terça-feira, 10 de maio de 2011
A saída de Aod Cunha
No início do ano, o economista Aod Cunha, ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul no governo Yeda Crusius, assumiu como executivo remunerado do Inter. O fato foi efusivamente saudado por setores da imprensa esportiva que viam na contratação de Aod, economista de sólida formação e brilhante currículo, o caminho para que o Inter se consolidasse como um clube moderno, altamente profissionalizado, de grande eficiência gerencial. Seria o tão sonhado, para alguns, caminho para o fim do amadorismo e da improvisação administrativa dos grandes clubes. Previa-se um longo e árduo trabalho para Aod Cunha que culminaria, no entanto, num Inter administrado com a eficiência das grandes empresas. Tudo muito bonito, sem dúvida. No papel. Menos de seis meses depois de assumir o cargo, Aod Cunha deixou o Inter. Os mesmos que vibraram com sua contratação, por certo, lamentarão profundamente sua saída, e dirão que ela é a expressão de uma estrutura administrativa amadora e desorganizada, que resiste a evoluir e adotar padrões de eficiência empresarial. Na verdade, a saída de Aod em nada deslustra o Inter, afinal foi o clube que teve a idéia de contratá-lo, exatamente por entender que, com seu trabalho, poderia atingir um novo patamar administrativo. Se, num período tão curto, já optou-se por interromper o projeto, é muito provável que o responsável maior por tal desfecho seja o próprio Aod Cunha. Não é difícil imaginar que o economista, do alto do prestígio profissional de que desfruta e de sua excelente formação acadêmica, não deve ter aceitado qualquer reparo ou resistência de setores do clube às suas idéias e proposições. Dessa forma, em pouco tempo, sentiu-se desestimulado a prosseguir seu trabalho. Aí é que reside o equívoco de Aod e dos defensores entusiasmados de sua contratação. Conhecimentos acadêmicos, por mais sólidos e qualificados que sejam, precisam ser adaptados à realidade prática, ou constituirão mero acúmulo de informações sem aplicabilidade. Não passa de deslumbramento simplório imaginar que o futebol só possa avançar na sua estrutura administrativa com a entrada em cena de profissionais com o perfil de Aod. Foram os tão criticados dirigentes passionais e amadores que construíram a grandeza do futebol gaúcho e brasileiro. Grêmio e Inter não precisaram de nenhum brilhante economista remunerado para conquistarem, conjuntamente, cinco Campeonatos Brasileiros, cinco Copas do Brasil, quatro Taças Libertadores da América, duas Recopas Sul-Americanas e dois Campeonatos Mundiais. Aod Cunha pode ser muito bom no seu ramo de atividade, mas também não esqueçamos que um dos pretensos méritos da área econômica do governo Yeda Crusius, no qual atuou, o chamado "déficit zero", não passou de mera ficção. Ao contrário dos tantos que lamentam o fato, entendo que a sáida de Aod Cunha não trará nenhum prejuízo ao Inter. Como todo economista com o seu perfil, Aod tem muitas idéias que são brilhantes quando expostas num quadro negro ou em um tratado acadêmico, mas de pouca ou nenhuma aplicação fora da sala de aula. O Inter não perde nada com a saída de Aod e, de quebra, ainda deixa de arcar com o pagamento de um salário que, certamente, era bem polpudo.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
As razões da crise
Fala-se muito, nos últimos dias, da existência de uma grave crise técnica no futebol brasileiro. Por certo, há algum exagero nessa apreciação, motivada que foi pela eliminação de quatro brasileiros da Taça Libertadores da América numa mesma noite e por maus resultados de grandes clubes na Copa do Brasil.. Porém, se formos analisar com mais atenção veremos que existe uma caracterísitica comum presente em quase todos os grandes clubes que fracassaram na semana passada. Esse fator em comum é a aposta nos chamados "medalhões", jogadores que, em geral já não brilham tão intensamente quanto no passado, mas, por força da fama adquirida, são contratados como soluções e, alguns, ganhando salários bastante altos. Por vezes a contratação é simplesmente o retorno a um clube de um velho ídolo de conquistas passadas. Ocorre