quinta-feira, 12 de julho de 2012

Os 50 anos dos Rolling Stones

Na data de hoje, 12 de julho, em 1962, os Rolling Stones faziam a sua primeira apresentação oficial no Marquee Club, em Londres. Portanto, estão completando 50 anos de carreira. Uma trajetória impressionantemente longa em se tratando de um grupo de rock. Ao contrário de outros grupos, que se separaram e depois retornaram, muitas vezes buscando apenas ganhar dinheiro com a volta, os Rolling Stones, apesar de crise naturais de relacionamento num período tão extenso, jamais pararam. Nesse período integrantes deixaram o grupo, outros foram trocados, mas os Rolling Stones permaneceram em cena. No cenário do rock, seu sucesso só foi superado pelos Beatles que, no entanto, só permaneceram oito anos juntos. Sua coleção de sucessos e clássicos também só fica abaixo do mítico grupo de Liverpool. A música (I Can't Get No) Satisfaction é, sem dúvida, um dos maiores sucessos de todos os tempos. A tal ponto que, tendo sido gravada em 1965, até hoje é obrigatória nos shows do grupo. E pensar que Mick Jagger chegou a dizer que não queria chegar aos 40 anos cantando Satisfaction. Pois Jagger, que é uma das personalidades do meio artístico que ostenta o título de "Sir", irá completar 69 anos no dia 26 de julho, e continua a ter de cantá-la. Porém, são muitas as músicas dos Stones que estão inseridas na trilha sonora obrigatória dos últimos 50 anos, como Lady Jane, As Tears Go By, Let's Spend The Night Together, Ruby Tuesday, Jumpin Jack Flash, You Can't Always Get What You Want, Honky Tonk Women, Brown Sugar, Wild Horses, Tumbling Dice, Angie, Hot Stuff, Miss You, Beast of Burden, Start Me Up, Harlem Shuffle, e tantas outras. Mesmo com seus integrantes tendo atualmente, idades que variam dos 65 aos 71 anos, os Rolling Stones não perdem o pique. Uma turnê mundial para marcar o cinquentenário do grupo será realizada, provavelmente em 2013. Contra todas as expectativas, eles continuam juntos e nos encantando com seu rock autêntico e sua contagiante performance no palco. Parabéns e vida longa aos Rolling Stones!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A força do apito

O Palmeiras, ao empatar em 1 x 1 com o Coritiba, hoje à noite, no Couto Pereira, conquistou o título de campeão da Copa do Brasil. O fato será exaltado de todas as formas e o técnico do Palmeiras, Felipão, receberá reverências pela sua condição de multicampeão. Outros dirão que a camiseta pesou em favor do Palmeiras, como já teria ocorrido com o Vasco, em 2011, que disputou a decisão da Copa do Brasil com o mesmo Coritiba e também saiu-se vencedor. Ocorre que, não sendo torcedor de nenhum dos três clubes, nem tendo porque participar da bajulação que os meios de comunicação se obrigam a fazer em relação aos campeões de qualquer competição, sinto-me à vontade para dizer que, nas duas decisões, o Coritiba foi seriamente prejudicado por erros de arbitragem. Em 2011, faltou apenas um gol para que o Coritiba alcançasse o título, mas as falhas da arbitragem não permitiram que tal acontecesse. Contra o Palmeiras, o Coritiba foi prejudicado nos dois jogos. Na Arena Barueri, o Coritiba jogava bem melhor que o Palmeiras quando teve um pênalti inexistente marcado contra si, no final do primeiro tempo. No segundo tempo, um pênalti claro em favor do Coritiba não foi marcado. No jogo de hoje, quatro minutos após o Coritiba marcar um gol e transformar o estádio num caldeirão, o árbitro marcou uma falta inexistente, que redundou no gol de empate do Palmeiras e acabou com os chances do clube paranaense de buscar o título. O Palmeiras quebrou um jejum de grandes títulos que vinha desde 1999, quando foi campeão da Libertadores, competição para a qual se classificou com a conquista de hoje. Confirmou, assim, sua condição de segundo clube brasileiro que mais disputou o torneio sul-americano. Será sua 15ª participação, número só inferior ao do São Paulo, que já disputou 17 vezes a competição. Porém, ainda que tenha sido campeão da Copa do Brasil, o time do Palmeiras é fraquíssimo, e precisará de muitas contratações de jogadores de qualidade para fazer uma boa campanha na Libertadores. Afinal, nem sempre haverá um árbitro disposto a dar uma "mãozinha".

