sábado, 29 de outubro de 2011
A doença de Lula
O Brasil recebeu hoje, tomado de surpresa, a notícia de que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva está com câncer na laringe. Ainda não se sabe ao certo a gravidade do quadro de saúde de Lula, mas a notícia, por si só, causa comoção. Lula, que completou 66 anos na mesma semana em que recebeu o diagnóstico, é o presidente mais popular da história do Brasil. O povo brasileiro, por certo, está abalado com a revelação sobre a saúde do ex-presidente, e é de se prever que uma grande corrente de solidariedade se formará em torno de Lula. A informação deverá, também, repercutir muito no exterior, pois Lula possui admiradores em vários países, tanto junto aos governantes, como na população em geral. Até seus opositores deverão diminuir seus ataques, pois a dor costuma unir as pessoas e abrandar os corações. Nessa hora, não cabe ser contra ou a favor de Lula como político, mas, apenas, torcer pelo seu pronto restabelecimento.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Exemplo
Na segunda metade do século passado, alguns países da América do Sul passaram pela infelicidade de serem submetidos à ditaduras militares, que deixaram, como resultado, um rastro de mortes, torturas, desrespeito aos direitos humanos, censura à imprensa e às artes. Opositores políticos de tais regimes foram perseguidos e massacrados. Agora, restituída a democracia nesses países, eles lidam de forma diferente com esse passado abjeto. Para desgosto dos brasileiros comprometidos com a liberdade e a busca de um país melhor, o Brasil optou pela impunidade dos carrascos do golpe militar de 1964. Nossos vizinhos Argentina e Uruguai procederam de maneira diferente, e partiram para o devido ajuste de contas com o passado. Na Argentina, Alfredo Astiz, o "anjo louro da morte", símbolo da repressão durante a ditadura militar (1976-1983), foi condenado á prisão perpétua pelos crimes cometidos no período. Astiz já tinha sido condenado à prisão perpétua à revelia na França, em 1990, e na Itália, em 2007. Os crimes de Astiz foram cometidos na Escola de Mecãnica da Armada, por onde passaram mais de 5 mil presos, dos quais cerca de apenas cem saíram com vida. O Uruguai, por sua vez, aprovou, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei que declara imprescritíveis os crimes cometidos na ditadura militar (1973-1985). Não há como deixar de destacar a diferença de atitude desses países em relação ao que se faz no Brasil, onde os artífices do repugnante golpe militar continuam impunes e se busca varrer para baixo do tapete as ocorrências do período. Argentina e Uruguai estão dando um exemplo que o Brasil deveria seguir. Figuras que perpetraram crimes hediondos, como Alfredo Astiz, e há várias no Brasil, devem ser rigorosamente punidas. Os crimes ocorridos na ditadura tem de ser imprescritíveis, não podem ser alcançados por nenhum tipo de anistia como se argumenta no Brasil. Diante das notícias vindas de nossos vizinhos, fui tomado por um sentimento de profunda inveja. Como eu gostaria que tais decisões tivessem sido aplicadas no Brasil e que, assim, o país passasse a limpo, definitivamente, a ditadura militar, punindo drasticamente os que nela tomaram parte. Não se pode anistiar quem participou de uma monstruosidade como a ditadura militar brasileira. Para o Brasil seguir em frente é necessário, antes, curar de uma vez essa ferida, e isso não se fará fingindo que nada aconteceu. A punição para os carrascos da ditadura e a abertura ampla e irrestrita dos arquivos do período são imperativos morais do país. Argentina e Uruguai estão nos mostrando como se deve agir nesses casos. Aproveitemos a lição e procedamos da mesma forma. As vítimas dos vinte e um anos de ditadura no Brasil, e seus familiares e amigos, ainda estão a esperar pela justa reparação. Ela pode e deve ser feita. Basta querer, como demonstraram nossos vizinhos.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Luiz Mendes