que, no futebol, o tempo passa muito depressa e, assim, o ídolo de meia dúzia de anos atrás pode ser, hoje, apenas um espectro do que foi em seus melhores dias. O Flamengo talvez seja o exemplo mais eloquente. Repatriou Ronaldinho por uma fortuna, mas o jogador, tal e qual já vinha fazendo há pelo menos cinco anos, mostra-se mais interessado na sua movimentada vida fora do campo. No gramado, seu futebol continua pífio, e a torcida, já sem o encantamento demonstrado quando de sua chegada, começa a vaiá-lo. No Fluminense, veteranos como Deco e Souza, apesar dos polpudos salários, praticamente não jogam, seja por constantes lesões ou por baixo rendimento. O Palmeiras achou que resolveria sua crônica falta de qualidade simplesmente trazendo de volta seu último grande ídolo, Valdívia, que não é veterano, mas, extremamente genioso, logo entrou em rota de colisão com o não menos temperamental técnico do clube, Luiz Felipe. O Cruzeiro também apelou para jogadores rodados como Gilberto e Roger. Este último, no jogo que decidia a classificação do clube para as quartas de final da Libertadores, foi expulso, fato que contribuiu para a eliminação do Cruzeiro. No Inter, a insistência com jogadores das campanhas vitoriosas de 2006 também cobrou seu preço. Índio, ao que parece, já foi barrado, mas Bolívar e Tinga continuam a ser prestigiados, ainda que mostrem estar se encaminhando aceleradamente para a aposentadoria. Por sinal, outros jogadores do Inter de 2006 estão indo pelo mesmo caminho. Fernandão deverá rescindir seu contrato com o São Paulo e Fabiano Eller, que chegou a retornar para o Inter e teve péssimo desempenho, está sem clube. O Grêmio talvez seja o único que não se encaixe exatamente nesse perfil. Sua desclassificação da Libertadores se deveu muito mais ao acúmulo incrível de lesões que mutilou seu grupo de jogadores. Ainda assim, já no primeiro jogo após a desclassificação, obteve uma vitória expressiva apostando num ataque de jovens. Não é coincidência. O Santos, único brasileiro que restou na Libertadores assenta a força do seu time em jovens revelações, não em veteranos renomados. O fato é que, quer por já estarem milionários e desinteressados, quer por já não ostentarem uma boa condição física, ou ainda por que sejam "marrentos", os velhos ídolos repatriados ou recontratados não dão um bom retorno. Os jovens é que seguram a barra. É assim no São Paulo, onde Fernandão e Rivaldo fracassaram e brilham Lucas e Casemiro. No Grêmio,dos emergentes Leandro e Júnior Viçosa. No Santos, dos já celebres Paulo Henrique Ganso e Neymar. No Inter de Leandro Damião e Oscar. No Flamengo do ainda jovem, embora experiente, Tiago Neves. Jogadores vitoriosos de glórias passadas proporcionam agradáveis recordações, mas não resolvem no presente, nem garantem o futuro.
domingo, 8 de maio de 2011
O título está quase ganho
Depois de assistir ao Gre-Nal de hoje à tarde, no Beira-Rio, a conclusão a que se pode chegar é que o Grêmio já está com o título de campeão gaúcho praticamente ganho. O Grêmio derrotou o Inter no estádio do adversário, marcou três gols fora de casa numa decisão que tem saldo qualificado e mostrou uma condição anímica superior. Mesmo que se saiba que o Inter tem tradição, que se trata de um clássico e que, em futebol, não se ganha de véspera, a possibilidade de uma reversão é bem pequena. O Grêmio jogou duas vezes seguidas contra o Inter fora de casa. Em ambas as partidas, saiu perdendo. Empatou a primeira e venceu a segunda, tendo contra si um estádio ocupado por uma maioria de torcedores do adversário. Agora, no Olímpico, com maioria de torcedores e ampla vantagem no regulamento, é muito improvável que deixe de conquistar o título. A defesa do Grêmio, novamente, cometeu erros, principalmente no segundo gol que sofreu, porém a do Inter falhou ainda mais. O técnico do Grêmio, Renato, dessa vez, foi muito bem na escalação do time. Barrou Rafael Marques, que vinha de más atuações, promoveu a entrada de Escudero no meio, ao lado de Douglas, e montou um ataque jovem e veloz, com Leandro e Júnior Viçosa. Pelo volume de jogo apresentado no segundo tempo, o Grêmio poderia