segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Barbárie
A forma como se deu a morte de Muammar Kadhafi, que governou ditatorialmente a Líbia por 42 anos, foi muito semelhante ao que ocorreu com Sadam Hussein, que também exerceu o poder no Iraque de maneira tirânica. Khadafi e Sadam eram cruéis, desumanos, prepotentes, autoritários, eliminaram adversários e causaram a morte de civis. Logo, não merecem que ninguém os defenda. Deveriam ser apeados do poder, para que pagassem por seus crimes, e seus países pudessem se encaminhar para tempos de normalidade. Porém, a forma como se deu a morte de ambos, caçados como bichos e friamente executados, é inaceitável diante do nível civilizatório alcançado pela humanidade. O fato de alguém cometer atrocidades não dá o direito a quem quer que seja de pagar com a mesma moeda. Ao proceder assim, igualamo-nos ao transgressor, partilhamos da sua bestialidade, e praticamos, em vez da justiça, a vingança. A idéia do "olho por olho, dente por dente" é incompatível com os mais comezinhos conceitos humanitários. Episódios como esses nos mostram, de forma desoladora, que o homem, a despeito de toda a evolução científica e cultural que alcançou ao longo dos tempos, não consegue domar a fera que habita dentro de si. O mesmo homem capaz de pousar na Lua, de revolucionar a medicina e ampliar a expectativa de vida das pessoas, de criar a era cibernética, de expandir a tecnologia de forma assombrosa, é também um ser sedento de sangue, pronto a se deixar governar por seus instintos mais primitivos de retaliação. A Líbia está livre de Khadafi, mas não há o que comemorar. Sua saída de cena se deu da pior forma possível. Seus algozes se mostraram tão bárbaros quanto ele. Sua queda, da maneira como ocorreu, foi uma falsa vitória do povo líbio e uma derrota moral de toda a humanidade.
domingo, 23 de outubro de 2011
A vitória que escapou
Hoje à tarde, no Beira-Rio, contra o Corinthians, o Inter estava com a vitória na mão. O primeiro tempo terminara em 0 x 0, com Alessandro, do Corinthians, sendo expulso aos 40 minutos. No segundo tempo, o Inter fez 1 x 0, gol de Nei. O jogo já se encaminhava para o seu final, aos 43 minutos, quando, de repente, a situação se alterou. D'Alessandro, que já tinha um cartão amarelo por reclamação, fez uma falta forte sobre Alex, recebeu o segundo, e, por conseguinte, o vermelho, determinando a sua expulsão. Alex, que sofrera a falta, fez a cobrança e empatou o jogo. O resultado final de 1 x 1 foi uma ducha de água fria nas pretensões do Inter. Dessa vez, ao contrário de outras rodadas do Campeonato Brasileiro, os resultados paralelos foram ótimos, mas o Inter não soube aproveitar-se disso. Com exceção do Vasco, os clubes que estão na frente do Inter na tabela empataram ou perderam. No entanto, como também não conseguiu vencer, o Inter segue empacado no 7º lugar. Para piorar, o próximo jogo do Inter será fora de casa, contra o Atlético Goianiense, clube que vem fazendo boa campanha no segundo turno. O Inter estará desfalcado de Nei, Rodrigo Moledo e D'Alessandro, o que diminui bastante o potencial do time. Nei, após um período de descrédito junto ao torcedor, afirmou-se e, hoje, foi o autor do gol do Inter. Rodrigo Moledo também vem se firmando como titular, e seu substituto deverá ser Bolívar, fato que causa calafrios nos torcedores. D'Alessandro, toda vez que esteve ausente, fez enorme falta para o time. A verdade é que a distância do Inter da zona de classificação para a Libertadores diminuiu, mas não há razões para otimismo. Restam apenas sete jogos, a tabela segue muito difícil, e, afora o Flamengo, o Inter está atrás no número de vitórias, primeiro critério de desempate, em relação aos clubes que estão na sua frente. No Rio Grande do Sul, é costume se dizer que "não tá morto quem peleia" e o Inter continuará em busca de uma melhor sorte no Brasileirão, mas a tendência, pelo que foi visto até aqui, não aponta para um final feliz.
