quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Vitória inconvincente

A vitória do Grêmio por 2 x 1 sobre o Ypiranga, no Colosso da Lagoa, em Erechim, na noite de hoje, pelo Campeonato Gaúcho, valeu só pelo resultado. Foi mais uma atuação horrorosa do Grêmio. Nas laterais, Gabriel e Bruno Collaço foram inexpressivos. Na zaga, Naldo foi calamitoso. Douglas Grolli, idem, ainda que tenha marcado o gol da vitória. No meio de campo, Marco Antônio e Leandro, mais uma vez, foram invisíveis. No ataque, Kléber se limitou a tentar cavar faltas e a reclamar da arbitragem. Victor e Marquinhos tiveram uma atuação razoável. Mais uma vez, apenas Fernando e Marcelo Moreno apresentaram um desempenho muito bom. O Grêmio, no aspecto coletivo, é um deserto. Não há esquema definido, a dupla de zaga é péssima, o meio de campo é incompleto. O técnico Caio Júnior, não bastasse o trabalho abaixo da crítica que vem realizando, já dá mostras de descontrole emocional. Nem mesmo as duas ou três contratações que o gerente de futebol Paulo Pelaipe promete para os próximos dias irão alterar significativamente esse quadro. O Grêmio, reitero o que já havia escrito anteriormente, errou ao contratar Caio Júnior e, quanto mais tempo levar para admitir isso e trocar o técnico, mais prejuízos sofrerá. Um clube da grandeza do Grêmio não pode ter um time que mostre tão pouco futebol como tem acontecido até aqui, nem que ganhe com tanta dificuldade de um adversário tão fraco como é o Ypiranga atualmente. Manter o técnico por mais tempo é prolongar a agonia da torcida, que a vitória de hoje à noite está longe de poder amenizar. Está na hora da diretoria do Grêmio ter a humildade de rever o caminho que foi traçado e fazer uma correção de rumo. Só o assim o Grêmio poderá fazer com que 2012 não seja mais um ano marcado por fracassos e ausência de títulos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma garota de 50 anos

O ano de 2012 marca a passagem dos 50 anos da criação de uma música que se tornou um dos maiores sucessos de todos os tempos, "Garota de Ipanema". A música de Tom Jobim e Vinícius de Moraes é a segunda em arrecadação de direitos autorais, só perdendo para "Yesterday", dos Beatles, composição atribuída à dupla Lennon e McCartney, mas de autoria, apenas, de Paul. "Garota de Ipanema" não é, como se vê, uma música de sucesso somente no Brasil. Tornou-se um standard da música internacional. No disco "Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim" o notável cantor e um dos compositores que a criaram, interpretam-na num dueto histórico. "Garota de Ipanema" tornou-se uma obra atemporal, que atravessa gerações, sendo constantemente regravada aqui e lá fora. Sua letra, exaltando a beleza da mulher brasileira, no cenário tão característico da famosa praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, serve como um símbolo da imagem que o país projeta para o mundo, de sensualidade e lindas paisagens. Por ser, como já foi dito, atemporal, essa garota não envelhece, mesmo chegando aos 50 anos. Shows já foram programados para festejar o aniversário da célebre composição. Outras formas de comemorar esse jubileu de ouro, por certo, irão ocorrer ao longo do ano. Homenagens mais do que merecidas a uma música que, exaltando encantos tipicamente brasileiros, nos fez mais conhecidos no mundo todo, ajudando a diminuir o que Nélson Rodrigues chamava de nosso "complexo de vira-latas".

