terça-feira, 24 de julho de 2012

Vai começar

A abertura oficial só ocorrerá na sexta-feira, mas algumas disputas da Olimpíada de 2012 , em Londres, já terão iniciado antes, como o futebol, masculino e feminino, e o tiro. No futebol, as seleções brasileiras, tanto a masculina quanto a feminina, buscarão uma ainda inédita medalha de ouro. A seleção feminina iniciará sua caminhada amanhã, e a masculina na quinta-feira, antes portanto da data oficial de início da Olímpiada. Mais uma vez, as esperanças de medalhas para o Brasil recaem sobre os esportes coletivos. Afora o já citado futebol, o vôlei, de quadra e de praia, e até mesmo o basquete, que na categoria masculina retorna às Olimpíadas depois de 16 anos de ausência, surgem com possibilidades de conquista de medalhas. Nos esportes individuais, pela falta de uma melhor estrutura no país, o Brasil segue dependendo de grandes e esporádicos talentos para almejar o pódio olímpico. Nomes como César Cielo, Maurreen Riga Maggi, Fabiana Murer e Diego Hipólito são as poucas exceções à condição de meros figurantes dos competidores brasileiros nas disputas individuais em Olimpíadas. O Brasil tem evoluído nos esportes olímpicos, mas não de forma compatível com o potencial do país. Por isso, a expectativa é de que o desempenho brasileiro seja o mesmo da Olimpíada de 2008, em Pequim, quando foram conquistadas 15 medalhas. Há de se convir que é um resultado muito modesto para um país de quase 200 milhões de habitantes. O Brasil precisa intensificar a valorização das diversas práticas esportivas, até porque a Olimpíada de 2016 será realizada no país, tendo por sede o Rio de Janeiro. Seria muito frustrante se, dentro de quatro anos, o Brasil fosse mero espectador das vitórias alheias em seu próprio território. A realização de uma competição da magnitude de uma Olimpíada em solo brasileiro poderá ser, também, o estímulo que falta para a massificação dos esportes no país, rompendo com a monocultura do futebol. Mais uma Olimpíada está por começar. Tomara que, para o esporte brasileiro, ela seja o início de uma nova era, que permita ao país fazer bonito quando vier a sediar a competição.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um festival de besteiras

Vez por outra, talvez numa tentativa de causar impacto e obter seus quinze minutos de fama, pensadores, sociólogos e outros profissionais do ramo das ciências humanas aparecem defendendo posições conflitantes com os comportamentos socialmente preponderantes. Dessa forma, conceitos superados e práticas arquivadas pela evolução natural da sociedade são trazidos ao debate novamente. A edição dessa semana da revista "Veja" apresenta uma entrevista com a socióloga inglesa Catherine Hakim. Ela é considerada uma expoente do chamado novo feminismo europeu. Trata-se do que a revista classifica como "feminismo às avessas". Ao longo da entrevista, Catherine desfila uma série de ideias retrógradas, capazes de despertar a ira das ativas e independentes mulheres dos tempos atuais. Catherine diz, por exemplo, que atratividade e beleza são fundamentais para a ascensão profissional das mulheres nas sociedades modernas. Seguindo nessa linha, a socióloga sustenta que, no que concerne ao sucesso, ninguém duvida do mérito dos inteligentes nem questiona a exclusão dos ignorantes, sendo natural que se recompense, também, quem se destaca pela aparência. Catherine argumenta que o mito feminista da igualdade dos sexos é tão infundado quanto a afirmação de que todas as mulheres almejam a total simetria nos papéis familiares, emprego e salário. Ela afirma que, ao contrário do que defendem as feministas, diversos estudos indicam que a maioria das mulheres prefere ficar em casa em tempo integral quando os filhos são pequenos, e que um parceiro bem-sucedido torna essa opção mais viável. Catherine chega ao ponto de dizer que tornar-se uma dona de casa "à toa", em tempo integral, é uma utopia moderna para a maioria das mulheres. Mais uma vez calcando-se em inespecíficos "estudos" realizados em "todo o mundo", a socióloga argumenta que as mulheres preferem homens com recursos, pois isso viabiliza a permanência delas no lar. Prosseguindo com seus disparates, Catherine diz que a legislação, por ter sido inventada pelos homens para os seus próprios interesses, impede, muitas vezes, que as mulheres recebam integralmente o lucro de seus talentos, com valor comercial adequado. Nesse sentido, considera que a barriga de aluguel é um fluxo de receita inexplorado e do qual as mulheres poderiam se beneficiar. Essas e outras tantas ideias expostas por Catherine Hakin ao longo da entrevista poderiam ser classificadas como excêntricas e anacrônicas, e o são, efetivamente. Porém, mais do que isso, por estarem em absoluto descompasso com a evolução alcançada pela mulher na sociedade, merecem ser tidas, tão somente, como um festival de besteiras.