sábado, 22 de outubro de 2011
Intolerável
O empate do Grêmio com o América Mineiro, hoje à tarde, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (MG), da forma como ocorreu, é intolerável. O Grêmio perdeu um gol feito, com Escudero, logo a 1 minuto do primeiro tempo. Aos 11 minutos, sofreu um gol de falta, de Thiago Carleto, em mais um frango de Victor. Aos 30 minutos, Marcos Rocha, do América, foi expulso, com justiça. Aos 32, com um homem a mais em campo, o Grêmio já alcançava o empate, com um gol de André Lima. No final do primeiro tempo, o mesmo André Lima perdeu uma oportunidade claríssima de gol que poderia levar o Grêmio para o intervalo já com a vitória parcial. O time voltou para o segundo tempo sem Fernando, que havia levado um cartão amarelo, com Gilberto Silva indo para o seu lugar e Edcarlos entrando na zaga. Uma substituição até aceitável. Ainda no iníco do segundo tempo, o Grêmio obtinha a virada, novamente com André Lima. Inexplicável, no entanto, foram as outras duas substituições do técnico Celso Roth. Por alegado cansaço, devido ao campo pesado, Douglas e Marquinhos deixaram o time e Diego Clementino e Adílson, respectivamenter, entraram em seus lugares. O Grêmio ficou sem nenhum articulador, não conseguiu mais reter a bola, submeteu-se à pressão do América e sofreu o gol de empate aos 42 minutos do segundo tempo. Se o jogo prosseguisse por mais tempo, o Grêmio, é quase certo, permitiria a virada. O empate foi péssimo para as pretensões dos dois clubes e, particularmente, vergonhoso para o Grêmio. A entrevista de Celso Roth após a partida, sem admitir seus erros e tentando ver méritos na conquista de quatro pontos em dois jogos seguidos fora de casa, tornou tudo ainda mais revoltante, ainda mais quando se sabe que as derrotas de Fluminense e Botafogo permitiriam ao Grêmio, caso tivesse vencido, manter o sonho da classificação para a Libertadores, agora desfeito. Para desespero de seu torcedor, o Grêmio é um barco à deriva, sem presente e com um futuro nem um pouco promissor pela frente.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Desenvolvimento vertiginoso
Nascido que sou em Rio Grande, vejo com um misto de entusiasmo e preocupação o que está ocorrendo no município. Depois de décadas de estagnação econômica, em contraste com um passado próspero, eis que Rio Grande se vê numa onda de desenvolvimento, em função do Pólo Naval que ali se instalou. Assim, de uma hora para outra, condomínios residenciais, prédios comerciais, hotéis e shopping centers passaram a ser erguidos, numa sequência febril de construções, e já se projeta que o município, em dez anos, se tornará o segundo mais importante do Rio Grande do Sul, ficando atrás, apenas, da capital, Porto Alegre. A população saltará, nesse período, dos atuais 198 mil habitantes para 420 mil. Milhares de empregos estão sendo gerados e já há, até, escassez de mão-de-obra na construção civil. Um quadro, portanto, que parece muito bom, mas que enseja algumas preocupações. Rio Grande, por ser um município que está apenas 2 metros acima do nível do mar, tem um solo mais instável para edificações. Em função disso, até onde sei, a legislação do município não permite a construção de prédios com mais de dez andares. No entanto, para minha surpresa, entre os ediifícios que estão sendo erguidos em Rio Grande, alguns tem 16 andares. O que foi feito da lei que vedava tais construções? Houve um estudo técnico autorizando o aumento de patamar das edificações, ou os interesses financeiros falaram mais alto, pondo em risco os seus futuros ocupantes? Afora isso, a profusão de novos prédios residenciais e comerciais não poderá descaracterizar o belo patrimônio arquitetônico de Rio Grande? Como município mais antigo do Estado, Rio Grande tem uma linda história e uma arquitetura preciosa que deve ser preservada, a qualquer custo. Não é bom imaginar que a bela cidade de construções planas e casas antigas se veja transformada numa coleção de prédios que só iriam deformá-la visualmente. Rio Grande pode e merece crescer, em benefício de seus moradores. Porém, cabe às pessoas responsáveis não permitir que a cidade perca alguns de seus atributos mais apreciáveis, como o seu bonito casario, suas ruas impregnadas de história, sua tranquilidade, sua paisagem inspiradora. Espero que todos aqueles que tenham o poder de tomar decisões a respeito tratem de compatiblizar o desenvolvimento do município com a preservação do seu patrimônio histórico e da sua qualidade de vida.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Escolha errada