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Auxílio-tablet

O desembargador Ivan Sartori, que tomou posse hoje como novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, defendeu a instituição do chamado "auxílio-tablet", isto é, uma verba extra para que os magistrados adquiram tablets, notebooks  e netbooks, que, no seu entender, são recursos indispensáveis para que desempenhem a contento a sua atividade. Sartori autorizou o auxílio e justificou que nem foi uma ideia sua, mas sim de seu antecessor no cargo, a qual, apenas, levou a efeito. O valor do auxílio, em si, nem é tão significativo, R$ 2.500 a cada três anos, sob a forma de reembolso. Porém, se utilizado pelos mais de 2.500 magistrados do estado de São Paulo, implicará numa despesa de R$ 6,2 milhões. Assim, mais uma vez, o dinheiro público é usado para criar "auxílios" que permitam aos poderes da República desenvolverem melhor as suas atividades. Os parlamentares, por exemplo, contam, além do polpudo salário, com uma série de verbas e vantagens extras tais como auxílio-moradia, franquia postal, cota de combustível, passagens áereas. Até mesmo uma verba para assinatura de publicações lhes é concedida! Ora, porque um parlamentar não pode assinar jornais e revistas com dinheiro do seu próprio bolso? Na mesma linha de raciocínio, porque os magistrados tem de recorrer ao dinheiro público para adquirir computadores e assemelhados, em vez de fazê-lo com seus próprios ganhos? Porém, partindo de Sartori, a criação do "auxílio-tablet" é bem coerente, pois ele declara, nas páginas amarelas da edição dessa semana da revista "Veja", que o salário de um juiz, R$ 24 mil, não está a altura do cargo. O desembargador, para sustentar seu argumento, diz que um alto executivo de uma empresa privada ganha R$ 80 mil por mês e que o salário do presidente da Petrobrás deve ser superior a R$ 45 mil. Para quem considera R$ 24 mil um salário insuficiente, é bastante lógica a criação da verba de auxílio para aquisição de tablets e computadores. Difícil é explicar isso para quem nem sonha em ganhar tal quantia a cada mês, mas é chamado a financiar mais essa "mamata", ou seja, o pobre e indefeso contribuinte brasileiro.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Perspectivas sombrias

O Gre-Nal de hoje à noite, no Olímpico, qualquer que fosse o seu resultado, nada traria de bom para o Grêmio. Nem uma vitória, até mesmo de goleada, serviria para muita coisa. Afinal, o Grêmio jogava com o time titular, em seu estádio, contra um Inter que, com exceção do goleiro, colocou em campo os seus reservas. Porém, como nada é tão ruim que não possa piorar, o Grêmio conseguiu a "façanha" de empatar com o descaracterizado Inter, por 2 x 2, em pleno Olímpico! Não há como imaginar que o Grêmio de 2012 possa "encaixar", como se costuma dizer no jargão do futebol. Os equívocos são muitos. A escolha do técnico foi o primeiro erro. Caio Júnior não tem um bom currículo e, para quem, como foi o caso dos dirigentes do Grêmio, prometeu um time forte e um ano de retomada das grandes conquistas, a opção por seu nome soa incompreensível. A saída de Saimon do time e a manutenção de Douglas Grolli é outro fato absurdo. Grolli fez, hoje, o seu segundo gol contra nos últimos três jogos. Seu único atributo como zagueiro é ser alto. Tecnicamente, contudo, é muito fraco. A venda de Douglas, sem que houvesse um substituto já contratado, é outro desatino. A utilização de Leandro no meio de campo, sem que ele tenha característica para jogar no setor, é algo, também, inaceitável. A insistência em escalar Marco Antônio, sem que o jogador dê qualquer resposta, é outro atentado ao bom senso. O Grêmio pode continuar se enganando, se quiser, e pagará um preço alto por isso. A desculpa de que o trabalho está no início, de que a pré-temporada foi curta, e outras alegações do gênero, não convencem. Todos os grandes clubes brasileiros passaram por isso e, mesmo assim, muitos deles estão obtendo bons resultados em seus jogos. Se o Grêmio quiser salvar o ano, terá que agir energicamente e de forma rápida. Afora buscar os reforços que a própria diretoria admite que ainda são necessários, é preciso mudar o técnico. Pior do que cometer um erro é persistir nele. O Grêmio errou ao trazer Caio Júnior. Está na hora de alterar o rumo da situação. Com Vanderlei Luxemburgo livre no mercado, a solução é por demais óbvia.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A palavra do secretário