terça-feira, 10 de julho de 2012

A invasão dos velhinhos

O futebol brasileiro trouxe do exterior, recentemente, uma leva de jogadores que tem em comum não só a grande condição técnica, mas, também a idade avançada. O Grêmio foi quem  mais ousou nesse aspecto, ao repatriar Zé Roberto, de 38 anos. Jogador de indiscutível categoria, e exemplar postura profissional, Zé Roberto fez questão de mostrar, quando de sua chegada, o seu físico "sarado", mas, ainda assim, não há como não considerar uma temeridade a contratação de um jogador que está numa idade em que a maioria de seus colegas de profissão já parou. O Botafogo contratou o holandês Seedorf, outro jogador de altíssimo nível, que está com 36 anos. Diego Forlán, de 33 anos, veio para o Inter. Grêmio, Flamengo e Cruzeiro estariam interessados no argentino Riquelme, de 34 anos, o mesmo que, após a derrota para o Corinthians na decisão da Libertadores, disse que deixaria o Boca Juniors por não poder mais dar tudo que o time necessita. Todos os jogadores aqui citados são de inquestionável qualidade e, mesmo com a idade elevada, deverão mostrar um bom desempenho nos clubes que os contrataram. Porém são contratações para utilização em prazo muito curto e sem perspectiva de retorno financeiro para os clubes adquirentes, já que dificilmente poderão ser negociados novamente. Não é o caso de se invalidar tais aquisições, até porque são nomes de alto nível, mas é preocupante ver que ao futebol brasileiro restou trazer jogadores quando eles não mais interessam aos grandes clubes europeus. Enquanto isso, jovens revelações como Oscar e Leandro Damião, ambos do Inter, estão prestes a irem para a Europa. O futebol brasileiro manda para fora os seus jogadores emergentes e contrata veteranos que os clubes estrangeiros não querem mais. O futebol mais vitorioso do mundo, e o que mais gera grandes jogadores, continua sendo um exportador de talentos, mesmo com a situação econômica favorável do país nos últimos tempos. Resta desejar que os velhinhos superem a ação do tempo, e nos brindem com um bom futebol.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estranhas comemorações

O Brasil é um país de singularidades. Entre as coisas estranhas que acontecem no país estão as comemorações de revoluções fracassadas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o dia 20 de setembro é feriado estadual. Comemora-se, nessa data, o aniversário da chamada "Revolução Farroupilha", movimento separatista que durante dez anos, de 1835 a 1845, tentou fazer do Rio Grande do Sul um país independente, separando-o do Brasil. Apesar de sua, relativamente, longa duração, o movimento fracassou em sua estapafúrdia intenção, como não poderia deixar de acontecer. Durante sua existência, a "República Riograndense" mudou de capital várias vezes, sempre escolhendo municípios de pouca expressão, já que Porto Alegre e Rio Grande, as cidades mais importantes, resistiram a todos os ataques dos revolucionários, mantendo-se fiéis ao império. Mesmo tendo redundado em fracasso, o movimento é, até hoje, cultuado pelos gaúchos. A bandeira do Rio Grande do Sul é a mesma da delirante república, e o hino estadual cita o 20 de setembro em sua letra como sendo o "precursor da liberdade". Como consequência disso tudo, muitos gaúchos cultivam, até hoje, um sentimento separatista em relação ao resto do país. No entanto, nesse apreço por movimentos derrotados, o Rio Grande do Sul não está sozinho. A data de hoje, 9 de julho, é feriado estadual em São Paulo, comemorativo à denominada "Revolução Constitucionalista de 1932". O mote do movimento era, pretensamente, a luta contra a ditadura de Getúlio Vargas para pedir a convocação de uma Assembleia Constituinte. Na verdade, as razões eram bem outras. Assim como a "Revolução Farroupilha" foi deflagrada em razão do descontentamento de seus líderes com medidas do governo central que afetavam seus negócios como proprietários rurais, o movimento paulista foi uma ação comandada pelas oligarquias excluídas do poder pelo governo de Getúlio Vargas que, ao assumir como presidente, rompeu um longo ciclo de hegemonia de São Paulo na política brasileira. Nos dois casos, buscou-se travestir esses movimentos como sendo resultado de uma aspiração popular. Nada mais falso. As duas "revoluções", na verdade, traduziam insatisfações de elites desacostumadas a serem contrariadas. Seja como for, ambas as investidas contra o poder central, separadas por quase um século no tempo, foram derrotadas. Assim sendo, não faz sentido reverenciar as datas que lembram as mesmas. Porém, gaúchos e paulistas ignoram essa evidência e seguem comemorando sua rebeldia fracassada, com direito a feriado. Algo muito insólito, sem dúvida, como tantas coisas no Brasil.