Há alguns dias, escrevi nesse espaço sobre a estranha escolha do Beira-Rio como estádio de Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014. A definição do Beira-Rio, logo após a indicação do Brasil como país que sediaria a Copa, pareceu-me extremamente açodada, visto que o Grêmio já notificara a CBF de que iria construir um estádio novo, inteiramente dentro dos padrões da FIFA, e havia tempo mais do que suficiente para a conclusão das obras dentro do cronograma estabelecido para a competição. Pois, passados alguns dias, eis que o equívoco da escolha se escancarou. O Beira-Rio, um estádio velho que, para se ajustar ao padrão da FIFA necessita de muitas reformas, está com suas obras paralisadas há meses, e entraves burocráticos junto à construtora não permitem saber quando elas serão retomadas. Com isso, Porto Alegre perdeu a chance de sediar jogos da Copa das Confederações, em 2013, o que causará imensos prejuízos para a cidade. Com o impasse em relação à retomada das obras, até os jogos da Copa do Mundo já estão ameaçados. Porém, num assomo de lucidez, a CBF, que antes garantia não haver um "plano B", já admite que, caso o Beira-Rio não esteja em condições de receber os jogos da Copa, os mesmos sejam passados para o novo estádio do Grêmio, pois Porto Alegre não poderia ficar de fora da competição. Aliás, até que chegássemos ao dia de hoje com seu desfecho desfavorável aos interesses do Rio Grande do Sul, chamava a atenção o esforço dos setores colorados da imprensa esportiva gaúcha em afirmar que a hipótese de trocar um estádio por outro era uma fantasia que só existia por aqui. Alguns garantiam, enfaticamente que, ou os jogos da Copa seriam no Beira-Rio, ou Porto Alegre ficaria de fora da competição. Poucos dias depois, eis que toda essa argumentação é atropelada pelos fatos. Manifestações do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, do assessor de imprensa da instituição, Rodrigo Paiva, e do secretário municipal extraordinário para assuntos da Copa, João Bosco Vaz, deixaram claro que existe, sim, o "plano B", e que, se os jogos não saírem no Beira-Rio, irão para o novo estádio do Grêmio, mas Porto Alegre não perderá a condição de uma das sedes da competição. Por sinal, um dos argumentos mais frágeis utilizados pelos que defendem os interesses do Inter na imprensa foi o de que as obras de mobilidade urbana que foram planejadas são todas no entorno do Beira-Rio, o que tornaria inviável a troca de estádio. Conversa fiada. O estádio do Grêmio não necessita de nenhuma obra de mobilidade urbana no seu entorno, pois está estrategicamente próximo ao aeroporto e da BR-116. Assim, a tendência é que, por linhas tortas, se corrija uma escolha mal feita, e os jogos da Copa de 2014 em Porto Alegre sejam realizados num estádio moderno, inteiramente concebido dentro do rigoroso padrão da FIFA.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Indefinição
A vitória do Santos sobre o Botafogo por 2 x 0, hoje á noite, na Vila Belmiro, no último jogo atrasado que faltava ser realizado no Campeonato Brasileiro, deixou a competição ainda mais indefinida e emocionante. Faltando, agora, oito jogos a cumprir, para todos os clubes, não há quem possa arriscar um favorito para ser campeão. Os clubes que ocupam os seis primeiros lugares na tabela tem amplas condições de ficar com o título. Corinthians, Vasco, Botafogo, Flamengo, Fluminense e São Paulo disputarão, provavelmente até a última rodada, para ver quem ficará com a taça, num desfecho emocionante, que demonstra, mais uma vez, o quanto é falso o argumento dos inimigos da fórmula de pontos corridos que a consideram pouco estimulante. O resultado de hoje invalidou, também, a teoria conspiratória que já circulava em algumas rodas de que o Santos não se empenharia contra o Botafogo, para prejudicar o Corinthians, seu rival, fazendo-o perder a condição de líder da competição. Ora, a idéia não fazia sentido algum, pois o Santos ainda não atingiu o índice matemático para evitar o rebaixamento e não iria correr riscos apenas com o intuito de desfavorecer um rival histórico. O fato é que a briga pelo título e pela definição dos clubes que serão rebaixados garantirá que o Brasileirão seja eletrizante até o fim. A fórmula de pontos corridos é, indubitavelmente, a mais justa, por ser a única que apresenta equilíbrio técnico entre os participantes, pois todos se enfrentam, em turno e returno. Trata-se de um modelo de competição que favorece quem forma um bom time e dedica igual empenho a todos os jogos. Alegações contra a fórmula não passam de desculpas esfarrapadas de quem não soube preparar-se adequadamente para a disputa. Essa, ao que parece, é uma questão vencida. Tal como já ocorria no exterior, os pontos corridos estão plenamente aprovados no Brasil.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Um modelo em crise
