quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Pouco mais que um treino
Como já se esperava, o Barcelona não teve nenhuma dificuldade para vencer, hoje, o Al Sadd, do Catar, e classificar-se para decidir o Mundial de Clubes contra o Santos. A goleada de 4 x 0 não diz o que foi o jogo, poderia ter sido muito mais. O Al Sadd conseguiu resistir por mais de vinte minutos até sofrer o primeiro gol, armando uma retranca poucas vezes vista, mas o lance que colocou o Barcelona em vantagem mostrou toda a limitação do time catariano. O goleiro, para não segurar uma bola que lhe foi atrasada por um companheiro, o que resultaria na marcação de uma falta, titubeou e permitiu que o brasileiro Adriano empurrasse a bola para o fundo das redes. Os demais gols do Barcelona também foram marcados com grande facilidade, e o goleiro falhou, praticamente, em todos. Foi pouco mais que um treino para o Barcelona que, no entanto, teve o prejuízo da fratura de tíbia de David Villa, que ficará parado por seis meses. Agora, é esperar para ver a grande decisão de domingo entre Santos e Barcelona. Tem tudo para ser um jogo inesquecível.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Supremacia individual
A vitória do Santos sobre o Kashiwa Reysol, hoje, por 3 x 1, foi determinada pelas individualidades, mas o time brasileiro pecou no que tange ao aspecto coletivo. O Santos, sabidamente, possui jogadores mais qualificados que os do Kashiwa, e dois deles, Neymar e Paulo Henrique Ganso, são diferenciados, do tipo que podem resolver uma partida sozinhos. Neymar, inclusive, confirmou isso, ao fazer 1 x 0 para o Santos, em jogada de craque, sendo que, até aquele momento, o time brasileiro pouca tinha realizado em campo, com a posse de bola estando a maior parte do tempo com o adversário. O gol de Borges, cinco minutos depois, foi outro que teve o brilho da jogada pessoal. Borges tentava encontrar um companheiro para passar a bola. Como a marcação não permitisse isso, conduziu a bola, cortou um marcador e descortinou uma brecha para chutar a bola no ângulo, fazendo um golaço. O gol do Kashiwa, no início do segundo tempo, de cabeça, após uma cobrança de escanteio, mostrou uma falha defensiva preocupante para quem terá de enfrentar o Barcelona, já que ninguém cogita da eliminação do time espanhol para o Al Sadd, do Catar. O jogo só não cresceu em dificuldades, porque Danilo cobrou uma falta com maestria, ainda que o goleiro pudesse ter, pelo menos, saltado. Foi outro lance de habilidade individual, que resultou em mais um gol para o Santos. O representante sul-americano fez sua parte, classificando-se para a decisão do Mundial de Clubes, e evitando o vexame proporcionado pelo Inter em 2010, quando perdeu para o Mazembe, um time bem inferior ao Kashiwa Reysol. Assim, o Santos só fica na espera do seu adversário para a decisão de domingo, que, certamente, deverá ser o Barcelona. A vitória de hoje, no entanto, ficou apenas como a confirmação de uma expectativa. O futebol demonstrado pelo Santos não entusiasmou, e o time brasileiro terá de jogar muito mais para poder fazer frente ao poderoso Barcelona. Só com os talentos individuais, não será suficiente, pois o Barcelona também os possui, e tem um desempenho coletivo afinadíssimo. Será um jogo imperdível, em que teremos um confronto de talentos entre Neymar e Messi. O desafio do Santos, vencer o Barcelona, é enorme, mas isso só o torna mais estimulante. O Santos sabe que o adversário é favorito, mas em futebol tudo é possível. Tudo indica que Santos x Barcelona será um espetáculo como há muito tempo não se vê no futebol. Resta torcer para que isso se confirme, e desejar boa sorte ao Santos.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O silêncio da grande imprensa