Anteriormente, já manifestei minha opinião sobre a questão que envolve o estádio que sediará os jogos da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre. Até hoje não entendi o porquê da escolha do Beira-Rio, que precisava ser reformado, quando era de conhecimento da CBF que o Grêmio iria construir um estádio inteiramente novo, totalmente dentro dos padrões estabelecidos pela Fifa. O argumento de que a escolha foi feita por que um estádio já existia e o outro era apenas um projeto não se sustenta. O Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014 sete anos antes da realização da competição, e um estádio não precisa mais do que dois anos para ser erguido. Tanto é verdade, que o estádio do Corinthians, que sediará os jogos da Copa em São Paulo, não existia nem como projeto quando o Brasil foi designado para abrigar o evento. Porque optar por um estádio velho, que trem de sofrer adaptações, em vez de um novinho em folha? Retorno ao assunto porque o secretário municipal da Copa de 2014, João Bosco Vaz, preocupado com o fato de que há mais de 200 dias as obras de reforma do Beira-Rio estão paralisadas, já acena com a possibilidade de o novo estádio do Grêmio, que será inaugurado em novembro, ser o local dos jogos da Copa em Porto Alegre. Vaz disse que se, até março, as obras do Beira-Rio não reiniciarem, não terá problemas em pedir à Fifa e ao Comitê Organizador Local, que os jogos sejam realizados na Arena do Grêmio. "Se tivermos que ir à Fifa pedir para tirar o Beira-Rio e botar a Arena vamos fazer isso, porque o evento é muito maior", declarou Vaz. O secretário ainda foi mais longe. "Se a Fifa dissesse para nós: "Olha aqui, anote o plano B", já tínhamos escolhido a Arena para a Copa das Confederações. Não teríamos perdido a Copa das Confederações", declarou João Bosco Vaz. Pois é, por uma escolha de estádio absurda e incompreensível, Porto Alegre já ficou sem jogos pela Copa das Confederações. Agora, se nada for feito, acabará perdendo, também, a condição de uma das cidades que sediará jogos da Copa.  A influência política do Inter nos bastidores, apelando até para o fato de que o governador do Estado e a presidente da República são torcedores do clube, e a vaidade de seus dirigentes, que não querem cometer um vexame diante da opinião pública, afora outros interesses bem pragmáticos, impediram, até agora, que se adotasse a solução devida para o impasse. Essa é lógica e cristalina. Deve-se designar o novo estádio do Grêmio para os jogos da Copa de 2014 em Porto Alegre. A cidade já perdeu a Copa das Confederações e não pode sofrer um novo e irreparável prejuízo ficando de fora da Copa do Mundo. Está na hora de consertar um erro, para não ser definitivamente derrotado por ele.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Os ministros continuam caindo

Mais um ministro do governo da presidente Dilma Roussef, o 7º em pouco mais de um ano de administração, deixou o cargo. Dessa vez foi o ministro das Cidades, Mário Negromonte, do PP. O ministro pediu demissão por estar envolvido, a exemplo de cinco dos seis outros afastados, em denúncias de corrupção. O curioso é que Negromonte saiu, mas o cargo continuou com seu partido. Para o seu lugar foi escolhido o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). A prova de que a mudança é apenas de nomes, e não de procedimentos, é que, assim que Ribeiro foi confirmado como ministro, surgiu a acusação de que ele destinou, como deputado federal, mais de R$ 800 mil em emendas para Campina Grande (PB), onde sua irmã é candidata a prefeita neste ano, e também enviou verbas para Pilar, município administrado por sua mãe. Como se vê, há muito mais preocupação com a "governabilidade" do que com o combate á corrupção. Isso, contudo, não traz problemas para o governo. A popularidade de Dilma é alta e não há sinais de que venha a cair nos próximos meses. A maioria dos eleitores dá pouca importãncia para os ministros. No Brasil, há o culto a figura do mandatário. Se o povo entende que o país vai bem, a popularidade do presidente sobe, independentemente de denúncias ou escândalos envolvendo membros do governo. Por natureza, o brasileiro é personalista, valoriza quem exerce o poder, não a administração como um todo. Dessa forma, Dilma pode ficar tranquila. Escãndalo algum no seu governo vai derrubar sua popularidade. O eleitor blindou a presidente em relação a fatos nebulosos ou suspeitos, assim como já havia feito com seu antecessor, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Enquanto os números da economia e da geração de empregos forem bons, os ministros podem, todos, deixarem seus cargos, que, ainda assim o governo continuará gozando de amplo apoio popular. Se a oposição quiser ter alguma chance nas eleições para presidente, em 2014, vai precisar bem mais do que forçar a queda de ministros.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Vitória magra e a saída de Douglas