ter vencido, até, por um placar mais amplo. Ainda assim, vai para o próximo Gre-Nal com grande vantagem, pois qualquer empate lhe serve e até com derrotas por 1 x 0 ou 2 x 1 conquistará o título do Campeonato Gaúcho. No caso de sofrer uma derrota pelo mesmo placar de hoje, a decisão do campeonato iria para os tiros livres da marca do pênalti. O Inter terá de ganhar o jogo por dois gols de diferença ou por um gol a partir de 4 x 3, para obter o título. Como se vê, uma tarefa que, embora não seja impossível de ser cumprida, é muito difícil. Os problemas do Inter parecem muito grandes para serem superados com apenas uma semana de treinos. Vários jogadores dão indícios de estarem encaminhando um final de carreira, ou pelo menos de sua passagem pelo clube. Os resquícios da base vitoriosa de 2006 parecem estar, definitivamente, se apagando. O Inter teve duas partidas seguidas em casa contra o Grêmio para demonstrar sua propalada superioridade, jogando praticamente completo contra um adversário desfalcado. Não conseguiu. Agora é o Grêmio quem está com a faca e o queijo na mão, ou como dizem os gaúchos, com o cavalo passando encilhado. Nada indica que irá perder essa chance. O Gauchão ainda não acabou, mas já surge no horizonte o seu campeão.
sábado, 7 de maio de 2011
A direita sem discurso
Os meios de comunicação tem batido na tecla de que a oposição está em crise no Brasil. Não consegue formular uma linha de conduta, está dividida e desorientada. O que se passa com o DEM, partido que é um dos sucedâneos da antiga Arena, é exemplar. Pelo andar da carruagem, o partido caminha para a extinção. Tal crise, porém, é explicável. As forças de direita, no Brasil, ficaram sem discurso. Todos os fantasmas com que tentaram atemorizar os eleitores para que não votassem em Lula para presidente da República não fizeram efeito. Lula foi eleito, mais tarde reeleito, e fez a sua sucessora, Dilma Roussef. A hipótese de que o ex-presidente modificaria a legislação para obter um terceiro mandato foi aventada pela imprensa, mas Lula a rechaçou de pronto, mostrando respeito às normas legais, ainda que se saiba que, se o desejasse, a aprovação da alteração seria líquida e certa. A grande imprensa tentou relacionar os êxitos obtidos no governo Lula ao fato de terem sido mantidos, em sua administração, os fundamentos econômicos implantados por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Sim, é verdade que Lula não subverteu o ordenamento econômico até então existente, mas seu governo avançou muito mais na direção da expansão dos empregos e da diminuição das desigualdades. Fala-se em educação de baixa qualidade e falta de mão-de-obra qualificada para preencher vagas nas empresas. Ora, o que não se diz é que houve uma notável expansão no número de empregos gerados, depois de anos de estagnação do mercado, sendo natural que faltem, num primeiro momento, pessoas que possam preencher todas as vagas. Longe de ser um problema grave, é um sinal inequívoco, de um país em estágio de crescimento econômico, com redução de desigualdades e maciça inserção no mercado de segmentos antes excluídos do consumo. Não é à toa que Lula deixou o governo com o mais alto índice de popularidade de um presidente brasileiro em todos os tempos. O eleitor não vota movido por preconceitos ideológicos, pensa no seu bolso e no seu estômago. Dessa forma, foi capaz de eleger para presidente um ex-operário e, agora, a primeira mulher a ocupar o cargo, por sinal uma ex-ativista de esquerda. As primeiras medições de popularidade de Dilma Roussef mostram que a maioria do eleitorado continua satisfeita. O governo anterior, e o atual, possuem muitos defeitos, alguns bastante graves. Não se trata, aqui, de fazer um texto laudatório a quem está no poder. Trata-se, apenas, de reconhecer os grandes avanços sociais e econômicos alcançados a partir do governo Lula. Em resumo, a direita ficou sem discurso porque o Brasil está dando certo.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Estupidez