O Brasil perdeu, hoje, um ícone do jornalismo esportivo: Luiz Mendes. O que dizer de um profissional que, a partir de 1950, participou da cobertura de todas as Copas do Mundo e que, até o mês passado, ainda se mantinha em atividade, aos 87 anos, comentando jogos pela Rádio Globo, do Rio de Janeiro, onde trabalhava desde a fundação da emissora? Luiz Mendes foi, inicialmente, narrador, e transmitiu os jogos da Copa de 50, em que o Brasil sofreu sua maior decepção esportiva. Posteriormente, tornou-se comentarista. Era natural de Palmeira das Missões (RS). Torcia pelo Grêmio, no Rio Grande do Sul, e pelo Botafogo, no Rio de Janeiro, onde se radicou ainda muito jovem. Profissional talentoso e dedicado, era, também, um grande ser humano. Todas as profissões tem suas figuras de referência, que servem de paradigma para os jovens que iniciam numa carreira. Para quem se decide pelo jornalismo esportivo e, mais especificamente, pelo rádio, Luiz Mendes é um exemplo a ser seguido, na profissão e na vida. Luiz Mendes teve uma longa e profícua existência e deixa em seus ouvintes e admiradores uma imensa saudade.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Desfecho esperado
A saída de Orlando Silva do cargo de ministro do Esporte, ocorrida hoje, é apenas a confirmação de um desfecho por todos esperado desde que uma série de denúncias de corrupção envolvendo seu nome surgiram na imprensa. Repete-se com Silva o que já acontecera com quatro outros ministros do governo da presidente Dilma Roussef que foram exonerados. Dentre os seis ministros de Dilma que deixaram seus cargos apenas um, Nélson Jobim, da Defesa, não teve contra si denúncias de má conduta ou improbidade. Essa situação é bastante constrangedora. Um governante perder cinco de seus ministros, em menos de um ano de mandato, por envolvimento com corrupção, é algo muito preocupante e que evidencia o mau sistema de escolha dos ocupantes de tais cargos. A verdade é que a composição do ministério, que deveria ser feita com rigor técnico e busca da máxima eficiência, obedece, tão somente, ao critério da repartição do poder entre os integrantes da chamada "base aliada", ou seja, a divisão de cargos entre os partidos que sustentam a "governabilidade". Para piorar, Dilma Roussef aceitou herdar grande parte dos ministros de seu antecessor, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, seu padrinho político, como é o caso do próprio Orlando Silva, que comandava o ministério do Esporte desde 2006. Outro fato inquietante é que todas as denúncias envolvendo os ministros que acabaram demitidos partiram de um único veículo de comunicação, a revista "Veja", que, assim, posa de baluarte da defesa da ética na política. Até agora, o comportamente de Dilma Roussef em relação a tais fatos tem sido exemplar. Ela não tem blindado os acusados, nem desferido ataques contra a imprensa. Sua postura não tem deixado outra saída para os envolvidos em denúncias de corrupção que não seja o pedido de demissão. Com isso, o efeito esperado pela oposição diante de tal quadro, o desgaste da imagem do governo, ainda não foi alcançado. Os índices de popularidade de Dilma continuam muito bons. Se a oposição busca em tais episódios uma solução para a sua falta de discurso e uma chance de seduzir o eleitorado, tudo indica que irá se frustrar. Em janeiro, Dilma Roussef irá proceder uma ampla reforma ministerial, provavelmente livrando-se de todos os ministros que nomeou contra a sua própria vontade e compondo uma equipe com que tenha efetiva afinidade. Dessa forma, a possibilidade da eclosão de novos escãndalos deverá ficar bastante reduzida, e a oposição terá de buscar novas bandeiras. O que ocorreu, até aqui, com os ministros do governo Dilma é, sem dúvida, lamentável. Porém, a condução de tais situações tem sido a mais adequada. Os envolvidos em corrupção ou malfeitos tem deixado os seus cargos. Se alguém esperava que tudo acabasse em "pizza", decepcionou-se. O governo não tem transigido com os deslizes cometidos. O país segue em frente, apesar dos pesares.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Diferenças