domingo, 22 de julho de 2012

Embalou

O Grêmio ganhou do Botafogo por 1 x 0, hoje, no Engenhão e, mesmo que não tenha jogado uma grande partida, dá a impressão de ter "embalado", isto é, entrado naquela fase em que os bons resultados em sequência vão alimentando a segurança e auto-estima do grupo. Foi a terceira vitória consecutiva do Grêmio, a segunda fora de casa. Mais do que isso, essas duas vitórias como visitante foram contra clubes de grande expressão, o Cruzeiro e o Botafogo. Elas se juntam a outra vitória obtida fora de casa, contra o Atlético Goianiense. Já são, portanto três vitórias na casa dos adversários em 11 rodadas disputadas, até agora, no Campeonato Brasileiro. Para quem tinha enormes dificuldades, em anos anteriores, em ganhar jogando fora de seu estádio, é um grande alento e um fator fundamental para buscar a conquista do título da competição. Mais uma vez, Elano e Zé Roberto mostraram o acréscimo técnico que representam para o Grêmio, ao criarem a jogada que resultou no gol da vitória, marcado por Marcelo Moreno. Foi justamente quando ambos foram substituídos que o Grêmio decresceu em campo, passando a sofrer uma enorme pressão do Botafogo, mas conseguindo manter o resultado, com Léo Gago chegando a tirar uma bola junto à linha do gol. O Grêmio continua na zona de classificação para a Libertadores, em 4º lugar, e seu próximo jogo será em casa, contra outro grande adversário, o Fluminense, único clube ainda invicto no Brasileirão e que está uma posição acima da sua na tabela. O Olímpico deverá receber um grande público para levar o Grêmio a mais uma vitória. Não é hora de se fazerem previsões excessivamente otimistas, pois muito ainda há a se realizar para tornar o Grêmio um time confiável. No entanto, é inegável que os acréscimos técnicos feitos no time e a sequência de bons resultados já proporcionam entusiasmo à torcida. Agora, pelo menos, depois de muito tempo, ela já se permite sonhar com melhores dias. Ainda é pouco, tendo em vista a grandeza do Grêmio, mas já é um começo.

Nada mais que o dever de casa

O Inter, na estreia de Fernandão como técnico, hoje à tarde, no Beira-Rio, goleou o Atlético Goianiense por 4 x 1. O primeiro tempo terminou empatado em 1 x 1, mas, no segundo, o Inter deslanchou. A vitória larga, no entanto, não deve alimentar ilusões. O Inter ganhou do lanterna absoluto do Campeonato Brasileiro, que obteve, até agora, apenas uma vitória na competição. Jogando em seus domínios, contra um adversário tão fraco, o Inter apenas fez o dever de casa, como se costuma dizer na linguagem do futebol. O início de trabalho com uma goleada, é claro, favorece Fernandão, mas não é garantia de que ele prosseguirá tendo êxito. O próximo jogo também será contra um adversário fraco, o Figueirense, mas fora de casa. Isso aumentará o grau de dificuldade para o Inter, fazendo com que seu novo técnico e os jogadores sejam um pouco mais exigidos. O resultado de hoje valeu pelos três pontos, mas uma avaliação mais precisa do desempenho do Inter só será possível quando houver o enfrentamento com times mais fortes.

