quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Debate final

Na noite de hoje foram realizados os últimos debates televisivos entre os candidatos a prefeito das capitais e  cidades de maior porte. Trata-se da última chance do eleitor ratificar ou rever sua intenção de voto. O modelo dos debates, com suas regras rígidas, sem que haja a possibilidade de um confronto direto entre todos os candidatos, está longe do ideal, mas é melhor assim do que não realizá-los. No caso específico de Porto Alegre, um dado que merece ser ressaltado é que todos os candidatos, sem exceção, mostraram ter preparo e conhecimento para participar do processo eleitoral. Não há nenhum concorrente folclórico, do tipo que agride o idioma ou mostra total desconhecimento sobre os temas abordados. Em relação ao desempenho de cada um, o formato do debate não favorece a que alguém "roube a cena", pois as intervenções são com tempo limitado. O que se pode notar é a maior ou menor segurança com que cada um se pronuncia. Nesse aspecto, dois candidatos chamaram a atenção. O atual prefeito, José Fortunati (PDT), parecia ser o mais tranquilo, certamente respaldado pelas pesquisas que apontam a possibilidade de que ele vença a eleição ainda no primeiro turno. Adão Villaverde (PT), a exemplo do que já se percebia nos programas eleitorais, mostrou-se tímido e um tanto nervoso. Em relação aos demais concorrentes, Manuela D'Ávila (PCdoB) não chegou a se destacar, Roberto Robaina (PSOL) assumiu o papel de franco atirador e foi o mais agressivo, Jocelin Azambuja (PSL) mostrou firmeza em suas intervenções e Wambert di Lorenzo (PSDB) pareceu o mais vago em suas propostas. Em geral, todos mostraram conhecimento sobre as questões abordadas. Particularmente, independentemente de quem venha a ser eleito, desejo que a disputa vá para o segundo turno, pois isso possibilita uma escolha mais amadurecida por parte do eleitorado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Papelão

O chamado Superclássico das Américas já era uma disputa de relevância discutível. Reedição da antiga Copa Roca, o confronto atual entre Brasil e Argentina reúne, apenas, jogadores que atuam nos dois países, o que exclui das partidas alguns dos maiores astros das duas seleções. A época em que os jogos são realizados, no final do ano, coincide com a reta decisiva do Campeonato Brasileiro, o que reduz o seu interesse junto ao torcedor. Para culminar, o segundo jogo do confronto, na noite de hoje, foi marcado para a pequena cidade de Resistência, na Argentina. O estádio, inaugurado em 2011, embora novo, tem capacidade para apenas 25 mil pessoas. Pois bem, depois de executados os hinos, as luzes de três torres de iluminação do estádio se apagaram e não foi possível fazer voltar a energia. Com isso, o jogo foi cancelado. Agora, a CBF e a Associação de Futebol da Argentina irão decidir se haverá um segundo jogo, ou se a Seleção Brasileira, por ter ganho a primeira partida, será declarada campeã do Superclássico das Américas. Um verdadeiro "papelão"! Foi mais um episódio pouco digno envolvendo a Seleção Brasileira. Antes motivo de orgulho dos brasileiros, a Seleção, hoje em dia, se depara com a indiferença dos torcedores, e, vez por outra, é até motivo de chacotas. Um triste quadro para a Seleção do país onde se realizará a próxima Copa do Mundo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Benevolência

O governo federal está empenhado em realizar mudanças nas regras para concessão de pensões por morte. Tudo porque, o governo entende que os gastos da Previdência Social com tais pensões estão muito altos. O secretário de Políticas do Ministério da Previdência Social, Leonardo Rolim, afirma que o Brasil tem o sistema de pensões mais "benevolente" do mundo e que não é possível manter essa situação. A ideia do governo é aproximar o modelo brasileiro das fórmulas utilizadas na maioria dos países, que estabelecem maiores restrições em relação aos valores pagos e às pessoas aptas a recebê-los. Há algumas coisas no Brasil que causam espécie. Uma delas é a perseguição que os governos, de qualquer matiz ideológico, fazem aos aposentados e pensionistas. Pessoas que já se encontram em idade avançada, muitas vezes com problemas de saúde, eles são tungados em seus já parcos ganhos sob a alegação de supostos "rombos na Previdência", nunca devidamente comprovados. São o lado mais fraco, onde, como expressa o ditado, a corda sempre arrebenta. O famigerado fator previdenciário foi criado no governo de Fernando Henrique Cardoso, condenando à miserabilidade um multidão de aposentados. Em seus oito anos de mandato como presidente, Luís Inácio Lula da Silva, um homem do povo e que fez carreira como líder sindical, não corrigiu tamanha agressão aos mais desprotegidos na escala social. Agora, no governo de sua discípula, Dilma Rousseff, mais uma crueldade está por ser perpetrada contra os pensionistas. No Brasil, infelizmente, os diversos governos só diferem em seus discursos. Na hora de escolher as vítimas de suas atrocidades, optam sempre pelos mesmos grupos sociais, ou seja, os mais frágeis e indefesos. Resta a tênue esperança de que o Congresso Nacional impeça a consumação de mais essa barbaridade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Mudança indispensável