Os desempenhos das seleções masculina e feminina de futebol do Brasil nos Jogos Panamericanos, em Guadalajara, no México, ensejam algumas reflexões. Tal como ocorrera no Pan de 2007, no Rio de Janeiro, a seleção masculina deu vexame, não passando da primeira fase. A seleção feminina, que ganhou a medalha de ouro em 2007, já está classificada para a decisão em 2011, podendo, portanto, bisar o feito. Os fatos não se repetiram por acaso. Alguns alegarão que a seleção masculina não levou sua força máxima. Isso é verdade, mas não serve como justificativa, pois a seleção feminina também está privada de algumas de suas principais jogadoras, entre elas, Marta, a melhor do mundo. O que ocorre é que é visível que, enquanto as meninas se empenham ao máximo em busca das vitórias, a equipe masculina não mostra o mesmo grau de aplicação. Vários jogadores da seleção masculina já recebem bons salários em grandes clubes do futebol brasileiro. Alguns deles participaram, ainda esse ano, das conquistas do Sul-Americano e do Mundial da categoria sub-20. Dessa forma, o Pan pode lhes parecer algo menor, para o qual não se sentem devidamente motivados. De uma forma ou de outra, no entanto, não há como aceitar que uma equipe que represente o futebol brasileiro numa competição internacional termine sua participação sem nenhuma vitória em três jogos, tendo enfrentado adversários modestos como Cuba e Costa Rica. A equipe feminina, por sua vez, tem um comportamento oposto. Como o futebol feminino no Brasil, em nível de clubes, não se estruturou, as competições das quais a seleção feminina participa são a grande chance que as jogadoras tem de obter visibilidade. Por isso, enquanto os garotos se mostram indolentes, as meninas empenham-se muito. Por mais incrível que possa parecer, a seleção feminina é que está, no momento, proporcionando as alegrias esperadas pelo torcedor. A seleção masculina principal e a que representou o Brasil no Pan só trouxeram decepção para a torcida e perda de prestígio para o futebol brasileiro. Afora a preocupação com estádios, obras viárias, aeroportos e hotéis, é preciso cuidar de montar uma Seleção Brasileira que empolgue o torcedor e tenha amplas condições de ganhar a Copa do Mundo de 2014 que, afinal, terá o Brasil como sede. No momento, infelizmente, essa hipótese ainda parece estar bem distante.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Barbárie
A forma como se deu a morte de Muammar Kadhafi, que governou ditatorialmente a Líbia por 42 anos, foi muito semelhante ao que ocorreu com Sadam Hussein, que também exerceu o poder no Iraque de maneira tirânica. Khadafi e Sadam eram cruéis, desumanos, prepotentes, autoritários, eliminaram adversários e causaram a morte de civis. Logo, não merecem que ninguém os defenda. Deveriam ser apeados do poder, para que pagassem por seus crimes, e seus países pudessem se encaminhar para tempos de normalidade. Porém, a forma como se deu a morte de ambos, caçados como bichos e friamente executados, é inaceitável diante do nível civilizatório alcançado pela humanidade. O fato de alguém cometer atrocidades não dá o direito a quem quer que seja de pagar com a mesma moeda. Ao proceder assim, igualamo-nos ao transgressor, partilhamos da sua bestialidade, e praticamos, em vez da justiça, a vingança. A idéia do "olho por olho, dente por dente" é incompatível com os mais comezinhos conceitos humanitários. Episódios como esses nos mostram, de forma desoladora, que o homem, a despeito de toda a evolução científica e cultural que alcançou ao longo dos tempos, não consegue domar a fera que habita dentro de si. O mesmo homem capaz de pousar na Lua, de revolucionar a medicina e ampliar a expectativa de vida das pessoas, de criar a era cibernética, de expandir a tecnologia de forma assombrosa, é também um ser sedento de sangue, pronto a se deixar governar por seus instintos mais primitivos de retaliação. A Líbia está livre de Khadafi, mas não há o que comemorar. Sua saída de cena se deu da pior forma possível. Seus algozes se mostraram tão bárbaros quanto ele. Sua queda, da maneira como ocorreu, foi uma falsa vitória do povo líbio e uma derrota moral de toda a humanidade.