domingo, 8 de julho de 2012

Desalento

A torcida do Grêmio não aguenta mais. Há 11 anos, tudo o que recebe são frustrações, decepções, promessas vãs, times fracos ou inconfiáveis. Mesmo quando grandes técnicos ou jogadores de renome chegam ao clube, nada parece melhorar. Nesse já longo período, o Grêmio esteve perto de obter grandes conquistas, como a Libertadores de 2007 e o Campeonato Brasileiro de 2008, mas, na hora "h", os títulos escaparam. Em 2012, havia a esperança de que, finalmente, as coisas iriam mudar. Afinal, a diretoria prometera fazer um time forte, para conquistar grandes títulos e começar a trajetória em seu novo estádio classificado para a Libertadores. A derrota de hoje para o Santos, por 4 x 2, na Vila Belmiro, demonstrou que essas metas estão muito distantes, quase inalcançáveis. O Grêmio já perdeu metade dos jogos que disputou, até aqui, no Brasileirão. Foram quatro derrotas em oito jogos. Para se ter uma ideia do que isso representa, convém lembrar que quando foi campeão brasileiro em 2008 o São Paulo perdeu apenas cinco dos 38 jogos que fez na competição. O técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, de currículo inquestionável, faz um trabalho decepcionante. Foi eliminado pelo Caxias no primeiro turno do Campeonato Gaúcho, e pelo  Inter no segundo. Foi desclassificado da Copa do Brasil pelo Palmeiras. Hoje, ao perder para o Santos, reabilitou um time que não ganhava um jogo desde o mês de maio. Assim é o Grêmio atual, só concede alegrias para os seus adversários e desesperança para os seus torcedores. Para agravar a situação, o Grêmio, que vinha na frente do Inter desde o início do Campeonato Brasileiro, já está, agora, três pontos atrás. Afora isso, seu maior rival contratou o melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, Diego Forlán, e ainda tenta trazer Nilmar e Paulo Henrique Ganso. Nem mesmo a vinda de Elano altera as sombrias perspectivas do Grêmio. Até porque, ele vem em troca da ida, para o Santos, de Miralles, um jogador que foi mal aproveitado e poderia ser muito útil ao Grêmio. No que diz respeito ao jogo contra o Santos, em si, reuniu tudo o que era possível para torturar o sofrido torcedor gremista. Um time pessimamente escalado, atuações individuais calamitosas, uma arbitragem pavorosa. Para se ter uma ideia dos suplícios a que os gremistas foram submetidos, basta dizer que Marcelo Moreno, que entrou no segundo tempo, mais uma vez não fez nada de produtivo no ataque, mas deu um passe de cabeça para um gol de Neymar e mandou uma bola para as próprias redes. O árbitro não marcou uma falta clara de Neymar sobre Vílson no primeiro gol do Santos e deixou de assinalar dois pênaltis em favor do Grêmio. Foi uma autêntica tarde de horrores para torcedores que já estão cansados de apanhar. Para a torcida do Grêmio, o único sentimento que resta é o desalento.

sábado, 7 de julho de 2012

Torcida insatisfeita

O Inter ganhou do Cruzeiro por 2 x 1, hoje, no Beira-Rio, subiu posições na tabela do Campeonato Brasileiro, mas o que mais chamou a atenção foi que, apesar da vitória, ouviram-se vaias da torcida. Na verdade, o torcedor do Inter não se deixa mais iludir por resultados como o de hoje. Mais uma vez, o Inter ganhou sem jogar bem, valendo-se, novamente, de seus valores individuais. O Cruzeiro dominou o jogo praticamente inteiro, tendo muito mais posse de bola. Os gols do Inter surgiram em função da qualidade de jogadores como Oscar e D'Alessandro, e do faro de gol de Leandro Damião, mas coletivamente o time, novamente não foi bem. Nas laterais, por exemplo, a produção de Nei e Fabrício foi pífia. O Cruzeiro mostrou-se um conjunto mais afinado, mas ressentiu-se de uma melhor qualidade individual de seus jogadores. Montillo é um oásis de técnica em meio a companheiros limitados. Ainda assim, o Cruzeiro fez um gol, belíssimo por sinal, e já havia colocado, anteriormente, uma bola no travessão, o que demonstra que poderia ter obtido melhor sorte na partida. A torcida do Inter, ou pelo menos parte dela, sabe disso, e por isso vaiou o time. O torcedor também fez um desagravo à Bolatti, que só entrou no time após os 40 minutos do segundo tempo, evidenciando que não concorda com a sua pouca utilização pelo técnico Dorival Júnior. O técnico, aliás, parece ser o "x" da questão para a torcida. Para quem acompanha as manifestações de torcedores nas redes sociais, está mais do que claro que a torcida do Inter não quer mais Dorival Júnior. Nem mesmo uma contratação de impacto como a do uruguaio Diego Forlán conseguiu abafar a insatisfação dos colorados com Dorival. O Inter faz boa campanha no Brasileirão, mas seu torcedor quer que as vitórias sejam acompanhadas de exibições convincentes, o que não vem acontecendo. Com as ausências de Oscar e Leandro Damião nos próximos oito jogos, devido à convocação para a Seleção Olímpica Brasileira, essa aspiração fica, ainda, mais difícil de ser concretizada.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Os inimigos das leis