O Grêmio venceu o São Luiz, de Ijuí, hoje à noite, no Olímpico, por 1 x 0, mas não convenceu. Kléber marcou o único gol da partida, numa belíssima jogada de Marcelo Moreno, mas a atuação do time como um todo, mais uma vez, deixou muito a desejar. Antes de marcar o gol, Kléber já havia desperdiçado um pênalti. O jogo valeu apenas pelo resultado e, ainda assim, o Grêmio continua, mesmo com a vitória, fora da zona de classificação de seu grupo no Campeonato Gaúcho. Um ponto positivo a ser ressaltado foi a segunda grande atuação consecutiva de Victor, indicando que ele talvez possa voltar a ser o goleiro seguro de outros tempos. No lado negativo, mais uma atuação abaixo da crítica de Marco Antônio, que não tem sabido aproveitar as chances que recebe para se firmar no time. Com o que vem mostrando em campo, o Grêmio não inspira confiança para o Gre-Nal de domingo. Independentemente do time que o Inter escalar, a partida tende a ser muito difícil para o Grêmio, mesmo jogando em casa, com o apoio da sua torcida. A verdade é que o trabalho do técnico Caio Júnior não aparece, nem dá sinais de que se possa esperar por uma melhor produção do time. Para piorar o quadro, o Grêmio vendeu Douglas para o Corinthians. Embora fosse criticado por muitos, Douglas é um jogador de grande técnica e sua saída empobrecerá ainda mais o time do Grêmio. Conforme o gerente de futebol Paulo Pelaipe, o Grêmio ainda está em busca de um zagueiro e dois meias. Ora, convenhamos, faltando pouco mais de um mês para a estréia na Copa do Brasil, o Grêmio já deveria estar com seu time pronto, e não em busca de três titulares. No entanto, dependendo do que acontecer no Gre-Nal, muito coisa poderá mudar no Grêmio. Afinal, é bom lembrar que o técnico Vanderlei Luxemburgo, como se previa, foi demitido pelo Flamengo, e está disponível no mercado.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Favoritismo confirmado

O Inter confirmou o seu favoritismo e está classificado para a fase de grupos da Libertadores, após empatar, hoje à noite, em Manizales, na Colômbia, com o Once Caldas, em 2 x 2. O Once Caldas fez 1 x 0 logo a 1min30s de jogo, cobrando um pênalti. O time colombiano, contudo, não soube manter nem ampliar a vantagem, cometendo, também, um pênalti, pouco depois, que determinou o empate. O Inter passou a frente, numa bonita jogada, e o Once Caldas empatou, logo a seguir, em outro lance de bela feitura. O primeiro tempo terminou empatado e o placar, no segundo tempo não foi movimentado, pois o Once Caldas esbarrou nas suas limitações técnicas e no nervosismo com o tempo que ia passando. O Inter já terá jogo pela Libertadores na quinta-feira da próxima semana, contra o Juan Aurich, do Peru, no Beira-Rio, uma partida que se prenuncia fácil. O grupo do Inter é o mesmo do Santos, mas, como se classificam dois clubes por chave, isso não deve causar maiores problemas. Resta saber, agora, se o Inter irá colocar o time reserva no Gre-Nal de domingo, o que é bastante provável. Seja como for, conforme já havia colocado num texto há poucos dias, 2012 começa do mesmo modo que 2011 e todos os últimos anos, isto é, inteiramente favorável ao Inter na rivalidade com o Grêmio. Para os que são gremistas, torcer, hoje em dia, não é apenas o exercício de uma paixão, é um ato de heroísmo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os descaminhos do ensino brasileiro