domingo, 23 de outubro de 2011
A vitória que escapou
Hoje à tarde, no Beira-Rio, contra o Corinthians, o Inter estava com a vitória na mão. O primeiro tempo terminara em 0 x 0, com Alessandro, do Corinthians, sendo expulso aos 40 minutos. No segundo tempo, o Inter fez 1 x 0, gol de Nei. O jogo já se encaminhava para o seu final, aos 43 minutos, quando, de repente, a situação se alterou. D'Alessandro, que já tinha um cartão amarelo por reclamação, fez uma falta forte sobre Alex, recebeu o segundo, e, por conseguinte, o vermelho, determinando a sua expulsão. Alex, que sofrera a falta, fez a cobrança e empatou o jogo. O resultado final de 1 x 1 foi uma ducha de água fria nas pretensões do Inter. Dessa vez, ao contrário de outras rodadas do Campeonato Brasileiro, os resultados paralelos foram ótimos, mas o Inter não soube aproveitar-se disso. Com exceção do Vasco, os clubes que estão na frente do Inter na tabela empataram ou perderam. No entanto, como também não conseguiu vencer, o Inter segue empacado no 7º lugar. Para piorar, o próximo jogo do Inter será fora de casa, contra o Atlético Goianiense, clube que vem fazendo boa campanha no segundo turno. O Inter estará desfalcado de Nei, Rodrigo Moledo e D'Alessandro, o que diminui bastante o potencial do time. Nei, após um período de descrédito junto ao torcedor, afirmou-se e, hoje, foi o autor do gol do Inter. Rodrigo Moledo também vem se firmando como titular, e seu substituto deverá ser Bolívar, fato que causa calafrios nos torcedores. D'Alessandro, toda vez que esteve ausente, fez enorme falta para o time. A verdade é que a distância do Inter da zona de classificação para a Libertadores diminuiu, mas não há razões para otimismo. Restam apenas sete jogos, a tabela segue muito difícil, e, afora o Flamengo, o Inter está atrás no número de vitórias, primeiro critério de desempate, em relação aos clubes que estão na sua frente. No Rio Grande do Sul, é costume se dizer que "não tá morto quem peleia" e o Inter continuará em busca de uma melhor sorte no Brasileirão, mas a tendência, pelo que foi visto até aqui, não aponta para um final feliz.
sábado, 22 de outubro de 2011
Intolerável
O empate do Grêmio com o América Mineiro, hoje à tarde, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (MG), da forma como ocorreu, é intolerável. O Grêmio perdeu um gol feito, com Escudero, logo a 1 minuto do primeiro tempo. Aos 11 minutos, sofreu um gol de falta, de Thiago Carleto, em mais um frango de Victor. Aos 30 minutos, Marcos Rocha, do América, foi expulso, com justiça. Aos 32, com um homem a mais em campo, o Grêmio já alcançava o empate, com um gol de André Lima. No final do primeiro tempo, o mesmo André Lima perdeu uma oportunidade claríssima de gol que poderia levar o Grêmio para o intervalo já com a vitória parcial. O time voltou para o segundo tempo sem Fernando, que havia levado um cartão amarelo, com Gilberto Silva indo para o seu lugar e Edcarlos entrando na zaga. Uma substituição até aceitável. Ainda no iníco do segundo tempo, o Grêmio obtinha a virada, novamente com André Lima. Inexplicável, no entanto, foram as outras duas substituições do técnico Celso Roth. Por alegado cansaço, devido ao campo pesado, Douglas e Marquinhos deixaram o time e Diego Clementino e Adílson, respectivamenter, entraram em seus lugares. O Grêmio ficou sem nenhum articulador, não conseguiu mais reter a bola, submeteu-se à pressão do América e sofreu o gol de empate aos 42 minutos do segundo tempo. Se o jogo prosseguisse por mais tempo, o Grêmio, é quase certo, permitiria a virada. O empate foi péssimo para as pretensões dos dois clubes e, particularmente, vergonhoso para o Grêmio. A entrevista de Celso Roth após a partida, sem admitir seus erros e tentando ver méritos na conquista de quatro pontos em dois jogos seguidos fora de casa, tornou tudo ainda mais revoltante, ainda mais quando se sabe que as derrotas de Fluminense e Botafogo permitiriam ao Grêmio, caso tivesse vencido, manter o sonho da classificação para a Libertadores, agora desfeito. Para desespero de seu torcedor, o Grêmio é um barco à deriva, sem presente e com um futuro nem um pouco promissor pela frente.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Desenvolvimento vertiginoso