As classes patronais não costumam  gostar de leis e regulamentos na área trabalhista. Na sua visão muito particular, tais instrumentos retiram competitividade das empresas, aumentam custos, prejudicam o "sistema produtivo". Isso fica evidente, mais uma vez, pela reação das empresas transportadoras de cargas em relação à denominada "Lei do Motorista". A referida lei estabelece que, a exemplo de grande parte das categorias profissionais, também os motoristas transportadores de cargas devam cumprir uma jornada diária de trabalho de oito horas de duração. Assim, esse é o tempo máximo que um motorista poderia permanecer ao volante, a cada dia. A medida já deveria ter sido tomada há muito tempo, pois sabe-se que esses profissionais são submetidos a jornadas de trabalho desumanas, apelando para drogas que os mantenham acordados, tornando-se mais propensos a acidentes que colocam em risco as suas próprias vidas e as de outras pessoas. Tudo para que possam cumprir um exíguo prazo de entrega de cargas vencendo enormes distâncias. Nada disso sensibiliza os proprietários de empresas transportadoras. Para eles, só interessa o lucro. Por isso, a federação e os sindicatos das transportadoras de cargas estão veiculando anúncios nos jornais em que afirmam que a "Lei do Motorista" diminui a competitividade da economia, já que torna necessário que mais caminhões sejam utilizados para o mesmo transporte e mais motoristas façam a mesma viagem, e eleva o custo operacional na transferência de mercadorias. Conforme os transportadores, isso ocasiona menor eficiência na "cadeia logística" e menos resultados para o sistema produtivo. A preocupação   com a preservação da saúde dos motoristas, da diminuição do número de acidentes causados pelo stress desses profissionais, pelo visto, não existe para as transportadoras. Como toda a manifestação de organismos patronais, o único fator levado em conta é a maximização dos lucros. Os anúncios das transportadoras são apenas um esperneio que não deverá ter maiores consequências. A nova lei é muito oportuna e é mais uma sinalização de que o Brasil, ainda que menos velozmente do que seria desejável, avança em suas relações sociais. O tempo dos abusos contra as classes trabalhadoras vai ficando cada vez mais distante, felizmente. Mesmo com a contrariedade de grupos acostumados a fazer prevalecer seus interesses..

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Palmeiras sai na frente

O Palmeiras ganhou do Coritiba por 2 x 0, hoje á noite, na Arena Barueri, e largou em vantagem na decisão da Copa do Brasil. O segundo jogo será na próxima semana, no Couto Pereira. O Coritiba foi bem melhor durante todo o primeiro tempo, mas desperdiçou chances claras de gol. O Palmeiras marcou seu gol nos acréscimos, quando tudo indicava que o jogo iria empatado em 0 x 0 para o intervalo, depois de um pênalti infantil, cometido por Jonas, do Coritiba. No segundo tempo, motivado pelo gol que marcara, o Palmeiras subiu de produção, e o Coritiba não repetiu a excelente atuação do primeiro. O Palmeiras marcou mais um gol e, assim, construiu um placar confortável para o segundo jogo. Maikon Leite, aliás, perdeu um gol feito que, praticamente, selaria a conquista do título pelo Palmeiras. Uma nota destoante, como sempre, foi Valdívia. Apesar de ter cobrado o pênalti que originou o primeiro gol, Valdívia repetiu o seu comportamento de outros tantos jogos. Abusou das simulações, discutiu com a arbitragem, praticou faltas desleais. Numa dessas faltas violentas, inclusive, foi expulso, merecidamente, e, assim, desfalcará o Palmeiras no segundo jogo. Outro destaque negativo foi a arbitragem, que não marcou um pênalti claro sobre Tcheco, do Coritiba, que poderia alterar os rumos do jogo. Apesar da boa vantagem do Palmeiras, no entanto, o Coritiba permanece com boas chances de obter o título. Até agora, em todos os jogos que fez em casa, na Copa do Brasil, o Coritiba ganhou por dois ou mais gols de diferença. Se o Coritiba devolver o placar de hoje, por exemplo, a decisão da competição irá para os tiros livres da marca do pênalti. O Palmeiras saiu na frente, mas, por enquanto, nada está decidido.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Campeão invicto