Por mais que sejamos bombardeados diariamente por toda a sorte de informações e já se tenha vivido muito, certas notícias ainda tem a capacidade de nos gerar estupefação. Foi o que ocorreu comigo ao saber da história que envolve a menina americana Bree Evans, de apenas 7 anos, e sua mãe, Sheron Evans, de 33 anos, que vivem em San Diego, na Califórnia. Com o objetivo de transformar a filha numa estrela tão famosa quanto Willow Smith, filha do ator Will Smith, Sharon faz aplicações de toxina botulínica no rosto de Bree a cada dois meses, e preenchimento labial a cada três meses. A menina já fez, também, maquiagem definitiva nas sobrancelhas com técnicas de tatuagem. A própria Sharon é quem realiza os procedimentos pois, é óbvio, todos os médicos que procurou se negaram a fazê-los. Sharon diz que Bree chora de dor, mas, depois, fica feliz com o resultado. Dificilmente devo ter me deparado, ao longo da minha vida, com tamanha demonstração de estupidez e estultice. O excessivo culto às celebridades, marca do tempo atual, acabou por gerar tamanha deformação de conceitos que chegamos a um caso estarrecedor como esse. Sharon justifica sua atitude dizendo que "ela é minha menina e tenho que garantir que seja uma estrela". Acrescenta, ainda que "eu sou a mãe dela, a empresária dela, a motivadora dela, a amiga dela". Empresária e motivadora pode até ser, mas mãe e amiga Sharon não é. Como pode uma mãe submeter uma filha de apenas sete anos a intervenções dolorosas e, principalmente, desnecessárias para a sua idade, em nome da busca do estrelato? A sociedade atual e seus apelos estão levando algumas pessoas a um processo de idiotização, a perderem a noção do que seja razoável. Ao tomar conhecimento de fatos como esse, recordo-me da letra de uma antiga música que dizia "pare o mundo que eu quero descer". Pois é, às vezes, dá mesmo vontade de fazer isso, se possível fosse.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Enfrentando tabus
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal considerou, nessa quinta-feira, a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. A decisão chega, até, com atraso. A atuação de grupos religiosos e forças sociais conservadoras vinham conseguindo retardar o reconhecimento legal das chamadas uniões homoafetivas. Os casais formados por pessoas do mesmo sexo constituem uma realidade cada vez mais presente na sociedade. A partir da decisão do STF, cria-se um precedente a ser seguido pelas instituições de administração pública. Herança, pensão alimentícia e previdenciária passam a ser assegurados para os casais homoafetivos. O relator da matéria, ministro Ayres Britto, ao defender a união de pessoas homossexuais como entidade familiar, disse que o sexo não pode ser usado como motivo para tornar pessoas desiguais perante o Estado. Ayres Britto acrescentou que, com a decisão, ganham os homoafetivos e ninguém perde. Tem razão o ministro. Só mesmo a visão turvada pelo preconceito ou pelo fanatismo religioso pode levar alguém a ser contra tal medida. A decisão, inclusive, não institui o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Entendem os ministros que o casamento civil se restringe aos casais formados por um homem e uma mulher. Assim, não há motivos para alguém se opor a uma decisão que, reitere-se, foi tomada por unanimidade. Ainda que de forma mais lenta do que seria desejável, o Brasil vai avançando nas questões de cidadania. A decisão do STF foi mais um passo nessa direção.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
O fiasco brasileiro na Libertadores
Não há outra palavra para definir o que aconteceu com os clubes brasileiros, na quarta-feira, pelas oitavas de final da Taça Libertadores da América. Foi, mesmo, um fiasco. Se da primeira para a segunda fase todos os clubes brasileiros passaram, dessa vez só o Santos classificou-se para as quartas de final! O Cruzeiro, clube de melhor campanha na primeira fase, e o Inter, sempre cotadíssimo por sua suposta grande qualidade, foram os responsáveis pelos maiores fracassos, pois obtiveram bons resultados fora de casa e foram eliminados diante de suas torcidas. Se, no entanto, fizermos uma análise de cada um dos brasileiros que saíram da Libertadores, veremos que nada é tão absurdo assim. Comecemos pelo Cruzeiro, o