A sociedade avança, mas o comportamento de certos setores não muda. A grande imprensa brasileira continua a divulgar amplamente o que serve aos seus propósitos, e a ignorar o que se choca contra os seus interesses. O livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr.,vem sendo ignorado pelos grandes veículos da imprensa brasileira. A obra trata dos malfeitos cometidos durante as privatizações realizadas pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Defensora ardorosa do privatismo e do neoliberalismo, a grande imprensa não faz qualquer referência ao livro, ao mesmo passo em que, a cada semana, divulga mais uma denúncia contra o governo federal, comandado pelo PT, partido contra o qual possui um ódio indisfarçável. Felizmente, as redes sociais trouxeram consigo uma democratização da informação. Foi por meio das redes sociais que o livro de Amaury Ribeiro Jr. recebeu ampla divulgação. Como resultado, a tiragem inicial, de 15 mil exemplares, se esgotou num único dia! Foi inútil o esforço da imprensa conservadora para tentar abafar a repercussão da obra. Já não há mais como manipular a informação impedindo-a de chegar ao público. "A Privataria Tucana" se tornou um sucesso de vendas. Para quem havia esquecido, o livro trata de relembrar que os que hoje pregam a condição de defensores da ética na política, quando estiveram no poder, trocaram patrimônio público por "moedas podres", num predatório processo de privatização. A notáver acolhida do livro mostra que não é mais possível conduzir a informação e manipular a opinião pública. Tal e qual a Carolina da célebre composição de Chico Buarque de Holanda, o tempo passou na janela e só a grande imprensa não viu.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A vitória do bom senso
O plebiscito realizado ontem para decidir sobre a divisão do Pará em outros dois estados terminou com uma vitória esmagadora da opção "não". Um total de 68,4% dos eleitores consultados rejeitou a criação do estado de Tapajós, e 67,4% foram contrários ao estado de Carajás. Foi uma vitória, também, do bom senso. A criação de novos estados tem benefícios muito duvidosos, se é que gera algum, mas ocasiona prejuízos bastante evidentes. A partir da instalação de novas unidades federativas, várias instituições tem de ser criadas, o que leva ao surgimento de uma série de cargos, pagos com o dinheiro público. São novos governadores, deputados federais e estaduais, senadores, assessores, cargos de confiança, justiça estadual, entre outras funções. Antes que possa obter qualquer ganho prático com a divisão territorial, o cidadão e contribuinte é chamado a pagar a conta. Felizmente, o eleitor, tido quase sempre como despreparado, soube, no caso em questão, ter o discernimento de recusar a proposta de criar novos estados. O Pará seguirá tendo o seu tamanho original. As regiões que abrangem as áreas em que seriam instaladas as novas unidades federativas terão de achar outras alternativas para o seu desenvolvimento que não impliquem no fracionamento do território paraense. O Brasil ficará um pouco mais tranquilo, pois estará livre de um novo desperdício de dinheiro público. Tomara, inclusive, que a derrota fragorosa da proposição divisionista desencoraje ideias semelhantes no futuro. O eleitor paraense está de parabéns. Ele provou que, ao contrário do que expressa o chavão por muitos propalado, o brasileiro sabe votar.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Conquista inesquecível
O dia 11 de dezembro marca a passagem de mais um aniversário da conquista do Campeonato Mundial de Clubes pelo Grêmio, em Tóquio. Foi em 1983, já se passaram 28 anos. O adversário era o Hamburgo, que naquele ano derrotara, na decisão da Copa dos Campeões da Europa, o poderoso Juventus, que tinha oito jogadores da seleção da Itália, mais os astros Platini, francês, e Boniek, polonês. Foi uma partida inesquecível, que consolidou Renato, autor dos dois gols do Grêmio na vitória por 2 x 1, como o maior jogador e ídolo da história do clube. O Grêmio voltou a Tóquio doze anos depois, em 1995, para decidir, novamente, o título mundial, desta vez contra o Ajax. O Ajax era o melhor time do mundo na época, mas só obteve o título nos