sábado, 21 de julho de 2012

Relação de causa e efeito

A morte de 12 pessoas, alvejadas por um atirador, ocorrida ontem numa das salas de cinema do complexo Century 16, em Aurora, no estado de Colorado (EUA), é uma trágica repetição. Acontecimentos semelhantes são praticamente rotineiros nos Estados Unidos e, é óbvio, isso não acontece por acaso. A cultura americana, certamente, tem muito a ver com isso. O assassino da vez é James Holmes, de 24 anos. Holmes comprou mais de 6 mil balas, duas pistolas, fuzil e escopeta, de forma legal, numa loja especializada na internet. Aí, já temos um dos aspectos a serem levados em conta. Nos Estados Unidos, comprar armas é tido como um direito do cidadão. A sociedade americana não aceita qualquer cerceamento nesse sentido. Com isso, toda e qualquer pessoa, desde que o deseje, pode comprar o quanto quiser de armas e munições. Abre-se assim, um caminho extremamente facilitado para que pessoas perturbadas ou, ainda pior, psicopatas, possam levar adiante seus planos homicidas. Um outro dado a ser considerado é a ideia, preponderante nos Estados Unidos, de que os indivíduos tem de ser vencedores a qualquer custo. Dependendo do que alcancem na vida, as pessoas são classificadas como vencedoras ou perdedoras. Conforme o psiquiatra gaúcho Renato Piltcher, em entrevista ao jornal Zero Hora, esse tipo de ideia, absorvida por um esquizofrênico ou psicopata, pode levar à prática de tais crimes, pela "fama" que eles proporcionam, fazendo de seus autores, numa visão distorcida de mentes perturbadas, vencedores. Piltcher diz, também, que características que diferenciam os seres humanos dos demais animais, como a capacidade de pensar e a intimidade, têm perdido espaço para aparência e ação. O distanciamento do que mais nos caracteriza como humanos, que é a cultura e o afeto, dado que a felicidade tornou-se sinônimo de poder e força, diminui a consideração pelo outro. Há um empobrecimento da noção de valor da vida. O psiquiatra acrescenta que o fato de crimes do gênero já estarem acontecendo fora dos Estados Unidos, como foi o caso do massacre ocorrido em 2011 na Noruega, é reflexo da massificação e globalização dos conceitos americanos já referidos acima. Ele entende que a massificação tem levado as pessoas a não tolerarem as diferenças e a globalização tem piorado isso ao pressioná-las para que rotulem e sejam igualmente classificadas como "vencedoras" ou "perdedoras". Os americanófilos, do qual a revista "Veja" é, possivelmente, a maior representante no Brasil, abordam tais crimes como sendo algo ligado, tão somente, às perturbações de seus autores, sem aceitar que sejam a consequência de um modo de pensar de uma coletividade. As evidências, contudo, de que existe uma relação de causa e efeito entre uma coisa e outra, são perceptíveis.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Fernandão

Está difícil, para mim, nessa semana, escrever sobre temas que não estejam relacionados ao futebol, embora esse espaço não se limite a eles. Hoje, não é diferente. A demissão do técnico do Inter, Dorival Júnior, e a contratação de Fernandão para o seu lugar, aparecem como a grande notícia do dia. A queda de Dorival era algo inevitável e, na verdade, até demorou para acontecer.  Em nenhum momento de seus 11 meses no Inter, o time deslanchou. Os títulos da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Gaúcho não serviram para encobrir a inconsistência do trabalho realizado pelo técnico. Na competição que era a prioridade absoluta do clube para 2012, a Libertadores, o Inter foi muito mal. Só se classificou para as oitavas de final porque seu grupo na primeira fase era muito fraco, mas, ainda assim, fez uma campanha pífia, de menos de 50% de aproveitamento, sem ganhar nenhum jogo fora de casa. Dessa forma, foi o último colocado entre os 16 clubes que se classificaram para a sequência da Libertadores. Como não poderia deixar de ser, foi eliminado logo a seguir. Na decisão do Gauchão, contra o modesto Caxias, teve enorme trabalho, em pleno Beira-Rio, para ganhar o título com uma vitória, de virada, por 2 x 1. Iniciado o Campeonato Brasileiro, única competição que restou ao Inter para disputar em 2012, o fraco desempenho persistiu. Nem mesmo a desculpa dos muitos desfalques que o time vinha tendo serviu, dessa vez, para encobrir o baixo desempenho de Dorival Júnior. A diretoria do Inter, finalmente, atendeu ao que desejava a torcida e demitiu Dorival. A solução encontrada foi Fernandão, que vinha sendo o gerente de futebol do clube, pois, como ocorrerão eleições para presidente do Inter no final do ano, não seria possível firmar contrato com um técnico para um período que ultrapassasse 2012, e nenhum treinador conceituado aceitaria  um contrato por tempo tão curto. Fernandão nunca trabalhou como técnico, mas é inteligente, articulado, tem liderança no vestiário e é ídolo do torcedor. As últimas experiências com grandes ídolos como técnicos, na dupla Gre-Nal, não foram das melhores. Renato teve um início excepcional no Grêmio, quando de sua chegada, mas, no ano seguinte, não repetiu a mesma performance e foi demitido. Falcão, mesmo ganhando um título de campeão gaúcho, só ficou três meses no cargo. Agora é a vez de Fernandão fazer a sua tentativa. Ainda que o vice-presidente de futebol do Inter, Luciano Davi, tenha dito que não, Fernandão é uma aposta. Dadas as circunstâncias, o Inter não tinha muitas opções. Colocou suas fichas em um nome adorado pela torcida pelo que fez como jogador. Fizera o mesmo, antes, com o já citado Falcão e, anteriormente, com Figueroa. Foram iniciativas que não deram certo, mas nada impede que Fernandão mude esse quadro.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O trenzinho da alegria