permanente quase campeão. Nas últimas edições da Libertadores, o Cruzeiro sempre fez belas campanhas, passando a ser apontado como um dos favoritos, e acabou soçobrando na competição. Falta-lhe, na hora decisiva, o ímpeto dos vencedores. Além disso, em que pese sua excelente campanha na primeira fase, seu grupo de jogadores está longe de ser brilhante. Conta, entre outros, com Leandro Guerreiro, aquele mesmo limitadíssimo ex-jogador de Inter e Botafogo, e com o paraguaio Ortigoza, que não deu certo no Palmeiras. Passemos ao Fluminense. O clube fracassou no campeonato estadual, conseguiu uma classificação quase milagrosa para as oitavas de final da Libertadores, e vem sendo treinado por um técnico interino que apenas guarda lugar para Abel Braga, que chegará em junho. Chegamos, então, na dupla Gre-Nal. O Inter, mais uma vez, foi tido por muitos como um dos favoritos para o título da Libertadores por, presumivelemte, possuir um grande time e um bom grupo. O futebol apresentado em campo jamais confirmou tal condição e, dessa vez, a sorte que permitiu a classificação diante do Estudiantes em 2010, quando estava sendo eliminado e marcou um gol aos 43 minutos do segundo tempo, não se fez presente. O Grêmio teve a eliminação mais previsível. Perdeu a primeira partida, tinha de reverter na casa do adversário, e jogou com um time absolutamente desmontado pelas lesões. Ainda assim, há que se fazer dois reparos. O primeiro é que, para quem precisava ganhar, o Grêmio adotou uma postura muito defensiva, com três volantes e, a exemplo do que ocorrera no Gre-Nal, Leandro ficou no banco, hoje entrando somente no segundo tempo, o que é incompreensível. O segundo é que o Once Caldas, tal e qual o Grêmio, perdeu o primeiro jogo em casa, contra o Cruzeiro, por 2 x 1, e, ainda assim, foi capaz de reverter a desvantagem, ganhando a segunda partida, fora de casa, por 2 x 0. Por fim, cabe dizer que, também em relação ao único clube brasileiro que restou na Libertadores, o Santos, não há nenhuma surpresa. Afinal, possui os dois melhores jogadores em atividade no Brasil, Paulo Henrique Ganso e Neymar. Como já ficou provado tantas vezes, o que faz a diferença, no futebol, é o talento.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Um quadro cada vez pior
A política, no Brasil, parece ter caído num poço sem fundo. Não há limites para o afundamento moral e o descrédito do meio político brasileiro. Se alguém pensa já ter visto tudo, os jornais, a cada dia, nos abastecem com fatos ainda piores. Na Câmara dos Deputados, temos um analfabeto funcional na Comissão de Educação e parlamentares envolvidos em processos judiciais integrando a Comissão de Ética! O prefeito de São Paulo funda um novo partido e diz que o mesmo não é de esquerda, de centro, nem de direita. Delúbio Soares, um dos responsáveis pelo mensalão, é reintegrado aos quadros do PT. O denunciador do esquema de corrupção na administração passada do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, é, agora, suspeito de pedofilia com os próprios filhos! Um senador arranca o gravador de um repórter e justifica-se dizendo ser alvo de um "bullying" por parte da imprensa. Muitos outros exemplos poderiam ser arrolados, compondo um panorama cada vez mais aterrador. A impressão que se tem é que não resta, no meio político, mais nenhum resquício de ética. Nesse ramo de atividade adotou-se, definitivamente, a idéia de que os fins justificam os meios. A desfaçatez com que os políticos praticam os atos mais baixos deriva da certeza da impunidade e da passividade da opinião pública. Lutou-se muito pela democracia e ela foi restituída. Infelizmente, a volta da democracia não se fez acompanhar por uma prática política mais digna e menos corrupta. Esse é um ideal que ainda está muito longe de ser alcançado.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Regozijo com a morte