tiros livres da marca do pênalti, depois de um 0 x 0 que se estendeu por toda a partida, e também pela prorrogação, com o Grêmio tendo jogado grande parte do tempo com um homem a menos, devido à expulsão de Rivarola. Num momento tão ruim como vive o Grêmio atualmente, há dez anos sem conquistar um título de expressão, o feito de dezembro de 1983, mais do que nunca, tem de ser lembrado, não pode cair no esquecimento. Ele serve como um indicativo, para os que dirigem o clube, da extensão do poderio da instituição, e de qual o caminho que ela deve, permanentemente, perseguir. O Grêmio dos últimos dez anos não tem sido fiel á sua história gloriosa, o que tem frustrado e machucado o seu torcedor. Mais do que comemorar a passagem do aniversário de uma conquista, a lembrança do título mundial de 1983 deve servir como um farol a iluminar a trajetória futura do clube, para o reencontro com a sua imensa grandeza.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Impunidade
Já me referi ao assunto outras vezes nesse espaço, mas é pertinente fazê-lo novamente. A manutenção da chamada "Lei da Anistia" é algo inaceitável, que fará com que o Brasil continue com as feridas causadas pelo espúrio golpe militar de 1964 permanentemente abertas. Felizmente, apesar dos indicativos do governo federal de que pretende ceder á influência dos que querem deixar tudo como está, há fortes pressões em sentido contrário. A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) deu ao Brasil um prazo até o dia 14 de dezembro para alterar a Lei da Anistia e permitir a punição de torturadores, a exemplo do que ocorreu em outros países da América do Sul, como Argentina e Uruguai. A ONU também se manifesta favorável á revisão da anistia. O ex-secretário nacional de Direitos Humanos, e ex-deputado federal pelo PT de Minas Gerais, Nilmário Miranda, atualmente presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao partido, diz que espera que a criação da Comissão Nacional da Verdade, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, possa mobilizar a opinião pública para que a Lei da Anistia seja revista. Em abril de 2010, o Supremo Tribunal Federal rejeitou uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que contestava a Lei da Anistia. A lei, promulgada em 1979, concede perdão a todos os crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985), inclusive torturas praticadas por agentes do Estado contra presos políticos. A manutenção dessa lei é um escárnio. Ela tem de ser revista. Há que se punir exemplarmente os artífices do abjeto golpe militar pelas monstruosidades que praticaram. Argentina e Uruguai já deram o exemplo. Façamos o mesmo. Para superar, definitivamente, esse fato traumático de nossa história, é preciso acabar com a impunidade. O lugar de golpistas, torturadores, liberticidas e assassinos é na cadeia.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Sessenta anos de uma paixão brasileira
As telenovelas estão completando, em 2011, 60 anos de existência no Brasil. Portanto, já no ano seguinte à implantação da televisão no país, ocorrida em 1950, a primeira novela ia ao ar. Trata-se de um gênero de programa que caiu no gosto do público, consolidou-se ao longo dos anos, foi evoluindo tecnicamente na sua realização, e tornou-se um produto brasileiro de exportação. Para os observadores mais atentos, isso não deveria constituir surpresa. Os brasileiros já se mostravam grandes apreciadores das radionovelas, e é natural que aderissem com entusiasmo ao folhetim com imagens. O preconceito de setores da intelectualidade brasileira resultou, muitas vezes, em críticas ferozes às telenovelas. Como tudo que desperta intensa paixão popular, as novelas receberam rótulos depreciativos como, por exemplo, o de que seriam alienantes. Durante esse período de 60 anos, a decadência e o esgotamento do gênero foram várias vezes previstos pelos analistas de comunicação, algo que jamais se confirmou, muito antes pelo contrário. Ao longo de