A imprensa de direita tenta menosprezá-lo, mas o movimento Ocupe Wall Steet, deflagrado há um mês nos Estados Unidos, é mais uma evidência da crise do sistema capitalista. O movimento surgiu quando um grupo de jovens decidiu acampar numa praça no centro financeiro de Nova York, no sul de Manhattan. A partir dali, o Ocupe Wall Street se espalhou por outras importantes cidades americanas, como Washington, Boston, Chicago, Los Angeles e São Francisco. Utilizando palavras de ordem contra o sistema financeiro e a desigualdade social, a iniciativa está ganhando popularidade e é apoiada pela maioria dos homens, mulheres e jovens do país. O pré-candidato a presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Mitt Romney, mostra que a direita já acusou o golpe. Romney disse que "isso é perigoso, isso é luta de classes". Outro direitista empedernido, Herman Cain, também pré-candidato a presidente pelo Partido Republicano declarou: "Não culpe Wall Street nem os grandes bancos. Se você não é rico nem tem emprego, culpe a si mesmo". Porém, outras vozes foram menos depreciativas em relação ao movimento. O presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, ponderou: "Eles culpam o setor financeiro pela bagunça em que vivemos e estão insatisfeitos com a resposta de Washington. Em certa medida, eles tem razão". Na mesma linha, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, argumentou: Acho que eles expressam a frustração que o povo americano está sentindo". Uma frustração, aliás, fácil de entender, afinal, a desigualdade social nos Estados Unidos aumenta a cada dia. Nos últimos trinta anos, por exemplo, os salários em Wall Street foram, em média, 450% maiores que os pagos pelos demais setores da iniciativa privada. Num país que sempre fez a apologia da busca do sucesso pessoal e do enriquecimento, é sintomático que uma iniciativa como o Ocupe Wall Street vá ganhando cada vez mais adeptos. A direita pode até não querer admitir, mas isso é uma evidência de que o modelo capitalista vive uma séria crise. Tomara que, a partir dela, o mundo possa vislumbrar uma alternativa para um modelo tão espúrio, injusto, desigual e concentrador de renda. Com base na grande aceitação do Ocupe Wall Street, e parodiando John Lennon, eu lhes digo que eu posso ser um sonhador, mas não sou o único.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Medida acertada
A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou hoje, finalmente, o projeto do vereador Alceu Brasinha (PTB) que acaba com a obrigatoriedade da execução dos hinos nacional e riograndense antes dos jogos de futebol realizados na cidade. Pelo projeto, o Hino Nacional continuará a ser executado quando da realização de jogos internacionais e em partidas da Seleção Brasileira. O projeto ainda depende da sanção do prefeito José Fortunati (PDT). A medida é de extremo bom senso. A idéia da execução dos hinos antes dos jogos foi muito equivocada. Primeiro, por vulgarizar algo solene, que deve ser reservado para ocasiões relevantes. Em segundo lugar, porque o comportamento da torcida nos estádios, ignorando o Hino Nacional e cantando em uníssono o Hino Riograndense, constitui uma revoltante demonstração de incivilidade. O hino brasileiro, um dos mais belos do mundo, não pode e não deve ser submetido a tão deprimente depreciação, motivada por um patológico sentimento separatista que viceja no Rio Grande do Sul, alimentado por um patético e estúpido culto ao que grupos muito bem articulados e organizados tentam impingir como sendo as tradições e raízes do Estado. O projeto tem de ser sancionado, pois só assim ficaremos livres de, a cada jogo realizado em Porto Alegre, sermos submetidos a tamanha demonstração de boçalidade. Os vereadores, por certo, tem coisas bem mais relevantes para fazer do que tentar impor o sentimento cívico através de uma lei. O projeto de Alceu Brasinha vem, em boa hora, corrigir o erro que foi a determinação da execução dos hinos antes dos jogos. Só resta, agora, esperar que o prefeito Fortunati o sancione. Homem equilibrado que é, certamente irá fazê-lo.