O historiador Eric Hobsbawm, que faleceu, hoje, aos 95 anos, era um intelectual brilhante, autor de uma vasta bibliografia. Comunista por várias décadas, Hobsbawm  nasceu no Egito, mas devido ao domÍnio, na época, da Grã-Bretanha sobre aquele país, possuía nacionalidade britânica. Desiludiu-se com o regime soviético a partir dos anos 50, mas jamais se postou fora do espectro político de esquerda. Radicado há vários anos em Londres, onde faleceu, Hobsbawm admitia que o socialismo havia fracassado, mas, diante da atual crise econômica internacional, concluíra que o capitalismo também falira. A partir daí, Hobsbawm, num enfoque baseado, mais especificamente, na situação da Grã-Bretanha, mas que se encaixa no panorama econômico mundial como um todo, disse que é necessário que se tomem decisões públicas voltadas para o desenvolvimento social coletivo, que deve beneficiar todas as vidas humanas. Hobsbawm afirmava que essa é a base de uma política progressista, e não a maximização do crescimento econômico e das rendas pessoais. O historiador declarou que, seja qual for o logotipo ideológico que escolhermos para isso, enfrentar essa crise vai exigir um afastamento importante do livre mercado e uma aproximação da ação pública. Dado o caráter agudo da crise econômica, Hobsbawm entendia que essa mudança precisará ser feita em pouco tempo. A análise do grande intelectual traduz o que qualquer pessoa com discernimento pode constatar. O modelo capitalista consumista de nossos tempos chegou a um esgotamento, isto é, como definiu Hobsbawm, faliu. Há que se buscar uma nova alternativa, e ela passa, necessariamente, por uma maior ação pública. O "estado mínimo", a "sociedade de mercado", são conceitos superados pela realidade, que só encontram defensores em publicações comprometidas ideologicamente com as elites predatórias. Os que, ainda hoje, vibram com o fim do "império soviético" relutam em admitir, mas o capitalismo também não deu certo. O novo caminho, a "terceira via", já foi apontado por Hobsbawm. Nele, todos são beneficiados, não apenas alguns.

domingo, 30 de setembro de 2012

Decepção

O empate do Grêmio com o Santos em 1 x 1, hoje, no Olímpico, foi uma decepção para os seus torcedores. A torcida lotou o estádio, e viu o Grêmio fazer 1 x 0 ainda no primeiro tempo. Logo no início do segundo tempo, Neymar, o melhor jogador brasileiro da atualidade, foi expulso, o que só poderia beneficiar o Grêmio. Incrivelmente, tendo ficado sem o seu melhor jogador e em inferioridade numérica, o Santos empatou o jogo logo depois, e o Grêmio não conseguiu alcançar a vitória, mesmo que ainda faltasse muito tempo de partida pela frente. O resultado foi muito ruim para o Grêmio, pela aproximação do Vasco na tabela e pela distância  em relação aos dois primeiros colocados, Fluminense e Atlético Mineiro, que continua grande, faltando apenas 11 rodadas para o final do Campeonato Brasileiro. O Grêmio, que antes só ganhava ou perdia, atingiu o seu terceiro empate consecutivo no Brasileirão. Na prática, pela distância de nove pontos e pelas duas vitórias a menos em relação ao Fluminense, líder da competição, o título ficou quase impossível para o Grêmio. Os três empates em sequência, dois deles com o Grêmio saindo na frente no placar, representam um terrível prejuízo em termos de pontuação. O Grêmio deverá, ao que tudo indica, confirmar sua classificação para a Libertadores, mas o torcedor esperava muito mais, queria o título. Um desejo que poderia se concretizar, caso não tivesse acontecido um tamanho desperdício de pontos.