tantos anos, é óbvio, foram levadas ao ar novelas excelentes, boas, razoáveis, e ruins. Não é diferente em qualquer outro campo de atividade humano. Porém, não reconhecer o valor das telenovelas é uma triste manifestação de pedantismo daqueles que se julgam acima do gosto médio da população. As novelas são realizadas, hoje, com notável apuro técnico, envolvem gastos milionários e um enorme contingente de pessoas para a sua produção. Nada autoriza a que se imagine seu enfraquecimento, nem mesmo a médio ou longo prazo. O brasileiro costuma depreciar seu país e desfazer da capacidade de realização de seu povo. Pois as novelas são uma prova de que o brasileiro é capaz de produzir em alto nível, com reconhecimento internacional. Não somos só o país do futebol e do carnaval. Somos, também, o país das novelas. Um produto feito com altíssima qualidade por brasileiros, e que é exportado para diversos países, divulgando lá fora nossos hábitos e costumes. Os sessenta anos das telenovelas merecem ser saudados. Nada faz tanto sucesso, por tão largo espaço de tempo, se não for muito bom.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Um dia de luto para a música
Decididamente, o dia 8 de dezembro é uma data de luto para a música. Foi nesse dia que, em 1980, John Lennon foi assassinado. Também num 8 de dezembro, em 1994, morreu Tom Jobim. Dois grandes compositores, de estilos muito distintos, mas, ambos, de notável sucesso. Lennon foi integrante dos Beatles, o maior grupo de rock de todos os tempos, cujos discos atingiram vendagens estratosféricas. Afora os inúmeros clássicos que compôs para o grupo, sempre assinados em conjunto com Paul McCartney, mesmo que a autoria fosse só de um deles, Lennon emplacou sucessos também em sua carreira solo, como "Imagine", considerada uma das mais belas músicas já criadas. Tom Jobim, com a sensível desvantagem de compor em português e ser oriundo de um país de terceiro mundo, foi um dos criadores da Bossa Nova, movimento musical de grande repercussão no Brasil e muito apreciado no exterior. "Garota de Ipanema", música que compôs em parceria com Vinícius de Moraes, é um dos grandes standards da música mundial. Em termos de direitos autorais, ao que se sabe, "Garota de Ipanema" só perde para "Yesterday", composição de Paul McCartney assinada por ele e John Lennon. Tom Jobim, por sinal, no conjunto da obra, só perde em arrecadação de direitos para as músicas dos Beatles. Sobre isso, ele costumava dizer que "eles são quatro e eu um só, e, além disso, eles cantam em inglês". Deixando essas questões de lado, hoje é dia de reverenciar a memória desses dois grandes talentos. Felizmente, as gravações em áudio e vídeo estão aí para que possamos matar a saudade. Pena é que eles se foram cedo. Lennon com apenas 40 anos, completados 59 dias antes de sua morte. Tom com 67 anos. Ambos poderiam estar até hoje entre nós, criando novas e belas composições. Porém, o material que deixaram é vasto, e há de nos acompanhar e encantar ao longo de nossas vidas.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A festa das gafes
A festa de entrega dos prêmios para os melhores do Campeonato Brasileiro de 2011, realizada anteontem no auditório do Ibirapuera, em São Paulo, ficou marcada pelas gafes. Jogador que foi chamado ao palco e não estava no recinto, falta do envelope para anúncio de premiação, entre outros fatos, tornaram a festa ainda mais "bagunçada" do que em anos anteriores. Eis um fato que chama a atenção. Apesar dos ambientes nobres em que é realizada, nos anos anteriores a festa teve por local o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e da presença de astros da Rede Globo como apresentadores, a premiação aos melhores do Brasileirão tem sido, ano após ano, uma cerimônia confusa. Na edição desse ano, por exemplo, o zagueiro Dedé, do Vasco, teve seu nome anunciado para receber um prêmio. O jogador, no entanto, não estava no local. Onde estava Dedé? Participando do programa "Bem Amigos", do