Nascido que sou em Rio Grande, vejo com um misto de entusiasmo e preocupação o que está ocorrendo no município. Depois de décadas de estagnação econômica, em contraste com um passado próspero, eis que Rio Grande se vê numa onda de desenvolvimento, em função do Pólo Naval que ali se instalou. Assim, de uma hora para outra, condomínios residenciais, prédios comerciais, hotéis e shopping centers passaram a ser erguidos, numa sequência febril de construções, e já se projeta que o município, em dez anos, se tornará o segundo mais importante do Rio Grande do Sul, ficando atrás, apenas, da capital, Porto Alegre. A população saltará, nesse período, dos atuais 198 mil habitantes para 420 mil. Milhares de empregos estão sendo gerados e já há, até, escassez de mão-de-obra na construção civil. Um quadro, portanto, que parece muito bom, mas que enseja algumas preocupações. Rio Grande, por ser um município que está apenas 2 metros acima do nível do mar, tem um solo mais instável para edificações. Em função disso, até onde sei, a legislação do município não permite a construção de prédios com mais de dez andares. No entanto, para minha surpresa, entre os ediifícios que estão sendo erguidos em Rio Grande, alguns tem 16 andares. O que foi feito da lei que vedava tais construções? Houve um estudo técnico autorizando o aumento de patamar das edificações, ou os interesses financeiros falaram mais alto, pondo em risco os seus futuros ocupantes? Afora isso, a profusão de novos prédios residenciais e comerciais não poderá descaracterizar o belo patrimônio arquitetônico de Rio Grande? Como município mais antigo do Estado, Rio Grande tem uma linda história e uma arquitetura preciosa que deve ser preservada, a qualquer custo. Não é bom imaginar que a bela cidade de construções planas e casas antigas se veja transformada numa coleção de prédios que só iriam deformá-la visualmente. Rio Grande pode e merece crescer, em benefício de seus moradores. Porém, cabe às pessoas responsáveis não permitir que a cidade perca alguns de seus atributos mais apreciáveis, como o seu bonito casario, suas ruas impregnadas de história, sua tranquilidade, sua paisagem inspiradora. Espero que todos aqueles que tenham o poder de tomar decisões a respeito tratem de compatiblizar o desenvolvimento do município com a preservação do seu patrimônio histórico e da sua qualidade de vida.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Escolha errada
Há alguns dias, escrevi nesse espaço sobre a estranha escolha do Beira-Rio como estádio de Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014. A definição do Beira-Rio, logo após a indicação do Brasil como país que sediaria a Copa, pareceu-me extremamente açodada, visto que o Grêmio já notificara a CBF de que iria construir um estádio novo, inteiramente dentro dos padrões da FIFA, e havia tempo mais do que suficiente para a conclusão das obras dentro do cronograma estabelecido para a competição. Pois, passados alguns dias, eis que o equívoco da escolha se escancarou. O Beira-Rio, um estádio velho que, para se ajustar ao padrão da FIFA necessita de muitas reformas, está com suas obras paralisadas há meses, e entraves burocráticos junto à construtora não permitem saber quando elas serão retomadas. Com isso, Porto Alegre perdeu a chance de sediar jogos da Copa das Confederações, em 2013, o que causará imensos prejuízos para a cidade. Com o impasse em relação à retomada das obras, até os jogos da Copa do Mundo já estão ameaçados. Porém, num assomo de lucidez, a CBF, que antes garantia não haver um "plano B", já admite que, caso o Beira-Rio não esteja em condições de receber os jogos da Copa, os mesmos sejam passados para o novo estádio do Grêmio, pois Porto Alegre não poderia ficar de fora da competição. Aliás, até que chegássemos ao dia de hoje com seu desfecho desfavorável aos interesses do Rio Grande do Sul, chamava a atenção o esforço dos setores colorados da imprensa esportiva gaúcha em afirmar que a hipótese de trocar um estádio por outro era uma fantasia que só existia por aqui. Alguns garantiam, enfaticamente que, ou os jogos da Copa seriam no Beira-Rio, ou Porto Alegre ficaria de fora da competição. Poucos dias depois, eis que toda essa argumentação é atropelada pelos fatos. Manifestações do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, do assessor de imprensa da instituição, Rodrigo Paiva, e do secretário municipal extraordinário para assuntos da Copa, João Bosco Vaz, deixaram claro que existe, sim, o "plano B", e que, se os jogos não saírem no Beira-Rio, irão para o novo estádio do Grêmio, mas Porto Alegre não perderá a condição de uma das sedes da competição. Por sinal, um dos argumentos mais frágeis utilizados pelos que defendem os interesses do Inter na imprensa foi o de que as obras de mobilidade urbana que foram planejadas são todas no entorno do Beira-Rio, o que tornaria inviável a troca de estádio. Conversa fiada. O estádio do Grêmio não necessita de nenhuma obra de mobilidade urbana no seu entorno, pois está estrategicamente próximo ao aeroporto e da BR-116. Assim, a tendência é que, por linhas tortas, se corrija uma escolha mal feita, e os jogos da Copa de 2014 em Porto Alegre sejam realizados num estádio moderno, inteiramente concebido dentro do rigoroso padrão da FIFA.
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