domingo, 16 de outubro de 2011
Uma surpresa e um susto
Os jogos da dupla Gre-Nal, hoje à tarde, tiveram aspectos incomuns. O Grêmio ganhou do Santos, fora de casa, por 1 x 0. Foi apenas a segunda vitória do Grêmio sobre o Santos, na Vila Belmiro, em jogos oficiais, a primeira em Campeonatos Brasileiros. Antes do jogo, uma vitória gremista parecia muito improvável. Mesmo que o Santos estivesse sensivelmente desfalcado, e, de certa forma, desinteressado do Campeonato Brasileiro e com o foco no Mundial de Clubes, o retrospecto desfavorável na Vila Belmiro e a péssima atuação do Grêmio na derrota para o Figueirense, não autorizavam qualquer otimismo. Porém, o Grêmio venceu, e com justiça. Não foi uma grande atuação gremista, mas o time fez o suficiente para vencer. O Santos mostrou-se um time pouco vibrante, que tentou uma reação no segundo tempo, apelando para o jogo aéreo, mas não conseguiu modificar o resultado. A vitória foi magra, e o gol de Escudero resultou do rebote de um pênalti mal cobrado por Douglas que Rafael defendeu parcialmente. O Grêmio até poderia ter ampliado o placar, caso outro pênalti, claro, no segundo tempo, tivesse sido marcado. A vitória foi importante por vários fatores. Um incômodo tabu foi quebrado, ficaram faltando apenas três pontos para alcançar o índice que afasta a possibilidade de rebaixamento, e as chances de classificação para a Libertadores, ainda que remotas, voltaram a surgir no horizonte. No Beira-Rio, o Inter deu um susto em sua torcida, diante do modestíssimo Avaí. Saiu perdendo o jogo logo no início do primeiro tempo, conseguiu o empate no começo do segundo, sofreu mais um gol e, numa reação incrível, seis minutos depois já vencia por 4 x 2, resultado final da partida. A vitória mantém as chances do Inter de se classificar para a Libertadores, ainda que os resultados paralelos, mais uma vez, não tenham sido favoráveis, mas a forma como o resultado foi construído, dentro de casa, diante de um adversário tão fraco, não permite maior entusiasmo. Na próxima rodada, o Grêmio jogará, novamente, fora de casa, contra o América Mineiro, e o Inter pela segunda vez seguida no Beira-Rio, contra o Corinthians. Por mais que o América, lanterna absoluto do Brasileirão, tenha conseguido resultados improváveis como uma goleada de 4 X 1 sobre o Vasco, o Grêmio não deverá ter maiores dificuldades para ganhar um jogo onde nem o fator campo tende a pesar, pois o estádio receberá um público muito pequeno. O Inter enfrentará o líder da competição, motivado pela vitória obtida hoje, fora de casa sobre o Cruzeiro. Como se costuma dizer, é a chamada "briga de cachorro grande" e nem mesmo o fato do Inter jogar em casa deverá ser decisivo. As vitórias de Grêmio e Inter, uma surpreendente, outra inesperadamente difícil, os mantém na luta por seus objetivos. Ainda está difícil, mas o ano não acabou para Grêmio e Inter. Ainda bem.
sábado, 15 de outubro de 2011
Direitos inalienáveis
Na solenidade de adesão dos estados do Sul ao programa "Brasil sem Miséria", realizada ontem, em Porto Alegre, a presidente Dilma Roussef afirmou que o país nunca teve responsabilidade social explícita como agora. Dilma voltou a dizer que o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tirou da miséria uma população equivalente à da Argentina. Para a presidente, o combate à pobreza é um grande investimento econômico. As críticas aos programas de complementação de renda foram rechaçadas por Dilma que disse que o governo não quer a tutela dos mais pobres, mas, sim, conceder-lhes a cidadania. "Tutela seria vincularmos benefícios sociais a indivíduos. O que fazemos é reconhecer direitos inalienáveis", declarou Dilma. Referindo-se ao abalo econômico mundial, Dilma afirmou que o governo não vai deixar que o Brasil pague por uma crise que não é dele, e que, por se importar com os 16 milhões de brasileiros que vivem na miséria, irá juntar-se a eles para superá-la. A presidente está certa. Vozes reacionárias da sociedade tem criticado os programas sociais do governo que, argumentam, "dão o peixe e não ensinam a pescar". Conversa fiada. O que tais pessoas não suportam é que, finalmente, um governo deixou de lado a retórica fácil das promessas e buscou fazer, na prática, um processo de resgate social no país. Os programas, como bem colocou a presidente Dilma, são um meio de tornar cidadão quem está marginalizado no contexto social. Em função das políticas sociais do governo Lula, que estão tendo continuidade com Dilma, milhões de brasileiros foram integrados ao consumo, do qual estavam alijados. Um grande contingente de pessoas ascendeu na escala social. O Brasil, aos poucos, vai deixando de ser uma "Belìndia", uma mistura da prosperidade da Bélgica com a miséria da Índia, como certa vez definiu o economista Edmar Bacha. Apesar de quaisquer pesares, como os atos de corrupção e escândalos de toda a ordem, é inegável que os atuais ocupantes do poder na administração federal estão enfrentando a divída social do país como, até então, não havia sido feito. Nada mais justo. Afinal, como disse, certa vez, Tancredo Neves: "Enquanto houver, nesse país, um só cidadão sem casa, sem comida, e sem escola, toda prosperidade será falsa".
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