovação de contrato de Luxemburgo pode já não ser tão certa quanto parecia.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Empate

A Seleção Brasileira empatou em 1 x 1 com a Colômbia, hoje, em New Jersey (EUA), mostrando um bom futebol e deixando escapar a vitória, que seria de virada, numa desastrada cobrança de pênalti de Neymar. A Seleção terminou o primeiro tempo perdendo por 1 x 0, mas soube reagir no segundo, com um belo gol de Neymar. O jogo foi de boa qualidade, e a Colômbia é uma equipe que realiza boa campanha nas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2014, o que faz com que o resultado não seja um tropeço como muitos possam imaginar. A Seleção Brasileira, como vem acontecendo nos últimos jogos, tem mostrado evolução. Os jogadores, agora, estão aplicados, o que não acontecia antes. Um reparo que pode ser feito, no entanto, é a insistência do técnico da Seleção, Mano Menezes, em não escalar um centroavante de ofício na equipe titular. Um atacante com "faro de gol" é um recurso de que não se deve abrir mão. Mesmo sem vencer, contudo, a Seleção demonstrou que seu futebol está em crescimento e, ao menos por hora, Mano Menezes não deve estar com o cargo ameaçado. O que deve ser lamentado é que, tendo sido o milésimo jogo da história da Seleção, a equipe não tenha obtido uma vitória para ressaltar tão expressiva marca.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Forjando candidatos

A imprensa conservadora, principalmente a revista "Veja", segue em seu afã de descobrir um candidato viável para desalojar o PT do governo federal. Depois da morte política de José Serra, duas vezes derrotado em eleições presidenciais e que acaba de perder a disputa para prefeito de São Paulo, e diante da incerteza sobre a potencialidade de Aécio Neves, a aposta da vez é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Por haver rompido alianças com o PT e candidatos de seu partido terem ganho eleições para prefeito em Recife, Fortaleza e Belo Horizonte, Campos está sendo apontado como nome certo para concorrer a presidente em 2014. Conforme "Veja", o governador até já montou uma agenda de conversas com empresários e escalou sua equipe de assessores visando a eleição presidencial de 2014. A aposta em Campos mostra o quão desesperada é a tentativa da imprensa de direita de tirar o PT do poder. Ao contrário de Serra e Aécio, integrantes de um partido conservador, Campos pertence a uma sigla socialista, e é neto de Miguel Arraes, um esquerdista histórico. Mesmo que tenha crescido de cotação no cenário político, Campos teria enorme dificuldade de ganhar do PT concorrendo por um partido de estrutura ainda modesta no plano nacional. O PSB é um tradicional aliado do PT, e não é certo que até 2014 não possa haver uma reaproximação entre os dois partidos em localidades onde houve um afastamento. Não bastasse isso, Campos é jovem e não precisa ter pressa. Pode muito bem esperar mais tempo para sedimentar sua imagem, postergando uma candidatura a presidente para 2018. Por enquanto, com Eduardo Campos concorrendo ou não, inexistem perspectivas concretas de o PT perder o poder no governo federal, para desconsolo da imprensa de direita.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Título inquestionável

O título de campeão brasileiro de 2012 conquistado ontem pelo Fluminense não deixa margem para contestações. Afinal, foi ganho três rodadas antes do final da competição. O Fluminense foi superior em todos os itens. Teve o ataque, mais positivo, a defesa menos vazada e, até o momento, o goleador do campeonato. Metade de suas vitórias ocorreram fora de casa. Seu rendimento percentual até agora, de 72,38%, é o mais alto da era dos pontos corridos. Por sinal, o técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, destacou o fato de que, com o rendimento que seu time possui até aqui, de 62,86%, teria conquistado o título nas três últimas edições do Campeonato Brasileiro, ou seja, o desempenho do Fluminense é que superou todas as expectativas. Mesmo que, em alguns jogos, tenha sido beneficiado pelas arbitragens, o Fluminense, pela expressividade dos números de sua campanha, é um campeão mais do que legítimo. A trajetória do Fluminense, nos últimos anos, tem sido amplamente exitosa. Nos três últimos campeonatos brasileiros, foi campeão em 2010 e 2012 e 3º colocado em 2011. Foi vice-campeão da Libertadores em 2008, mesma posição que alcançou na Copa Sul-Americana de 2009, ainda que, naquele ano, tenha evitado de forma heróica o rebaixamento no Brasileirão. A lamentar, somente, que, pelo fato do título ter sido decidido de forma antecipada, alguns cronistas esportivos estejam, novamente, criticando a disputa de pontos corridos e propondo a volta do formulismo. Seria um retrocesso inaceitável. O campeonato de pontos corridos premia o melhor e, por isso, é o mais justo. O resto é choro de mau perdedor.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ladeira abaixo