sábado, 29 de setembro de 2012

Rotina

O empate do Inter com o Cruzeiro em 0 x 0, hoje, no estádio Melão, em Varginha (MG), não trouxe nada de novo na trajetória dos dois clubes no Campeonato Brasileiro. Inter e Cruzeiro, que fazem campanhas decepcionantes no Brasileirão, repetiram o mau futebol que tem mostrado em quase todos os jogos, e obtiveram um resultado que foi ruim para os dois. O placar em branco, aliás, traduz bem a qualidade do futebol que foi apresentado em campo. O Cruzeiro esteve mais perto da vitória, já que teve um pênalti a seu favor. Borges bateu e marcou o gol, mas o árbitro mandou repetir a cobrança por ter havido invasão. Na segunda cobrança, Borges errou e, mesmo tendo ocorrido nova invasão, o árbitro não ordenou a repetição, o que deveria ter sido feito. No segundo tempo, Lucas Lima, do Inter, cometeu um pênalti claríssimo, colocando a mão na bola, mas, dessa vez, a arbitragem ignorou o lance. Ainda assim, o resultado não chegou a constituir uma injustiça. O Cruzeiro continua com seu desempenho frustrante. O Inter não fica atrás. Só mesmo os torcedores mais fanáticos ainda acreditam na possibilidade do Inter se classificar para a Libertadores. Na realidade, 2012 já acabou para o Inter. Encarar esse fato de frente seria uma forma do clube buscar uma melhor perspectiva para o ano que vem.

Uma pioneira da televisão

A morte de Hebe Camargo, ocorrida na madrugada de hoje, em  São Paulo, representa a perda de uma personalidade que está conectada à história da televisão brasileira desde o seu princípio. Hebe é uma das pessoas pioneiras da televisão no Brasil, aquelas que estão ligadas a esse veículo de comunicação desde o seu surgimento no país, com a inauguração da TV Tupi de São Paulo, em 1950. Hebe também era cantora, mas foi como apresentadora que obteve fama e tornou-se admirada em todo o país. Seu prestígio no meio artístico era praticamente unânime. Hebe tornou-se um mito da televisão sem nunca ter trabalhado na Globo, a rede de maior audiência no país, o que dá uma medida do seu talento. Em 62 anos de existência da televisão no Brasil, Hebe esteve sempre presente. Nenhum profissional permanece tanto tempo em atividade, com mais de 80 anos de idade, se não for muito bom. Hebe trabalhou, praticamente, até o fim de sua vida, mesmo abatida por uma doença cruel. Sua simpatia e bom humor contagiantes não serão esquecidos. Num meio onde tudo tende a ser fugaz, Hebe deixará uma lembrança perene. Foi um exemplo, também, na alegria de viver. Hebe era daquelas pessoas que sabiam tirar da vida tudo o que ela pode dar. Fez muitos amigos, alcançou fortuna, desfrutou dos prazeres que quis, em suma, viveu uma existência plena e longeva. Deixa saudade, mas uma lembrança que não combina com tristeza. Hebe era a personificação da alegria.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tim Maia

Se vivo fosse, Tim Maia teria completado, hoje, 70 anos. Tim fez sua incursão no meio musical junto com Roberto Carlos e Erasmo Carlos, mas, por ter morado por um tempo nos Estados Unidos, sua carreira deslanchou bem depois das dos amigos famosos. Foi uma figura singular na música brasileira. Incursionava bem pelo romantismo, mas, influenciado por sua experiência americana, tornou-se a voz da "black music" no Brasil, com seu ritmo dançante e contagiante. O interesse em torno de Tim Maia não se extinguiu com sua morte, ocorrida em 1998. Tanto é verdade que um musical sobre sua vida alçou ao estrelato o ator Tiago Abravanel, neto do empresário e apresentador de televisão Sílvio Santos, de grande semelhança física com Tim Maia, que viveu o papel do cantor no espetáculo. Tim Maia alcançou o sucesso cantando, basicamente, dois tipos de música, as românticas e as dançantes. Irreverente, Tim definia suas canções românticas como "mela cueca", e as dançantes como "esquenta sovaco". Possuía uma voz privilegiada e um talento tão grande que sua carreira sobreviveu a toda sorte de excessos que cometia. Tim era obeso, abusava de álcool e drogas, não cuidava da saúde. Costumava, também, deixar de comparecer aos shows marcados na sua agenda, desesperando o público e os promotores dos espetáculos. Nada disso foi capaz de lhe afastar do sucesso. Tim Maia só não conseguiu evitar a morte precoce. No dia em que gravava o que seria o seu disco acústico, sentiu-se mal e foi internado, não conseguindo se recuperar e vindo a falecer. Era a saúde cobrando os abusos praticados pelo cantor. Tim Maia tinha, então, apenas, 55 anos. Deixou uma lacuna que ainda não foi preenchida na música brasileira e um grande número de fãs que continuam a admirar a sua obra.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Um exemplo a ser seguido