O futebol brasileiro, que hoje comemora o seu dia, sempre foi brilhante dentro de campo, mas muito nebuloso fora dele. Se nos gramados foram gerados gênios, como Pelé e Garrincha, e craques como Leônidas, Zizinho, Didi, Nílton Santos, Rivelino, Zico, Romário, entre outros, nos bastidores nosso futebol é comandado por figuras suspeitas, para se dizer o mínimo. O recente episódio envolvendo o recebimento de propinas por parte de João Havelange e Ricardo Teixeira, ex-presidentes, respectivamente, da Fifa e da CBF, exemplificam bem esse panorama. Nesse sentido, no futebol gaúcho, um fato, nos últimos anos, chama a atenção. Trata-se do congresso técnico do Campeonato Gaúcho. Durante décadas, esse encontro, que serve para reunir os dirigentes dos clubes participantes do Gauchão para a discutir e formatar a competição, era realizado, num único dia, na sede da Federação Gaúcha de Futebol, no centro de Porto Alegre. Porém, nos últimos anos, essa situação mudou, e a reunião de dirigentes passou a realizar-se em locais como Punta del Este, Buenos Aires, Santiago, no Chile, e até num tour por cidades da Europa, sem que se saiba que conexão possam ter com a disputa do Campeonato Gaúcho. O próximo congresso técnico será no Caribe. Trata-se, na verdade, de um autêntico "trenzinho da alegria". O presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelleto Neto, diz que fechou parceria com uma "grande empresa", que arcará com os custos da viagem para um grupo de 40 pessoas, e terá sua marca exposta em bonés e camisas durante a mesma. O roteiro de países a serem visitados ainda não foi definido. Cada um dos 16 clubes da primeira divisão do Rio Grande do Sul poderá enviar dois representantes para o encontro, quando serão conhecidos os grupos e as datas da competição. Novelleto declarou que a Federação Gaúcha de Futebol jamais usou verba própria em nenhuma das reuniões que realizou fora do país, pois sempre contou com a ajuda de patrocinadores. A questão principal não é essa. O que não se consegue entender é porque um congresso para tratar de um campeonato estadual é realizado fora do país, em lugares diferentes a cada ano, e sempre em localidades de forte apelo turístico. Afora isso, qual o interesse dos tais "patrocinadores" em proporcionar tamanha mordomia para os dirigentes de clubes? Esse dinheiro não seria melhor aplicado se fosse usado para, por exemplo, melhorar as condições de alguns estádios que apresentam gramados precários e acomodações inadequadas para a imprensa? Os congressos do Gauchão realizados no exterior, na verdade, são mais uma demonstração da desfaçatez com que se movem as elites em nosso país. Enquanto o torcedor sofre, chora, toma chuva ou expõe-se a um sol causticante por amor ao seu clube, os dirigentes usam o futebol para desfrutar de prazeres e obter vantagens. Um triste quadro que, no entanto, não recebe o devido repúdio da grande imprensa, envolvida que está, também ela, numa de teia de interesses pouco nobres que cercam o mundo do futebol.

Dia Nacional do Futebol

Hoje é o Dia Nacional do Futebol. A data foi instituída em 1976 pela CBD, atual CBF, como reconhecimento ao mais antigo clube do futebol brasileiro, o Sport Club Rio Grande, de Rio Grande (RS), fundado em 19 de julho de 1900 e que, hoje, portanto, completa 112 anos. Trata-se de um fato a ser devidamente destacado, já que ainda existe quem sustente que tal condição pertenceria à Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas (SP) que, no entanto, foi fundada posteriormente, em 11 de agosto de 1900. Nada mais justo do que um dia para homenagear o futebol de nosso país. Afinal, o futebol, no Brasil, é uma paixão que move milhões de pessoas. Afora isso, o futebol brasileiro é o mais vitorioso no contexto internacional, pois é o único a ter ganho cinco Copas do Mundo. Nosso futebol também é uma fonte inesgotável de grandes craques que, ao longo do tempo, encantam plateias do mundo inteiro. Saudemos, então, o futebol brasileiro pelo seu dia, e parabenizemos o pioneiro Rio Grande pelo seu aniversário.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Derrota previsível