A derrota por 1 x 0 para a Ponte Preta, hoje, no Moisés Lucarelli, expôs ainda mais o contraste da situação do Inter comparada com a do seu maior rival, o Grêmio. Enquanto o Grêmio sobe na tabela do Campeonato Brasileiro, ocupando, agora, o 2º lugar, o Inter segue descendo a ladeira. Com a derrota de hoje, caiu para o 8º lugar. O Inter está 15 pontos atrás do Grêmio e tem seis vitórias a menos do que o seu tradicional adversário. Sua única motivação até o encerramento da competição é ganhar o Gre-Nal da rodada final, que será o último jogo da história do Olímpico. Muito pouco para um clube da expressão do Inter. Independentemente do resultado do Gre-Nal, 2012 não deixará saudades nos torcedores do Inter.

Vitória com a marca da imortalidade

A vitória do Grêmio por 2 x 1, de virada, sobre o São Paulo, hoje à tarde, no Olímpico, pelo Campeonato Brasileiro, foi digna da exitosa história do clube. O Grêmio jogou melhor a partida inteira, mas saiu perdendo, com um gol sofrido no final do primeiro tempo, e foi obrigado a empenhar-se muito para obter a virada. O descanso de oito dias sem jogos fez bem ao time, que mostrou fôlego durante toda a partida. Vários jogadores se destacaram individualmente, principalmente Marcelo Grohe, Naldo, Souza e Zé Roberto. Por sinal, Zé Roberto parecia um garoto, não um jogador de 38 anos, dada a exuberante condição física que demonstrou. Deve-se destacar, também, que, enquanto o São Paulo jogou completo, o Grêmio esteve desfalcado de Werley, Gilberto Silva, Elano e Kléber, todos eles titulares absolutos. Mesmo assim, em momento algum o Grêmio foi inferior ao seu adversário. A vitória de hoje teve significados bem mais amplos do que os do jogo em si. O Grêmio alcançou o segundo lugar na tabela, ultrapassando o Atlético Mineiro, posição que, se mantida, lhe dará a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores. Foi uma tarde gloriosa no penúltimo jogo da história do Olímpico. Não faltou nada. Tempo bom, estádio lotado, torcida vibrante e em sintonia com o time. Uma tarde com a marca da imortalidade gremista, exaltada na letra do hino do clube, composto pelo genial Lupicínio Rodrigues.

sábado, 10 de novembro de 2012

O curioso universo das redes socias

Um dos grandes fenômenos dos tempos atuais são as redes sociais, cujo maior expoente é o Facebook. Representam um interessante recurso, permitem a reaproximação de pessoas que há muito estavam sem contato, entre outras possibilidades. Porém, há um aspecto especialmente interessante. As postagens nas redes sociais revelam a existência de posições ideológicas carregadas de um furor xiita. Se o autor do comentário tiver posições de direita, veremos postagens contra a "corrupção que tomou conta do Brasil" e aplausos às punições do Supremo Tribunal Federal contra os "mensaleiros". Se o autor da mensagem tiver posições de esquerda, nos depararemos com campanhas contra a Rede Globo, a disseminação dos shopping centers, o consumismo desenfreado, a repressão policial. Nota-se um tom de fanatismo em ambos os lados. A defesa dessas posições se faz com um claro sentimento de ódio em relação ao pensamento contrário. Lamentavelmente, tais pessoas são incapazes de prezar a pluralidade. Sonham com um mundo em que prevaleçam apenas as suas vontades, numa visão totalitária de sociedade. Não consigo pensar assim. Claramente, minhas posições ideológicas são de esquerda, mas não desejo cassar a concessão da Rede Globo, nem proibir a construção de shopping centers. Cultivo uma visão humanista de sociedade e, sendo assim quero um mundo que permita a convivência respeitosa entre os diferentes, e não uma sufocante homogeneidade, onde não haja espaço para o contraditório.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Reeleição