A atitude do atacante polonês, naturalizado alemão, Klose, do Lazio (ITA), que confessou ao árbitro do jogo do seu clube contra o Nápoli, pelo Campeonato Italiano, que havia feito um gol com a mão, repercutiu no mundo inteiro. O árbitro havia consignado o gol e, depois do que lhe disse Klose, voltou atrás. O jogador foi cumprimentado pelos adversários e aplaudido pelos torcedores. Não é a primeira vez que algo assim acontece no futebol europeu. Há alguns anos, na Inglaterra, um jogador pediu ao árbitro que voltasse atrás na marcação de um pênalti, pois o adversário não havia cometido falta sobre ele. Ao me deparar com exemplos assim, fico envergonhado, como brasileiro, de constatar como as coisas são diferentes por aqui. No Brasil, os jogadores tentam ludibriar os árbitros, simulando faltas e contusões, para obter proveito para si e para seu time, atitude que é altamente reprovada pelo público europeu. Na nossa peculiar maneira de encarar o futebol e a vida, é preciso "ser esperto", levar vantagem. Para os padrões brasileiros, a atitude de Klose é coisa de "trouxa". Não seria de se espantar se, caso um jogador brasileiro agisse como o atacante do Lazio, sua própria família ficasse contra ele. São fatos como esse que mostram o fosso civilizatório que nos separa do chamado "Primeiro Mundo". O Brasil já tem, em muitos setores, um padrão de excelência próximo dos países desenvolvidos, e sua economia já é a sexta do mundo. Porém, quando se trata das relações humanas, da vida em sociedade, da educação e da urbanidade, parecemos, por vezes, ainda estarmos na Idade da Pedra. Klose provou, com seu gesto, que mesmo num esporte milionário como o futebol, e cheio de interesses nem sempre muito elevados em torno de si, há espaço para a honestidade. Na Europa a chamada "Lei de Gérson", aquela que diz que o importante é levar vantagem em tudo, tão apreciada no Brasil, não prospera. Os europeus não são anjos, longe disso, mas ainda cultivam valores essenciais para a convivência em sociedade. Klose deu um exemplo a ser seguido, mostrando que há limites a serem respeitados, que não se pode buscar a vitória a qualquer preço. Seria bom se os jovens brasileiros que estão iniciando carreira no futebol não encarassem a atitude de Klose como uma excentricidade, mas como um modelo de comportamento.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A noite em que tudo deu certo

Para o Grêmio, a noite de hoje não poderia ter sido melhor. Em Guayaquil, venceu o Barcelona, por 1 x 0, pela Copa Sul-Americana. Como se não bastasse, foi beneficiado pelo resultado do jogo atrasado do Campeonato Brasileiro em que o Flamengo ganhou do Atlético Mineiro, por 2 x 1, no Engenhão. A derrota do Atlético Mineiro torna menos distante a possibilidade do Grêmio de lutar pelo título da competição. Com a vitória sobre o Barcelona, o Grêmio praticamente garantiu sua classificação para a próxima fase da Copa Sul-Americana. Afinal, na segunda partida, no Olímpico, no dia 24/10,  jogará pelo empate. O Grêmio foi dominado em quase todo o jogo pelo adversário, e seu goleiro, Marcelo Grohe, teve uma atuação excelente, sendo a maior figura em campo. O primeiro tempo já se encaminhava para o final quando, aos 43 minutos, Werley, de cabeça, marcou o único gol do jogo. No segundo tempo, o Grêmio quase só se defendeu, o que agravou-se ainda mais após a expulsão de Tony. Portanto, não foi uma grande atuação, mas a vitória foi alcançada. Isso tem sido uma tendência do Grêmio, isto é, suas atuações não enchem os olhos, mas os resultados são bons. Agora, o Grêmio se voltará novamente para o Brasileirão para fazer dois jogos seguidos em casa, contra Santos e Cruzeiro. Uma ótima oportunidade para prosseguir obtendo vitórias e, se os resultados paralelos ajudarem, diminuir a diferença para os dois primeiros colocados. A fase do Grêmio é das mais positivas, e a tendência é que ela continue assim nas próximas semanas.