O ensino, no Brasil, vive o agravamento de uma crise iniciada há muitos anos. A rigor, desde a malfadada reforma realizada em 1971, em pleno regime militar, pelo então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, o nível do ensino no país só faz decair. Agora, o sindicato dos professores do Rio Grande do Sul, Cpers, na palavra de sua presidente, Rejane de Oliveira, alerta para mais uma medida que poderá ser danosa aos interesses dos estudantes. Trata-se da reforma do Ensino Médio no Rio Grande do Sul, que dará ênfase, nas escolas públicas, ao ensino profissionalizante. Rejane considera que a medida ampliará a desigualdade no Estado, pois entende que os estudantes das escolas públicas serão preparados para se tornarem mão de obra barata das empresas, enquanto as instituições privadas têm o o foco na parte intelectual do seu aluno. A presidente do Cpers diz que a proposta não vai preparar o aluno da rede pública para o mercado de trabalho e tampouco para disputar um lugar na universidade, pois o ensino profissionalizante será insuficiente e haverá, também, menos tempo dedicado às matérias essenciais. Parece incrível, mas enquanto outros países possuem uma metodologia de ensino alicerçada ao longo do tempo, fazendo, é claro, as necessárias adaptações às novas realidades, o Brasil parece estar num permanente experimentalismo. Isso, é claro, é extremamente danoso para o país. A qualidade da educação brasileira é baixa, e a cada nova avaliação internacional, revela-se pior. A escola pública já foi um primor no país. Hoje, é sinônimo de ensino de má qualidade. Há quem coloque a culpa da deterioração do ensino brasileiro na universalização do acesso à escola. Ora, este é um argumento absurdamente elitista! O ensino fundamental é um direito de todo e qualquer cidadão. Se, após esse estágio inicial, verifica-se enorme evasão no ensino médio e um número ínfimo de alunos ingressa na universidade, a culpa é de uma política educacional que está na contramão dos interesses dos estudantes e do país. Ideias como a que se pretende implantar no Estado em nada colaborarão para uma mudança nesse quadro desolador. No plano nacional, a substituição dos vestibulares pelo Enem está longe de ser uma solução. Trata-se de uma visão "meritocrática" de inspiração americana que também faz com que aumente o fosso entre os alunos mais bem preparados e os de formação mais precária. O sistema de ensino não pode nem deve ser uma forma de perpetuação das desigualdades sociais. A lógica neoliberal para o setor é a da tal "meritocracia", que favorece os mais bem aquinhoados, rejeita as cotas sociais, sucateia o ensino público e retira dos menos favorecidos a possibilidade de ascensão social. Ensino público gratuito e de qualidade, em todos os níveis, fundamental, médio e superior, é um direito da sociedade e um dever dos governos. Forma, junto com o acesso aos serviços de saúde e a garantia de segurança, as três tarefas essenciais e intransferíveis do poder público.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Centenário de Herivelto Martins

O dia de hoje marca a passagem do centenário de nascimento de Herivelto Martins, um dos grandes compositores brasileiros. Ainda em 2012, serão completados, também, os 80 anos de seu falecimento. As novas gerações talvez não saibam quem foi Herivelto Martins, já que o Brasil não é um país que prime pela preservação de sua memória artística e cultural. Herivelto teve uma longa e exitosa carreira. Seu início na música se deu com a "Dupla Preto e Branco", em que fazia dueto com Francisco Sena. Mais tarde, Sena saiu e Herivelto se apresentou sozinho por um tempo, até formar uma nova dupla, com Nilo Chagas, com o mesmo nome da anterior. Os dois, depois, formaram, junto com a cantora Dalva de Oliveira, o "Trio de Ouro". Herivelto, que já tinha sido casado e era pai de dois filhos, uniu-se à Dalva, com quem viveu uma relação tumultuada. O casal teve dois filhos e o relacionamento acabou em total rompimento, com Herivelto obtendo a guarda dos meninos na justiça. Herivelto ainda vivenciou uma outra união, da qual nasceram mais dois filhos, e que só acabou com a morte de sua companheira, depois de 44 anos juntos. Como compositor, Herivelto foi autor de vários sucessos, e dois deles, pelo menos, estão entre as maiores criações da música brasileira, "Caminhemos" e "Ave Maria no Morro". São composições cujas letras são carregadas de lirismo e sentimento, sem resvalar na pieguice. Ao longo do tempo, foram regravadas por artistas de outras gerações, e talvez já esteja na hora de fazê-lo novamente, como uma forma de trazê-las ao conhecimento dos mais jovens. O Brasil possui uma música popular riquíssima e é necessário que ela seja devidamente valorizada. Por isso, datas como o centenário de nascimento de Herivelto Martins precisam ter o devido destaque. Não só hoje, mas durante todo o ano, seria interessante que fossem realizados shows e exposições, se escrevessem livros e se lançassem discos reverenciando a obra de Herivelto Martins, um grande compositor que não pode e nem deve ser esquecido.