O presidente do Inter, Giovanni Luigi, foi reeleito para mais dois anos de mandato. A recondução de Luigi se deu no Conselho Deliberativo, sem a necessidade de um segundo turno com o voto dos associados. Isso aconteceu porque as outras duas chapas concorrentes não conseguiram superar a cláusula de barreira de 25% dos votos no Conselho para levar a eleição a um segundo turno. O fato, certamente, desagradou os associados, que tinham a expectativa de poder votar. Há quem diga que, caso a eleição fosse para o segundo turno, Luigi tinha grande possibilidade de ser derrotado, devido aos maus resultados de campo do Inter em 2012. Porém, Luigi possui ampla maioria no Conselho Deliberativo, e foi isso que decidiu a eleição em seu favor já no primeiro turno. Agora, na data que estava reservada para um possível segundo turno, 15 de dezembro, haverá eleição para renovação de parte do Conselho. Será o momento de os associados descontentes com o resultado de hoje votarem para modificar a composição do Conselho, mudando sua relação de forças. No entanto, pelos próximos dois anos, Luigi continuará a presidir o Inter. Nota-se, pelas manifestações nas redes sociais e canais de interatividade, que a permanência de Luigi no cargo desagrada a um grande número de torcedores do Inter, e é vista com agrado pelos do Grêmio. O primeiro desafio de Luigi no seu novo mandato será desmanchar o conceito negativo da opinião pública em relação à sua competência administrativa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Os 25 anos de um disco notável

Em 2012 completam-se 25 anos do lançamento de "Cloud Nine", o último disco solo de George Harrison. Nos cinco anos anteriores, desde 1982 com "Gonne Troppo", George ficara sem gravar. Nos 14 anos que se seguiram, de "Cloud Nine" até sua morte, em 2001, George colocou no mercado uma coletânea, um álbum duplo gravado ao vivo no Japão, seu primeiro show desde 1974, e dois discos com o "Travelling Wilburys", grupo de astros da música que contava, também, com Bob Dylan, Roy Orbison, Jeff Lyne e Tom Petty. Orbison, por sinal, faleceu antes da gravação do segundo disco do grupo. Afora isso, Harrison, nesse longo período, fez participações em gravações de amigos e dedicou-se à sua produtora de filmes, a Handmade. O jubileu de prata de "Cloud Nine", no entanto, não vale ser destacado apenas por esses aspectos históricos. Sua qualidade é excelente, pouco abaixo, se é que está, do álbum triplo "All Things Must Pass", de 1970, a obra-prima da carreira solo de George. Ainda me recordo da sensação de quando adquiri "Cloud Nine", em vinil. A cada música que ouvia, mais encantado eu ficava. George, depois de um período de baixa na carreira, com trabalhos de qualidade irregular, voltava ao melhor da sua forma. A imprensa cobria o lançamento de elogios. Era o ressurgimento exuberante de um astro que permanecera sem gravar por cinco anos. "Cloud Nine" é para se ouvir sem pular faixas. Somado à excelência das composições, contou com a participação de músicos de primeiro nível. Nas guitarras, junto com George, Eric Clapton e Jeff Lyne. Na bateria, Ringo Starr e Jim Keltner. No piano, Elton John e Gary Wright. Na percussão, Ray Cooper. Um disco primoroso. Curiosamente, o grande sucesso do disco foi um cover, "Got My Mind Send On You", música composta por Rudy Clark. Com o disco, George voltou aos primeiros lugares das paradas de singles e de álbuns, depois de muitos anos. Tinha tudo para ser um retorno triunfal para uma série de lançamentos de grande êxito comercial, mas George não parecia pensar assim e praticamente encerrou sua carreira discográfica com "Cloud Nine". Talvez, por que tivesse provado, para quem duvidasse, de que podia fazer, novamente, um disco tão bom quanto os primeiros de sua carreira solo. Seja como for, quem não conhece "Cloud Nine" deveria ouvi-lo. Por certo, não irá se arrepender.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A reeleição de Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi reeleito. O mundo pode respirar aliviado. Não poderia haver nada pior do que uma vitória do candidato do Partido Republicano, Mitt Romney, na eleição presidencial americana. Seria um retorno aos oito anos desastrosos em que George Walker Bush presidiu o país. Romney é um republicano típico. Riquíssimo, moralmente conservador, e um Robin Hood às avessas, que propõe impostos maiores para os mais pobres e diminuição da taxação dos mais bem situados economicamente. As proposições republicanas são extremamente retrógradas e, sob esse aspecto, seria melhor que em todas as eleições presidenciais americanas o vencedor fosse o candidato do Partido Democrata, mas, infelizmente, não é assim que as coisas ocorrem. A cada vez que os republicanos assumem o poder crescem os gastos militares, surgem novas guerras, aumenta o intervencionismo americano em outros países. Na eleição atual, particularmente, uma derrota dos democratas seria um retrocesso absurdo. A eleição de Obama, em 2008, deu aos Estados Unidos o seu primeiro presidente negro, um fato de enorme simbolismo. Negar a Obama a possibilidade de governar por mais um mandato, trocando-o por Romney, seria um desatino eleitoral americano que, ainda bem, não aconteceu. Obama foi reeleito presidente do mais poderoso dos países. Pelo menos pelos próximos quatro anos, o mundo permanecerá menos tenso.