Não pode haver contestação a um titulo obtido de forma invicta, com 22 gols marcados e apenas 4 sofridos, em 14 jogos disputados. Com a vitória de 2 x 0 sobre o Boca Juniors, hoje à noite, no Pacaembu, o Corinthians ganhou a Taça Libertadores da América com todos os méritos. Em 53 edições da competição, é apenas a 7ª vez que um clube a vence sem perder nenhum jogo. O Corinthians não tem grandes individualidades, mas é um time muito entrosado e de excelente senso coletivo, o que ressalta o bom trabalho de seu técnico, Tite. Depois de um período em que ficou em baixa na carreira, Tite reafirma, no Corinthians, onde, também, foi campeão brasileiro em 2011, as qualidades que demonstrara ao ser campeão gaúcho pelo Caxias e da Copa do Brasil pelo Grêmio. O título alcançado hoje o insere, definitivamente, no rol dos grandes técnicos brasileiros. Foi um título ganho por um time solidário, aplicado, obstinado na busca pelo resultado, fatores que compensam a ausência de grandes craques. Muitos, pelas mais variadas razões, "secaram" o Corinthians, mas hão de reconhecer que o título foi justo. O Boca Juniors pouco mostrou, afora sua tradicional pegada. Trata-se de um time tecnicamente modesto. Isso, contudo, não diminui o feito do Corinthians, pois mesmo adversários mais qualificados não conseguiram derrotá-lo ao longo da competição. O Corinthians torna-se, assim, o 9º clube brasileiro a ganhar a Libertadores, todos eles entre os maiores do país. Agora, dos 12 grandes clubes brasileiros, apenas Fluminense, Botafogo e Atlético Mineiro não a venceram. Parabéns, Corinthians, pela merecida conquista!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Transparência incômoda

No Brasil, meritórias iniciativas governamentais tendem a não ultrapassar o estágio das boas intenções. Isso ocorre porque tais medidas, muitas vezes, contrariam interesses de pessoas ou grupos influentes. Esse é o caso, por exemplo, da Lei de Acesso à Informação, que pretende tornar os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário transparentes para os cidadãos, inclusive com a revelação dos salários de seus servidores. Obviamente, a ideia enfrenta muitas resistências, principalmente de quem tem ganhos muito acima do teto do funcionalismo público. Até agora, a Lei de Acesso á Informação tem andado a passos muito lentos em todo  o Brasil. No Rio Grande do Sul, a resistência parece ser ainda maior. O governador Tarso Genro disse que tem receio de revelar os salários de servidores do Poder Executivo. Tarso entende que o ideal seria uma decisão conjunta com os demais poderes quanto à forma dessa divulgação. Por enquanto, apenas está definido que o governo do Rio Grande do Sul não seguirá o modelo adotado pela União, e fará a divulgação dos dados de forma individualizada, mas não necessariamente nominal. O diretor executivo da organização Transparência Brasil, Cláudio Abramo, afirmou que o argumento de Tarso Genro para retardar a divulgação das informações dos salários dos servidores é falacioso. Abramo entende que o governador não pode deixar de divulgar os salários nominalmente porque tem receio, precisa apresentar justificativas plausíveis. Ele afirma, também, que os agentes públicos não tem o mesmo direito ao sigilo sobre seus ganhos do que quem trabalha no meio privado, pois são os cidadãos que pagam os seus salários e, portanto, tem o direito de saber quanto eles ganham. A verdade é que a Lei de Acesso à Informação está sendo interpretada de diferentes modos pelas esferas de poder. Alguns organismos agem com mais transparência, outros com menos. Os interesses de grupos e corporações fazem com que a lei, em todo o país, avance bem mais timidamente do que seria desejável. A lei, no entanto, existe. Cabe aos brasileiros pressionar pela sua total aplicação, sem permitir que interesses localizados a tornem sem efeito.