Nada pode ser mais incompatível com a condição humana civilizada do que o regozijo com a morte de quem quer que seja. A vida é o bem maior que cada um de nós possui. Dessa forma, assassinar alguém, seja em nome do que for, é um ato torpe e ignóbil. Regozijar-se de tê-lo feito é simplesmente, abjeto e repugnante. Nem mesmo a morte de um assassino em série, terrorista, ou qualquer tipo de criminoso de alta periculosidade, encontra justificativa moral. Ao dar cabo da vida de um criminoso, estamos partilhando de sua conduta e, portanto, nos igualando a ele em sua bestialidade. Por isso, não posso concordar com os que festejaram ruidosamente a morte de Osama Bin Laden. Sim, sabemos todos do que aconteceu no atentado às Torres Gêmeas e ao Pentágono, das muitas mortes que ocorreram. Claro, ficamos todos sensibilizados com a dor dos que perderam pessoas queridas naquele episódio. Porém, dor alguma, por mais intensa que seja, justifica a sede pelo sangue alheio. Os que procedem assim não desejam justiça, querem vingança, um sentimento rasteiro. Muitas vidas se perderam no atentado de setembro de 2001, é verdade, mas genocídios, chacinas e atrocidades ocorrem todos os dias, nos mais diferentes lugares do mundo, sem causar a mesma comoção. Será que a vida dos africanos que morrem de fome e doenças aos milhões, dos israelenses e palestinos que destroem-se uns aos outros com seus atentados e explosões, dos civis mortos em meio às diversas guerras espalhadas pelo mundo, valem menos que as das vítimas do 11 de setembro? Diante de tais casos, as pessoas reagem com indiferença, como se fosse algo natural. Já um atentado em Nova York, capital cultural do mundo, leva todos à estupefação e à revolta. Como alguém que tem a pretensão de ser civilizado, entendo que Osama Bin Laden deveria ter sido capturado e julgado por um tribunal penal internacional. Ao eliminá-lo, seus executores se igualaram a ele no mesmo grau de desumanidade e crueldade. Os que comemoraram tal ato renunciaram a condição de seres humanos evoluídos e regrediram à barbárie.
domingo, 1 de maio de 2011
O Grêmio não quer ser campeão
O título desse comentário pode parecer exagerado para alguns, mas é a única conclusão a que se pode chegar depois do que se viu no Gre-Nal de hoje à tarde. A começar pela escalação do time. Renato, um técnico reconhecidamente ousado e ofensivista, escalou o Grêmio com três zagueiros e três volantes! Para isso, retirou do time a sua mais recente revelação, o atacante Leandro. Com Borges isolado no ataque, é óbvio, o time ficou sem nenhum poder ofensivo, limitando-se a assistir o Inter jogar durante todo o primeiro tempo. Pouco depois da metade do segundo tempo, com a justa expulsão de Guiñazu, e a entrada de Wilson Matias puxando o Inter para trás, o Grêmio teve o jogo na mão. Obteve o empate e, quando faltava apenas um minuto para o fim do tempo regulamentar, conseguiu uma falta na meia-lua da grande área que, se redundasse em gol, lhe daria o título do Campeonato Gaúcho. O incrível é que, tendo dois exímios batedores no time, Douglas e Fábio Rockemback, quem cobrou a falta foi Fernando, um jogador reserva, que entrou durante a partida, é inexperiente e, mais uma vez, não atuou bem. Os erros nos tiros livres da marca do pênalti, nas duas primeiras cobranças, por parte de Borges e Fernando, apenas escancaram os equívocos do Grêmio. Borges, em péssima fase, e Fernando, jovem e pouco experiente, não deveriam ter sido relacionados para as cobranças. O Grêmio teve três chances seguidas de levar o Gre-Nal de hoje para o Olímpico e desperdiçou todas, ao perder para o Juventude e empatar com Santa Cruz e Ypiranga de Erechim. No jogo de hoje, mesmo depois de uma escalação estapafúrdia, teve o jogo nas mãos e não soube ganhá-lo. Após, nos tiros livres da marca do pênalti, errou as duas primeiras cobranças de forma rídicula. Como se pode ver, é muita vontade de não ganhar um título. Cabe dizer, no entanto, que afora os seus próprios erros, o Grêmio sofreu um prejuízo grave da arbitragem, pois no gol do Inter, Leandro Damião fez falta em Rodolfo. Com a sucessão de erros que tem cometido, dentro e fora do campo, agravado por arbitragens ruins como a de Nestor Pitana contra a Universidad Católica do Chile, e Márcio Chagas da Silva no Gre-Nal, somadas ás infindáveis lesões, o futuro imediato do Grêmio não parece nada animador.
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