Sport TV, canal de esportes a cabo da própria Rede Globo, co-promotora do evento da CBF! O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, subiu ao palco para entregar um prêmio, mas o envelope com o nome do vencedor não havia sido levado aos apresentadores da cerimônia. A diretoria do Vasco, vice-campeão brasileiro e clube com mais jogadores premiados, não foi convidada para a festa, fato que a CBF imputou à empresa responsável pela organização do evento. Em edições anteriores, outras gafes foram cometidas. A partir do que se vê nessa e em tantas outras premiações no país, fica a impressão de que o gosto brasileiro pela informalidade é tão grande que nos impede de dar a devida solenidade a determinadas situações. Muitos criticam a festa do Oscar, considerando-a um espetáculo "kitsch" e aborrecido, mas ela é feita com rigor profissional. No Brasil, nas premiações do esporte, do cinema e da música, o que se vê são figurinos equivocados, quando não absolutamente desleixados, apresentadores atrapalhados, e uma série de outros deslizes incompatíveis com um evento que se pretenda grandioso. A descontração e a capacidade de improvisação dos brasileiros são atributos apreciáveis, mas há momentos em que eles são indesejáveis.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
A morte no exílio
No dia de hoje, 6 de dezembro, completam-se 35 anos da morte do ex-presidente João Goulart. Uma morte prematura, aos 57 anos, de um homem amargurado pela condição de exilado, impedido, por um espúrio regime militar, de retornar ao seu país. O "crime" cometido por Goulart que o fez ser condenado ao exílio, foi ter tentado realizar reformas que tornassem o país mais justo e menos submetido aos interesses do capital internacional. Num país que, até hoje, é um dos mais desiguais do mundo, contrariar interesses dos grandes grupos econômicos em busca da justiça social foi considerado um desaforo por parte das forças retrógradas que, desde a descoberta do Brasil, são responsáveis pelo seu atraso. Não satisfeitos em impedi-lo de voltar ao Brasil, os golpistas que se apoderaram do país trataram de enxovalhar a memória de Goulart. A historiografia oficial o apresenta como um homem vacilante, de personalidade fraca. A exemplo de seu mentor político, Getúlio Vargas, João Goulart era um grande proprietário de terras. Porém, também como Getúlio, tinha sensibilidade social. Getúlio tirou o Brasil do atraso político e econômico. Recebeu a imensa gratidão do povo, mas despertou o ódio das elites, cujas pressões resultaram no seu suicídio. Goulart propôs reformas de base que mudariam a face do país. Foi tachado de comunista, perseguido, deposto e, por fim, exilado. Morreu, oficialmente, de um ataque cardíaco, mas há quem sustente que foi assassinado pelas forças da repressão. Ao contrário de tantos outros que foram remetidos para o exílio, não teve a chance de voltar. Morreu três anos antes da entrada em vigor da Lei da Anistia, que permitiu o retorno ao Brasil de Leonel Brizola e Miguel Arraes, entre outros. A data de hoje não deveria passar em branco. As novas gerações deveriam saber que o Brasil teve um presidente que quase foi impedido de assumir, aceitou tomar posse num regime parlamentarista que lhe retirava poderes, mais tarde teve as atribuições de seu cargo restituídas e, finalmente, foi deposto por um abjeto golpe de estado. Por ter aceitado, inicialmente, o arranjo parlamentarista que lhe permitiu tomar posse e, mais tarde, não ter resistido ao golpe que lhe apeou do poder, Goulart foi tido por muitos como um homem sem fibra. Na verdade, nas duas situações, parece ter prevalecido o sentimento, por parte do ex-presidente, de não atirar o país numa guerra fratricida. Goulart desejava mudar o Brasil para melhor, mas não ao custo de um banho de sangue. Passados 35 anos de sua morte, o Brasil ainda deve a João Goulart o devido reconhecimento pelo que fez e pelo que tentou realizar.
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