A vitória do Atlético Mineiro sobre o Inter por 3 x 1, hoje à noite, no estádio Independência, está longe de ser surpreendente. O Atlético ostentava a condição de líder isolado do Campeonato Brasileiro, e vinha de uma vitória espetacular sobre o Figueirense, fora de casa, quando ganhou por 4 x 3, depois de estar perdendo por 3 x 1, marcando três gols em nove minutos. O Inter, ao contrário, tivera um empate frustrante em 0 x 0 com o Santos, jogando no Beira-Rio. Se ao Atlético sobrava confiança e entusiasmo pela ótima campanha, o Inter estava envolto por incertezas. O técnico Dorival Júnior já não é suportado pela torcida, o time teve de apelar para garotos do juvenil e do júnior para suprir a ausência de titulares indiscutíveis, e o desempenho em campo segue insatisfatório. Some-se tudo isso, e o fato do Atlético ser o mandante do jogo, e a derrota do Inter era mais do que previsível. No entanto, o maior responsável pelo revés de hoje não foi Dorival Júnior, nem qualquer dos garotos que entraram no time. Foi, justamente, a maior estrela do Inter: D'Alessandro. Depois de ter ficado de fora do jogo contra o Santos por ter recebido o terceiro cartão amarelo, e ter admitido que deveria ter se contido para evitar que isso acontecesse, D'Alessandro, mais uma vez, descontrolou-se, e foi expulso em  meio ao primeiro tempo, quando o jogo ainda estava em 0 x 0, praticamente selando a sorte de seu time em campo. Com um jogador a menos, o Inter não teve como resistir ao adversário. O Inter ainda esboçou uma reação, depois de sofrer o 2 x 0, marcando um gol e pressionando em busca do empate, mas o Atlético acabou ampliando o placar, definindo o resultado. O Inter caiu para o 8° lugar, quatro posições atrás do Grêmio. Os indícios são de que a demissão de Dorival Júnior é iminente. Porém, o Inter não deve se iludir. A simples saída do técnico não resolverá seus problemas. Com o time de que dispõe no momento para colocar em campo, não há como o Inter obter resultados muito melhores do que os que vem ocorrendo.

O renascer de uma promessa

A melhor notícia que fica da vitória do Grêmio sobre o Sport por 3 x 1, hoje à noite, no Olímpico, foi o reaparecimento fulgurante de um jogador que surgiu como grande promessa, mas parecia ter se perdido pelo caminho: Leandro. O Grêmio enfrentou uma retranca feroz, para a qual não conseguia solução. O tempo passava, e o gol não saía. Para piorar, aos 38 minutos do primeiro tempo, o Sport abriu o placar. O segundo tempo, então, tornou-se ainda mais angustiante. A retranca do Sport prosseguia implacável. Até que, aos 14 minutos, o técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, resolveu ousar. Retirou um volante, Fernando, e colocou Leandro. Foi uma alteração decisiva, pois, quatro minutos depois, o Grêmio faria o gol de empate, numa sobra de bola do goleiro aproveitada por Marcelo Moreno. Porém, esse ainda era um mau resultado, e, então, aos 28 minutos, Leandro fez 2 x 1 para o Grêmio num belo chute cruzado. Mais tarde, completou uma linda jogada de troca de passes e marcou o terceiro gol. Num momento em que o Grêmio não está conseguindo no mercado a contratação de mais um atacante de velocidade, o renascimento do futebol de Leandro é uma ótima novidade. Com a vitória obtida hoje, combinada com as derrotas de Inter e São Paulo, o Grêmio já está em 4º lugar no Campeonato Brasileiro, ou seja, entrou na zona de classificação para a Libertadores. O próximo jogo do Grêmio, contra o Botafogo, no Engenhão, é dificílimo. O Grêmio não terá Kléber, que recebeu o terceiro cartão amarelo, e o Botafogo irá estrear Seedorf, o que deverá fazer sua torcida lotar o estádio. Os tempos, contudo, são outros no Grêmio, que agora está apto a enfrentar jogos de tamanha exigência com a confiança de poder alcançar um bom resultado.